Beautiful Disaster
11 Capítulo 11
Notas iniciais
“- Boa noite, Beija-flor.— Regina sussurrou com a voz rouca no ouvido de Emma.
Emma podia sentir o hálito de menta em sua nuca, o que fazia cada centímetro de seu corpo se arrepiar, e dessa vez não era por causa do frio. A loira agradeceu por estar muito escuro e Regina não poder ver sua reação embaraçosa e o rubor que tomou conta do seu rosto logo em seguida. “
Parecia que Emma tinha acabado de fechar os olhos quando ouviu um despertador estridente . Esticou-se para desligá-lo, mas puxou a mão de volta horrorizada ao sentir uma pele morna sob os dedos. A loira tentou lembrar onde estava. Quando deu por si, ficou mortificada de que Regina pudesse pensar que ela tinha feito isso de propósito.
— Regina? Seu celular — Emma sussurrou para a morena, que não se mexia. —Regina! — Emma repetiu um pouco mais alto, cutucando-a.
Como Regina ainda não se mexia, Emma esticou a mão, tateando sob a iluminação fraca até sentir a parte de cima do aparelho. Não sabendo ao certo como desligá-lo, bateu no objeto até acertar o botão de soneca, depois caiu bufando no travesseiro.
Regina deu uma risadinha.
— Você estava acordada?
— Sempre prometo que vou me comportar, mas nunca disse nada sobre deixar você se deitar em cima de mim.
— Oi? Eu não me deitei em cima de você! Eu não conseguia alcançar o celular. Esse deve ser o alarme mais irritante que já ouvi em toda minha vida! Porque você ativou o despertador se não precisa acordar cedo?
Regina estendeu a mão e pegou o celular desligando a função soneca.
— Quer descer pra tomar café?
Emma olhou irritada para a morena e balançou a cabeça em negativa.
— Não estou com fome.
— Mas eu estou! Levanta flor, vamos! Coloquei o despertador porque prometi que vou fazer cooper com a Dana. Mas que fique bem claro que, eu nunca em sã consciência levantaria de madrugada assim sem motivo.— Regina se levanta e vai até o banheiro.
Na noite anterior Emma não conseguia ver a morena por causa da escuridão, mas agora, sob a luz fraca que vinha pelas janelas a loira pôde observar; Regina usava uma camisola de seda e um mini shorts pretos com renda nas bainhas. Seus cabelos negros caiam um pouco abaixo dos ombros nas costas definidas como uma cascata sedutora, e aquela bunda... Emma se pegou com pensamentos nada puritanos quando a morena se dirigia ao banheiro. Regina era o ser mais gracioso que Emma já havia visto, conseguia ser ainda mais linda de manhã ao acordar, quando estava sem nenhuma maquiagem, era só Regina, sem obrigações nenhumas, sem máscara nenhuma, uma obra latina irresistível, ou quase, Emma se forçou a pensar, quando a morena saiu do banheiro e ficou só de lingerie, se trocando de costas, como se Emma não estivesse no quarto.
— Que foi? Não tem nada aqui que você nunca tenha visto, beija-flor. – Regina disse quando reparou que Emma estava constrangida.
— Eu... Eu vou tomar um banho.— Emma disse sem de fato ter prestado atenção no que a morena dissera.
Regina viu a loira passar como um raio em direção ao banheiro e riu.
Emma ficou debaixo do chuveiro por bastante tempo, deixando a água levar embora todos os seus pensamentos libidinosos quando de repente a porta se abriu.
— Ruby?
— Não, sou eu.— Regina disse tranquilamente.
— O que você pensa que está fazendo? Sai daqui!— Emma disse com os olhos arregalados apertando os braços em volta do corpo.
— Você esqueceu de trazer sua toalha, aí também trouxe sua escova, umas roupas pra você fazer cooper com a gente e, hum, achei esse creme facial aqui da Victoria Secrets, vou deixar tudo em cima do vaso.— Regina disse ficando de costas para o Box, ignorando a imagem envergonhada de Emma no espelho.
— Você mexeu nas minhas coisas?
Regina não respondeu. Ao invés disso pegou uma nécessaire, abriu a torneira e começou a escovar os dentes.
— Regina sai daqui!
A morena ergueu o olhar para Emma, com a boca cheia de espuma da pasta de dentes.
— Eu não posso ficar sem escovar os dentes.
— Olha, se você chegar a meio metro desse box eu arranco seu coração quando você estiver dormindo. – Emma disse em tom de desafio.
