Beautiful Disaster
20 Capitulo 20
Notas iniciais

“As ligações começaram às oito da manhã e continuaram, de cinco em cinco minutos, durante uma hora.”
[POV – Emma]
Estiquei a mão e desliguei o celular pela milésima vez. Somente quando ouvi os socos na porta me dei conta de que Ruby tinha suas próprias chaves do apartamento e ela obviamente não me deixaria ficar o dia todo enfurnada no quarto conforme eu tinha planejado. Levantei e fui até a porta.
— Que foi?
Ruby passou como um raio pela porta e parou ao lado da minha cama.
— Que diabos está acontecendo? — ela me perguntou aos gritos.
Seus olhos estavam inchados e vermelhos e ela ainda estava de pijama.
Eu me sentei na cama.
— Que foi, Ruby?
— A Regina está completamente maluca! Ela não fala com a gente. Ela está estruindo o apartamento, jogou uma garrafa de Jack Daniels na parede... A Zelena já tentou conversar com ela, mas não adianta!
Esfreguei os olhos com a curva das palmas e pisquei.
— Eu não sei.
— Não sabe droga nenhuma! Você vai me contar que diabos está acontecendo, e vai me contar agora!
— Fala baixo, Ruby Lucas, meu Deus— sussurrei.
Ela cerrou os dentes.
— O que você fez?
Presumi que Regina ficaria chateada comigo. Não esperava que ela fosse ter um acesso de fúria.
— Eu... não sei— falei engolindo em seco.
— Ela quase jogou a Zel pela escada quando ficou sabendo que nós te ajudamos a ir embora, Emma! Por favor, me conta!— Ela implorou, com os olhos alterados. — Estou ficando apavorada!
O medo estampado em seus olhos me forçou a contar somente meia verdade.
— Eu simplesmente não consegui dizer adeus. “Você sabe como despedidas são difíceis pra mim."
— Tem mais alguma coisa, Emma. Ela está completamente fora de si! Ouvi a Regina chamando o seu nome, depois ela correu o apartamento inteiro te procurando. Ela entrou com tudo no quarto da Zel, exigindo saber onde você estava. Depois tentou te ligar. Várias e várias vezes — ela suspirou — O rosto dela estava... Nossa Emma. Eu nunca tinha visto a Regina daquele jeito. Ela arrancou os lençóis da cama e jogou longe, fez o mesmo com os travesseiros, estilhaçou o espelho com um copo de whiskey, chutou a porta do quarto... Quase arrancou das dobradiças! Foi a coisa mais assustadora que já vi na vida, não imaginei que ela tivesse toda aquela força, nem tamanho ela tem!
Fechei os olhos, fazendo as lágrimas que se acumulavam descerem pelo rosto.
Ruby me empurrou o celular dela.
— Você precisa ligar pra ela. Pelo menos para dizer que está bem.
— Tudo bem, vou ligar pra ela.
Ela empurrou o celular na minha direção mais uma vez.
— Você vai ligar pra ela agora.
Peguei o celular das mãos dela e passei os dedos pelos botões, tentando imaginar o que eu poderia dizer. Ela o arrancou da minha mão, discou o número e me devolveu o celular, que encostei na orelha, inspirando fundo.
— Ruby?— Regina atendeu, com a voz grossa de preocupação.
— Sou eu.
A linha ficou muda por muitos instantes antes que ela finalmente falasse.
— Que porra aconteceu com você ontem à noite? Acordei hoje de manhã e você tinha ido embora... Você simplesmente desaparece sem se despedir? Por quê?
— Eu sinto muito. Eu...
— Você sente muito? Eu estou ficando louca! Você não atende o telefone, sai daqui escondida e... por quê? Achei que a gente finalmente tinha se entendido.
— Eu só precisava de um tempo para pensar.
— Pensar em quê?— Ela fez uma pausa — ...Eu te machuquei?
— Não! Não é nada disso! Eu sinto muito, muito mesmo. Tenho certeza que a Ruby te falou que eu não sou boa com despedidas.
— Eu preciso te ver— Regina me disse, com desespero na voz. Soltei um suspiro — Tenho muita coisa pra fazer hoje, pilhas e pilhas de roupa suja para lavar.
— Você se arrependeu— Ela disse com a voz partida.
— Não é... Não é isso. Nós somos amigas. Isso não vai mudar.
— Amigas? Então que porra foi o que aconteceu na noite passada— Ela disse, com raiva transbordando na voz.
Fechei os olhos com força.
— Eu sei o que você quer. Só não posso... Fazer isso agora.
— Então você só precisa de um tempo?— A morena me perguntou num tom mais calmo. — Você podia ter dito isso, não precisava fugir de mim.
— Pareceu mais fácil.
— Mais fácil pra quem?
— Eu não conseguia dormir. Não parei de pensar em como seriam as coisas de manhã, colocando as malas no carro da Ruby, e... Eu não conseguiria fazer isso, Regina.
— Já basta que você não vai mais morar aqui. Você não pode simplesmente desaparecer da minha vida assim.
Forcei um sorriso.
— A gente se vê amanhã. Não quero que nada fique esquisito, preciso de um tempo para organizar algumas coisas. É só isso.
— Tudo bem—Ela disse -, Eu espero.
Desliguei o celular e Ruby olhou com raiva para mim
— Você transou com ela? Sua vadia! E nem ia me contar?
Revirei os olhos e caí no travesseiro.
— Não tem nada a ver com você, Ruby. Essa situação acabou de se tornar um caos completo.
— Qual o problema? Vocês duas deviam estar delirando de felicidade, não quebrando portas e se escondendo no quarto!
— Não posso ficar com ela!— sussurrei, mantendo os olhos no teto.
Ela cobriu minha mão com a dela e falou em um tom suave:
— A Regina precisa ser lapidada. Acredite em mim, eu entendo qualquer reserva que você tenha em relação a ela, mas olha o quanto ela mudou por você. Pense nas últimas duas semanas. Ela não é a Mary.
