Beast And The Harlot

3 Terceiro ato: Dor


Notas iniciais
Então, pessoal, adiantei o capítulo 3 porque vou precisar viajar ou hoje ou amanhã e preferi deixá-lo já pronto para vocês. Só volto na segunda feira, mas vou tentar espremer ao máximo meu cérebro para adiantar logo o capítulo 4. Mas eu vou escrever, tenham paciência com Holyzinha aqui. ):Também gostaria de agradecer pelos reviews, nossa! Ainda fico babando quando os leio, aiaiai. São eles que me incentivam a continuar com isso. *-*E desculpem pelo drama deste capítulo HAIUEHAIUEHAUIEHAIHE Até eu achei sentimental demais, mas tudo o que envolve o... Enfim, creio que vocês entenderão o porquê disso (pelo menos eu espero QQ). Um abraço imenso para vocês e obrigada mais uma vez, seus lindos! ♥

Terceiro ato: Dor

A far cry from innocence.

Do outro lado da janela, ela encarava as pequenas gotinhas como se a chuva pudesse trazê-lo para si. Uma cidade morta se estendia em seu campo de visão, encoberta pela noite triste e pela chuva que tornava a paisagem ligeiramente mórbida. Só sabia que não fazia parte daquela cena porque sua respiração quente embaçava o vidro da janela, esta que servia como uma barreira para separá-la daquela realidade. Ergueu a mão direita para tocar o vidro, sentindo a sensação gélida inicialmente na ponta de seus dedos e depois em toda a palma estendida. Aquilo não parecia real, mas também não parecia um sonho.

Por algum motivo, a meretriz não se sentia completamente feliz.

Sim, ela estava feliz. E muito. Afinal, ela finalmente o veria depois de quase dois meses sem sua presença ou suas notícias. Passara o ano novo sem saber por onde ele andava, precisando tentar parar de pensar nele a cada explosão colorida que dominava os céus na última noite do ano. A falta que sua besta fazia era imensa e aquilo a amargurava mais do que gostaria. Mal podia esperar para tê-lo ali, envolto em seus braços, entre os lençóis e sem nenhum empecilho... Em suas lembranças eram apenas os dois, quentes e entregues, sem maiores preocupações. Sentia tanto a falta de sua besta que chegava a doer, como se uma ferida começasse a se abrir em seu coração e corrompesse todo o resto de suas entranhas. Entretanto, dizer que estaria tão ansiosa quanto das outras vezes seria a mais pura hipocrisia. Algo dentro de si dizia que havia alguma coisa de errado e que, de alguma forma, aquilo iria afetar os dois. Mas o quê? E como afetaria? Seu sexto sentido nunca falhara e nunca estivera tão convicto quanto daquela vez. Infelizmente, ao vasculhar sua mente à procura do motivo que pudesse lhe preocupar, não encontrava nenhum resquício de sua existência.

Apenas o azul.

Azul tenro, mansinho, acalentador. Por vezes divertido, raivoso em outras e, na maioria dos casos, protetor. Um azul de um tom que ela jamais vira e jamais pensara existir, pois azul daquele tipo era belíssimo de se ver. Da cor dos olhos de alguém. Ela apenas não se lembrava de quem.

Suspirou. Aquilo não fazia o menor sentido.