— Não vou me aproximar, flor.— Regina deu uma risadinha – Eu já disse que não quero transar com você, flor, eu gosto demais de você pra isso, então relaxa, ok?
Emma esperou com os braços tampando suas partes até que Regina terminasse. A morena bochechou, cuspiu, bochechou, cuspiu de novo, enxugou a boca e saiu. Emma se enxaguou rapidamente e se enrolou na toalha enquanto fazia sua higiene bucal. Pegou o creme que Regina havia deixado e não conseguiu conte um sorriso, até que a porta se abriu novamente.
— Anda logo, beija-flor! A Dana já está se aquecendo lá fora e a gente ainda nem comeu.
Emma jogou um pente em Regina que conseguiu desviar e fechou a porta, rindo sozinha.
***
Era cerca de 9h00 da manhã e Dana estava se aquecendo na frente do Chalé esperando Regina. Sempre que viajavam para as montanhas elas combinavam de se exercitar juntas, Dana passava sua sequencia de exercícios para a morena, e elas passavam a manhã aproveitando a paisagem e todo o suporte que o local oferecia. Depois de algum tempo, Dana se encostou num cercado próximo e ficou observando Alice que se distanciava correndo e pulando moitas de neve na grama, como uma criança feliz. Como sempre, Regina estava atrasada.
— Se você queria que a Regina estivesse aqui às 9 deveria ter marcado 7h30, Dana.— Shane disse se aproximando e acendendo um cigarro.
— Eca Shane, cigarro essa hora?
— Que foi? Não tomei café da manhã.— Shane disse se debruçando na cerca e dando um empurrãozinho em Dana com o ombro.
— Claro— vira os olhos — Não sei, eu sempre tenho esperanças pela Regina, sabe?— Dana diz rindo.
— Ela não tem conserto, desista.
Dana assente rindo e tomba a cabeça para trás, como se tivesse preocupada com alguma coisa.
— Um cigarro pelos pensamentos da senhorita Dana Fairbanks. – Shane diz num tom galanteador.
— Que pena! Eu não fumo.— Dana diz erguendo uma sobrancelha, fazendo charme para a amiga.
— Mas é a única coisa que eu tenho. Que tal um beijo?— Shane diz dando uma piscadinha.
—Sai pra lá— Dana empurra Shane e as duas gargalham.
— Porque você está tão quietinha desde que chegamos, Dan?— Shane pergunta enquanto dá uma tragada.
— Eu e Aurora brigamos... Ela disse que eu prefiro vocês a ela.
— Hum, e o que mais? — Shane diz, jogando fumaça pra cima.
— Só isso, ela deu um piti quando eu disse que não podia desmarcar e me largou sozinha na mesa do almoço, eu não fui atrás dela e ela também não me procurou mais, desde então.— Dana diz cabisbaixa.
— E o que você me diz disso tudo? O que se passa aí dentro?— Shane diz se virando e apontando na direção do coração de Dana.
— Eu não sei... Shane, sinceramente eu não sei! Eu não sou como você e a Regina que tem toda essa sensualidade que mulher nenhuma resiste, eu não tenho o charme da Bette que faz qualquer uma babar só com o sorriso dela, eu não tenho a simpatia e a beleza da Helena. Eu não sei nem quem eu sou, pra te ser bem sincera.— Dana diz cabisbaixa.
— Você está brincando, né?— Shane diz jogando a bituca de cigarro fora e se virando para Dana — Dan, você é maravilhosa! Sua beleza chama atenção por todos os lugares que você passa e só você não percebe isso! A sua sensualidade e o seu charme estão justamente no seu jeito atrapalhado e meigo de ser. Você é incrível só por ser você, Dana! E além disso tudo ainda consegue ser a atleta mais gostosa da liga!— Shane diz rindo para a amiga.
Dana dá um soco no braço de Shane, que se esquiva fingindo dor.
— Ai!— Shane diz esfregando o braço.
— Sabe, eu sempre fui treinada para ser uma boa Fairbanks. Quando criança eu vinha aqui e tinha hora pra brincar, hora pra estudar, hora pra tocar piano, hora pra treinar tênis, todos os horários sempre definidos pela minha mãe. A gente vinha jantar com os Peabody e a Helena sempre era arisca e totalmente radical, enquanto eu era programada apenas para atender às expectativas dos meus pais. Eu tinha que saber me sentar, saber como segurava os talheres, como cumprimentava quem viesse falar comigo, tinha que aprender quem eu podia beijar... E agora, por mais que eu goste de ficar com a Aurora e com outras mulheres, eu não estou feliz, sabe? Parece que tem algo que não se encaixa, minha cabeça e meu coração vivem em guerra... Como uma herança maldita que define dentro da minha cabeça o que é certo e o que é errado. Às vezes acho que isso não é pra mim, que eu sou uma decepção pra todos, que eu não faço parte disso.
