Beautiful Disaster
10 Capítulo 10
Notas iniciais
“- Bem, vamos então? – Regina diz se jogando no banco de trás, enquanto Zelena e Ruby entram nos bancos da frente.
— Acho que serei obrigada a ir do seu lado, não é? – Emma diz se sentando o máximo possível longe de Regina, na porta oposta.
— Na verdade você também tem a opção de ir no bagageiro, beija-flor. Acho que cabe mais uma “Mala” ali. – Regina diz dando ênfase na palavra mala, enquanto Emma revira os olhos e coloca seus fones de ouvido.
— Então, todas prontas, garotas? Here we go! – Zelena diz acelerando rumo ao chalé Peabody.”
— Uhul!— Ruby exclamou animada.
Zelena dirigiu por cerca de 20 minutos e antes de saírem da Big Apple decidiram passar no supermercado para comprar comida e algumas garrafas de bebida, pois Regina não pudera comprar anteriormente.
— O que vocês querem levar, meninas?— Regina pergunta, pegando uma cestinha.
— Ahn, acho que vou pegar alguns pães fatiados e queijos.— Emma Responde.
— Isso, pegue queijos que eu vou pegar uns vinhos. Você tem alguma preferência, flor?
— Não não, pode pegar qual você quiser. Vocês tomam vodka?
— Eu sim, mas já estamos levando, não precisa pegar. Acho que a Zel prefere um espumante.— Regina diz, se virando para a irmã.
— Sim, prefiro. Mas pode deixar que eu mesma pego.— Zelena diz.
— Ok, enquanto vocês pegam bebidas eu vou pegar alguns doces e umas frutas, porque nem só de álcool vive uma pessoa.— Ruby comenta rindo.
Elas se separaram e cada uma foi para um lado pegar alguma coisa. Antes de se direcionarem aos respectivos corredores de suas mercadorias, haviam combinado de que quando já estivessem com tudo que precisavam, se encontrariam no centro do supermercado, onde Ruby estaria, perto do hortifrúti.
Emma já havia passado na padaria e resolvera pegar também alguns energéticos e sake na gôndola de bebidas. Estava parada fitando distraidamente o rótulo de uma garrafa e não percebeu quando um moreno alto se aproximou:
— Pelo jeito a noite vai ser animada, eim?— O homem comenta.
— É, pois é.— Emma diz sem dar muita atenção.
— Mas... uma loirassa como você comprando bebida aqui sozinha, numa sexta-feira... Eu poderia te fazer companhia se você quisesse.— Ele diz se aproximando mais de Emma.
— Não, eu estou bem, obrigada. – Emma diz ríspida, agora encarando o homem. Alguma coisa naqueles olhos negros lhe parecia estranhamente familiar.
— Qual é, vai me dizer que tem namorado? Se tivesse não estaria aqui sozinha a essa hora da noite.— O homem diz colando seu corpo na lateral de Emma.
Regina havia deixado para passar na adega de vinhos por último e de longe avistou Emma e o homem no fim do corredor. A morena estava estranhando a reação de Emma ao conversar com o homem, que passou de indiferença para um leve desespero, então resolveu se aproximar para entender o que estava acontecendo.
— Não te interessa se eu namoro ou não, com licença.— Emma tentou sair dali, mas o rapaz impediu sua passagem.
— Você não costumava ser tão arrogante há alguns anos atrás, senhorita Swan.— O homem disse acariciando o rosto de Emma.
Ao ouvir isso, Emma arregalou os olhos e uma onda de desespero percorreu seu corpo. Ela conhecia aquele homem, era um dos capangas de sua família. Ao perceber que Emma o reconhecera, o homem deu um sorrisinho macabro para a loira.
— Hey baby, tem algo acontecendo aqui?— Regina passou um braço na cintura de Emma e a puxou para perto de si. A morena se aproximara lentamente e conseguiu ouvir a última parte da conversa, foi quando resolveu intervir.
— N-não, está tudo bem.— Emma disse gaguejando.
— Ela está com você?— O homem disse com um tom debochado.
