Be Afraid
26 Capítulo 26 - Não a deixe partir
Notas iniciais
— Edward? – Eleazar o chamou, mas Edward se mantinha de joelhos, em completo choque. – Edward, onde eles estão? – Gritou mais alto, com a arma na mão.
Edward olhava perdido em direção ao penhasco. Eleazar sabia o que havia se passado ali. No fundo ele sabia. Podia ver o cachecol de Bella, enroscado no galho da arvore que estava próximo a beira.
— Não! – Ele gritou, correndo até a beira, mas não havia nada lá. Apenas o corpo de Carlisle, caído entre as pedras. E lá embaixo, a maré batia contra os rochedos.
Eleazar deu um passo cambaleante para trás e agachou sobre seus calcanhares, caindo sentado, agarrados aos seus joelhos, chorando feito um menino assustado.
— Não, não, não! — Edward gritou, saindo do transe. E enquanto puxava os cabelos, correu até a beirada do penhasco, onde Eleazar ainda chorava. Afinal, não conseguiu salvar sua garotinha. Não conseguiu cumprir sua promessa a Kate. Edward olhava para baixo, ainda procurando sinal de vida, mas tudo que se ouvia, eram os barulhos dá maré batendo contra as rochas. Não havia com sobreviver a isso.
— Ela... Como isso pode acontecer? – Eleazar murmurava, completamente transtornado.
— Eleazar? – Tânia o chamou, mas ele ainda se mantinha encolhido, puxando os cabelos e murmurando. – Eleazar, olhe para mim. – Ela pediu, se aproximando e mesmo tremendo ele ergueu seu rosto.
— O que aconteceu aqui? – Garrett perguntou, aparecendo atrás de Tânia.
— Você! – Eleazar rugiu se levantando e partindo para cima de Garrett. – Você sabia de tudo! Como deixou que chegasse a isso? – Perguntou, enquanto o sacudia e o socava. – Ela era apenas uma menina! Uma criança!
— Eleazar, pare! – Tânia pediu, enquanto outros dois policiais tentavam tira-lo de cima de Garrett.
— Isso não era parte do plano! Ela tinha que matar somente Carlisle! — Me soltem!
— Você precisa se acalmar Denali! – Um dos policiais disse o segurando.
— Não! O que eu preciso é encontrar Isabella.
— Eleazar. – Tânia começou, mas ele a interrompeu.
— Não! Ela está viva. Tem que estar. – Murmurou a ultima parte. – Vasculhem a praia e tudo em volta. Vamos encontra-la.
— Eleazar? – Garrett o chamou.
— O que é? – Respondeu rispidamente.
— O alvo sempre foi o Carlisle. Nunca mandei que se envolvesse com os outros.
— Edward?- Tânia o chamou, mas ele já não estava mais ali.
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Edward vagava sem rumo pela trilha que havia encontrado. Não conhecia aquele caminho e sua cabeça zumbia, com a quantidade de informações que ele tentava processar. Carlisle havia confessado sobre o assassinato de Charlie.
Era Bella esse tempo todo. Cada assassinato sem explicação, cada corpo que aparecia acompanhado de uma rosa, era ela. Brincando com todos e convidando Carlisle para sua vingança.
O fato deles serem irmãos. Não conseguia acreditar naquilo. E se ela sabia esse tempo todo, até onde estava disposta a levar aquele jogo doentio?
Depois as imagens foram mudando. O sorriso dela, o seu toque, seu beijo. Não! Gritou para seu cérebro. Aquilo era errado. Afinal, eles eram irmãos. As lembranças passaram para o olhar dela no cativeiro e a ultima vez que a viu, antes que ela caísse do penhasco, bem diante de seus olhos.
Sua vista estava embaçada enquanto caminhava pela floresta, mas logo a frente, algo chamou sua atenção.
— Isso é... – Murmurou, segurando um blusa preta. A mesma que Bella usava, mas agora estava encharcada. Ela não havia passado por aquele caminho. O que significava que ela ainda estava viva. Mais a frente, ele pôde ver algo reluzente. Se aproximou tocando o objeto e viu que era a pulseira que havia lhe dado de aniversário.
— Eu sabia... – Murmurou segurando a peça e indo de encontro a Eleazar.
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— Não encontramos nada, senhor. – Um dos subordinados declarou.
— Não importa! Ela está viva! A encontrem! – Gritava as ordens, quando Edward se aproximou.
— E quanto ao corpo que encontramos? – Voltou a perguntar e o homem podia ver a fúria no olhar de Eleazar.
— Dêem aos tubarões, queimem, trucidem! Não me importa! – Gritou. – Se eu pudesse, reviveria aquele desgraçado apenas para mata-lo outra vez.
— Sim, senhor.
— Deixe que eu cuido dessa parte, Weber. – Edward murmurou, fazendo Eleazar se virar.
— Cuida? – Perguntou, com raiva tingida na voz.
— Eleazar, eu sei que ele fez escolhas erradas, mas...
— Escolhas erradas? Ele matou minha menina! Minha sobrinha, minha filha! – Gritou fora de si. – Escolher uma marca ruim no supermercado é uma escolha errado, Masen. O que aquele filho da puta fez está além da minha compreensão. E se ele estivesse vivo, eu seria preso por arrancar seu coração e faze-lo comer!
— As coisas não são assim, espere, o que você disse? – Questionou intrigado. Agora que sabia que havia uma chance de Bella estar viva, conseguia pensar mais claramente.
— Sobre o que? Faze-lo engolir seu próprio coração?
— Não, sobre Isabella. Você disse que ela é sua filha?