De qualquer forma, nada poderia fazer senão esperar. Diferente das outras vezes, ele não havia ligado para marcar o encontro, mas mandado uma mensagem de texto com o local e a hora. Talvez seu atraso fosse proposital, talvez houvesse acontecido alguma coisa. A meretriz sentiu seu coração se apertando aos pouquinhos ao imaginar qualquer coisa acontecendo com sua besta, e sentiu-se pior ainda com o fato de não poder ajudá-lo da forma que queria. Sabia que nutrir daquele tipo de pensamento apenas traria más vibrações tanto para ela quanto para ele, e por isso fez o possível para espantá-los e pensar em coisas mais leves... Como que nome ela estaria na lista de contatos do celular de Brian? Até porque, para todos os efeitos, ele não sabia como ela se chamava. Prostituta? Vadia? Número desconhecido? Teria ele inventado um nome? Será que, assim como os outros, ele havia escolhido uma música para colocar em seu contato? Lembrou-se da música que preenchera o quarto quando Michelle havia ligado. Não parecia algo romântico, no final das contas. Esperava que ela lhe ligasse? Pegou-se pensando nas músicas que gostaria que ele colocasse para ela como toque de celular, e ousou pensar ainda nas músicas que ela gostaria de ouvi-lo tocar para ela. Brian ainda era um guitarrista, no final das contas. Gostaria de um dia poder vê-lo tocar alguma música, independente de qual fosse. Por mais que ele tivesse uma banda, gostaria de saber quais os outros tipos de artistas lhe inspiravam. Chegou a sorrir com a possibilidade de, um dia, saber de todas estas informações diretamente de sua besta.

Mais uma vez, aquilo não fazia o menor sentido.

A meretriz ralhou consigo mesma. Mas era claro que não havia sentido. Toda aquela profundidade que ambos haviam sentido desde a primeira vez em que se encontraram não passava de mera ilusão. Ela apenas estava procurando alguém por quem fantasiar, e Brian fora a bola da vez. Afinal, o que um maldito guitarrista famoso iria querer com uma mulher da vida, apenas mais uma das inúmeras com as quais ele haveria de ter se deitado? Absolutamente nada. Chegar àquela conclusão doía demais, mas era verdade nua e crua. Sentir-se atraída por Brian era quase como esperar que uma nuvem recite um poema. Sim, era isso. Estava se iludindo ao pensar que ele fosse sentir por ela algo a mais do que a necessidade pelo sexo. Havia outras, com toda a certeza havia. E deveria manter-se profissional, até porque era de se imaginar a quantidade de mulheres que estariam atrás de sua besta.

Ela poderia acabar com aquilo tudo. Seria tão fácil quanto fazer um daqueles homens pagar a mais por seus serviços. Também seria mais cômodo para ela; afinal, mesmo tendo apreciado seu rápido encontro com a besta da última vez, a meretriz quase perdera um de seus clientes. Fora difícil convencer o homem de que a demora decorrera por um imprevisto, um dos cílios que caíra desastrosamente em seu olho e causara toda a confusão. Dissera que precisou de tempo para conseguir retirá-lo sem borrar a maquiagem e mais tempo ainda para que o olho desinchasse e ela não parecesse ter apanhado. E tudo era culpa de Brian, sim. Se ele não tivesse a puxado com tanta grosseria até aquele banheiro e falado tantas coisas... E mais aquilo que ele disse sobre ela ser o que ele mais adorava... Não. Não passava de mera conversa para mantê-la na linha. Ela tinha que acabar com aquilo ou Brian terminaria por enlouquecê-la. Mas então, porque o simples fato de cogitar o fim de tudo parecia arrancar-lhe a alma da forma mais dolorosa possível? Estava confusa. Com medo. Acima de tudo, preocupada. Só não sabia com o quê.

Calou os pensamentos ao ouvir a maçaneta da porta se movendo.

A meretriz esperou. Sentou-se sobre a cama, tentando controlar a respiração que começava a descompassar. É apenas mais um cliente, ela repetia esta afirmação como uma oração em sua mente. Alguém com quem iria se deitar, se deliciar, ser paga e depois partir para outro hotel. Se sim, então porque seu coração batia tão acelerado? E porque sentia algo estranho no ar, um sentimento pesado que ela não conseguia definir? Deviam ser suas preocupações. Ou o fato de que aquela poderia ser a última vez que os dois se encontravam.

