Eu minto que esqueci meu celular no apartamento e volto para o local. Eu ouvi parte da conversa que Stiles e Dean haviam tido e queria muito que os dois se acertassem. Stiles poderia não admitir mas, precisava do irmão mais velho.

Quando chego na porta Dean estava saindo. Ele parecia surpreso em me ver. Eu explico que ouvi a conversa dos dois e pergunto se não podemos nos encontrar para conversarmos. Ele concorda e eu sugiro que seja na frente do colégio depois que Stiles dormir. Ele me odiaria se descobrisse o que estava fazendo. Dean concorda mas diz vai precisar me buscar na frente da casa do Xerife já que outra pessoa poderia se encontrar com ele no lugar. Eu concordo e volto pro carro.

...

Depois sair da casa do Xerife, eu entro no Impala e encontro Dean. A primeira coisa que ele faz é pedir desculpa por quase ter me enforcado na floresta. Eu admito que aquilo me assustou mas que entendia. Quando chegamos na frente da escola não saímos do carro. Estava frio e não havia necessidade. Eu me viro para encara-lo e ele me olha.

–-- Ele ainda precisa de você. –-- Eu começo e ele da uma risada fraca, como se estivesse debochando.

–-- Jura? Porque ele deixou bem claro hoje que não. –-- Ele olhou pra frente e abaixou um pouco a cabeça.

–-- Eu entendo porque você foi embora. –-- Ele volta a me olhar e parecia curioso mas não diz nada. –-- Eu provavelmente teria feito o mesmo se tivesse coragem. Nossa tio virou nossa guardiã mas, obviamente, não era a mesma coisa. Eu pensei muitas vezes em ir mas... Ele precisava de mim. Se eu não precisasse, eu teria ido.

–-- Mas você não foi. –-- Ele engole em seco. –-- No final não importa, não é? Você não foi. Eu fui. No final das contas é só isso que importa. –-- Eu olho para baixo, mexendo em minhas mãos e tentando saber o que dizer.

–-- Acredite, eu o conheço. O conheço desde sempre e sei que ele não teria te ligado se não tivesse uma mínima chance de te perdoar. Se ele realmente não se importasse com você, ele não teria explodido daquele jeito. Ele está cheio de raiva e, acredite ou não, isso é um bom sinal. –-- Eu levanto os olhos e pego em sua mão. –-- Significa que ele se importa. –-- Ele morde a parte interna da bochecha e olha para frente. Depois olha para nossas mãos juntas e então olha para mim.

–-- O que sugere? –-- Ele pergunta.

–-- Não desista. Mostre que se importa mesmo que ele não dê a mínima. E, se quando esse caso acabar vocês ainda não se acertarem, fique. –-- Ele olha para meus lábios e então retira sua mão bruscamente da minha.

–-- Ficar? –-- Ele suspira. –-- Não acho que isso vai melhorar nossa situação.

–-- Talvez não. Mas vai ser muito pior se você for embora. –-- Me viro e olho para frente. –-- De novo. –-- Eu o lembro.

...

No dia seguinte, eu ligo para o hospital que nasci para tentar obter respostas mas não fiquei surpresa ao saber que tudo foi feito em sigilo por causa da adoção. Eu teria que achar um jeito de olhar meus registros de nascimento. Enquanto Stiles dormia, liguei seu notebook e comecei a pesquisar minhas outras opção não muito naturais...

Haviam lendas sobre ver a si mesmo que significavam morte, outras diziam que era presságio de que tudo daria certo. Achei vários sites sobre universos paralelos e relatos de pessoas que diziam ter visto a si próprios por alguns segundos. A ciência explicava que isso acontecia quando os universos paralelos se convergiam e isso gerava um erro fazendo com que as pessoas se vissem por alguns segundos e as vezes minutos, mas não eram capazes de se comunicarem. Essa era minha opção menos provável.

Começo a olhar sites sobre o sobrenatural e algo me chama a atenção. Uma palavra estranha que eu já tinha ouvido antes.

Doppelgänger

Um Doppelgänger era basicamente uma cópia física de outra pessoa mas, apesar da semelhança, suas personalidades são apostas. É como se uma pessoa fosse dividida ao meio. Uma parte fica de um lado e o resto de outro.