— Eu sou a Mary. Se eu me envolver de verdade com a Regina, tudo pelo que nós duas lutamos... puff!— estalei os dedos. — Simples assim.
— A Regina não deixaria isso acontecer.
— Não cabe a ela isso agora, não é?
— Você vai partir o coração dela, Emma. Você vai partir o coração dela! A única garota em quem ela já confiou a ponto de se apaixonar, e você vai acabar com ela!
Desviei o olhar de seu rosto, incapaz de ver a expressão que acompanhava o tom suplicante de sua voz.
— Precisamos de um final feliz. Foi por isso que viemos pra cá.
— Para de ser ridícula, Emma Swan. Seu príncipe encantado está na sua vida há alguns meses e você só o esnoba. Ou princesa, que seja.
Eu ri de maneira sarcástica.
— Até a minha sorte acabar. De novo.
Ruby jogou as mãos para cima, depois as deixou cair no colo.
— Ai, Emma, não vem com essa merda de novo. Nós já falamos sobre isso.
Meu telefone tocou, e olhei para o mostrador.
— É a Lily.
Ela balançou a cabeça.
— Ainda estamos conversando.
— Alô?— atendi, evitando o olhar de Ruby.
— Emms! Primeiro dia de liberdade! Como está se sentindo? — disse ela.
— Eu me sinto... sei lá. — falei, incapaz de exibir qualquer entusiasmo.
— Vamos jantar amanhã à noite? Senti sua falta.
— Tudo bem — limpei o nariz com a manga da blusa. — Amanhã está ótimo.
Depois que desliguei o telefone, Ruby franziu a testa, me fuzilando com o olhar.
— Ela vai me fazer perguntas quando eu voltar— disse ela. – Vai querer saber sobre o que conversamos. O que eu falo pra ela?
— Diga a ela que vou manter minha promessa. A essa hora amanhã, ela não vai mais sentir a minha falta.
***
Ruby e Alice mal podiam ser vistas de onde eu estava sentada, e me curvei para observar Regina, que encarou a cadeira vazia que eu geralmente ocupava antes de ir se sentar na ponta da mesa. Eu me senti ridícula por me esconder, mas não estava preparada para me sentar diante dela e simplesmente conversar amenidades durante as pausas, como sempre fazíamos. Quando terminei o meu almoço, inspirei fundo e fui caminhando até o lado de fora, onde Regina terminava de fumar.
Eu tinha passado a maior parte da noite tentando formular um plano para voltarmos ao ponto em que estávamos antes. Se eu tratasse nossa transa da forma como ela geralmente lidava com sexo, eu teria uma chance maior, porém, o plano trazia o risco de perdê-la completamente, mas eu tinha esperança de que seu imenso ego de pegadora a forçasse a entrar no jogo.
— Oi - falei.
Ela fez uma careta.
— Oi. Achei que ia te encontrar no almoço.
— Tive que entrar e sair correndo. Estou indo pra aula, tenho uma oficina hoje, e depois tenho que estudar.— Dei de ombros, fazendo minha melhor imitação de casualidade.
— Precisa de ajuda?
— É estatística. Acho que com isso eu consigo lidar.
— Posso ficar perto só pelo apoio moral— ela sorriu, enfiando a mão no bolso.
Os músculos definidos de seu braço tencionaram com o movimento, e a lembrança deles flexionados enquanto ela me penetrava me veio à mente em vividos detalhes.
— Hum... O quê? — Perguntei, desorientada com o súbito pensamento erótico que tinha passado como um lampejo por minha mente.
— A gente vai fingir que aquela noite nunca aconteceu?
— Não, por quê?— fingi que estava confusa e ela suspirou, frustrada com meu comportamento.
— Não sei... Porque tirei sua virgindade?— Ela se inclinou na minha direção, dizendo essas palavras num sussurro.
Revirei os olhos.
— Tenho certeza que não foi a primeira vez que você deflorou uma virgem, Regina.
Tal como eu temia, meu comportamento casual a deixou com raiva.
— Pra falar a verdade, foi sim.
— Ah, vamos lá... Eu disse que não queria nada esquisito entre a gente.
Ela deu uma última tragada no cigarro e o jogou no chão.
— Bom, se eu aprendi alguma coisa nos últimos dias, é que nem sempre a gente consegue o que quer.
Meu telefone tocou e uma mensagem da Lily apareceu no visor.
“Te pego por volta das seis?“
Regina olhou para mim com uma expressão assassina. Com certeza devia ter visto o conteúdo da mensagem.
Fiquei olhando enquanto ela processava a nova informação, com medo de lidar com as
consequências dos últimos dez segundos.
— Você vai sair com ela hoje à noite?— Regina perguntou, fervendo de raiva. Seu maxilar estava cerrado, e eu podia notar que ela o mexia.
— Eu te contei que ela ia me chamar para sair depois que eu voltasse para o Brooklin. Ela me ligou ontem. De qualquer forma, eu preciso me resolver com ela.
— As coisas mudaram um pouco desde aquela conversa, você não acha?
— Por quê?
Ela saiu andando, e engoli em seco, tentando conter as lágrimas. Regina parou e voltou, inclinando-se perto do meu rosto.
— Foi por isso que você disse que eu não ia sentir a sua falta depois de hoje! Você sabia que eu ia descobrir sobre a Lily, e achou que eu ia simplesmente... O quê? Te esquecer? Você não confia em mim, ou eu só não sou boa o bastante? Me fala, droga! Me fala que porra eu te fiz pra você fazer isso comigo!
Eu me mantive firme, encarando-a direto nos olhos.
— Você não me fez nada. Desde quando sexo é uma questão devida ou morte para você?
— Desde que foi com você!
Olhei de relance à nossa volta, percebendo que estávamos fazendo uma ceninha. As pessoas passavam devagar, nos encarando e sussurrando. Senti as orelhas arderem, e o ardor se espalhou pelo meu rosto, fazendo com que meus olhos lacrimejassem.