— Sim, está. Algum problema?— Apesar de ser cerca de 20 centímetros mais baixa, Regina disse num tom totalmente autoritário, de modo que daria medo até no mais valente dos homens.
— Ora ora, a mamãe vai amar saber disso, Swan. Qual o nome da moça bonita? Posso saber?— Ele disse se direcionando à Regina.
— Ora, por que não? Eu sou R...— Regina foi interrompida bruscamente por Emma.
— O nome dela é Belle, Belle French. Agora com licença, nos deixe em paz senão eu vou chamar a polícia.— A loira disse de supetão, antes que Regina terminasse sua frase.
A morena olhou confusa para Emma, sem entender o que estava acontecendo, mas resolveu não falar nada.
— Desculpe-me, não será necessário! Não quero causar nenhum mal estar ao casal. Foi bom te rever, senhorita Swan.— O homem deu um aceno de cabeça para as duas com um sorriso de canto de boca e se distanciou.
Emma se encolheu ainda mais ao encontro de Regina, que abraçou a loira num gesto automático.
— O que foi isso, beija-flor? Porque não falou meu nome? Quem é esse homem? — Regina disse, se virando para alcançar o olhar de Emma.
— O nome dele é Sidney Glass e ele não precisa saber seu nome. Nós podemos não falar sobre isso? Eu só quero voltar logo para o carro.— Emma disse se desvencilhando da morena.
— Claro, como quiser; eu já peguei tudo. Vem, vamos encontrar as meninas.— Regina disse alcançando a mão de Emma que apertou forte a mão da morena, como se sua vida dependesse disso.
Elas passaram pelo caixa e se dirigiram em direção ao carro. Emma se certificou de que não havia mais sinal do homem e puxou Ruby num canto, enquanto Regina parou para fumar.
— Ruby, um dos caras dela estava lá dentro.— Emma disse com um olhar desesperado.
— Oi? Como assim, Emma? Que cara?— Ruby disse sem entender.
— O Sidney, aquele capanga pessoal da Mary, lembra? Ele me encontrou enquanto eu estava sozinha na gondola de bebidas. Ela deve ter colocado eles atrás de mim, Ruby.— Emma diz num sussurro para a amiga.
— Ele me viu?
— Não, quer dizer, eu não sei! Mas viu Regina, ela se passou por minha namorada... Eu disse que o nome dela era Belle French, mas e se eles resolvem ir atrás dela, Ruby?
— Hey Emma. Fica calma, ok? Já parou pra pensar que pode ser coincidência? Ok que agora ele sabe que você está aqui, mas isso não necessariamente quer dizer que ele estava atrás de você, não é? Eles sempre fizeram serviços em NY. Não seria o caso de você contar sua história para Regina? Ela tem recursos pra te proteger, Emma.— Ruby diz tentando acalmar a loira.
— Nem pensar, Ruby! Eu não sou nada dela, e além do mais, o que ela vai pensar disso tudo? Eu não quero esses demônios do passado me atormentando, só quero recomeçar, ok? Ninguém precisa saber quem eu sou ou quem eu fui, não tem necessidade. Enfim, só queria te falar porque fiquei meio desesperada, mas você tem razão... Talvez isso não queira dizer nada. Vamos mudar de assunto.
Ruby e Emma começaram a conversar sobre coisas aleatórias enquanto Regina fumava e Zelena havia voltado ao mercado para pegar algo que estava faltando. As duas amigas estavam encostadas no carro, quando Emma prestou atenção no pequeno grupo de fumantes em que Regina se encontrava. A loira tentou não ficar olhando para a morena, enquanto ela ria e conversava. Todas as garotas do grupo competiam de forma sutil o espaço ao lado dela, e Ruby cutucou Emma quando percebeu que sua atenção não estava na conversa entre as duas.
— O que você está olhando, Emma?
— Nada, não estou olhando nada.
Ruby riu e balançou a cabeça.
— Olhe para elas, são tão óbvias. Veja aquela ruiva, ela já passou a mão nos cabelos tantas vezes quanto já piscou. Será que a Regina não cansa disso?— Emma comenta debochada.