A besta não entrou de imediato no quarto. Permaneceu observando-a do corredor, a porta entreaberta e apenas sua silhueta se diferenciando do breu que tomava o resto do estabelecimento. Não era possível enxergar seu rosto de onde a mulher estava, mas ela só soube que era o homem que esperava porque... Não sabia. Talvez ela tivesse desenvolvido um dom natural para reconhecer sua besta, mesmo que fatores visuais e auditivos não lhe favorecessem algumas vezes. Conseguiu discernir os cabelos molhados – pela chuva, desta vez – e uma garrafa vazia de bebida em uma das mãos. Como nenhum dos dois se pronunciava, a meretriz perdeu a paciência:

“Vai ficar aí fora?”

A besta lembrou-se do tom impaciente da esposa naquela última semana. Aquela maldita e insuportável última semana. Se a chuva lá fora era uma consolação ou um aviso, ele não sabia dizer. Não lhe interessava, na verdade. Tentou se convencer de que ela também não lhe interessava, mas seu lado sóbrio parecia lutar contra o lado alcoolizado. Mas é claro que ela lhe interessava. Naquela noite, contudo, seus pensamentos pareciam pesar mais do que a atração que ele sentia por ela.

Brian começou a andar a passos lentos em sua direção, fechando a porta atrás de si com uma calma torturante. Porque não se jogava nela de uma vez e terminava logo com aquilo tudo? Ele parecia querer fazê-la sofrer. Ela, em contrapartida, queria eliminar aquele sentimento denso que pesava toneladas em suas costas.

Finalmente ficaram frente a frente, o cheiro do álcool e do tabaco inundando as narinas da meretriz.

Esta, por sua vez, tivera certeza que algo estava errado.

E ela viu toda a dor, toda angústia, toda a tristeza se solidificando naqueles olhos outrora tão vivos. Olheiras fundas e escuras contornavam os orbes daquele que tanto desejara, e não pôde deixar de notar o quanto emagrecera. Parecia fraco e amedrontado, mas ao mesmo tempo nutria a raiva de milhões de homens. Como se culpasse o mundo por qualquer tragédia que tivesse acontecido e, pior ainda, como se se culpasse mais ainda por isso. Lembrou-se novamente do azul, não sabendo exatamente do porquê.

Pensou em Deus. Não acreditava em sua existência, tampouco se interessava na Bíblia e em seus derivados, mas sabia que era sempre a ele que recorriam quando algo estava errado. Seria pecado uma mulher da vida pedindo proteção a Deus para o homem por quem se... Apaixonara? Ela não sabia dizer. Não sabia rezar, não se sentia pura o suficiente para fazê-lo, mas clamou a um Deus de cuja existência duvidava para que protegesse aquele homem tão destroçado à sua frente. Apesar da temperatura morna daquele quarto, a meretriz sentiu algo que se assimilava ao frio. Ou seriam arrepios? Por favor, Deus, faça algo por ele.

Brian avançou de encontro ela, o cheiro da nicotina e o gosto do álcool fazendo-se mais notáveis e encobrindo algo que ela conhecia muito bem. Cocaína. E não era pouca, pois empós identificar aquele aroma, percebeu que se impregnara em quase todas as partes de seu corpo. A besta andara se drogando demais, bebendo demais e fumando demais naquele tempo em que estiveram separados. Beijou-a, as línguas emaranhavam-se em movimentos violentos, ousados e, acima de tudo, desesperados. Ela não sabia o que havia acontecido, mas tinha certeza de que algo perturbava o coração daquele homem-menino, daquele garotinho que havia crescido demais e lutava para aprender como lutar com suas responsabilidades e com o mundo que o rodeava. A besta apertou-a, cravando uma de suas mãos em sua cintura e tendo certeza que utilizava força o suficiente para deixar a marca de seus dedos ali. Puxou seus cachos com brutalidade, como se iniciando uma agressão, e distribuiu beijos raivosos por toda a extensão de seu pescoço até os ombros. Ela tentou dizer que ele lhe machucava e que ele a estava assustando, mas nenhuma palavra conseguia ser proferida. Temia que qualquer nuance de sua voz pudesse fazer com que a ira do homem à sua frente fosse despertada ou, pior ainda, que o fizesse se partir em pequenos pedaços.