Ela fechou os olhos, tentando se recompor antes de falar de novo.
— É assim? Você acha que não significou nada pra mim?
— Você é Regina Mills.
Ela balançou a cabeça, revoltada.
— Se eu não te conhecesse, acharia que você está esfregando meu passado na minha cara.
— Não acho que quatro semanas constituem o passado.
Ela contorceu o rosto e dei risada.
— Estou brincando, Regina! Está tudo bem. Eu estou bem, você está bem. Não precisamos criar um caso em cima disso.
Toda a emoção desapareceu de seu rosto, e ela inspirou fundo pelo nariz.
— Eu sei o que você está tentando fazer.— Seus olhos castanhos perderam o foco por um instante, e ela ficou absorta em pensamentos. — Eu vou ter que te provar então.— Seus olhos se estreitaram enquanto ela olhava nos meus, com a mesma determinação que exibia antes de entrar em cena. — Se você acha que vou voltar a trepar com qualquer uma por aí, está enganada. Eu não quero mais ninguém. Quer ser minha amiga? Ok, seremos amigas. Mas eu e você sabemos que o que aconteceu não foi apenas sexo.
Ela passou por mim como um raio e fechei os olhos, exalando o ar que vinha prendendo. Regina olhou de relance para trás e seguiu para seu camarim. Uma lágrima escapou e rolou pela minha bochecha, e rapidamente a limpei. Os olhares fixos e curiosos das outras pessoas se cravaram nas minhas costas enquanto eu caminhava, sentindo um grande peso, até o ponto de táxi.
Lily estava na segunda fileira, e me sentei sorrateiramente na carteira ao lado. As turmas estavam misturadas.
Um largo sorriso se estampou em seu rosto.
— Não vejo a hora de chegar hoje à noite.
Inspirei e sorri, tentando afastar o clima pesado da conversa que acabara de ter com Regina.
— Quais são os planos?
— Bom, eu já me instalei no meu apartamento. Pensei em jantarmos lá.
— Ok.— falei, encerrando o assunto e desviando minha mão da dela, sorrateiramente.
Com a recusa de Ruby em me ajudar, eu não sabia qual vestido usar no encontro com a Lily. Peguei uma peça aleatória, mas assim que o vesti, eu o arranquei pela cabeça e enfiei uma calça jeans. Depois de ficar remoendo meu plano falho a tarde inteira, não consegui me convencer a me arrumar toda. Tendo em mente que o tempo estava fresquinho, coloquei um suéter de cashmere fino marfim por cima de uma regata marrom, peguei minha jaqueta e fiquei esperando perto na portaria. Quando a BMW reluzente de Lily parou na frente do prédio, saí rapidamente pela porta de entrada, antes que ela tivesse tempo de vir até mim.
— Eu estava indo buscar você— disse ela, decepcionada, enquanto segurava a porta do carro.
— Então eu fiz você economizar tempo — falei, me sentando e colocando o cinto de segurança.
Ela entrou no carro e se inclinou na minha direção, virei rapidamente o meu rosto sentindo seus lábios macios e aveludados. Foi instantâneo, de repente meu corpo reagiu involuntariamente e negou o beijo de Lily.
— Senti saudades da sua pele, Emma.
O hálito de Lily a centímetros de mim cheirava a menta, sua colônia tinha um aroma incrível, suas mãos eram quentes e macias, e ela estava fantástica de calça jeans e um cardigã clarinho, mas eu não conseguia me desvencilhar da sensação de que faltava algo. Aquele entusiasmo que eu sentia com ela no começo estava ausente, e, em silêncio, amaldiçoei Regina por ter tirado isso de mim.
Eu me forcei a sorrir.
— Vou levar isso como um elogio.
O apartamento dela era exatamente como eu tinha imaginado: impecável, com aparelhos eletrônicos caros em cada canto, e uma decoração elegante.
— E então, o que achou?— Ela me perguntou abrindo um largo sorriso, como uma criança exibindo um brinquedo novo.
— É o máximo — assenti.
A expressão dela passou de divertida a sedutora e ela me puxou para os seus braços, beijando meu pescoço. A tensão tomou conta de todos os músculos do meu corpo. Eu queria estar em qualquer lugar, menos naquele apartamento.
Meu celular tocou, e apresentei-lhe um sorriso de desculpas antes de atender.
— Como está indo o encontro, Flor?
Virei as costas para Lily e sussurrei ao telefone.
— Que foi, Regina?— tentei colocar rispidez na voz, mas ela se suavizou com o alívio ao ouvir a dela.
— Quero ir jogar boliche amanhã. Preciso da minha parceira.
— Boliche? Você não podia ter me ligado mais tarde?
Eu me senti uma hipócrita ao dizer essas palavras, pois estava esperando aparecer uma desculpa qualquer para manter os lábios de Lily longe de mim.
— Como eu vou saber quando vocês vão ter terminado? Ai. Isso não soou bem... - ela disse, parecendo se divertir.
— Ligo pra você amanhã para falarmos sobre isso, ok?
— Não, não está nada ok. Você disse que quer ser minha amiga, mas nós não podemos sair juntas?— Revirei os olhos e Regina bufou. — Não revire os olhos. Você vai ou não vai?
— Como você sabe que revirei os olhos? Está me perseguindo?— perguntei, notando que as cortinas estavam abertas.
— Você sempre revira os olhos. Sim? Não? Você está desperdiçando um tempo precioso do seu encontro.
Ela me conhecia muito bem. Lutei contra a necessidade premente de pedir que ela fosse me buscar naquela hora. Não consegui evitar e acabei sorrindo com esse pensamento.
— Sim!— falei em uma voz abafada, tentando não rir. — Eu vou.
— Te pego às sete.
Eu me virei para Lily com um sorriso tão largo quanto o do gato de Alice.
