–-- Ok, então nós temos três médicos. –-- Diz Sam.

–-- Curandeiros. –-- Lydia diz, pensativa.

–-- Exato, mas o que a Heather e o Ian tem em comum? –-- Eu digo, sentia os olhos de Dean em mim. Desde que chegou ele parecia estar prestes a falar algo comigo mas nunca falava. Eu preferia assim. Ninguém tinha uma resposta então voltamos a nos sentar.

Eu observo Elena conversar com Dean, ele parecia desconfortável. Continuo observando os dois até que sinto Lydia apertar meu braço com muita força. Eu me viro e ela parece que está prestes a vomitar. Eu sabia o que era. E não era vômito e sim um grito. Todos tampamos os ouvidos e quando ela termina parece que vai desmaiar. Eu a seguro em meus braços, enquanto ela olha firmemente para o chão. Todos se aproximam e Dean se ajoelha com a gente, levantando o rosto de Lydia delicadamente até ela olhar para ele. Eu queria fazer isso. Tentei ignorar a voz em minha cabeça.

–-- Alguém morreu? –-- Sam pergunta.

–-- Não. –-- Ela responde. –-- Ainda não. Mas eu ouvi algo.

–-- O que? –-- Dean pergunta.

–-- “Me ajudem”. –-- Ela diz. –-- Era a voz de uma garota.

–-- Heather. –-- Eu digo.

...

Fomos todos para a floresta, era o lugar mais óbvio. Ligamos a lanterna de nossos celulares e continuamos procurando o Nemeton. A cada passo que dávamos ficava mais frio, não era normal. Lydia nos guiava enquanto Elena e eu andávamos atrás e Sam e Dean quase do nosso lado. Depois de quase meia-hora de caminhada, ouvimos uma voz. Era uma foz feminina mas não dava para entender o que estava dizendo.

–-- É latim. Ela ta fazendo o sacrifício agora. –-- Dean toma a frente e todos começamos a quase correr, seguindo a voz. Ao chegarmos perto, nos escondemos atrás de uma árvore e vemos quem é.

Era Elena.

Todos olhamos para ela e para a garota que estava fazendo o ritual. Ela parecia tão assustada quando a gente.

Dean a prende contra uma das árvores, fazendo com que ela não consiga se mexer. Eu não sabia o que fazer ou o que estava acontecendo.

–-- O que você é? –-- Ele pergunta. –-- Metamorfo?

–-- Não! –-- Ela mal conseguia falar por causa do braço de Dean contra seu pescoço. –-- Eu não sei o que é aquilo!

–-- Eu acredito nela. –-- Eu digo. –-- Eu conheço ela desde que nasci, ela é humana.

–-- Você ficaria surpreso. –-- Diz Sam.

–-- Gente! Temos problemas maiores, não acham?! –-- Lydia nos lembra do sacrifício prestes a acontecer. –-- Temos que fazer alguma coisa! –-- Dean solta Elena e ela vem para meu lado e me abraça dizendo que não sabe o que é aquilo e eu acredito nela.

Voltamos nossos olhares para a garota mas ela não estava mais ali. Chegamos mais perto e vemos o corpo de Ian caído no chão. Eu chego mais perto e checo seu pulso, ele estava morto. Sua boca estava amordaçada e foi por isso que não ouvimos nenhum grito.

Depois da gente chamar meu pai, voltamos para o apartamento do Derek. Ele estava lá e nós contamos o que aconteceu. Ele provoca Sam e Dean de novo mas Lydia consegue fazer os três se acalmarem. Enquanto eles discutem, eu levo Elena para um canto do apartamento.

–-- Antes deles começarem a te fazer perguntas eu preciso que seja honesta comigo. –-- Ela parecia desapontada mas eu sabia que seria honesta.

–-- Eu realmente não sei o que... ela era. Não sou uma druida, eu saberia se fosse. –-- Ela me olha nos olhos. Eu adorava seus olhos, eles tinham um brilho lindo. –-- Você sabe que eu sou adotada mas... Isabel não teve gêmeas, não é? Quer dizer, eles me contariam.

–-- Pelo visto eles não contaram. –-- Eu a abraço e beijo sua testa.

Lydia vai até nós e diz que eles querem resposta. Vamos até eles e eu explico para os dois tudo que sabemos e eles acreditam.

–-- Você não tem nenhum contato com seus pais biológicos? Eles poderiam nos dar umas respostas. –-- Dean pergunta.

–-- Eu duvido que me diriam alguma coisa e mesmo que dissessem... não podem. Estão mortos.

–-- E seus pais adotivos? –-- Tenta Sam. –-- Talvez eles saibam de mais alguma coisa.

–-- De novo, também não podem. Eles morreram em um acidente de carro há dois anos.

Os dois pareciam constrangidos. Depois de um pouco de silêncio constrangedor, Dean resolve falar.

–-- Desculpe, mas precisamos ficar de olho em você. Não porque não confiamos mas porque sua... irmã gêmea ou o que quer que seja, pode fingir ser você.

–-- Eu posso ficar com o Stiles. –-- Ela me olha e eu aceno, concordando. –-- Então se algum de vocês me virem e eu não estiver com ele, não sou eu.

Todos concordamos e nos levantamos para ir embora. Eu fui pegar meu casaco que estava na cama quando ouvi uma voz atrás de mim. Uma voz que eu só tinha voltado a escutar nesse dia, depois de muitos anos.

–-- Podemos conversar? –-- Ele diz. Meu primeiro instinto é simplesmente ignorar mas era melhor acabar com aquilo de uma vez.

–-- Claro. Pode falar. –-- Eu me viro para encará-lo. Todos já tinham saído.

–-- Olha, eu sei que você acha que eu te abandonei mas..

–-- Eu não acho. Eu tenho certeza. –-- Eu digo. Ele fecha os olhos por um instante e passa a mão no rosto.

–-- Eu precisava ir embora! –-- Sou tom de voz tinha aumentado, ele parecia estar irritado. –-- Você não...

–-- Não precisava de você? –-- Ele parecia surpreso por eu dizer aquilo. –-- É isso que você diz pra si mesmo quando sente remorso? –-- Minha voz também tinha aumentado. –-- Minha mãe tinha acabado de morrer e não entendia porque meu pai chorava a noite ou porque ela não estava lá pra brincar comigo e ai de repente você também foi embora! Eu tive que lidar com duas mortes porque você não teve coragem de ficar! –-- Eu estava gritando. Não percebi até parar de falar.

–-- Eu também! –-- Agora estávamos brigando e eu sentia um ódio crescendo em mim. –-- Meu pai já tinha morrido e eu só tinha ela!

–-- Você tinha a mim! –-- Eu digo e paramos de gritar. Eu sentia meus olhos começando a marejar então não consegui mais olhar nos olhos dele e abaixei um pouco a cabeça. –-- Mas você tinha razão. Eu não precisava de você. Sinceramente não acho que preciso agora. Mais uma pessoa ta morta e você e seu namorado não puderam evitar. Nunca deveria ter feito aquela ligação. –-- Eu saio do apartamento e não olho pra trás.

Precisávamos resolver o caso logo para ele ir embora e minha vida voltar ao normal. Tudo o que eu queria era sentir Elena me abraçando. Ela sempre sabia o que fazer, era meu porto seguro.

Quando chego em meu Jipe ela diz que esqueceu o celular no apartamento então sai para busca-lo. Enquanto espero, várias lembranças felizes começam a passar pela minha cabeça até que me lembro que Dean não estava em nenhuma delas. Talvez eu não precisasse dele mesmo.