Ignorando tudo o que pudesse ser considerado importante, Brian jogou-a no chão, fingindo que não ouviu o gemido de dor que escapara de sua boca. Sua cabeça rodava e doía ao mesmo tempo, e a besta maldisse a criatura que o fizera sentir mais dor com aquele maldito gemido. Ele não precisava de mais dor, nem de mais nada que pudesse feri-lo. Jogou-se contra ela com violência, prendendo suas mãos acima da cabeça e encarando o rosto assustado de sua meretriz. Se ele estava sofrendo, então ela também merecia sofrer. Principalmente ela. Aquela vadia. Sentiria na pele o que ele sentia no coração. Choraria de dor as lágrimas que ele não ousara derramar por... Porque? Por orgulho. Era orgulhoso, não se daria ao luxo de chorar. Principalmente por ele. Não se atrevera a chorar em nenhum momento daquela maldita semana, e mesmo que Michelle o perturbasse para que deixasse fluir seus sentimentos, ele não se permitira fraquejar. Ninguém entenderia sua dor. Ninguém! E nos três dias que passara fora de casa entregando-se às drogas e ao álcool, mesmo recebendo inúmeras ligações de seus amigos, ele se sentia insuportavelmente sozinho. Acuado. Havia dor em sua alma, havia incompreensão em seus olhos. Não havia como compreender, de qualquer forma. Sequer havia como explicar. Finalmente ele começava a sentir todo o peso dos sentimentos que reprimira em sete lamuriantes dias. As lembranças pesavam. As horas pesavam. Os sorrisos, as discussões, os momentos de dificuldade, tudo isso pesava demais. Era apenas um humano fraco, uma vida fraca que descobrira a magnitude da morte. A morte... Sua visão tornou-se algo desconexo, como se uma névoa espessa começasse a se formar diante de seus olhos e tornasse a visão de sua meretriz um borrão sem sentido. Era o álcool, ele concluiu. Havia bebido demais, havia fumado demais, havia se drogado demais... Havia lutado demais contra aquilo... Contra a dor... Contra tudo...

“Brian...” Ela sussurrou assim que o primeiro filete prateado escorreu dos olhos de sua besta. Brian já não fazia mais força para prendê-la, então foi fácil soltar uma de suas mãos e limpar-lhe a lágrima que fugia pela bochecha. A besta chorava. Chorava sem ao menos perceber, chorava sem ao menos se importar. Apenas chorava.

Nenhum dos dois disse nada. Desajeitada, a meretriz saiu debaixo do homem e sentou-se de frente para ele, pela primeira vez encarando-o não como um contratante, mas sim como humano. E que humano. Podia vê-lo bem ali, soterrado em sentimentos muito pesados para que ele conseguisse sair sozinho debaixo deles. Queria entendê-lo. Queria ampará-lo. Queria, antes de tudo, acalentar aquele coração que sofria por qualquer motivo que fosse. Segurou ambas as bochechas de sua besta, sentindo a barba por fazer pinicando-lhe as delicadas e experientes mãos, e depositou um terno beijo na testa. Não havia como reprimir aquilo, no final das contas. Mesmo tendo cogitado aquela possibilidade, a meretriz não seria capaz de deixá-lo.

“Tudo ficará bem... Vamos, está tudo bem...”

“Nada está bem...” Assustou-se. Aquele timbre rouco não era o de Brian. Não sabia a quem pertencia aquela voz magoada, temerosa e, acima de tudo, odiosa. Ele sentia raiva. Ele sentia medo. “Nada está bem. Nada, nada está bem! Aquele filho de uma puta!” As lágrimas começaram a jorrar de seus olhos com naturalidade, enquanto o coração da meretriz se desfazia em aflição. “Aquele maldito filho de uma puta! Porque ele teve que morrer?! Porque, hein!?” Encarou-a. “E como você pode saber que tudo vai ficar bem!? Você é só mais uma vadia! Uma puta! Nós comíamos muitas feito você todos os dias, mas agora aquele maldito está morto! Ele está morto, entendeu!?” Segurou-a pelos ombros e sacudiu-a com força. “O meu melhor amigo está morto! O meu melhor amigo! O enterro foi na porra da semana passada! Aquele Jimmy filho da puta... Porra... Ele não podia ter feito isso comigo... E ainda deixou as músicas prontas. Você estava se despedindo, Jimmy?! Hein!? Ele não podia ter morrido, não podia ter feito isso comigo, logo comigo... !”