— Era a Regina?— ela me perguntou, com uma expressão sagaz.
— Sim— respondi franzindo a testa, pega no flagra.
— Vocês ainda são apenas amigas?
— Ainda apenas amigas.
Nós nos sentamos à mesa e comemos comida chinesa, que ela havia pedido para viagem. Fiquei mais receptiva a ela depois de um tempinho, e ela me fez lembrar de como era charmosa. Eu me senti mais leve, quase risonha, uma marcante mudança de momentos antes. Por mais que eu tentasse tirar o pensamento da cabeça, não podia negar que eram os planos com Regina que haviam iluminado meu humor.
Depois do jantar, nos sentamos no sofá para assistir a um filme, mas, antes de terminarem os créditos do início, Lily já estava em cima de mim, e eu, deitada de costas. Fiquei feliz por ter escolhido usar calça jeans; não teria conseguido me esquivar com tanta facilidade se estivesse de vestido. Seus lábios viajaram até minha clavícula, ela aparentemente desistiu de tentar beijar a minha boca e sua mão parou no botão da minha calça.
Desajeitada, ela tentou abri-lo, e, assim que conseguiu, eu me levantei do sofá.
— Tudo bem! Acho que tudo que você vai conseguir hoje é uma rebatida simples, como se diz no beisebol— falei, fechando o botão.
—O quê?
— Primeira base, segunda base? Não importa. Está tarde e é melhor eu ir embora.
Ela se sentou e segurou minhas pernas.
— Não vá embora, Emms. Não quero que você ache que foi por isso que eu te trouxe até aqui.
—E não foi?
— É claro que não— ela me disse, me puxando para o seu colo. — Só consegui pensar em você nas últimas duas semanas. Peço desculpas por ser impaciente.
Ela me beijou no rosto e me inclinei em sua direção, sorrindo quando seu hálito fez cócegas no meu pescoço. Eu me virei e pressionei os lábios contra os dela, tentando ao máximo sentir algo, mas nada aconteceu. Eu me afastei e suspirei.
Lily franziu a testa.
— Eu disse que sentia muito.
— Eu disse que estava tarde.
Fomos de carro até o Brooklin, e Lily apertou de leve a minha mão e me deu um selinho de boa noite, que eu me esquivei antes que virasse algo maior.
— Vamos tentar de novo. No Biasetti amanhã?
Pressionei os lábios.
— Vou jogar boliche com a Regina amanhã.
— Na quarta-feira então?
— Na quarta está ótimo— falei, com um sorriso forçado. Lily se mexeu no banco do carro. Ela estava se preparando para falar alguma outra coisa.
— Emma, vai ter uma festa de casais daqui a alguns fins de semana na Hamiltons House...
Eu me encolhi por dentro, temendo a discussão que inevitavelmente teríamos.
— Que foi?— ela perguntou, dando uma risadinha abafada e nervosa.
— Não posso ir à festa com você— falei, saindo do carro.
Ela me seguiu, me alcançando na entrada do prédio.
— Você tem outros planos?
Eu me retraí.
—Tenho... A Regina já tinha me convidado.
— A Regina te convidou para quê?
— Para a festa de casais— expliquei, um pouco frustrada.
Seu rosto ficou vermelho, e ela se apoiou na outra perna.
— Você vai à festa de casais com a Regina? Ela não vai a esse tipo de coisa. E vocês são só amigas. Não faz sentido você ir à festa com ela.
— A Ruby disse que só iria com a Zelena se eu fosse também.
Ela relaxou.
— Então você pode ir comigo— sorriu, entrelaçando os dedos nos meus.
Fiz uma careta para a solução dela.
— Não posso cancelar o que combinei com a Regina e depois ir à festa com você.
— Não vejo problema— ela deu de ombros. — Você pode estar lá pela Ruby, e a Regina vai se livrar de ter que ir. Ela vive dizendo que devíamos acabar com as festas de casais. Ele acha que elas só servem para que nossas namoradas nos forcem a oficializar o relacionamento. Todos anos é convidada e nunca vai.
— Eu não queria ir à festa. Foi ela que me convenceu a ir.
— Só para esclarecer as coisas: você não quer ir à festa de casais. A Regina quer ir, ela te convidou, e você não quer cancelar com ela para ir comigo, mesmo você nem querendo ir à festa para início de conversa?
Foi difícil ter de encarar o olhar raivoso dela.
— Eu não posso fazer isso com ela, Lily. Me desculpa.
— Você sabe o que é uma festa de casais? É uma festa aonde você vai com a sua namorada.
O tom condescendente dela fez com que qualquer empatia que eu estivesse sentindo fosse para o espaço.
— Bom, eu não tenho namorada, então tecnicamente nem devia ir à festa.
— Eu achei que a gente ia tentar de novo. Achei que tínhamos alguma coisa...
— Eu estou tentando.— Na verdade não tínhamos nada, nunca tivemos, mas que droga! – pensei.
— O que você espera que eu faça? Que fique sentada em casa sozinha enquanto você está na festa de casais da minha fraternidade com outra pessoa? Eu devo convidar outra garota para ir comigo?
— Você pode fazer o que quiser, você é livre, Lilith. Na verdade o meu objetivo hoje era deixar isso bem claro — respondi, irritada com a ameaça.
Lily ergueu o olhar e balançou a cabeça.
— Eu não quero convidar outra garota.
— Não espero que você não vá à sua própria festa. A gente se vê lá.
— Você quer que eu convide outra pessoa? E você vai à festa com a Regina. Você não consegue ver como isso é absurdo?
Cruzei os braços, preparada para uma briga.
— Eu falei que iria com ela antes de eu e você sairmos juntos, Lily. Não posso cancelar o compromisso com ela.
— Não pode ou não quer?
— Dá na mesma. Não posso, não quero e não vou. Sinto muito se você não entende.
Abri a porta para entrar no prédio, e Lily colocou a mão na minha.