— Ah, mas ela se cansa sim. – Zelena, que havia voltado ouviu o comentário de Emma. – Todo mundo acha que ela é uma babaca em relação às mulheres, mas se soubessem a paciência que ela tem para lidar com cada uma dessas que acham que podem domá-la... Ela não consegue ir pra nenhum lugar sem ter várias no pé, acreditem em mim, ela é muito mais educada do que eu seria no lugar dela.
Regina terminou seu cigarro, cedeu algumas fotos para as garotas e voltou para o carro.
— Pé na estrada então?— Zelena diz ao volante.
— Bora!— Ruby responde.
O viagem foi tranquila, Emma havia baixado um pouco a guarda em relação à Regina depois do episódio do mercado e Emma e Ruby foram o trajeto inteiro cantando Johnny Cash. Quando chegaram no portão de entrada da propriedade, Zelena se identificou e elas obtiveram a liberação para entrar.
O lugar era parecido com um vilarejo, mas ao invés de casinhas modestas, aqui e ali Ruby enxergava imponentes mansões e carros importados, que pareciam ter saído de filmes de cinema. Elas dirigiram por cerca de 15 minutos até chegar numa zona mais afastada, onde Zelena se identificou em mais uma portaria antes de poder continuar o seu caminho. Conforme iam se aproximando ia tomando forma a maior e mais luxuosa casa de todas, que deixou Ruby boquiaberta.

Antes de parar o carro, Zelena olhou pelo retrovisor e viu Emma e Regina dormindo nos bancos de trás; a loira estava acomodada no peito da morena, que estava sentada de lado com a cabeça levemente inclinada sobre a cabeça de Emma, e o braço direito sobre a barriga da loira, como num abraço de proteção.
— Olha que cena fofa— Zelena cochichou para Ruby.
— Awn! — Ruby riu.
— Segure-se Ruby.— Zelena disse com uma risadinha marota.
A ruiva deu uma leve acelerada no carro e freiou bruscamente, fazendo Emma e Regina se lançarem para a frente e acordarem num pulo. As duas se olharam assustadas:
— O que tá acontecendo, você tá bem, beija-flor? – Regina disse apertando Emma em seus braços por impulso.
— Tô bem sim, o que aconteceu?— Emma disse com os olhos arregalados, apertando os braços de Regina ao redor de si.
As duas ouviram risadinhas e olharam para Zelena e Ruby nos bancos da frente. Quando Emma percebeu que fora tudo armação virou os olhos e bufou.
— Chegamos, moças.— Zelena disse sorrindo abertamente.
Qualquer irritação por parte de Emma sumiu quando ela desceu pela porta do carro e avistou a casa a sua frente. Apesar de ter crescido em meio a muito luxo, ela nunca havia visto uma casa como aquela.
— Nós vamos ficar num hotel 5 estrelas? Não era um chalé?— a loira comentou, observando a construção majestosa.
— Esse é o Peabody’s life style, loirinha. — Zelena disse apertando o ombro de Emma. — Vamos entrar que as meninas já chegaram.
Era cerca de uma hora da manhã quando um mordomo desceu para ajuda-las a tirar as malas do bagageiro. Quando entraram na casa, encontraram Helena, Alice, Bette, Dana e Shane comendo fondue, sentadas num enorme tapete em frente a uma lareira rústica.
— Olha quem chegou!— Helena se levantou num salto e foi correndo abraçar as amigas. Era visível que a morena de olhos claros estava muito alterada.
— Quer dizer então que vocês começaram a festa sem a gente?— Regina disse rindo quando viu algumas garrafas vazias espalhadas pelo chão.
— Por que demoraram tanto? Já estávamos preocupadas! — Bette disse séria.
— É que passamos fazer umas comprinhas antes e pegamos bastante neve no caminho, tive que vir devagar.— Zelena se explica.
— Estão esperando o que? Venham aqui comer com a gente. — Dana disse apontando os lugares vazios.