Comecei a pesquisar cada vez mais sobre o assunto. Haviam lendas e teorias que diziam que doppelgängers estavam destinadas a se acharem e se fundirem. Se tornando um ser só. E que só assim seriam uma pessoa de verdade.

Aquilo não fazia muito sentido.

Se a garota que vimos era minha doppelgänger, então isso significava que eu não era uma pessoa real? Há! Dezessete anos de uma vida não acontecem se a pessoa não existe de verdade. Ou talvez eu apenas estivesse sendo muito literal.

Talvez ela fosse minha parte má. A parte de mim que mataria pessoas inocentes para conseguir poder. Se esse fosse mesmo o caso, eu não queria essa parte de mim de volta.

Stiles começou a se mexer e se espreguiçar. Eu me junto a ele e lhe conto sobre minhas teorias.

Sam me busca depois que Stiles vai para escola. Ele estava quase reprovando em geometria então precisava ter aulas extras no verão. Vamos até o hotel em que eles se hospedaram e quando eu lhes conto sobre o que pesquisei eles já pareciam ter feito a mesma coisa. Dean comenta algo sobre um diário de seu pai que continha informações sobre o assunto mas ele me diz que nunca o achou despois que partiu.

–-- Bem, ainda precisamos dar um jeito de achar meus registros de nascimento para ter certeza. –-- Eu lhes aviso. –-- Eles são privados por causa da adoção mas...

–-- Já fizemos isso. –-- Sam me interrompe e vai no frigobar pegar algo. –-- Hoje de manhã. Não tem nada sobre outro bebê.

Eu lhes pergunto como conseguiram os registros e Dean me mostra suas dezenas de identidades oficiais falsas. Assim deve ser fácil.

–-- Então, quem vai ser sua babá hoje? –-- Sam me pergunta, debochando.

–-- Eu não preciso de uma babá. –-- Eu rebato. –-- Acho que já me conhecem o suficiente para conseguir me diferenciar da minha “gêmea do mal”. –-- Os dois riem quando eu digo as últimas palavras fazendo aspas com as mãos.

–-- Só que não podemos nos arriscar. Então... Eu vou falar com as famílias do Ian e da Heather e Stiles e Lydia vão ficar na escola até as cinco. Tem mais alguém que saiba sobre você pra ficar de olho? –-- Eu bufo, mostrando minha indignação ao ver ele falando de mim como se fosse um bebê que ninguém quer cuidar. Não valeria uma discussão porque apesar de tudo, ele estava certo.

–-- Derek está ocupado com os próprios problemas. Scott e Kira estão no México resolvendo algum problema que não me lembro. Liam é muito novo, é mais fácil eu me proteger sozinha do que com ele.

–-- Então só sobra você, Dean. –-- Sam fala e Dean o olha surpreso. Acho que não estava prestando atenção na conversa. Ele parecia indignado e Sam ri. Wow, ou eu era um peso morto pra ele ou eles tinham alguma piada interna sobre mim que apenas Sam achava engraçado. Decidi que ficaria pesquisando sobre doppelgängers e não puxaria assunto já que eu era tão inconveniente assim.

Depois que Sam saiu, quase nada fora dito. Apenas coisas como: “Ta com fome?” “Quer cerveja?” “Aqui ta muito calor.” E outras como: “Não.” “Não bebo.” e “É verão.”

Estava mesmo calor, mesmo com a janela aberta e o ventilador de teto estava muito abafado. Eu ia começar a sugerir a irmos para um lugar mais aberto mas Dean fala primeiro.

–-- Lydia também ta repetindo em algo? –-- Ele pergunta. Estava interessado nela. Quem não estaria interessado nela? Eu vi as mãos dos dois encostadas no dia em que nos conhecemos. Era algo clássico da Lydia, ela fazia para ver como os caras reagiam e assim ela conseguia saber se estavam afim. Eles nunca tiravam a mão. Pensei em falar com ela sobre ele mas lembrei que ela não precisava de mim para isso. Nosso elo era Alisson, depois que ela morreu, nos aproximamos um pouco. Não somos melhores amigas mas adoro ela.

Ela e Dean dariam certo. Lydia gostava de caras experientes.

Não que eu achasse que ele era experiente. Não que eu achasse que ele não era experiente. E obviamente não como se eu tivesse passado treze minutos inteiros pensando sobre isso depois que sai do carro dele ontem a noite.