— Tudo bem— ela suspirou, resignada. — Essa é, obviamente, uma questão com a qual vou ter que lidar. A Regina é uma das suas melhores amigas. Eu entendo. Não quero que isso afete nosso relacionamento. Tudo bem?
— Tudo bem— falei, fazendo que sim com a cabeça e dando um sorrisinho seco.
Ela abriu a porta e fez um gesto para que eu entrasse, beijando o meu rosto antes.
— Vejo você na quarta às seis?
— Às seis — falei, acenando com a mão enquanto subia as escadas.
(Se for ficar, fica de uma vez, não enrola
Porque enrolar é só dentro do abraço
E eu faço questão de ser no meu
Que cabe tu, e é só teu)
Ruby estava saindo do banheiro quando cheguei lá em cima, e os olhos dela se iluminaram ao me ver.
— E aí! Como foi?
— Já era— falei, desanimada.
— Oh-oh.
— Não conta pra Regina, tá?
Ela bufou.
— Não vou contar. O que houve?
— A Lily me convidou para ir com ela à festa de casais.
Ruby apertou a toalha em volta do corpo.
— Você não vai deixar a Regina na mão, vai?
— Não, e a Lily não está feliz com isso.
— É compreensível— ela disse, assentindo. — E mau pra caramba.
Ruby puxou as mechas dos longos cabelos molhados sobre um dos ombros e gotas de água escorreram sobre sua pele desnuda. Ela era uma contradição ambulante. Havia se matriculado na Columbia para que pudéssemos continuar juntas. Proclamava-se minha consciência, pronta para entrar em ação quando eu cedia a minhas tendências inatas a sair da linha. Eu me envolver com Regina ia contra tudo que tínhamos conversado, mas ela havia se tornado sua mais entusiasmada defensora.
Eu me apoiei na parede.
— Você vai ficar brava se eu não for à festa?
— Não, eu vou ficar incrivelmente puta da vida. Isso seria motivo para a maior briga de todos os tempos, Emma.
— Então acho que não tenho opção — falei, enfiando a chave na fechadura.
(Chego a noite em casa
Procurando por você em todo canto
O que é que tu fez?
Pra deixar rastros nos meus móveis e teu cheiro quando canto)
Meu celular tocou, e a imagem de Regina fazendo uma cara engraçada surgiu no mostrador.
—Alô?
— Você já está em casa?
— Estou, ela me deixou aqui faz uns cinco minutos.
— Em mais cinco estou aí.
— Espera! Regina? — eu disse, depois que ela desligou.
Ruby deu risada.
— Você acabou de ter um encontro decepcionante com a Lily e sorriu quando a Regina ligou. Você é mesmo tão idiota?
— Eu não sorri — protestei. — Ela está vindo pra cá. Você pode encontrar com ela lá fora e dizer que já fui dormir?
— Você sorriu sim, e não, você mesma vai falar isso pra ela.
— Isso,Ruby, eu ir lá fora dizer pra ela que estou na cama dormindo vai mesmo dar certo.
Ela virou as costas para mim, caminhando até seu quarto. Joguei as mãos para o alto e as deixei cair ao lado do corpo.
— Ruby! Por favor!
— Divirta-se, Emma — ela sorriu, sumindo dentro do quarto.
(Ei você, que se alojou nos meus
Olhos e na minha boca, por que não tá aqui?)
Desci as escadas e vi Regina encostada em sua Ferrari preta, estacionada em frente ao prédio. Ela estava vestindo uma blusa fininha de manga comprida branca, calça skinny e coturnos pretos e uma jaqueta de couro. Ridiculamente sexy. E aquele batom vermelho? Céus!
— Você está bonita. Se divertiu?
— Hum... sim, obrigada — falei distraída. — O que você está fazendo aqui?
— Eu ia dar uma volta para clarear as ideias. Quero que você venha comigo.
—A gente vai jogar boliche amanhã. Você não pode esperar até lá?
—Passei de ficar com você todos os segundos do dia a te ver durante dez minutos, se tiver sorte.
Sorri e balancei a cabeça.
—Só se passaram dois dias, Regina.
—Estou com saudades. Para de birra e vamos.
(A cama tá reclamando, a casa te chamando
Vem logo me ver
Tô te esperando entrar, não precisa bater)
Eu não tinha como discutir. Tinha saudades dela também. Mais do que eu jamais admitiria. Ela deu a volta no carro e abriu a porta pra mim. Regina ficou um tempo parada na minha frente, fitando meus olhos até que balançou a cabeça e me deu passagem . Assim que ela fechou a porta do outro lado seu cheiro frutado invadiu todo o ambiente com violência. Aquele dois dias pareciam agora dois anos, longe daquele aroma maravilhoso que me era tão familiar. Respirei fundo e Regina entrelaçou nossos dedos em cima da minha perna enquanto saia com a Ferrari em alta velocidade. Descansei minha cabeça no encosto do banco fechei os olhos, respirando seu perfume, que me fazia lembrar de seu apartamento, de seus lençóis e do cheiro dela quando andava pela casa com os cabelos molhados e um roupão de grife apertado na cintura.
A cidade passava por nós como um borrão, e eu não me importava com a velocidade com que ela estava dirigindo nem com a chuva iminente que se aproximava; eu não estava nem prestando atenção para onde estávamos indo. A única coisa em que eu conseguia pensar era no corpo dela encostado no meu. Não tínhamos destino nem agenda, e vagamos pelas ruas até bem depois de terem sido abandonadas por todo mundo, menos nós duas.
Regina parou em um posto de gasolina.
— Você quer alguma coisa?— ela me perguntou.
Fiz que não com a cabeça, descendo do carro para esticar as pernas. Ela ficou me observando enquanto eu passava os dedos nos cabelos para penteá-los, depois sorriu.
— Para com isso, você está linda.
