Notas iniciais
É minha primeira fanfic longa, aceito sugestões e críticas.

--- Nós precisamos de ajuda.

Eu escuto atentamente a voz de meu irmão mais novo. Stiles só havia me pedido algo uma vez na vida, e isso já fazia muito tempo.

Assim que ele desligou, fui arrumar minhas coisas e avisar Sam para onde eu estava indo. Ele não hesitou em se oferecer para ir junto, eu não esperava outra coisa. Sam esteve comigo desde que deixei Beacon Falls. Era meu primo e o único parente que tinha além de Stiles. Sempre trabalhamos juntos e sabia que dessa vez não seria diferente.

--- O que ele te disse exatamente? --- Sam me pergunta enquanto colocamos nossas coisas no carro. Bobb tinha saído e esqueceu o celular. Estávamos esperando ele.

--- Apenas que a cidade ta um caos. Eles estão trabalhando num caso que não faz muito sentido e precisam de ajuda.

--- E por “eles” você quer dizer seu irmão e os amiguinhos lobisomens dele? --- Sammy me olha com olhar de reprovação.

Sam e Bobb (pai de Sam) eram os únicos que sabiam das companhias de Stiles. E nós dois sabíamos que isso seria um problema assim que chegássemos lá.

--- Eu posso ter prometido a ele que não arrancaria a cabeça deles de cara.

Sam ri.

--- Pra ele ter te ligado a coisa deve ta bem pior do que alguns lobisomens. Podemos cuidar deles de­pois. --- Eu sabia que teria que mata-los se chegasse a esse ponto, mas eu realmente não queria. Era a primeira vez que falava com meu irmão em quase cinco anos, não queria fazer nada que o afastasse ainda mais. --- Dean? --- Sam me olha com preocupação. --- Tem certeza que ta bem com isso? Vocês não se falam há anos. Não tem problema em estar nervoso.

Para a minha salvação, Bobb chega bem na hora. Sam sempre acha que não me abro completamente. E ele está certo.

A última vez que falei com Stiles cara-a-cara foi em oito de abril de 2004. Sete dias depois que Mary, nossa mãe, morreu. Ele tinha seis anos. Eu quis ficar, ele não entendeu muito bem o que tinha aconte­cido, éramos muito apegados.

Mas eu não consegui.

Não consegui ficar na cidade em que tudo me lembrava dela e de meu pai, que morreu quando eu tinha a mesma idade de Stiles. Ele não era como eu, ainda tinha seu pai por perto e o amava muito.

Não precisava de mim.

Então fui embora. Prometi que voltaria para visita-lo dali a alguns meses, mas quando cheguei ele não quis falar comigo. Acreditava que eu o tinha abandonado. Ele ainda estava tentando entender por que nunca mais vira sua mãe, e porque eu tinha ido embora. Eu pensei em voltar de novo, tentar recuperar a confiança dele, mas seu pai falou para dar mais um tempo ao garoto. Então nunca mais voltei. Eu ainda ligava pra ele em todos os feriados e alguns finais de semana, mas sempre recebia respostas mo­nossilábicas, então, há cinco anos parei de ligar. Estava trabalhando em muitos casos e não conseguia mais ouvir a indiferença de meu único irmão ao telefone.

Há cerca de dois anos, ouvi de um caçador que Beacon Falls estava com casos sobrenaturais novamente. Meu pai havia acabado com todos antes de morrer, mas todos sabiam que era apenas questão de tempo. Nunca vamos estar realmente livres do mal. Peguei o telefone imediatamente para ligar para Stiles, mas ele não atendeu, então liguei para o Xerife, pai de Stiles, e ele me disse estava tudo sobre controle. Não eram tantos casos e Stiles e seus amigos estavam cuidando de tudo. Ele não parecia feliz com aquilo. Tentei avisa-lo, dizer que Stiles nunca estaria em segurança se entrasse naquela vida, a mi­nha vida. Foi quando ele deixou escapar quem o estava ajudando.

Nunca tinha ficado tão irritado quando ouvi que meu irmão era amigo de lobisomens. O Xerife tentou me convencer que estava tudo bem, mas não sentia que estava. Entrei no carro e fui até Falls. Parei ao ver Stiles depois de tanto tempo. Ele não era mais uma criança. Cheguei perto da escola, sem deixar ele me ver, onde ele e um garoto estavam saindo. Me surpreendi ao ver que já estava quase do meu tamanho, e sorrindo. De­pois da morte de nossa mãe, nunca mais o vi sorrindo. E lá estava. Perguntei-me se, se eu não tivesse ido embora as coisas seriam iguais. Eu aceitaria os lobisomens? Iria aos jogos dele na escola? O veria sorrindo? Desisti de tentar responder essas perguntas e fui embora. No caminho de volta, liguei o Xerife novamente, para ele me dar mais detalhes e o fiz prometer que se algo de ruim tivesse mesmo que a mínima chance de acontecer ele me ligaria.

Enquanto entramos no carro novamente após ter parado para comprar comida, aquela frase repetiu na minha cabeça como sempre repetia quando eu tinha duvidas.

Não precisava de mim.

...

Depois de algumas horas de viagem, estávamos muito perto de Beacon Falls. Estava começando a ficar nervoso a cada km que chegávamos mais perto. Comecei a pensar em meus pais e percebi que a maior parte da dor já havia passado. A tensão passou rapidamente antes de lembrar quem tinha me ligado para ir lá. Fiquei me perguntando se ele havia me perdoado. A ligação não tinha sido monossilábica, mas foi fria e parecia ter sido ensaiada.

Tentei ao máximo não demonstrar minha ansiedade na frente de Sammy porque temia que ele fosse capaz de querer me abraçar. Aumentei o volume do som e fixei os olhos na estrada.

--- Então, qual é o plano? --- Ele me pergunta.

--- A gente chega lá e resolve a situação. --- Eu estava mais relaxado, focar no trabalho era um ótimo remédio para meus problemas reais.

--- E depois? --- Sam me encara.

--- Depois a gente vai embora. Como sempre foi. --- Pensar em ir embora nova­mente me deixava com um gosto agridoce na boca.

--- Eu quis dizer em relação ao seu irmão.

Sam sentimental voltou. Ótimo.

--- O que tem ele? --- Tentei parecer indiferente.

Então, Sam começou a perguntar sobre os amigos dele, se eu tinha certeza que iria querer ir embora. Se tentaria me entender com Stiles, – o que não seria muito fácil se eu matasse os lobisomens – se ainda pensava em meus pais...

--- Sam! --- Tentei interrompê-lo. --- A gente nem chegou ainda, ok? Me da um tempo. A gente resolve tudo quando chegar.

--- Então é melhor ser logo porque já chegamos.

Ele aponta o dedo para algo do lado da estrada e eu vejo.

Bem-vindos a Beacon Falls!