Beautiful Disaster
13 Capítulo 13
Notas iniciais
“O rosto de Regina estava a poucos centímetros do de Emma, de modo que a loira podia sentir a respiração da morena em seus lábios.
— Estou bêbada, Regina. Só tenho isso pra te dizer.
— Você só quer que eu te abrace até você dormir?
Emma não respondeu e Regina se mexeu para olhar a loira diretamente nos olhos.
— Eu devia falar que não vou te abraçar, só de pirraça, sabe? Mas eu me odiaria se fizesse isso e você nunca mais me pedisse de novo.
Emma aninhou o rosto no pescoço de Regina e a morena a abraçou mais forte, soltando um suspiro.
— Você não precisa dizer nada, beija-flor. É só me pedir...”
Emma se encolheu ao se deparar com a luz do sol entrando pela janela. Regina ainda dormia, com seus braços e pernas enroscados ao redor da loira. Em uma manobra Emma conseguiu se desvencilhar dos braços da morena e a ficou observando, a centímetros de distancia.
— Wow... — Emma sussurrou, se perguntando como haviam conseguido ficar tão enganchadas uma na outra.
A loira segurou o ar e tentou tirar suas pernas do meio das de Regina.
— Para com isso, flor. Tá me atrapalhando a dormir. – Regina murmurou de olhos fechados, puxando Emma novamente para perto de si, com um sorriso sacana.
Depois de muitas tentativas, Emma conseguiu se soltar e olhou para trás, observando o corpo de Regina seminu em um pijama minúsculo, envolto nos lençóis. Os limites estavam começando a ficar tênues e a culpa era sua.
— O que foi, beija-flor?— Regina murmurou mal abrindo os olhos.
— Eu vou pegar uma água, acho que tô com um pouco de ressaca. Você quer?
Regina fez que não com a cabeça e se virou para o outro lado.
***
— Bom dia, meninas. – Emma diz entrando na cozinha.
— Bom dia— Dana diz com a boca cheia de torradas.
Alice que estava com a cabeça enfiada dentro de um armário grita um “bom dia” abafado.
— O que ela está fazendo? — Emma pergunta.
—Ah, você vai ver...— Dana responde dando um gole em seu café e rindo diabolicamente.
Shane entra na cozinha acompanhada de duas mulheres maravilhosas, que disputavam sua atenção entre beijos no pescoço e risinhos abafados.
— Obrigada pela noite, meninas. Até mais. — Shane deu um selinho em cada uma e se virou olhando descaradamente para suas bundas e balançando a cabeça em sinal de aprovação, enquanto elas saiam pela porta de serviços.
Emma riu com a cena e fez uma cara de incrédula.
— Sabe que eu até cheguei a pensar que você e a Ruby realmente iam dar certo juntas? Como vocês conseguem ser assim, sério mesmo, não entendo.— Emma disse enquanto Shane puxava uma cadeira para sentar-se ao seu lado.
— Ela é a Shane, Emma. Não se iluda.— Dana diz rindo e Shane joga um beijo no ar para a amiga.
— Por isso que me dou bem com a sua amiga, somos iguais, tipo eu e a Regina, porém a Regina é como se fosse uma irmã.— Shane diz roubando uma torrada do prato de Dana. – Se bem que... Não sei que feitiço você lançou sobre a Regis, mas parece que tá funcionando.
As três continuaram conversando quando Alice se levanta com várias tampas de panela.
— Nãaaaao. Sério que você vai fazer isso, Al?— Shane diz com a boca aberta em indignação.
— Tradições são tradições, querida. E além do mais já é quase hora do almoço, né?— Alice diz dando de ombros com um sorrisinho cínico. – Pera aí que só estão faltando os capacetes e algumas colheres.— Alice pega algumas panelas nas prateleiras de cima e colheres de pau nas gavetas. – Está pronta, soldado? — Al diz colocando uma panela na cabeça, se virando para Dana.
— Sim, senhor capitão!— Dana faz continência e também coloca uma panela na cabeça. – Reforços são sempre bem vindos, se quiserem participar.— Dana diz se virando para Emma e Shane.