— Só se for para aparecer em um clipe de rock dos anos 80 — falei. Ela deu risada e depois bocejou, espantando as mariposas que zumbiam em volta dela. A pistola da mangueira de gasolina fez um clique, soando mais alta do que deveria na noite silenciosa. Parecíamos as duas únicas pessoas na face da terra.
Peguei o celular para ver o horário.
— Meu Deus, Regina. São três da manhã.
— Você quer voltar?— ela me perguntou, com uma sombra de decepção no rosto.
Pressionei os lábios.
— É melhor.
— Ainda vamos jogar boliche hoje à noite?
— Eu disse que vamos.
— E você ainda vai comigo na festa da Hamiltons House que vai rolar daqui a algumas semanas, né?
— Você está insinuando que eu não cumpro minhas promessas? Acho isso um pouco ofensivo.
Ela puxou a mangueira de gasolina do carro e prendeu-a na base.
— Eu só não sei mais o que você vai fazer.
(Lembra de ficar um pouco mais
Quando pensar em ir embora
E querer muitos minutos à toa
Sem se importar com a demora)
Ele ficou parada por um tempo, encarando uma mariposa que pousava no painel da bomba de gasolina, parecendo perdida. Eu enganchei os dedos nos passadores de sua calça e depois, pensando melhor, a abracei. Ela suspirou e me apertou forte, até que nos desvencilhamos e ela me acompanhou até a minha porta. Regina se sentou no seu banco e ficou olhando para a frente, relutante em dar partida. Os nós de seus dedos ficaram brancos quando ela segurou o volante. Ela inspirou, começou a falar, depois se interrompeu e balançou a cabeça.
— Você é importante pra mim, viu? — falei, apertando-a de leve.
— Não entendo você, Beija-Flor. Achei que conhecesse as mulheres, mas você é incrivelmente confusa. Não te entendo.
— Eu também não te entendo. Supostamente você é a pegadora do showbiz. Não estou tendo a experiência completa que eles prometem às moças no folheto— brinquei.
— Isso é inédito. Nunca uma garota transou comigo só para me fazer deixá-la em paz — ela disse, ainda sem olhar para mim.
— Não foi isso que aconteceu, Regina — menti, envergonhada porque ela tinha adivinhado minhas intenções sem perceber como estava certa.
Ela balançou a cabeça e deu partida no motor. Dirigiu bem devagar, de uma maneira que não lhe era característica, parando em todos os faróis amarelos e tomando o caminho mais longo até o Brooklin. Quando estacionamos em frente ao meu prédio, a mesma tristeza que senti na noite em que fui embora do apartamento dela me consumiu.
Era ridículo ficar tão emotiva, mas, cada vez que eu fazia algo para afastá-la, ficava aterrorizada que aquilo pudesse funcionar.
Ela me acompanhou até a porta, e peguei as chaves, evitando olhar para ela. Enquanto eu procurava, desajeitada, a chave certa, ela levou a mão ao meu queixo e tocou suavemente meus lábios.
(Do nosso sono matinal de quando nos falta assunto
Das horas que eu disparo a conversar, e tu não fala um só segundo)
— Ela te beijou?— Regina quis saber.
Eu me afastei, surpresa por seus dedos me causarem uma sensação que fez arder todos os meus nervos, da boca aos dedos dos pés.
— Você realmente sabe como destruir uma noite perfeita, não é?
— Você achou que foi perfeita? Quer dizer que se divertiu?
— Eu sempre me divirto quando estou com você.
Ela olhou para o chão e franziu as sobrancelhas.
— Ela te beijou?
— Não. Quer dizer, sim. Quer dizer, não. Só alguns selinhos, eu... Eu não quis. — suspirei, irritada.
Ela fechou os olhos bem apertados.
— Então não aconteceu nada?
— Não é da sua conta! — falei, abrindo a porta com tudo. Regina a fechou e se pôs no meu caminho, com uma expressão arrependida.
— Eu preciso saber.
— Não, não precisa! Sai da frente, Regina!
— Beija-Flor...
— Você acha que, porque eu não sou mais virgem, vou sair trepando com qualquer uma que me quiser? Valeu! — falei, empurrando-a.
— Eu não disse isso, droga! É pedir demais querer ter um pouco de paz de espírito?
— E por que você teria paz de espírito se soubesse se transei ou não com a Lily?
— Como você pode não saber? É óbvio pra todo mundo, menos pra você! — disse ela, exasperada.
— Então acho que eu sou uma imbecil. É uma atrás da outra com você essa noite, Regina — falei, esticando a mão em direção à maçaneta.
Ela me segurou pelos ombros.
— O que eu sinto por você... É muito louco.
— Na parte da loucura você está certa — retruquei, me afastando.
— Eu fiquei treinando isso na minha cabeça o tempo todo em que estávamos no carro, então me ouve... — disse ela.
— Regina...
(Ei você, que se alojou nos meus
Olhos e na minha boca, por que não tá aqui?)