Todas se sentaram e aproveitaram o calor da lareira para se deliciarem com o fondue e jogar conversa fora. Algum tempo depois, Helena já estava dormindo no colo de Bette e todas as outras estavam sonolentas demais para continuarem no chão da sala.
— Vamos dormir? A Marina já deixou os quartos arrumados. Escolham os seus, eu e Dana vamos ficar com o primeiro do corredor.— Alice disse se levantando.
— Eu e Helena vamos ficar no quarto dela. Hey, acorda, eu não aguento te carregar até lá em cima— Bette disse, tentando despertar a morena no seu colo.
Helena resmungou alguma coisa e dormiu novamente, todas riram. Bette continuou mexendo com Helena até que ela soltou:
— A Bette vai dormir aqui hoje há-há-há.— Helena disse rindo com os olhos fechados e a voz claramente embriagada. — Ela vai dormir comigo há-há-há e eu sou uma covarde. Será que ela namoraria comigo? Gente ela é tão... gostosa, linda, maravilhosa. Será?
Ao ouvir isso Bette corou e ficou sem reação.
— Será que hoje quando eu acordar no meio da noite chamando o nome dela ela vai achar que eu sou louca? Há-há-há Bette, dorme comigoooooooooooo, Bette.— Helena disse dessa vez abrindo os olhos, levemente vesga, encarando a morena.
— Durmo, eu durmo. Mas você precisa me ajudar, vamos.— Bette se pôs de pé e puxou a morena, que levantou meio cambaleante e apoiou a cabeça em seus ombros cheirando-a no pescoço, novamente com os olhos fechados.
— A Bette é tão chei-rosa!— Helena riu pelas narinas. — Essa semana uma piranha disse isso pra mim lá no bar: A Bette é tão cheirosa né?— Helena abriu os olhos ébrios e imitou a mulher com uma vozinha fina – Aquela, aquela, pi-ranha. Ela é uma piranha, não é, Bette?— Helena encarou Bette nos olhos.
— Sim, uma piranha é isso que ela é. Mas agora vamos subir pro quarto então?— Bette diz tentando convencer Helena, enquanto pede ajuda para as amigas e ao mordomo, para carregar a morena.
— Isso, pi-ranha! Porque você é cheirosa, mas é a minha cheirosa, cheirosa da Helena.— A morena resmunga novamente de olhos fechados e começa a gargalhar, enquanto é carregada pelo mordomo e por Emma, até seu quarto.
Bette observa Helena ser carregada escada acima, se vira para as amigas e solta um suspiro pesado.
— Caladas, todas vocês, não quero um pio sobre isso. – Bette diz séria olhando para as amigas, que estavam segurando o riso.
— Piu— Alice solta baixinho. Foi o que faltava para todas caírem na gargalhada.
Bette correu atrás de Alice com uma almofada, enquanto as outras subiram rindo para o andar de cima.
Dana deu boa noite a todas e entrou no primeiro quarto do corredor.
— Gente, temos dois quartos sobrando e estamos em 5 pessoas. Um quarto tem uma cama de solteiro e uma de casal. O outro está cheio de entulhos, a Marina disse pra não usá-lo, então um casal vai ter que dormir comigo— disse Zelena.
— A gente dorme. – Shane disse e Ruby concordou.
— Bom, nesse caso... Regina e Emma ficam com o outro quarto, com a cama de casal.— Zelena diz erguendo uma sobrancelha pra irmã.
Regina deu de ombros.
— Por mim tudo bem, boa noite meninas.— Regina disse se despedindo.
Ruby ficou esperando Emma sair do quarto e as duas foram escovar os dentes juntas.
— Eu, Shane e Zelena vamos dividir um quarto. Você e Regina vão ficar com o outro.
— O QUÊ?— Emma disse se engasgando com a espuma. – Eu não vou!
— Ah, vai sim. Ou então você pode dormir no sofá da sala, sozinha.
— Ok, fico na sala.
— Não seja infantil, Emma. Se ela não tentou nada até agora acho que não tenta mais.
