Notas iniciais
Continuando...

“Assim que entraram, Ruby puxou Emma para a pista de dança. Os cabelos de Ruby não paravam de balançar enquanto ela dançava e Emma ria da cara de pato que ela fazia. Zelena de repente se juntou a dupla e as três dançaram como se não houvesse amanhã. Quando a música acabou, elas se reuniram com as meninas ao balcão. Uma ruiva esbelta já estava ao lado de Regina, Ruby olhou e contorceu o rosto em repulsa.

— Vai ser assim a noite toda, não gaste sua paciência, é só ignorar— Zelena indicou um grupinho de garotas no canto, elas olhavam para Regina, esperando a vez delas.”

Regina chama o garçom e pede duas cervejas, a ruiva morde os lábios e sorri. Quando o garçom entrega ela estica a mão para pegar uma garrafa, mas Regina é mais rápida.

— Hum, não é pra você.— Regina diz entregando a cerveja a Emma.

A reação inicial de Emma foi querer jogar a garrafa no lixo, mas a mulher ficou tão ofendida que a loira não resistiu e sorriu, tomando um gole. A ruiva saiu pisando duro, bufando de raiva e Emma riu baixinho, pois Regina parecia não ter notado nada.

— Um brinde a ser a única garota com quem Regina Mills, que não tem critério nenhum, não quer transar.— Emma disse, erguendo a garrafa e em seguida tomando um grande gole de cerveja.

— Você tá brincando, né?— Regina disse tirando a garrafa da boca de Emma. – Pra começar que eu tenho critério sim! Eu nunca peguei uma mulher feia — Regina dá ênfase no nunca – E se quer saber, eu queria sim transar com você, pensei em te jogar no meu sofá de 50 formas diferentes, mas não te vejo mais assim. Não é que eu não me sinta mais atraída por você, só acho que você merece coisa melhor.

— Ah sim, porque eu sou muito boa pra você, verdade!— Emma diz erguendo uma sobrancelha.

Regina vira os olhos e puxa Emma.

— Pra te ser bem sincera, não consigo imaginar ninguém que eu considere boa o bastante pra você. Vem, vamos dançar.

— Eu bebi demais, vou cair.

Regina sorri e puxa Emma para junto dela, a agarrando pelo quadril.

— Cala a boca e dance.

Regina segurava forte no quadril de Emma, mas estava com uma expressão diferente, quase séria. A loira juntou as mãos no pescoço da morena e foi descendo pelo colo, passando pelos peitos até chegar na barriga chapada. Emma podia sentir a pele de Regina arrepiada e se afastou olhando nos olhos da morena com um semblante provocante. Regina então puxou Emma pela cintura e a colocou de costas, encostando seus corpos perigosamente. Com o nível de álcool que Emma tinha no sangue ela conseguia pensar em qualquer coisa, menos em amizade.

Outra musica começou e Regina não dava sinal de que queria voltar ao bar, suor escorria pelos corpos das duas e as luzes estavam deixando a loira um pouco zonza. Emma fechou os olhos apoiando a cabeça no ombro da morena, Regina então pegou os braços de Emma e os envolveu ao redor do seu pescoço; as mãos da morena desceram pelos braços, pelas costas e por fim chegaram ao quadril da loira. Quando Emma sentiu lábios quentes e por fim a língua de Regina em seu pescoço se afastou com um pulo, voltando ao balcão, seguida por Regina.

— O que é isso, Regina?— Emma disse irritada.

— Que foi, flor?— Regina disse com uma risadinha, meio surpresa.

— É assim que você quer que pensem que você não quer transar comigo?— Emma perguntou puxando o cabelo para o lado e cobrindo a parte que a morena tinha beijado.

— Eu tô pouco me lixando para o que pensam da gente.

Emma virou os olhos.

— Beija-flor...

— Nem vem, você nunca vai me arrastar para aquele sofá, ok?

Regina contorceu o rosto bufando, mas antes que conseguisse dizer alguma coisa, uma mulher estonteante, de cabelos loiros, olhos azuis berrantes e peitos a mostra apareceu.

— Olha se não é Regina Mills. Não vai me apresentar sua namorada?

Regina deu um gole e olhou fixo nos olhos de Emma.

— Oi Kristin.

Emma revirou os olhos pela maneira como a mulher era óbvia.

— Ela não é minha namorada.— Regina diz virando a cabeça em um gole, secando a garrafa e jogando a no lixo mais próximo.

A loira olha Regina e dá um sorriso de meia boca, enquanto a morena a puxa pela mão até a pista de dança.

Elas dançaram uma, duas, três, quatro músicas e todos ficavam olhando a forma como Kristin deixava Regina a apalpar. Emma se sentiu nauseada com a cena e virou de costas, até que ouviu um sotaque francês bem próximo ao seu ouvido.

— Você está brava?— Marina disse se sentando. – Você e a Regina tem algo?