— A primavera é a estação do ano que é marcada pelas flores e que vem após o inverno. E foi assim que eu te conheci, num dia morno de primavera, depois de vários invernos rigorosos na minha vida, você chegou com muitas flores. É Engraçado lembrar, porque nunca ninguém despertou esse meu lado conotativo, mas você desde o inicio conseguiu isso. Você era aquele tipo de garota que logo de cara você olha e já pensa: O que eu vou fazer da minha vida agora? Logo eu que sempre jurei que esse lance de amor não era pra mim, quando percebi já estava fazendo de tudo pra poder ficar perto de você o máximo de tempo possível, não pude evitar, era o fim da linha, flor. Eu estava perdida... Você era daquelas que fazia acalmar o meu Allan Poe interior e despertar o Camões, sempre foi incrivelmente aleatória e desapegada de tudo. Distraída a tal ponto, que eu podia dançar na sua frente com um letreiro de neon piscando, que você nunca entenderia as minhas ações a não ser que eu falasse o que desejava com todas as letras. Você conseguia despertar minha inspiração de uma maneira surreal, bastava eu te ouvir dar uma gargalhada que surgiam dezenas de sonetos na minha mente, e alguns eu até te mostrava, só pra ver aquela cara de paisagem que você sempre faz quando fica meio boba com alguma coisa; e quando eu acordava no meio da noite e te observava dormindo? Era uma visão tão incrivelmente incrível, que não dava vontade de piscar, porque se eu piscasse eu perderia aquela sua cara de criança mimada que não tá nem aí com nada por meio segundo, e meio segundo é tempo demais. Você sempre foi meio que uma canção romântica dos anos 80, aquelas que meu pai adorava cantarolar pra minha mãe – Ela fechou os olhos e sorriu, como se viajasse para uma lembrança boa -, misturada com Rockabilly e um pouquinho da poesia dos Beatles, ao mesmo tempo em que era um pouco de country com uma pitadinha de funk do Rio. Você chorava com musicais românticos e sabia todas as músicas da Disney, adorava brincar que estava no Oscar e sabia discursar, mas também gostava de terror e um pouquinho de drama. Você sempre foi assim, como um oceano calmo depois da minha tempestade, e nossa, eu definitivamente era uma tempestade. Você é tão linda e cheia de si, e eu sou sempre a celebridade previsível que nunca teve um minuto de sossego. Todas as vezes que eu te abraço eu fecho os olhos e é como se o mundo girasse devagar, sabe? Se eu pudesse abrir mão de tudo por uma única coisa nesse mundo eu escolheria poder acordar ao seu lado todos os dias para poder ver o seu sorriso... Porque pra mim, o seu sorriso supõe o céu. – Regina franziu as sobrancelhas e puxou um pouco de ar antes de continuar — Eu sei que a gente tem problemas, tá? Sou impulsiva, esquentada, e você me faz perder a cabeça como ninguém. Num minuto você age como se me odiasse, e no seguinte como se precisasse de mim. Eu nunca faço nada direito, eu não te mereço... Mas, porra, Emma, eu te amo. Eu te amo mais do que jamais amei alguém ou alguma coisa em toda a minha vida. Quando você está por perto, não preciso de bebida, nem de dinheiro, nem de apostas, nem de transas sem compromisso... Eu só preciso de você. Eu só penso em você. Eu só sonho com você. Eu só quero você.
Meu plano de fingir que ignorava tudo aquilo foi um fracasso épico. Eu não poderia fingir indiferença quando ela tinha acabado de colocar todas as cartas na mesa. No momento em que nos conhecemos, algo dentro de nós duas mudou e, o que quer que tenha sido, fez com que precisássemos uma da outra. Por motivos que eu não conhecia, eu era a exceção na vida dela, e, por mais que eu tentasse lutar contra os meus sentimentos, ela era a minha.
Ela balançou a cabeça, pegou o meu rosto com ambas as mãos e olhou dentro dos meus olhos.
(A cama tá reclamando, a casa te chamando
Vem logo me ver)
—Você transou com ela?
Meus olhos se encheram de lágrimas enquanto eu respondia que não, balançando a cabeça. Ela avançou com os lábios nos meus, e sua língua penetrou minha boca sem hesitação. Incapaz de me controlar, agarrei a blusa dela com os punhos cerrados e a puxei para perto. Ela murmurava com sua incrível voz grave, me agarrando tão apertado que era difícil respirar.
Então ela recuou, sem fôlego.
— Liga pra Lily e fala que você não vai mais sair com ela. Fala pra ela que você está comigo.
Fechei os olhos.
— Não posso ficar com você, Regina.
— Mas que inferno! Por que não?— ela perguntou, me soltando.
Balancei a cabeça, com medo da reação dela ao ouvir a verdade.
Ela riu.
— Inacreditável. A única garota que eu quero, e ela não me quer -. Engoli em seco, sabendo que eu teria que chegar mais próximo da verdade do que havia feito em meses.
— Quando a Ruby e eu nos mudamos para cá, foi para que a minha vida seguisse um determinado rumo. Ou melhor, para que não seguisse determinado rumo. As festas, as apostas, as bebidas... Foi tudo isso que eu deixei para trás. Mas quando estou com você... Está tudo lá novamente, em um pacote latino irresistível. Eu não me mudei para um lugar a centenas de quilômetros para viver tudo isso de novo.
Ela ergueu meu queixo para que eu a encarasse.
— Eu sei que você merece alguém melhor do que eu. Você acha que eu não sei disso? Mas se existe alguma mulher feita para mim... Essa mulher é você. Eu faço o que for preciso, Flor. Está me ouvindo? Eu faço qualquer coisa.
Recuei, com vergonha de não poder lhe contar a verdade. Era eu quem não era boa o bastante. Era eu quem arruinaria tudo, quem a arruinaria. Ela me odiaria um dia, e eu não suportaria ver a expressão em seus olhos quando ela chegasse a essa conclusão.
Ela segurou a porta fechada.
— Eu vou parar de participar desses jogos com o Killian. Nunca mais vou beber uma gota de álcool. Vou te dar o “felizes para sempre”, Beija-Flor. Se você acreditar em mim, eu consigo fazer isso.
— Eu não quero que você mude.
— Então me diz o que fazer. Me diz e eu faço — ela implorou.
Quaisquer pensamentos de ficar com a Lily já tinham sumido faziam algumas semanas, e eu sabia que era por causa do que eu sentia pela Regina. Pensei nos diferentes caminhos que minha vida tomaria a partir daquele momento — confiar em Regina dando um salto no escuro e arriscar o desconhecido, ou afastá-la de mim e saber exatamente onde eu terminaria, o que incluiria uma vida sem ela. Ambas as opções me aterrorizavam.
— Você pode me emprestar seu celular? — perguntei.
Regina juntou as sobrancelhas, confusa.
— Claro— ela disse, puxando o celular do bolso e entregando-o a mim.