Emma prefere só observar enquanto Shane pega sua panela, sua tampa e sua colher. As três amigas sobem até o andar de cima fazendo o menor barulho possível e abrem todas as portas, soltando risinhos abafados. Emma observa do pé da escada a cara de sapeca de Alice contando nos dedos 3, 2, 1 e: GAROTAS, INICIAR FORMAÇÃO!— POW, POW, POW, POW, POW, elas começaram a andar pelo corredor em fila indiana, batendo com as tampas das panelas e gritando palavras de ordem. Emma via tudo morrendo de rir, a primeira a aparecer no corredor foi Zelena que bateu a porta do quarto com tudo, mas Shane reabriu e elas entraram fazendo Zel e Ruby aparecerem bufando na sacada do segundo andar. Logo depois foi a vez de Bette e Helena aparecerem e por fim, uma Regina extremamente mal humorada surgiu com dois travesseiros, batendo em quem aparecia em sua frente. Entre gritos e risadas, todas desceram até a cozinha para fazerem sua refeição matinal.
— Quantos anos vocês tem, 12?— Regina disse com a cara fechada.
— Relaxa Regina, já estava tarde mesmo. – Bette disse calmamente.
Regina então levantou os olhos para a amiga e notou qualquer coisa em seu semblante.
— GENTE, QUE CARA DE SEXO É ESSA?— Regina disse com os olhos arregalados.
Helena corou na hora e embrenhou seu rosto nos cabelos encaracolados de Bette, abafando um risinho.
— Estamos namorando!— Bette disse com um sorriso largo, fazendo carinho no cabelo de Helena.
— Uhuuuu, isso sim é algo que deve ser comemorado!— Alice diz, erguendo uma xícara de café e fazendo todas brindarem.
— Ok, mas podemos comemora isso no The Planet depois, porque hoje nós vamos levar a Emma e a Ruby pra conhecerem o outro lado da ponte!— Bette diz animada.
Elas terminaram o café da manhã e trataram de organizar as cestas de piquenique. Como era seu último dia no chalé, decidiram que iriam visitar um acampamento que havia ali perto e apesar do frio, também queriam ir admirar a cachoeira que Dana e Helena brincavam quando eram crianças, e por fim, iriam comer debaixo de alguma árvore. Depois de tudo pronto, todas estavam agasalhadas e prontas pra iniciar a trilha.
Bette e Helena iam de mãos dadas na frente do grupo em total clima de romance, seguidas por Shane e Dana de braços enganchados e logo atrás as outras garotas.
— Gente, olha isso! — Helena parou e apontou para um tronco na entrada de uma ponte de madeira antiga. — Esse D e H 4ever eu e Dana fizemos quando a gente tinha uns 9 anos!
— Foi naquele dia que a gente fugiu do acampamento, né?— Dana disse sorrindo – Eu me lembro perfeitamente bem, você inclusive cortou a sua mão escrevendo. — Dana riu.
— É verdade! Saudade dessas coisas... Vamos seguir então? — Helena fez sinal com o braço para que todas prosseguissem.
A paisagem era linda, Emma podia ver montanhas cobertas de neve no horizonte e um rio que cortava a paisagem.
— Isso me lembra um pouco o Maine...— Emma sussurrou para Ruby, tomando certa distância do grupo mais a frente e se segurando nas bordas da ponte, enquanto admirava o cenário.
— Sim... lembra sim.— Ruby disse colocando uma mão sobre a da loira e entrelaçando seus dedos.
— Queria saber como meu irmão está, Rubs.
— E eu sinto tanta saudade da minha avó que até dói.
— Desculpa por te fazer passar por isso, de verdade. Eu acabei te envolvendo nos meus problemas.— Emma disse apertando a mão da amiga.
— Não vamos voltar nesse assunto, ok? Você não fez nada, estamos juntas nessa Emma. Eu estou com você até o fim.
Emma olhou a amiga com os olhos marejados e deitou sua cabeça nos ombros de Ruby e assim ficaram por alguns instantes.
— Tudo bem por aqui, meninas?— Elas não perceberam a aproximação de Regina.
— Ah sim, tudo ótimo! A gente só estava admirando a paisagem, lindo aqui!— Emma disse enxugando os olhos.