— Não, ela é só minha amiga.— Emma resmungou.

— Ah, menos mal. Seria muito embaraçoso para você se fosse sua namorada.

Marina olhava para a pista de dança, balançando a cabeça com o espetáculo.

— Nem me fale — Emma disse, bebendo o resto da cerveja.

— Quer outra?— Marina perguntou.

Emma olhou para a morena, que sorriu e disse:

— Não nos apresentamos muito bem hoje cedo, né. Vamos começar de novo, sou a Marina, prazer.

— Emma — falou, apertando a mão estendida.

Marina ergueu dois dedos para o barman, e sorriu.

— Obrigada— Emma disse.

— Então, você mora em NY mesmo? — A morena perguntou.

— Sim, no Brooklin.

— Tenho um apartamento na ilha.

— Aparentemente todos nesse lugar têm, né?— Emma diz rindo.

— Você estuda, Emma? — Marina perguntou — Vi você com um livro na mão hoje a tarde, aprecia a leitura?

— Começo jornalismo na Columbia em duas semanas. E quanto ao livro... ler é a única coisa que me acalma.

— Sério? Não se encontram muitas loiras lindas e cultas por aí.— Marina diz em tom galanteador.

Emma riu.

— Acho que você só não soube procurar direito.

Emma tira um batom vermelho do bolso e passa-o nos lábios, aproveitando o espelho da parede atrás do balcão.

— Cor bonita essa— Marina diz, observando Emma pressionar os lábios.

Emma sorri, sentindo raiva de Regina e o peso do álcool.

— Talvez você possa experimentá-lo depois.

Os olhos de Marina brilharam quando Emma se inclinou para perto dela, e a loira sorriu quando a morena encostou uma mão em seu joelho. Mas ela acabou recolhendo a mão quando Regina se colocou entre as duas.

— Está pronta, Flor?

— Estou conversando, Regina— Emma disse, desviando de Regina para voltar a olhar Marina.

Regina fez uma careta.

— Você ao menos conhece ela pra já ir se oferecendo assim?

— Oh, perdão. Essa é a Marina, creio que vocês já se conheçam. — Emma disse irônica, sorrindo para a morena sentada, da maneira mais sedutora que conseguiu.

Marina piscou para Emma e então olhou para Regina, estendendo a mão para cumprimentá-la.

— É sempre bom revê-la, Regina.

Regina ficou olhando para Emma com a cara fechada, até que Emma pegou sua mão e juntou com a de Marina, balançando-as.

— Pronto, já estão devidamente reapresentadas— Emma murmurou.

— Pode ir andando querida, tem um monte de mulher desesperada lá perto das piscinas.— Regina disse irônica.

Marina riu, olhando rapidamente de Emma para Regina e vice-versa. Quando se deu conta de que Regina estava falando sério, sorriu para Emma como que pedindo desculpas e foi embora.

— Está pronta agora? — Regina perguntou irritada.

— Você é uma completa babaca, sabia?

— Já me chamaram de coisa pior— Regina disse, ajudando a loira a sair da banqueta.

As duas estavam procurando Ruby e Zelena pela casa, quando de repente avistaram um misto de cabelos pretos e cor de fogo se embrenhando num sofá.

— Uau, elas deviam ir pra um quarto. – Regina exclamou.

— Nossa... Acho que elas passaram tanto tempo nos infernizando que não perceberam que eram feitas uma para a outra.— Emma disse de olhos arregalados.

Regina interrompeu o beijo de Zelena e Ruby as chamando pra ir pra casa.

— Mas já?— Zelena fez biquinho.

— É, pois é.— Emma bufou irritada, fitando Regina.

As duas foram atrás de Zelena e Ruby até o carro, e, quando Regina tentou segurar Emma pela mão para a guiar pelo estacionamento, Emma a puxou com força. Regina se virou e Emma parou, se curvando para trás quando o rosto da morena ficou a poucos centímetros do seu.

— Eu devia beijar você e acabar logo com isso! — Regina gritou. — Você está sendo ridícula! Beijei seu pescoço, e daí?

Emma podia sentir o cheiro de cerveja e cigarro no hálito da morena.

— Não sou sua amiguinha de trepada, Regina.

Regina balançou a cabeça, sem acreditar no que tinha acabado de ouvir.

— Eu nunca disse que você era! Você está perto de mim o tempo todo, até dormiu comigo hoje e vai dormir mais essa noite, mas, na metade desse tempo, age como se não quisesse ser vista comigo!

— Eu vim até aqui com você, não vim? Fiz tudo o que você quis hoje, não fiz?

— Eu só tenho te tratado com respeito, Flor.

Emma manteve sua linha de defesa.

— Não, você só tem me tratado como se eu fosse sua propriedade. Você não tinha o direito de espantar a Marina daquele jeito!

