Beard, tea and tobacco.

16 What should i do with you?


Notas iniciais
Décimo sexto capitulo! Sei que demorei, me desculpem, mas é que as vezes tenho problemas com Charles e Geoffrey (descontrolados :3). Mas enfim, espero que gostem e não leiam escondidos na sala de audiovisual. Geoffrey Moosen.

Leesburg, Virginia – 04 de Outubro.

Antes de me tornar diretor da High Leesburg VA school, eu passei cinco anos como professor de inglês. Nesses cinco anos, tive de passar noites acordado para preparar aulas, e me prevenir caso precisasse substituir outro professor. Aprendi nesses anos, a como ser justo e paciente com os demais membros da escola, inclusive Tristan, que desde minha época como membro do corpo docente, testava minha paciência das mais diferentes formas. Não que não fosse um membro agora, mas é que tinha de certo modo algumas responsabilidades adicionais. Mas ainda sim, acho que meus anos com todos os professores, e anos seguintes como diretor, não me prepararam mentalmente para encontrar dois de meus amigos na sala de audiovisual. Aos beijos.

–Tristan. – olhei-o ao canto da sala. Limpava dos lábios finos, as manchas de um batom que quase subiam a suas bochechas.

–Geoff. – comprimiu os lábios com as mãos nos bolsos fundos.

–Acho que você e Linnea sabem exatamente o porquê de estarem aqui, não é? – tentei parecer o mais amigável possível. Linnea estava sentada na cadeira giratória estofada a minha frente. Tinha as pernas cruzadas, e mordiscava o lábio inferior com seus pequenos caninos. – quer dizer, sabem o que deveria fazer em uma situação como essa.

–Na verdade não sei Geoff. – deu de ombros. – estamos falando nos termos profissionais? — corcovou as sobrancelhas.

–Sim. – deixei a afirmação cair de minha boca.

–Então de acordo com o departamento de ensino. – olhou Linnea de soslaio. – deveríamos ser demitidos, não? – seus olhos se espremeram em um amontoado de rugas.

–Segundo o departamento, sim.

–Segundo o departamento? – indagou aproximando-se da cadeira visivelmente encolhida em pavor. – o que você acha que deve ser feito conosco? – a pergunta pareceu ricochetear nos livros velhos de capa dura, e passar pelos meus ouvidos. Massageei as têmporas, parecendo cansado, espero. Suspirei algumas vezes, como se as respostas fossem aparecer ao fim de minhas respirações.

–Não posso pensar deste jeito, sabe disso. – dei de ombros. – se fosse levar todas minhas decisões aqui dentro a partir de emoções e relações externas, tudo estaria perdido.

–Tudo bem então. – seus olhos abaixaram-se até um ponto que me parecia inatingível. Uma de suas mãos deixou o bolso fundo, indo até sua nuca. – me despeça. – deu de ombros, comprimindo os lábios ainda sujos. – mas deixe Linnea.

–O que? – Linnea girou na cadeira, parando os olhos surpresos e furiosos sobre a imagem de Tristan. – isso não está certo! – voltou os olhos novamente para Geoffrey. – não pode permitir que isso aconteça.

–Ela tem razão é loucura de sua parte. – argumentei.

–Mas terá de despedir um de nós, ou os dois. – rebateu o fato inegável. – então que seja eu.

–Tudo bem. – Linnea levantou-se da cadeira giratória, encarando de forma firme, Tristan e eu. – eu me demito. – saiu furiosa pela porta, que podia jurar fazer um leve movimento, como se a quisesse seguir. Nós permanecemos ali. Ficamos em silencio, com o som de nossas respirações pesadas e masculinas. Tristan logo se colocou de volta a sua posição de protesto, esperando que voltasse com minhas falas.

–Tem certeza do que está fazendo? – continuei com os olhos voltados a porta. – quer dizer, não o vejo lutar assim por alguém desde aquela festa onde sua mãe resolveu falar mal da sua ex-mulher. – sorri.

