Beacon Falls: Parte 1
2 Sam
Nos registramos em um dos hotéis e fomos a uma lanchonete que vimos na rua anterior. Havia panfletos de adolescentes desaparecidos em todo o lugar. Ao lado, também estavam outros que pareciam panfletos de protestos, convocando os cidadãos de Falls para passeatas em busca da paz. Outro marcava uma reunião em um endereço desconhecido que propagava uma caça ao que se acreditava serem vampiros. Em minha opinião, podiam muito bem ser lobisomens. Ainda não sabíamos nada sobre o caso então não tinha muito no que apostar. Sei que Dean estava apreensivo em relação a isso, mas tínhamos ido até lá para varrer a cidade de todos os seres sobrenaturais. Uma hora ou outra, deveria ser feito. E se ele não fosse fazer, eu faria.
A lanchonete estava quase vazia. Ouvi um par de velhos, que estavam sentados em uma mesa próxima, falando sobre as mortes.
“É o fim dos tempos, isso sim!” disse o que parecia ser o mais velho.
“Para de ser besta!” disse o segundo. “Nós temos é um assassino em série! Se a policia fosse competente, nada disso estaria acontecendo.”
Eu paro de ouvir a conversa quando a garçonete chega.
Dean não havia dito uma palavra desde que avistou a placa de entrada cerca de meia hora atrás. A única coisa que pareceu distrai-lo fora a garota. Agora ele sorria e tentava jogar charme enquanto fazia seu pedido, mas, ela não pareceu notar. Parecia cansada e checou o celular nervosamente depois que saiu.
–-- Viu os panfletos? –-- Eu aponto em direção a alguns que estavam em um mural atrás dele.
–-- E tem como não ver? Precisamos dar um jeito nisso rápido. –-- Ele diz e eu não sei se o faz por querer que as mortes acabem ou por querer sair da cidade logo. Os velhos vão embora e ele olha novamente para a garçonete que começa a limpar a mesa onde eles estavam.
–-- Muita nova pra você, não acha? –-- Eu o reprovei enquanto ele a olhava com um olhar bem expressivo.
–-- Relaxa, eu só tô admirando. –-- Ele me diz, com um sorriso no rosto. –-- Beacon Falls melhorou muito nesse quesito, na minha época não era assim não. Espero que eu consiga aproveitar. –-- Assim que ela sai ele volta a parecer desconfortável, mas começou a puxar papo, falando sobre algumas garotas com quem ficou enquanto morava aqui. Dean para de falar no momento em que a garota aparece com nossos pratos.
–-- Me avisem se precisarem de mais alguma coisa. –-- Ela diz.
–-- Pode deixar. –-- Dean olha pra ela do mesmo jeito que já o vi olhar para várias garotas, várias vezes quando quer algo. Só que dessa vez ele não foi correspondido.
Eu apenas dou uma risada quando ela sai.
–-- Ah, para de rir! Ela provavelmente não entendeu o recado. –-- Ele diz enquanto morde seu hambúrguer.
–-- É, ou você tá velho. –-- Ele joga um sache de ketchup em mim e nós rimos. –-- Já ligou pra visar que chegamos?
–-- É, liguei enquanto você se registrava. O Xerife ofereceu o quarto de hospedes pra gente mas eu achei melhor não aceitar, dava pra ver que ele só tava falando por educação. –-- Ele ficou sério novamente.
–-- Começamos amanhã?
–-- Isso aí.
Eu penso em lhe fazer mais algumas perguntas mas deixo pra lá, não é como se ele fosse responder mesmo. A reação dele me lembrou de quando nos conhecemos. Dean mal falava e demorou um tempo para confiar em mim. Um dia, ele simplesmente me contou. Não o que sentia, apenas o que aconteceu. Como eu também perdi um irmão há muito tempo, eu entendi. E ele era família.
...
No dia seguinte, o Xerife nos liga cedo e nos pede para irmos até a delegacia. Colocamos todas nossas armas de volta no carro, que pegamos no dia anterior para limpá-las e vamos. O caminho até a delegacia é silencioso. Poucas pessoas eram vistas nas ruas e alguns estabelecimentos estavam fechados em plena quarta-feira. Assim que chegamos eu percebi porque as ruas estavam quase desertas. A delegacia estava um caos. Havia muitas pessoas segurando panfletos e mostrando aos policiais, outras não eram tão gentis e “conversavam” aos berros. Um pouco a frente do estabelecimento, um pequeno grupo tinha cartazes que insultavam os oficiais e pediam que os cidadãos se juntassem a eles e fizessem tudo com as próprias mãos.
Dean parecia estar tendo a mesma reação que a minha.
Ele acha uma vaga a alguns metros da delegacia e nós saímos do carro. Antes que pudéssemos ir muito longe, uma garota ruiva nos para.
–-- Dean Winchester? –-- ela pergunta, olhando para mim.
–-- Esse seria eu. –-- Dean responde chegando ao meu lado. Ela o olha com interesse.
–-- Então você deve ser o Sam. –-- Ela olha pra mim e me cumprimenta com um sorriso meigo. –-- Meu nome é Lydia Martin. O Xerife pediu que fossemos a aquela cafeteria ali na frente. –-- Ela aponta a uma cafeteria bem pequena no lado aposto da rua. –-- Não é como se fosse possível conseguir alguma privacidade na delegacia agora.
Lydia não era exatamente alguém que você passa perto na rua e não nota. Sua voz era doce. Ela era pequena, mas parecia algo saído de um livro descrevendo a perfeição. Seus olhos eram grandes e verdes e seu cabelo era da cor mais viva que eu já tinha visto em um longo tempo. Ela me lembrou de Jessica.
–-- Como sabia que era a gente? –-- Dean pergunta, claramente notando a beleza dela, assim como eu.
–-- O Xerife me descreveu seu carro. É algo fácil de notar. –-- Ela da um meio sorriso. Eu poderia descrevê-la como um anjo se não soubesse o quanto anjos são babacas. –-- 66?
–-- 67. –-- Diz Dean. –-- Entende de carros?
–-- Entendo de tudo um pouco. –-- Ela diz, mas não parecia estar se gabando. –-- Vamos. –-- Ela se vira, e nós a seguimos.
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