— Sim, ela é. Ela não é filha do Charlie, como aquele cretino pensou.
— Ele me fez... Ele me fez pensar que éramos irmão. – Murmurou sem acreditar. – Eleazar, ouça, eu...
— Não, garoto! Ouça você. Eu tive todas as chances para acreditar em Bella e não acreditei. Ainda não sei se você e aquele calhorda são farinha do mesmo saco e eu juro por Deus, que se eu descobrir que de alguma forma, você o ajudou, não haverá justiça que mantenha minhas mãos longe de você! – Rosnou voltando a olhar para o mapa dos arredores.
— Eu não sabia que Carlisle havia feito aquelas coisas. Descobri assistindo uma gravação que Bella deixou. Eleazar, ela está viva e ...
— Eu sei que está e estou tentando encontra-la. Então seria de grande ajuda se você calasse a porra da sua boca e me deixasse pensar! – Edward nunca havia visto aquele lado de Eleazar. Ele era sempre gentil e controlado.
— É o que estou tentando dizer. Me tratar como se eu fosse responsável pelas merdas que meu pai fez, não vai desfazer essas coisas.
— Seu pai? Ainda o chama de pai? – Rosnou.
— É isso que ele é! Apesar de tudo, ainda é o homem que me criou.
— Só porque mandou que matasse quem deviria te-lo criado! – Vociferou, enquanto passava a mão pelos cabelos, o bagunçando.
— Eu não quero brigar, Eleazar!
— Então vá embora! Não há nada para você aqui! – Grunhiu fazendo Edward se preparar para retrucar e dizer o que havia encontrado na floresta. – Você não vê? Bella mentiu para você! Mentiu para todos nós! A única razão para ela ter se envolvido com você, era você ser filho de quem é! E agora acabou! – Acrescentou aos berros.
Edward estreitou os olhos e fechou a boca, se virando e saindo dali, antes que dissesse algo que se arrependesse.
~*~*~*~*~*~*~*~*
Duas semanas depois.
O telefone tocava insistentemente, enquanto Eleazar despertava de mais um sono perturbado. Suas temporas latejavam e seus olhos ardiam, desejando uma noite tranqüila de sono ou mais um copo de café. Ele levou as mãos ao telefone, o atendendo.
— Denali? – Sua voz soava estranha ao telefone. Levemente rouca pela falta de sono e bastante embargada pelo whsikey que beberá noite passada. Mais uma noite sem noticias, sem saber se sua filha havia sobrevivido.
— Senhor, aqui é o Weber. Estou com os homens responsáveis pelo resgate.
— Encontraram alguma coisa? – Perguntou, se agarrando aos fiapos de sua esperança, que se esvaia cada vez mais, a cada telefonema.
— Não senhor. Mas...
— Diga de uma vez! – Gritou.
— Vão desistir das buscar, senhor.
— O que? Não! Não podem fazer isso. Ela está viva, precisamos encontra-la.
— Eleazar? – Ouviu Tânia o chamando na porta, mas não lhe deu atenção.
— Revistem a floresta! Precisamos encontra-la.
— Senhor, não há nada aqui. Já olharam em cada pedaço. Não há como sobreviver a queda e mesmo se ela conseguisse, não poderia ter ido longe.
— Não! Ela...
— Ela se foi, senhor. Eu sinto muito. – Murmurou, tentando consola-lo.
— Minha menina. – Eleazar soltou, junto com um soluço, que estava preso em sua garganta. Tânia correu até ele, e ele abraçou sua cintura, deixando seu celular cair, enquanto soluçava igual uma criança, nos braços da mãe.
— Eleazar...- O chamou, afagando seus cabelos.
— Ela se foi, Tany. Nossa menina se foi.
— Eu sinto muito, querido. Sinto mesmo. – Respondeu, sentindo suas próprias lágrimas descerem.
— Eu falhei! Prometi a Kate que cuidaria de nossa filha e...
— E você fez o melhor que pôde, meu amor. – O interrompeu, beijando o topo de sua cabeça. – Nós a conhecemos desde criança, Eleazar. Sabemos que não a teria feito mudar de ideia.
— Ela era tão teimosa! – Acrescentou, entre soluços. – E agora se foi! – Gritou se levantando de repente, em um ataque de fúria. Tânia deu um passo vacilante para trás.
Ele empurrou tudo que havia em sua mesa, jogando no chão. Na mesa também havia uma porta retrato, com a foto deles. Nela Bella mostrava a lingua como sempre, mas ele havia adorado. Mostrava um lado dela, que poucos conheciam.
— Morta! Ela está morta! Todos mortos! – Gritou, virando a mesa.
— Eleazar, pare! – Tânia pediu, mas ele se recusava a escutar.
— Não! Ele não teve o que mereceu! Ele tirou tudo dela e não teve o que mereceu. Devia ter acreditado nela. Devia ter investigado! – Gritava, descontrolado. – E agora? Agora é tarde! — Acrescentou, se sentando no chão. Ela caminhou até ele e o acolheu com os braços.
— Shiu! Está tudo bem. Vai ficar tudo bem. – Murmurou o embalando em seus braços. – Sabe, talvez seja melhor sairmos daqui.
— O- Oque? – Perguntou, entre os soluços.
— Muitas lembranças estão aqui, amor. Talvez devêssemos recomeçar em outro lugar. – Ela declarou, mas ele não se movia. – Não precisa ser agora, é claro. Mas acho que isso fará bem a você. – Acrescentou acariciando seu rosto, e tudo que ele fez, foi assentir, sem dizer mais nenhuma palavra.
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