–Não achei que seria justo ela ser ofendida sem poder se defender. – deu de ombros com um pequeno sorriso no canto dos lábios. – e sim, eu tenho certeza do que estou fazendo.

–Estão juntos há quanto tempo? – indaguei.

–Desde o dia seguinte a meu aniversario. Quero dizer, depois daquele dia começamos a sair, mas somente isso. – explicou.

–E quando soube que era algo mais do que só “sair” – ele se sentou a minha frente, na cadeira.

–Acho que percebi no momento em que vi toda minha vida resumida na dela. – comprimiu os lábios. – através daqueles pequenos olhos castanhos, entende. – indagou. – através de quem ela é.

–Entendo. – sorri. – eu acho.

–E o que pretende fazer? – retomou o assunto. – o que pretende fazer conosco? – indagou.

–Não sei. – dei de ombros. – talvez dar-lhes algumas aulas extras, ou tirar o café da sala dos professores por um tempo. – sorri de canto. – mas acho que está fora de cogitação deixar meu amigo e sua nova namorada serem despedidos por darem uns beijos na sala de audiovisual.

–É assim que se fala. – sorriu.

–Sabe que terei de relatar isso a Corinne, não? – levantei as sobrancelhas.

–Claro. – comprimiu os lábios em um sorriso. – ela vai nos matar. – argumentou.

–Mas ainda sim ficara feliz por você, afinal, é de Corinne que estamos falando.

–Tem razão. – Tristan se levantou. Conseguia ver o brilho diferente em seus olhos, aquele do qual Charles me falara. Conseguia ver morta em seus olhos a vontade de corrigir os jornais de Leesburg, e acesa neles, a vontade de estar com alguém que não fosse sua mãe ou sua única filha. Aquele Tristan era muito diferente do Tristan que se casara a oito anos, muito diferente do que se separara a três. – eu realmente gosto dela Geoff. – sussurrou ainda com as mãos apoiadas na cadeira escura.

–Eu sei. – sorri amigável. – agora corra, antes que ela pegue o carro e volte para Oklahoma.

–Já estou indo. – fez um gesto de cabeça, saindo pela porta. Naquele momento podia compreender exatamente o que ele queria dizer com “eu realmente gosto dela.”. Sabia como ele se sentia ao abraça-lá, e ao olhá-la do outro lado do ginásio, ou da pequena sala dos professores. Sabia como ele sentia aquela mágica que parecia só acontecer aos dois, em uma coisa unicamente deles, de mais ninguém.

Quase que de modo inconsciente, busquei o telefone no gancho, colocando-o sobre o ouvido e discando os números os quais já tinha decorado. Meus lábios pareciam secar a cada segundo, fazendo-me umedecê-lo a cada instante. Meus dedos dançavam no plástico escurecido do telefone, enquanto o som do outro lado me colocava a espera.

–Alô. – a voz feminina atendeu calma do outro lado da linha.

–Alô, mãe.

–Sim, Geoffrey?

–Gostaria de saber se teria tempo para almoçar comigo hoje. Preciso te contar algo. –suspirei ao outro lado.

–Sim, claro. Sobre o que gostaria de falar? – indagou.

–Te conto assim que estivermos no restaurante. – sentia o calor do nervosismo em minha nuca. – chego ai em alguns minutos.

–Estarei esperando. – pude sentir seu sorriso preocupado do telefone. – beijos.

Notas finais
Este foi o décimo sexto capitulo! Espero que tenham gostado, e tenham lido com certa comodidade. (1) Sobre Charles e Geoffrey, as vezes imagino coisas demais para historia, e ai tenho que me conter um pouco. (2) Sei que este capitulo ficou um pouco curto, mas foi uma conclusão ao que aconteceria com Linnea e Tristan, ok? Mas enfim, digam o que acharam no review, e até o próximo capitulo!