As palavras de Ruby fizeram Emma se calar na hora. Regina havia ficado perto de Emma de uma forma ou de outra várias vezes nos últimos dias, até levar a loira para jantar Regina levou. Emma estivera tão preocupada se certificando de que todos soubessem que ela e Regina eram só amigas e nunca teriam nada, que não lhe ocorreu que talvez Regina realmente estivesse interessada somente em sua amizade. Emma não sabia ao certo o motivo, mas se sentiu insultada.
As duas saíram do banheiro e se encaminharam para seus respectivos quartos. Quando Emma entrou viu Bette sentada na beirada da cama conversando com Regina.
— Porque vocês usaram o banheiro lá de baixo? Tem um banheiro em cada quarto, flor. – Regina disse observando Emma pegar algumas roupas e seu cobertor.
— Ah, eu não sabia.— Emma disse displicentemente.
— O que você está fazendo?— Regina disse enrugando as sobrancelhas.
— Eu vou dormir lá no sofá.
— Por quê?
Emma olhou para Regina e voltou a pegar algumas coisas, não respondeu. Regina e Bette se olharam e a morena deu de ombros.
— Olha, se eu fosse você não ficaria lá sozinha... Aliás, eu não teria tanta certeza assim que você vai estar sozinha. Aquela sala tem muita história, a gente nem desce lá de madrugada se você quer saber... — Regina disse num tom sério, mas riu.
— Que besteira!— Emma respondeu com uma cara irônica.
— Pior que é verdade, Emma.— Bette disse.
— Tá bom, meninas. Vou adorar que o Gasparzinho me faça companhia.— Emma disse rindo, enquanto saía pelo quarto – Boa noite pra vocês!
Poucos minutos depois Bette se retirou e foi dormir com Helena, Regina espiou Emma do alto da escada e riu, decidiu deixar a loira em paz e foi dormir.
Quando Regina fechou a porta de seu quarto, Emma se viu imersa numa escuridão total. A única coisa que a loira enxergava era resquícios de brasas trepidando na lareira e algumas sombras que vinham de fora. Emma não queria admitir, mas ficara pensando no que Regina e Bette disseram, vistas de certo ângulo as sombras davam um ar fantasmagórico à sala. “São apenas sombras das árvores lá fora, Emma”— Ela se forçava a pensar. Minutos depois ela começou a ouvir um ranger de portas em algum cômodo perto dali e um “trick trick” que lembrava talheres de cozinha. Emma se sentou e olhou ao redor, o barulho cessou. Por precaução a loira ligou um abajur ao lado do sofá e tentou relaxar e dormir. Cobriu sua cabeça para se proteger do frio e também para não olhar as sombras. Pelas frestas do cobertor ela podia perceber a luminosidade do abajur, que de repente cessou. A loira respirou fundo, contou até 3 e se descobriu para ligar o abajur novamente, “deve ser mal contato”— pensou. Cerca de 1 minuto depois, Emma ouviu o “trick trick” mais rápido e mais perto e a luz do abajur novamente se apagou. “Droga! Não é nada, Swan” – Pensou. Ela mais uma vez se descobriu e tornou a ligar o abajur, dessa vez ficou fitando o objeto, como num desafio para ver se ele seria capaz de desligar na sua frente, quando de repente seu sangue gelou: “POOOOW” Emma ouviu o estrondo de uma porta atrás dela batendo e quando se virou as luzes do abajur e do aquecedor desligaram simultaneamente. Não devem ter se passado 10 segundos entre o tempo em que Emma levou para pegar seu travesseiro e cobertor e subir praticamente voando para o quarto de Regina.
Quando a loira entrou correndo se jogou nos braços de Regina que já estava em pé, se dirigindo a porta, pois também ouvira o barulho.
— O que foi isso?— Regina disse sentindo o desespero de Emma no escuro.
— Eu, eu não sei!— Emma disse tremendo.
— Hey, calma beija-flor. Você não está com medo, está?— Regina disse rindo.
— Ai, dá um tempo.— Emma se soltou de Regina e pegou suas coisas se arrastando até um divã no canto do quarto.
— Vai domir aí?— Regina perguntou.
— Vou! Porque essas drogas desses aquecedores não estão ligando? Deve estar uns 5 graus negativos aqui dentro.— Emma disse irritada.