Disquei os números e fechei os olhos enquanto ouvia o telefone tocar
— Regina? Que merda é essa? Você sabe que horas são? - Lily atendeu.
A voz dela estava grave e rasgada, e senti meu coração vibrando no peito. Eu não tinha me dado conta de que ela saberia que eu havia ligado do celular da Regina.
De alguma maneira, as palavras encontraram o caminho até meus lábios trêmulos.
— Desculpa te ligar tão cedo, mas isso não podia esperar eu... Não posso jantar com você na quarta.
— São quase quatro horas da manhã, Emma. O que está acontecendo?
— Pra falar a verdade, eu não posso mais te ver.
— Emms...
— Eu... Tenho certeza que estou apaixonada pela Regina — falei, me preparando para a reação dela.
Depois de alguns instantes de um silêncio atônito, ela desligou. Com os olhos fixos na calçada, devolvi o celular para Regina e então, relutante, ergui o olhar para ver sua expressão. Uma combinação de confusão, choque e adoração se estampava em seu rosto.
— Ela desligou na minha cara— fiz uma careta.
Ela analisou meu rosto com uma esperança cautelosa nos olhos.
— Você me ama?
— É a voz sexy e os peitões— dei de ombros.
Um largo sorriso se espalhou por seu rosto, fazendo com que o brilho do luar refletisse em seus dentes perfeitamente alinhados e brancos. Ok, era coisa da minha cabeça, da minha cabeça louca e apaixonada.
— Vem pra casa comigo— ela disse, me envolvendo em seus braços.
Ergui as sobrancelhas na hora.
— Você disse tudo aquilo só pra me levar pra cama? Eu devo ter causado uma impressão e tanto!
— A única coisa que consigo pensar agora é em ter você em meus braços a noite toda. – Regina disse com sua voz incrivelmente rouca e sexy.
— Vamos— falei.
Apesar da velocidade excessiva e dos atalhos, a viagem até o apartamento dela parecia sem fim. Quando finalmente chegamos, Regina me puxou para o elevador enquanto dávamos risadinhas com os lábios encostados. Quando a porta nos fechou já dentro do apartamento dela, ela soltou um longo suspiro de alívio.
—Isso aqui não parecia mais um lar desde que você foi embora — disse ela, beijando meus lábios.
Apolo atravessou o corredor abanando o minúsculo rabo, encostando as patinhas nas minhas pernas. Fiquei falando com ele de um jeito amoroso enquanto o erguia do chão.
— Você sabia que eles não aceitam cachorrinhos no apê lá do Brooklin, né? Você me deu ele de caso pensado, porque sabia que eu ia morrer de saudades e sempre viria visitar.
Regina deu de ombros, fazendo cara de inocente.
A cama de Zelena rangeu e ouvi quando ela se levantou. A porta do quarto se abriu enquanto ela apertava os olhos por causa da claridade.
— Nem vem, Regina, você não vai fazer essa merda! Você está apaixonada pela Em... — seus olhos encontraram foco e ela reconheceu o erro — ...ma. Oi, Emma.
— Oi, Zel— falei, colocando o Apolo no chão.
Regina me puxou pela mão, passando por sua irmã, que ainda estava chocada, e bateu a porta do quarto atrás de nós, envolvendo-me em seus braços e me beijando sem hesitar, como se tivéssemos feito isso um milhão de vezes antes. Tirei sua blusa e ela tirou minha jaqueta, deslizando-a pelos meus ombros. Só parei de beijá-la para tirar o suéter e a regata, depois me joguei em seus braços de novo. Tiramos o restante da roupa uma da outra, e em poucos segundos ela me deitou no colchão.
— Tem certeza?
Deslizei as mãos pelos ombros dela até seus quadris e esfreguei minhas unhas nas laterias de seu corpo, trazendo-a de encontro a mim. Ela fechou os olhos e soltou um gemido longo e profundo. Seus lábios buscaram cada centímetro do meu pescoço, e, quando ela achou o caminho até minha boca, afundei a ponta dos dedos nos seus cabelos, me perdendo na intensidade do beijo.
Regina desceu sua boca chupando vorazmente os meus peitos, enquanto seus dedos começavam um movimento lento em meu clitóris. Eu arqueava meu quadril implorando por mais e ela prontamente me atendeu deslizando dois dedos dentro de mim. Era uma sensação enlouquecedora, ela começou devagar, me provocando e aos poucos os movimentos se tornaram um pouco mais fortes e ritmados e eu enfiei as unhas em suas costas. Meu ventre se tencionava com uma força impressionante. Soltei um grito, mordendo o lábio e cerrando os olhos com força.
— Emma— ela sussurrou- goza pra mim, goza.
— Regina, não... não para— implorei.
Ela me penetrou novamente, e eu gemi tão alto que tive certeza que a Zelena ouviu do outro lado do corredor. Depois de inspirar fundo algumas vezes, e sorver delirantemente todo o líquido do meu sexo me provocando com a pontinha da língua, ela olhou em meus olhos e me cobriu de beijos. Suas mãos acolheram meu rosto e ela me beijou de novo, devagar, com mais ternura. Encostou os lábios nos meus, depois em minhas bochechas, minha testa, meu nariz e, por fim, meus lábios novamente.
Sorri e suspirei, cedendo à exaustão. Regina me puxou para o lado dela e nos cobriu, Descansei o rosto em seu peito e ela me beijou na testa mais uma vez, fazendo carinho em meus cabelos.
— Não vai embora dessa vez, hein? Quero acordar assim amanhã de manhã.
Selei meus lábios nos dela, sentindo-me culpada por ela ter que me pedir isso.
— Não vou a lugar nenhum. E você disse acordar? Acordar de que? Eu não pretendo dormir essa noite. – Mordi meus lábios e ela me deu um sorrisinho sacana, me puxando para junto de si.
(Tô te esperando entrar, não precisa bater
Que eu esqueci de me trancar...)
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