Regina franziu as sobrancelhas e olhou de uma para outra.
— Tá certo... As meninas estão esperando vocês, vamos lá?— Regina disse enxugando uma lágrima no rosto de Emma com o polegar e passando um braço ao redor da cintura da loira.
Elas caminharam por algum tempo passando por vários lugares bonitos, onde Dana e Helena faziam questão de contar alguma história do passado, até que chegaram na entrada de uma espécie de acampamento.
— Esse é e sempre vai ser o meu lugar preferido. Acho que os melhores momentos da minha vida passei aqui! Lembra quando a gente fugia dos nossos pais e vinha se esconder aqui, Helena?— Dana disse caminhando em direção a um mini chalé.
— Lembro sim! Olha o que eu trouxe— Helena diz puxando um colar de dentro da blusa, com uma chave como pingente. — O acampamento está abandonado há alguns anos já, espero que não tenham trocado as fechaduras.
Elas pararam na frente de uma porta antiga de madeira e Helena tentou, tentou, tentou até que a porta fez um “click” e se abriu. Dana entrou com uma espécie de brilho nos olhos e subiu as escadas correndo, enquanto as outras entravam e olhavam ao redor.
— Que legal isso daqui! É bem mais bacana do que aquele que a gente ia quando éramos pequenas, Emma. – Ruby disse.
— Vem gente, vamos subir. — Helena disse chamando as outras.
Dana estava sentada no topo de uma beliche, com Shane ao seu lado.
— Fazia tanto tempo que eu não vinha aqui, meu deus, que nostalgia!— Dana disse segurando uma bola de tênis surrada na mão. – Essa foi a minha primeira bola de tênis, minha mãe me fez jurar que jogaria fora, porque dizia que não tinha a necessidade de eu andar com um objeto sujo e gasto pra onde quer que eu fosse, que poderíamos comprar qual eu quisesse e blablabla. Aí eu vim aqui e guardei dentro do pedaço de assoalho solto. – Dana disse rindo e brincando com a bola.
— Foi aqui que a Dana entrou para o vale dos homossexuais— Helena disse rindo.
— Mentiraaaa! Explica isso direito Dana— Zelena disse batendo palminhas com um sorrisão no rosto.
— Ahn, é... pois é. – Dana disse tímida.
— Conta, conta, conta. Sempre morro de rir com essa história!— Shane diz empurrando Dana, que estava totalmente corada.
Alice se mexeu nervosamente na cadeira que estava sentada, mas ninguém pareceu notar.
— Ah, então. Foi como a maioria das garotas, era uma brincadeira de verdade ou consequência, aí caiu em mim e eu pedi consequência... Mandaram eu beijar uma garota que não me lembro o nome agora, aí eu disse que só beijaria se fosse... A Alice. – Dana disse escondendo o rostos e rindo, enquanto Shane a enchia de cócegas.
Todas se viraram para Alice, menos Helena e Shane que já sabiam da história.
— Pois é, garotas, eu sempre fui irresistível— Alice disse jogando os cabelos para trás e dando de ombros, enquanto todas gargalhavam.
— Ué, mas porque você não disse que também frequentava esse lugar, Al?— Regina questiona.
— Porque foi só uma temporada... não pude vir mais.— Alice encontrou os olhos de Dana e abaixou a cabeça chateada.
— O que houve?— Regina perguntou.
— É que esse acampamento na verdade é da minha família... Alguém acabou contando o que aconteceu pra minha mãe e ela mandou o diretor expulsar a Alice, aí nós nunca mais nos vimos.— Dana disse triste.
— Mas... Como vocês são melhores amigas agora?— Zelena questionou.
— Por um acaso do destino, acredite! Depois de alguns anos, a mãe da Alice acabou sendo tutora da Bette e nós nos encontramos em uma festa, aí pudemos recuperar o tempo perdido e nunca mais nos separamos! — Dana explica.
— Huuuuuuuuuuuuuuum, sempre desconfiei que vocês passavam tempo demais juntas. Mas agora está explicado, estavam “recuperando o tempo perdido” — Regina diz fazendo aspas com as mãos.