Ao longe, Alice corria atrás de uma borboleta com um pote de vidro em uma mão e uma tampa em outra. A loira corria saltando e tropeçando até que caiu e sumiu da vista das duas; depois de alguns segundos Alice levantou saltitante com o pote tampado e sorrindo de ponta a ponta como uma criança marota, ela conseguira capturar a borboleta. Shane olhou para Dana, que sorria para a cena com os olhos brilhantes e cheios de orgulho.
— Sabe o que eu acho, Dana? Eu acho que você faz parte disso tudo até demais.— Shane disse olhando de Dana para Alice, que se aproximava das duas, saltitante.
***
Quando Emma desceu para a cozinha, Regina, Bette e Zelena a esperavam.
Zelena estava em pé na frente do fogão entregando uma caneca de chocolate quente para Regina que estava sentada em cima de um balcão com uma torrada na mão, enquanto Bette estava sentada na ponta de uma enorme mesa.
— Bom dia, Emma. Quer comer alguma coisa? — Zelena perguntou.
— Não não, mas acho que aceito um copo desse chocolate quente!— Emma disse se aproximando de Regina e aceitando um gole da bebida da morena.
— Ok, eu faço pra você. Tem certeza que não quer comer nada? É sempre bom repor as energias depois de uma boa noite de sono.— Zelena diz olhando para as duas dando um sorrisinho malicioso.
Regina pegou um pedaço de torrada e jogou na irmã, que gargalhou.
— Deixa que eu mesma vou fazer o chocolate da flor. Sai daí insuportável.— Regina diz saltando do balcão e assumindo o fogão. – Você quer que eu coloque um pouquinho de canela em pó, beija-flor? — Regina diz concentrada na caneca à sua frente.
— Quero sim!
Helena entra na cozinha com uma bolsa de gelo na cabeça, acompanhada por uma mulher alta e esbelta, que amparava a morena com uma mão nas costas e na outra segurava um livro.
Helena se jogou na cadeira ao lado de Bette sem conseguir formular nenhuma palavra, enquanto a mulher que a acompanhava retirou a bolsa de gelo e se distanciou até a geladeira para pegar uma garrafa de água.
— Bom dia, Heleninha. – Regina diz se virando com um sorriso malicioso.
— Bom dia pra quem?— Helena disse bufando.
— A Bette dormiu com você essa noite então, eim?— Regina diz sorrindo enquanto recebe um olhar furioso de Bette, que permanecia calada na ponta da mesa.
— Ela dormiu?— Helena diz esforçando-se para olhar para Regina. – Você dormiu?— Helena diz se virando para Bette.
— Acho que sim...— Bette diz forçando um sorriso totalmente irônico e mal humorado.
— Claro que sim! Você não sentiu o cheiro do perfume marvilhoso dela no travesseiro ao seu lado quando levantou?— Regina diz provocando Helena.
— Não... Na verdade, o que aconteceu ontem? Eu só me lembro de estar sentada no tapete com as meninas e que nós estávamos preocupadas que vocês não chegavam logo.
— Você não lembra de nada?— Zelena disse surpresa – Nadinha?
— Não... Aconteceu alguma coisa? Só sei que acordei hoje com essa ressaca maldita e os cabelos presos, eu nunca durmo com os cabelos presos, eu devia estar muito mal mesmo.
— Deve ser porque alguém passou a noite com você, segurando seus cabelos do lado da privada.— Bette disse furiosa e se levantou bruscamente da mesa, deixando Helena sem entender.
— O que deu nela?— Helena perguntou?
Todas na cozinha se olharam.
— Tome um pouco de água, Helena. Depois acho que seria interessante você ir atrás da Bette.
A morena misteriosa falou com um sotaque francês, entregando uma garrafinha de água e um copo para Helena. Emma então prestou atenção: A mulher exalava sensualidade, fosse pela voz grave e o sotaque, ou pelo corpo definido. Ela era alta e tinha a pele bronzeada, cabelos ondulados e escuros, um olhar misterioso e um semblante culto. Ela fitou Emma disfarçadamente por alguns segundos, mas a loira não conseguiu sustentar o olhar e abaixou a cabeça, envergonhada.
— Obrigada, Marina. Depois eu falo com ela...— Helena disse fechando os olhos enquanto bebia a água, sua cabeça estava explodindo.