A meretriz não sabia dizer o que mais lhe doía, se eram as palavras ácidas de sua besta ou a dor que elas continham. Não sabia quem era Jimmy e sequer conseguiu imaginar como ele deveria ser, mas mesmo assim sentiu-se complacente daquela dor. Afinal, toda a dor de sua besta era a sua dor, também. E aquele homem tão forte nunca pareceu tão frágil, tão carente, tão insuportavelmente abatido. Ela sentiu pena. E mágoa. E raiva. Raiva daquele tal de Jimmy, raiva dele, raiva dela mesma, raiva do azul que cismara em tomá-la mais uma vez naquele dia. Porque ele tinha de ter morrido e feito sua besta tão triste? Porque Brian tinha de ser tão duro com ela por algo que ela sequer teve culpa ou conhecimento? Porque não conseguia fazer nada a não ser conter as lágrimas que teimavam em querer escapar de seus olhos? E porque azul!? Um mar de águas calmas, um céu límpido que precedia a tempestade!? Azul dos olhos de quem, meu Deus?

Abraçou-o. Não como o objeto que saciava os desejos sexuais daquele homem, não como a prostituta que tivera seu destino entrelaçado com o da besta. Abraçou-o como mulher. Como criatura. Como gente que pensa, como gente que sofre e, principalmente, como gente que partilha a dor. Aquele que outrora lhe agredia agora derramava lágrimas quentes em seu ombro. Soluçava com o corpo colado ao seu, apertando-a como se clamando para que não fosse embora. E ela não iria nem que ele pedisse, e ela não iria nem que quisesse. Palavras nunca foram tão dispensáveis como naquela noite em que a meretriz descobrira a fragilidade escondida nos olhos da besta, e que a besta descobriu um porto seguro nos braços que, até então, só serviam para saciá-lo. Não precisavam delas, aquelas palavras inúteis. Tudo o que precisavam era de um abraço um do outro, soluços entrecortados, entrelinhas de histórias diferentes que se embolavam em apenas uma. E a besta encontrou um porto seguro onde menos imaginava encontrar. Sentira-se protegido como não havia se sentido com sua esposa, com seus amigos ou com qualquer outro. O azul dos olhos de Jimmy lhe invadiram as lembranças e ele chorou, chorou tudo o que não chorara durante aquele tempo, chorou pelo irmão que perdera, chorou por não conseguir ter feito nada para impedi-lo. Chorou pelo simples fato de chorar, algo do qual não estava acostumado a fazer. A meretriz também chorou, silenciosamente, compartilhando da coisa estranha que era não conhecer uma pessoa, mas perceber o quanto ela significava na vida de alguém. Não haveria sexo naquela noite, ambos sabiam. E é claro que eles não se importavam. Afinal, eles tinham um ao outro. E quando as horas se resumiram em minutos e a besta adormeceu no colo da meretriz, o mundo pareceu se colorir aos pouquinhos, como uma criança que brinca de colorir com lápis de cor. Ela não iria embora pois percebera que precisava de Brian e que Brian precisava dela da mesma forma. Sentada no chão, com aquele homem-menino em seus braços, as cores de seu mundo pareceram surgir como pequenos pontinhos que se juntavam para fazer algum sentido.

A primeira cor do mundo da meretriz fora o azul dos olhos de alguém.

Depois o preto que sucede a pré-inconsciência.

E depois, enfim, o branco que era a paz do sono sem pesadelos.

Dormiram abraçados, no chão, enquanto o mundo lá fora era colorido pelo sentimento verdadeiro que ali crescia.

Notas finais
Mereço reviews?