— Ah, cala a boca, Regina!— Dana joga a bolinha na cabeça da morena e todas gargalham.
Elas ficaram por ali conversando por mais algum tempo até que decidiram terminar seu tour passando por vários outros lugares e por fim chegando na cachoeira, onde iriam fazer seu piquenique.
— Cuidado aí flor, essas pedras escorregam.— Regina diz segurando forte nos braços de Emma, enquanto elas desciam por algumas rochas.
— Por favor, Regina, eu não sou criança, não precisa ficar segurando na minha mão o tempo todo.— Emma diz soltando da morena e esperando ela descer na frente.
— Só estou tentando ajudar, para de ser chata.— Regina diz virando de costas e deixando Emma sozinha.
Algum tempo depois Regina ouve:
— Hey, hey, hey, Regina.
A morena caminha e para em frente a Emma que estava de pé em uma rocha.
— Eu... bem, não tenho onde segurar aqui e tô com medo de saltar... Será que você poderia, hum, me dar uma mãozinha?— Emma diz timidamente.
— Pensei que você não fosse mais criança, flor.
— Mas eu não sou, que saco!
— Então se vira aí ué— Regina diz se virando com um sorriso sapeca no rosto.
— Ai, droga, Regina! Volta aqui!— Emma diz revirando os olhos.
— Por quê?— Regina diz ainda de costas.
— Porque eu, ai, porque eu não sou nenhuma criança, mas preciso de ajuda, pronto, falei, tá feliz?— Emma diz virando os olhos.
— E como a gente pede, flor?
— Por favor...
Regina se virou e esticou os braços para Emma, que saltou caindo colada ao corpo de Regina, de modo que suas respirações se misturavam.
— Tá tudo bem aqui? Vocês demoraram...— Helena de repente percebeu a tensão no ar – Nossa, eu não queria atrapalhar meninas, desculpa...
Emma sai de seu transe e se afasta de Regina.
— Não está atrapalhando nada, imagina. É só que eu não estava conseguindo descer e a Regina ficou de gracinha pra me ajudar.
— O QUE? Eu de gracinha? Para de ser ingrata garota, eu estava te ajudando e você que mandou eu sair de perto, af!
Regina disse irritada e se afastou em direção a Zelena, que estava em pé observando a cena um pouco longe dali, onde Ruby e Alice esticavam uma toalha no chão. Emma observou Zelena falando algo para Regina e a morena bufando para o alto e deixando a irmã falando sozinha.
— Aiai vocês duas... Falo nada viu.— Helena disse para Emma.
— Sério que ela ficou brava?
— Ela supera, vem, eu tô com fome. – Helena puxou Emma pelas mãos e elas se juntaram ao grupo.
Todas se alimentaram entre risos e brincadeiras. Regina estava com a cara fechada e sentou bem longe de Emma, que ficava observando a morena pelo canto dos olhos.
— Que lindo aqui!— Ruby diz.
— Aqui é maravilhoso, meu paraíso na terra. Parece que esse lugar tem uma aura especial, não sei explicar...— Dana diz fechando os olhos e inspirando fundo.
— Foi aqui que demos nosso segundo beijo, Fairbanks.— Alice diz jogando uma uva em Dana.
— Segundo? Quantos beijos vocês deram? Pensei que tinha sido só o do jogo. – Zelena pergunta.
— Alguns...— Alice diz rindo.
— E você se lembra de onde foram todos?— Zelena diz erguendo uma sobrancelha.
— Bem... Sim.— Alice diz parecendo envergonhada pela primeira vez.
Elas conversaram mais algum tempo e algumas meninas acompanharam Dana e Helena até uma mini caverna que existia escondida atrás das águas da cachoeira e Emma viu que Regina havia ficado e estava sentada conversando com Shane, quando a loira se aproximou Shane pareceu perceber que havia algo errado e se levantou dando uma piscadinha para Emma e se afastando, gritando por Alice.
— Posso me sentar?— Emma disse em pé, na frente de Regina.
A morena dá de ombros.
— Hey— Emma diz se sentando e erguendo o rosto de Regina com uma mão.