— Não há de que. A propósito, que modos os meus! Bom dia, meninas. — Marina disse com um sorriso. – Quem é a loira bonita? Você nunca veio aqui antes, veio? — Disse se direcionando a Emma.
— Não, nunca vim. Eu sou Emma, prazer.— Emma estica uma mão para cumprimentar.
— O prazer é todo meu, senhorita. Eu sou Marina Ferrer, Governanta e amiga dos Peabody. — Marina diz com sotaque arrastado, dando um beijinho na mão de Emma, olhando diretamente nos olhos da loira, como se examinasse sua alma.
Emma corou na hora e deu um sorriso sem jeito. Regina observou toda a cena com os olhos estreitos, até que pigarreou:
— Tá aqui seu chocolate, beija-flor. — falou interrompendo o contato visual das duas. – Bom dia, Marina.— A morena fala com seu melhor sorriso irônico. – Onde fica a canela em pó?
— Ah, aqui.— Marina abre um armário e vai na direção de Emma, mas Regina entra na frente, pegando o potinho de sua mão.
— Pronto! Agora bebe logo antes que a Dana se canse de esperar.— Regina diz depositando uma camada de canela em pó dentro da xícara de Emma.
— Só vou porque você está muito insistente.— Emma diz torcendo o nariz.
***
— Como assim, Shane? O que você quer dizer com isso?— Dana pergunta confusa.
— Nada não, Dan. Mas às vezes as mudanças começam a partir do momento em que saímos do nosso mundinho fechado e olhamos ao redor. Já parou pra pensar que a felicidade pode estar na sua frente, e talvez você esteja distraída demais para notar?
— Oi!— Alice diz piscando os olhos e dando pulinhos – Olha que borboleta linda! Peguei pra você, Dana.
Dana olha o pote, encantada
— Que lindaaaa! Eu amei, Al. Vamos soltar ela juntas!
Dana segurou o pote e Alice girou a tampa, libertando enfim, a borboleta na natureza.
— Bom dia meninas!— Emma diz se aproximando ao lado de Regina.
— Oiiii! Você também vai fazer cooper com a gente?— Dana pergunta, voltando a se aquecer.
— Vou sim... A Regina me convenceu.
— É isso aí, hoje a flor vai ser fitness com a gente!— Regina diz passando um braço ao redor da cintura de Emma.
— Tchau pra vocês então, essa coisa de ser saudável não é pra mim. Shane, vamos dar uma volta? — Alice diz, puxando a mão de Shane.
— Vamos, Al, vamos.— Shane responde fazendo cócegas em Alice.
O sábado passou calmo, elas aproveitaram para fazer alguns jogos caseiros e visitaram alguns amigos que também estavam passando o fim de semana no vilarejo. Um amigo de Helena as convidou para uma House Party que haveria ali perto e todas concordaram em ir.
A noite já começou antes delas saírem; todas já estavam falando alto no chalé e já haviam bebido o bastante para uma noite mesmo antes de chegarem na festa. Bette e Helena ficaram para trás, Dana, Alice e Shane foram em um carro na frente e Zelena, Ruby, Emma e Regina saíram logo atrás. Quando chegaram, Zelena demorou um pouco para conseguir estacionar, pois não conseguia parar de rir.
Quando desceram do carro, Ruby soluçou e cobriu a boca dando uma risadinha, e Zelena logo surgiu ao seu lado, passando um braço ao redor de seu pescoço.
— Nossa, vocês já beberam demais, não acham não?— Regina diz dando a volta no carro.
— Claro que não, nós nem começamos.— Emma diz rindo.
— A Emma nem começou mesmo, ela sabe beber mais que todas nós juntas, você não tá ligada. — Ruby diz entre um soluço e outro.
— Verdade, flor?
— Aham...— Emma diz apreensiva.
— Ela já bebeu com caras enormes, e eles sempre pediam arrego pra ela.— Ruby diz gargalhando no final.
— Porque a flor bebia com caras enormes?— Regina diz sorrindo desconfiada.
— Ela tá falando que eu sou forte pra bebida, meus tios sempre duvidavam de mim, é isso.— Emma diz forçando um sorriso.
— Certo... — Regina disse, estendendo a mão para Emma pegar.
A loira sorriu e segurou na mão de Regina, sabendo pela expressão da morena, que ela não havia ficado satisfeita com a resposta dada.
— Preciso de outro drinque! — Emma diz tentando mudar de assunto.
— Garçom, mais uma dose!— Zelena grita ao vento.
***
— Por que você ainda não está vestida?— Helena entra no quarto e enxerga Bette de pijama, vendo tv na cama.