— Porque pelo jeito acabou a energia.— Regina disse de forma óbvia. — Bom, boa noite então. – Regina se jogou na cama e se virou de costas para Emma.
Emma pensou na atitude patética que tivera. O abajur estava falhando porque a energia estava oscilando, o trick trick podia ser do aquecedor e a porta batendo talvez fosse por causa de uma janela aberta, era óbvio. Sentia-se extremamente tola agora, e uma tola morta de frio, pois não parava de tremer e bater os dentes. Depois de algum tempo Emma começou a fungar, pois seu nariz estava escorrendo e sua tremedeira evoluíra consideravelmente, ela não conseguia se esquentar de maneira alguma.
— Seu nariz está me atrapalhando a dormir, beija-flor.— Regina comentou.
— Desculpa, mas não posso tirar ele.— Emma respondeu com a voz trêmula.
Regina saltou da cama e se aproximou de Emma. Ela estava parecendo um pacotinho vibrando, toda encolhida e tremendo por conta do frio. Regina se voltou para sua cama e jogou todos os cobertores no chão e esticou o lençol, recolocou os cobertores e caminhou na direção de Emma, puxando o pano de Emma, deixando a loira ainda mais exposta ao frio.
— Que droga é essa, Regina? Eu estou com frio!— Emma disse em protesto.
A morena se fez de surda e arrumou cuidadosamente o cobertor de Emma em cima dos outros, na cama.
— Levanta essa bunda mal humorada daí e vai pra cama agora, e não sai de lá, eu já venho.— Regina disse séria para Emma, que arregalou os olhos e decidiu não protestar.
A morena se enrolou em um roupão de lã e acendeu a lanterna de seu celular, desaparecendo pela porta. Minutos depois ela voltou com uma caneca fumegante.
— Beba.— Disse se sentando ao lado de Emma, que segurava o recipiente, trêmula.
Emma sentiu como se tivesse sendo revestida por dentro, era como se o calor da bebida emanasse da sua boca para todo o seu corpo, até a ponta dos fios de seus cabelos.
— Chá de canela! Sabia que é meu preferido?— Emma disse, entregando a caneca vazia para Regina, que a depositou numa cadeira próxima.
— É, foi um palpite— Regina disse.
Emma não conseguiu conter um sorriso, Regina conseguia ser gentil e até atenciosa quando queria.
— Você está melhor?
— O chá ajudou bastante, mas ainda estou congelada. Obrigada, Regina.— Emma disse com sinceridade.
— Tudo bem. Agora chega pra lá. – Regina disse, se enfiando sob os cobertores.
Emma arregalou os olhos, mas deu espaço para a morena deitar. Apesar de ter tomado o chá, Emma continuava tremendo descontroladamente.
— Flor, você confia em mim?
— Que foi?— Emma perguntou.
— Eu não vou te morder, ok? Vem aqui.— Regina enfiou sua mão embaixo da cabeça de Emma, apara que ela repousasse a cabeça em seus braços e com a outra puxou o corpo da loira, colando-o ao seu. – Nossa que perna gelada!
— O que você pensa que está fazendo?— Emma disse com a voz vacilante, sentindo a respiração de Regina a centímetros da sua.
— Eu estou te passando calor humano e evitando que você tenha uma hipotermia. Imagina só se você morre, isso iria acabar com a minha carreira, todos iam me achar cruel e sem compaixão. Agora sossega.
Emma resolveu não discutir. Ela estava extasiada e num rompante de consciência apenas murmurou “Ok” e se virou de costas para Regina, puxando o braço da morena de modo que não havia nenhum espaço entre elas.
— Boa noite, Beija-flor.— Regina sussurrou com a voz rouca no ouvido de Emma.
Emma podia sentir o hálito de menta em sua nuca, o que fazia cada centímetro de seu corpo se arrepiar, e dessa vez não era por causa do frio. A loira agradeceu por estar muito escuro e Regina não poder ver sua reação embaraçosa e o rubor que tomou conta do seu rosto logo em seguida.
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