— Me desculpa, não era pra você ficar chateada... Eu às vezes falo o que me vem na cabeça sem pensar antes, mas não é por mal.
— Tudo bem.— Regina diz encarando os olhos da loira e balançando a cabeça de modo que a mão de Emma se afastasse de seu rosto.
— Você tá brava mesmo?
— Ai, não tô nada, que saco. Você me irrita às vezes, só isso. — Regina diz com a cara fechada.
— O que eu posso fazer pra você sorrir?
— Não tô afim de sorrir.
— Tem certeza?
— Tenho.
— Tá então vamos ver quem consegue ficar mais tempo com cara de bravona então.— Emma cruzou as pernas e se posicionou em frente à morena, imitando suas feições.
— Sai daqui, flor.
— Não! Aposto que ganho de você. Olhe nos meus olhos e tente ficar bem séria.
Regina balançou a cabeça e quando seu olhar encontrou o de Emma ela não aguentou e soltou um risinho abafado.
— RÁAAAA! Ganhei!— Emma disse fazendo uma dancinha.
— Calada!— Regina empurrou a loira, que caiu de costas nas folhas, sujando as mãos de barro.
— Eu vou te matar, Regina!— Emma disse tentando fingir raiva, e saiu correndo atrás da morena.
Todas voltaram para o chalé dos Peabody para arrumar as malas em um clima leve e descontraído, Emma e Regina se acertaram, Bette, Helena, Ruby e Zelena estavam em total clima de romance e Shane, Alice e Dana conversavam sobre coisas aleatórias. Helena estava na cozinha quando recebeu uma ligação, ela aproveitou duas tampas de panela que estavam por perto desde a hora do café da manhã e começou a bater uma na outra, no pé da estrada, até que todo mundo apareceu na sacada do segundo andar.
— O que houve?— Bette perguntou.
— Gente, meu mordomo acabou de ligar de NY e disse que as estradas estão bloqueadas em alguns trechos por causa de uma tempestade de neve que teve em alguns lugares nessa madrugada... Não vamos poder ir embora hoje. Mas a previsão é de que amanhã já esteja tudo certo.
— Putz, nós temos reunião de cast amanhã cedo— Bette diz olhando para Regina.
— Eu não estava afim de acordar cedo mesmo— Regina dá de ombros – Depois falo com a Tinker e ela passa tudo pra gente, relaxa.
— Queria ter a sua calma, Regina.— Bette vira os olhos.
— Eu tinha que entregar os documentos na Columbia até amanhã.— Emma diz nervosa.
— Isso sim é um problemão— Regina diz para Bette.
— Gente, calma! Acho que até a hora do almoço já tá tudo certo e nós podemos ir embora, se não tiver eu peço pra trazerem o helicóptero, não se preocupe Emma, nós vamos dar um jeito.— Helena diz olhando para a loira.
— Bom, eu também tenho reunião no The Charts amanhã, mas o jeito é agora a gente avisar todo mundo que estamos ilhadas.— Alice diz.
— Gente, o que vocês acham de depois de informarmos todo mundo a gente fazer uma fogueira lá perto do lago? A Shane trouxe violão!— Dana diz animada.
— Acho perfeito!— Helena diz do pé da escada. – Vou pedir pra fazerem algumas bebidas quentes e vou procurar marshmallows, se organizem aí que eu vou adiantando as coisas aqui na cozinha.
Regina entrou no quarto e viu Emma emburrada sentada no divã.
— O que foi, flor?
— E se eu perder minha matrícula, Regina?
— Você não vai! Não ouviu a Helena falando? Se não liberarem as estradas ela pede pra trazerem o helicóptero dela, tem um heliporto aqui pertinho, e mesmo que ela não fosse fazer isso eu fretava um, não vou deixar você perder sua vaga, e prometo!— Regina disse segurando na mão de Emma.
— Obrigada...— Emma diz mais calma.
— Não precisa agradecer!
Nesse momento Zelena entra no quarto.
— Regina, você viu aquela minha jaqueta verde escura? Acho que ficou na sua mala.
— Vi sim, tá ali na mala azul, junto com as minhas coisas mesmo.— Regina diz apontando uma mala no canto do quarto.