— Por que eu não vou, mas boa festa pra vocês.— Bette responde com o olhar na fixo na televisão.
— Por que não vai?
— Porque não estou afim!— Bette diz ignorando Helena.
— OK.
Helena fecha a porta atrás de si e vai até o banheiro do quarto, minutos depois sai de lá de pijama, e se joga ao lado de Bette na cama.
— O que você está fazendo?— Bette finalmente se vira, encarando Helena.
— Também não vou mais.
— Por quê?
— Porque não estou afim!— Helena diz numa imitação perfeita de Bette.
— Ok, como quiser.— Bette vira os olhos e bufa irritada.
Helena fica sentada inquieta por alguns minutos, Bette olhava para o televisor fingindo estar sozinha.
— Me desculpa?— Helena diz mordendo um canto da boca, envergonhada.
Bette finge não ouvir.
— Vai ficar me tratando assim até quando?— Helena se irrita e puxa o controle da mão de Bette, desligando a televisão.
— Não tenho que te desculpar por nada, que saco. Agora será que posso assistir televisão em paz?— Bette diz recuperando o controle e ligando a tv.
— Não, não pode.— Helena pega mais uma vez o objeto da mão de Bette, desliga o aparelho e senta em cima do controle. – Olhe para mim!
Bette contorce o rosto e muito a contragosto encara Helena nos olhos.
— Me desculpa por ser uma babaca, ok? Eu me lembrei do que aconteceu... Ok, talvez a Ruby tenha me ajudado um pouco, mas depois eu lembrei! Eu só não falei nada durante o dia porque estava envergonhada demais pra isso.
— Não se preocupe, todo bêbado diz bobagens que o faz se envergonhar depois. – Bette diz com remorso na voz.
— O que? Não! Não eram bobagens, quer dizer, pra mim não era... Eu só sou covarde demais pra admitir quando estou sóbria.
Bette franze o cenho, sem entender o que Helena estava querendo dizer.
— Tudo o que eu disse era verdade, Bette... Eu sonho com você todas as noites, fico alucinada com o seu cheiro, me arrepio a qualquer aproximação e não consigo passar mais de dois minutos perto de você sem querer pular no seu pescoço e te ter só pra mim. A cada beijo roubado é como se meu mundo parasse por alguns segundos, sabe? E eu não sei lidar com isso que sinto, porque não sei se é reciproco. Eu não falei nada até agora porque tive medo, só isso...— Helena diz e abaixa a cabeça, envergonhada.
Bette esperava ouvir qualquer coisa naquele momento, menos uma declaração como aquela. Ela não conseguia assimilar o que Helena dissera. Estaria sonhando? Toda a dor que Bette sentia pela rejeição de Helena pela manhã havia sido substituída por uma pontada no peito de alegria, angustia e esperança.
— Sou tão patética que você não sabe nem o que falar. — Helena solta um riso triste.
Bette estava tão boba com o que acabara de ouvir que não conseguia formular uma resposta. Ao invés disso, calou o quer que fosse que Helena começara a falar com um beijo terno, depois outro e mais outro. Uma sequencia de beijinhos apaixonados pelo rosto da morena de olhos claros.
— Você não é patética! Você é a mulher que eu amo, que eu sempre amei. E eu também nunca disse nada porque tinha medo de você não querer nada comigo, Mas Helena, você é a coisa que eu mais quero nessa vida.— Bette diz olhando nos olhos de Helena e sorrindo apaixonada.
— Então... Chega de fingir, eu não suporto mais isso, quero gritar pra quem quiser ouvir que você é minha, só minha!— Helena diz entregando mais um beijo.
— Eu realmente não estava esperando por isso agora, então me desculpa por não fazer um pedido melhor, mas...— Bette morde os lábios, corando – Queria saber se você, hum...
— Eu aceito, aceito, aceito! — Helena diz se jogando nos braços de Bette.
***
Assim que entraram, Ruby puxou Emma para a pista de dança. Os cabelos de Ruby não paravam de balançar enquanto ela dançava e Emma ria da cara de pato que ela fazia. Zelena de repente se juntou a dupla e as três dançaram como se não houvesse amanhã. Quando a música acabou, elas se reuniram com as meninas ao balcão. Uma ruiva esbelta já estava ao lado de Regina, Ruby olhou e contorceu o rosto em repulsa.
— Vai ser assim a noite toda, não gaste sua paciência, é só ignorar – Zelena indicou um grupinho de garotas no canto, elas olhavam para Regina, esperando a vez delas.
[Continua....]
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