— Você nem conhece a Marina, sabem quem ela é? Me julga tanto, mas conhece ela? — Regina perguntou. Quando Emma balançou a cabeça em negativa, Regina se inclinou mais um pouco, aproximando-se ainda mais.

— Pois eu conheço. Ela sempre usa toda aquela pseudo sensualidade e erudição pra seduzir garotas ingênuas como você, come por meses, depois enjoa e sai contando pra todo mundo. E ah, só pra constar, ela é casada, tá? Ela é a mulher dela meio que não se importam com poligamia.

Emma cruzou os braços.

— Ah, então vocês têm algo em comum?

Regina apertou os olhos, e contraiu seu maxilar, furiosa.

— Você acha que eu seduzo alguém propositalmente pra depois ficar humilhando e acabando com a imagem da pessoa para os outros depois?

Emma pressionou os lábios, com raiva por Regina estar certa, ela tinha ido longe demais.

— Não acho nada, só estou irritada com você!

— Eu bebi, ok? Sua pele estava a centímetros da minha boca, você é linda e seu cheiro é incrível quando você fica suada. Eu te beijei! Me desculpa! Esquece!

O pedido de desculpas fez com que os cantos da boca de Emma se voltassem para cima.

— Você me acha linda?

Regina bufou pra cima, indignada.

— Você é muito bonita e sabe disso. Aff! Por que está rindo?

Emma tentou disfarçar seu divertimento, inutilmente.

— Por nada. Vamos embora.

Regina balançou a cabeça.

— O que...? Você...? Você é um pé no saco! — Regina gritou, fuzilando a loira com o olhar.

Emma não conseguia parar de sorrir, e, depois de alguns segundos, Regina fez o mesmo, balançou a cabeça de novo e enganchou o braço em volta do pescoço da loira.

No chalé, todas passaram cambaleantes pela porta, não havia sinal das outras meninas. Emma foi direto para o banheiro para lavar os cabelos e tirar o cheiro de cigarro. Quando saiu do chuveiro, viu que Regina tinha deixado uma camiseta e uma calça larga de pijama ali pra ela.

A camiseta a engoliu, e o calça era enorme. Emma se jogou na cama e suspirou, ainda sorrindo por causa do que Regina tinha lhe dito no estacionamento.

Regina ficou encarando a loira por um instante, e Emma sentiu uma pontada no peito, ela tinha uma necessidade quase voraz de agarrar o rosto da morena e lhe dar um beijo na boca, mas lutou contra o álcool e os hormônios.

— Boa noite, Flor — Regina sussurrou, se virando para o outro lado.

Emma ficou se mexendo, inquieta e sem sono.

— Regina? — Emma disse, se erguendo e apoiando o queixo no ombro da morena.

— O quê?

— Sei que estou bêbada e que acabamos de ter uma briga gigantesca por causa disso, mas..

— Não vou transar com você, então para de ficar pedindo — Regina disse, ainda de costas para a loira.

— O quê? Não! — Emma gritou.

Regina riu e se virou, olhando nos olhos de Emma.

— Que foi, Beija-Flor?

Emma soltou um suspiro.

— Isso ... — Emma falou, deitando a cabeça no peito de Regina esticando o braço sobre sua cintura, se aninhando tão perto quanto podia.

Regina ficou tensa e ergueu as mãos, como se não soubesse como reagir.

— Você está bêbada...

— Eu sei — Emma falou, embriagada demais para ficar constrangida.

Regina relaxou uma das mãos nas costas da loira e pôs a outra nos seus cabelos úmidos, depois beijou Emma na testa.

— Você é a mulher mais complicada que já conheci.

— É o mínimo que você pode fazer depois de espantar a única pessoa que veio falar comigo hoje.

— Você quer dizer Marina, a polígama destruidora de corações? É, eu te devo uma por essa.

— Deixa pra lá— Emma falou, sentindo o começo de uma rejeição a caminho.

Regina agarrou o braço de Emma e o manteve em cima de sua barriga, para impedir a loira de sair dali.

— Não, estou falando sério. Você vive me entregando ódio gratuito e agora fica brava por espantar uma mulher que é 10 vezes pior do que eu? Quer o que, que eu peça desculpas?

— Não quero que você peça desculpas. Não é isso...

— Então o que é?— Regina quis saber.

O rosto de Regina estava a poucos centímetros do de Emma, de modo que a loira podia sentir a respiração da morena em seus lábios.

— Estou bêbada, Regina. Só tenho isso pra te dizer.

— Você só quer que eu te abrace até você dormir?

Emma não respondeu e Regina se mexeu para olhar a loira diretamente nos olhos.

— Eu devia falar que não vou te abraçar, só de pirraça, sabe? Mas eu me odiaria se fizesse isso e você nunca mais me pedisse de novo.

Emma aninhou o rosto no pescoço de Regina e a morena a abraçou mais forte, soltando um suspiro.

— Você não precisa dizer nada, beija-flor. É só me pedir...

Notas finais
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