— Obrigada, sis. – Zelena diz colocando a jaqueta e se aproximando das duas. – Fiquei sabendo que seu aniversário está chegando, Emma!
— Ah, sim, é daqui a três semanas.
— Seu aniversário, flor? Sério? E o que você pretende fazer pra comemorar?— Regina pergunta.
— Ah, não sei. Não ligo muito pra isso, acho que a Ruby vai me levar pra jantar ou algo assim.
— Ah sim...—Regina olha para Zelena e a sombra de um sorriso passa pelo rosto da morena.
Zelena ouve alguém gritando seu nome do corredor e saiu do quarto.
— Já tá menos emburrada?
— Talvez.
— Mas tem um lado bom nessa situação toda, flor.
— Qual?
— Você vai poder dormir nos meus braços mais uma noite...
— Aff! — Emma joga uma almofada em Regina e elas saem do quarto rindo e encontram as amigas na sala.
Quando elas chegaram perto do lago encontraram Shane acendendo a fogueira com uma asiática suspirando por ela, sentada na areia.
— Pronto!— Shane disse orgulhosa mostrando a fogueira com os dois braços para as amigas.
— Imagino que a moça seja um bônus pelo seu sucesso? — Bette diz rindo.
— Ela estava passando por aqui e eu resolvi convidá-la para participar do nosso luau— Shane deu de ombros e riu.
— Gente, cadê o vinho?— Alice perguntou.
— Whiskey pra mim, senhorita Peabody.— Regina ergue um dedo para Helena que estava distribuindo as bebidas.
Elas ficaram conversando e rindo por algum tempo, enquanto Shane cantarolava alguma coisa com o violão, até que Bette disse:
— Você não vai cantar hoje, Regis?
— Talvez depois.— Regina respondeu tomando um gole de Jack Daniels direto da garrafa.
— Você toca?— Emma perguntou perplexa.
— Eu arranho algumas músicas, mas nada demais.
— Mentira! Ela manda muito bem, Emma.— Bette disse.
— Ah, eu quero ver!— Emma suplicou a Regina.
— Depois, tá?
— Tá bom...— Emma respondeu fazendo bico.
— Para de ser mimada, beija-flor!— Regina disse rindo. — Quando a Shane terminar essa música eu toco, ok?
— Aeeee— Emma disse batendo palminhas.
Quando Shane terminou, Regina se levantou e caminhou até a amiga pedindo o violão. Regina trocou olhares com a irmã e Zelena observou a garrafa de Jack Daniels na mão da morena e balançou a cabeça em reprovação.
— Já que a moça mais linda dessa roda insiste, vamos lá. – Regina disse mais pra si mesma do que para qualquer uma ali.
Emma sentiu seu rosto corar e queimar, mas não era pelo calor da fogueira.
Regina molhou os lábios e começou a tocar.
All I knew this morning when I woke
(Tudo que eu sabia esta manhã quando acordei)
Is I know something now, know something now
(É que eu sei de uma coisa agora, agora sei de algo)
Regina tocava de olhos fechados, colocando a alma nos acordes
I didn't before, and all I've seen since eighteen hours ago
(Que não sabia antes, e tudo que eu vejo há 18 horas)
Is green eyes and freckles and your smile
(São olhos verdes, sardas e seu sorriso)
Regina abriu os olhos e continuou cantando, encontrando o olhar de Emma, que observava a morena com um olhar perdido e melancólico
In the back of my mind making me feel like
(Na minha memória, me fazendo sentir que)
I just want to know you better, Know you better
(Eu só quero te conhecer melhor, conhecê-lo melhor)
Know you better now
(conhecê-lo melhor agora)
Emma estava sorrindo feito boba, não sabia bem explicar o que estava sentindo naquele momento, só sabia que o tempo poderia congelar naquela instante e ela estaria feliz para sempre.
Cause all I know is we said, "Hello", and your eyes look like coming home
(Porque tudo o que eu sei é que nós dissemos, "Oi", e seus olhos são como voltar para casa)
All I know it's simple ain't it? Everything has changed
(Tudo o que eu sei é um simples nome, tudo mudou)
All I know is you held the door, you'll be mine and I'll be yours
(Tudo o que sei é que você segurou a porta, você vai ser meu e eu serei sua)
All I know since yesterday, is everything has changed
(Tudo o que sei desde ontem, é que tudo mudou)
Regina estava absorta, não via nenhuma pessoa ao redor além de Emma. Talvez fosse o álcool que se apoderava do seu sangue naquele momento, talvez fosse um desatino ou talvez não fosse nada, ela sentia todos os olhares postos em si, mas só enxergava Emma e aquele sorriso lindo
All I know is we said, "Hello", so dust off your highest hopes
(Porque tudo o que eu sei é que nós dissemos, "Oi", então se livre das suas maiores esperanças)
All I know is pouring rain, and everything has changed
(Tudo o que lembro é a chuva caindo, e tudo mudou)
Emma fechou os olhos e se desligou do mundo ao redor, a voz rouca de Regina lhe atingia a alma, ela fechou os olhos e dessa vez se deu conta do sorriso em seus lábios, pela primeira vez em dias ela se sentia leve, serena.
All I know is a new found grace, all my days I'll know your face
(Tudo o que conheço é um novo encanto, por todos os meus dias lembrarei do seu rosto)
All I know since yesterday, is everything has changed.
(Tudo o que sei desde ontem, é que tudo mudou.)
Quando Regina tocou a última nota, Emma abriu os olhos e encontrou o olhar da morena, as duas sorriram. Todas as meninas ao redor da fogueira aplaudiram e Regina percebeu que mais três ou quatro pessoas haviam se juntado a roda para vê-la tocar. Ela se levantou e fez uma reverência.
Regina, Bette e Helena ficaram ao redor da fogueira até não restar nada além do crepitar das cinzas, quando voltaram para o chalé, Regina encontrou Emma deitada na cama de costas para a porta. A morena tirou os calçados e entrou no quarto pisando na ponta dos pés para não acordar a loira. Quando Regina se aproximou, puxou o cobertor e cobriu Emma direito e não pode evitar sorrir, ficou parada olhando a loira dormindo e imaginando o que estava acontecendo consigo mesma. “Droga, Regina, droga”— Pensou.
— Você vai ficar aí parada ou vai vir dormir logo, eim?— Emma resmungou.
Regina sorriu.
— Vou me trocar, flor.
Instantes depois Regina se jogou na cama e se enroscou no corpo de Emma.
— Caramba Regina, tira essa perna gelada de mim!— Emma gritou empurrando a morena.
— Para de reclamar pra esquentar mais rápido beija-flor.— Regina disse rindo e se encostando ainda mais no corpo da loira.
Depois de uma mini guerra elas finalmente se acertaram e como sempre, Emma estava deitada no braço de Regina.
— Porque você e a Ruby não dormem lá em casa amanhã? Eu levo vocês na faculdade, depois a gente vai jantar e vocês ficam por lá mesmo...— Regina diz.
— Regina, precisamos de roupas limpas e também não tem porque dormirmos lá, temos a nossa casa...
Regina se remexeu na cama e olhou diretamente para Emma
— Mas é só uma noite, flor. Eu mando as roupas vocês pra lavanderia!
— Não, Regina. Melhor não... — Emma disse desviando seus olhos dos de Regina.
— Por que não?— Regina disse se aproximando mais.
— E por que eu diria sim?— Emma sentia o cheiro de menta da respiração de Regina a centímetros de seu rosto.
Regina olhou dos olhos verdes para a boca de Emma e novamente para os olhos, engoliu o que quer que estivesse na ponta de sua língua e suspirou trazendo Emma para mais perto de seu corpo.
— Nada, nada não. Você tem razão, deixa pra lá. Só aproveite meu abraço maravilhoso essa noite, porque não vai ter mais, não se acostume.
— Para de ser convencida! — Emma disse virando os olhos e dando um beliscão em Regina.
— Boa noite, beija-flor.— Regina disse rindo e dando um beijo na cabeça de Emma.
— Boa noite, Regina.— Emma diz se aconchegando nos braços da morena, com um suspiro profundo.
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