Be Afraid
27 Capítulo 27 - Uma carta e nada mais
Notas iniciais
Não haviam muitas pessoas para comparecer. Apenas Edward, seus irmãos e os responsáveis pelo cemitério, estavam lá.
Os caixões estavam fechados, um ao lado do outro. Carter olhava para eles, como se não pudesse acreditar no que seus olhos viam. Ainda não podia acreditar que um acidente de carro, levará seus pais. Edward estava com a pequena Mia nos braços. Ela estava exausta de tanto chorar e acabou adormecendo.
— Carter? – Edward o chamou, mas ele não respondeu. Desde que havia recebido a noticia, não havia dito nenhuma palavra. – Carter, por favor. – O chamou e o irmão apenas o olhou. Seus olhos estavam perdidos. Vazios.
— Vai ficar tudo bem. Eu vou cuidar de vocês. – Edward prometeu, afagando os cabelos de Mia, enquanto os caixões eram baixados. Carter tinha nas mãos um buque das flores favoritas da mãe. As rosas brancas. E naquele momento, Edward pensou na ironia daquele gesto.
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Eles haviam ido para a casa dos pais deles. No dia seguinte começariam a mudança, mas aquela era hora de descansar. Carter chegou, indo direto para seu quarto, enquanto Mia era carregada para sua cama.
Edward a colocou na cama, tirando seu casaco e puxando as cobertas. Naquele momento, ela parecia tranqüila. Como se nada pudesse machuca-la. Como se não tivesse acabado de perder os pais, exatamente como Bella, quando era pequena.
Balançou a cabeça, se livrando dos pensamentos sobre a morena. Mia se mexeu, inquieta em sua cama, e Edward voltou a afagar seus cabelos. Ela parecia mais desperta, o que não era nada bom, porque ele estava exausto.
— Edward?
— Sim, querida? – A chamou, ainda acariciando seus cabelos.
— O papai e a mamãe não vão voltar?
— Não, Mia. Eles não vão. Você entende o por que? – Perguntou calmamente e a menina assentiu.
— Eles foram para o céu? Como a vovó e o vovô? – Perguntou e Edward assentiu, mesmo duvidando disso.
— Isso mesmo, querida. Como a vovó e o vovô. Mas vai ficar tudo bem. Eu vou cuidar de você e do Carter. Agora tente dormir um pouco, está bem?
— Mas eu não estou com sono! – Respondeu bocejando.
— Acho que está mentindo, querida. Volte a dormir. Amanhã vai ser um longo dia.
— Vamos ter que sair daqui? – Perguntou, com os olhos pesados.
— Sim. Será mais fácil com vocês morando no meu apartamento. É grande o bastante para nós.
— Está bem. Boa noite, Edward. – Desejou, fechando seus olhos e suspirando.
— Boa noite, Mia. – Respondeu. Ele esperou até que ela dormisse e então saiu do quarto, caminhando até o quarto de Carter.
Edward bateu na porta, mas não houve resposta. Ele voltou a bater, mas Carter não abriu. Então ele entrou, encontrando o irmão deitado na cama, com os olhos fechados e os fones nos ouvidos. Se aproximou lentamente, ficando a sua frente, mas mesmo assim, ele não tirou os fones.
Carter se mantinha parado. Agora com os olhos abertos, inexpressivos. Edward levou a mão até os fones, os retirando e não encontrou resistência.
— Como você está? – Perguntou, mas não houve resposta. – Mia ainda é pequena para entender, mas você já deve saber que não foi um acidente de carro, não é, Carter? – Perguntou e o garoto voltou a assentir.
— Somos família, Carter. Não importa o que aconteça, eu sempre estarei aqui para vocês. – Afirmou e o irmão assentiu.
— Na próxima semana, vai haver uma audiência. Como não temos parentes próximos, entrei com um pedido para a guarda de vocês. Está bem? – Perguntou e ele tornou a assentir, sem que nenhuma palavra saísse de seus lábios. – Não se preocupe, irmãozinho. Vou cuidar de vocês. – O tranqüilizou se levantando.
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— Estamos aqui para decidir com quem ficará a custódia dos menores, Carter Oliver Masen Cullen, de 16 anos. E da menor, Melissa Masen Cullen. De 9 anos. – O juiz declarou ao se colocar de pé.
— Não haverá nenhum problema, não é, Ben? – Edward perguntou.
— Problema nenhum, Edward. – Ben respondeu.
— Os menores em questão, perderam os pais em circunstâncias trágicas. – O juiz acrescentou, se referindo a mentira que havia inventado. — Existe alguém que deseja requerir a guarda deles?
— Sim, meritíssimo. Meu cliente, o senhor Edward Masen Cullen, irmão mais velho dos menores em questão. – O advogado declarou.
— Senhor Masen, o senhor deseja obter a tutela permanente de seus irmãos?
— Sim, meritíssimo. – Respondeu sem hesitar.
— Existe mais alguém que deseja a custódia plena das crianças em questão? – Questionou e quando ninguém se manifestou, tomou sua decisão.
— Não meritíssimo. – O advogado confirmou, fazendo o juiz assentir.
— O senhor tem condições emocionais e financeiras para cuidar deles, senhor Masen? – Questionou, se dirigindo a Edward dessa vez.
— Sim, senhor. Eu tenho totais condições para adquirir a guarda de meus irmãos.
— Então, nesse caso, até que ambos completem a maioridade, devem ficar sobre sua supervisão. – Acrescentou, batendo o martelo. – Sessão encerrada.
Edward agora era definitivamente o tutor legal dos irmãos. Só precisava começar a arrumar sua vida agora.
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— Eleazar, temos um problema.
— O que você quer, Tânia? Pensei te-la mandado para casa.
— Você viu o jornal de hoje? – Perguntou, ignorando sua grosseria. Tinha sido assim todos os dias agora.
— Não tive muito tempo para isso, nesse ultimo mês. Estou ocupado demais, tentando fazer com que não abandonem as buscar por Bella.
— Eleazar...- Começou, mas ele ergueu a mão, em sinal para que se calasse.
— Não! Se você veio até aqui para dizer que eu devo parar com isso e seguir em frente, pare agora mesmo! – Gritou, esmurrando a mesa. – Eu não consigo explicar. É uma sensação. As vez sonho com ela.
— É a saudade. Apenas isso, querido. Mas não vim para lhe mostrar isso.
— E o que é que você quer? – Questionou, impaciente e Tânia jogou o jornal sobre a mesa.
— Assassina da rosa branca descoberta. – Eleazar leu a manchete e nela, havia uma foto de Bella, segurando um flor nas mãos. Aquele filho da puta havia amarrado todas as pontas. Mesmo que a filha tivesse sobrevivido, teria que viver fugindo, porque ele havia lhe entregue as autoridades.
— Eleazar? – Tânia o chamou, mas ele ergueu a mão, ainda olhando para o jornal.
— Vá embora. – Ordenou e ela vacilou.
— Me mandar embora não vai melhorar as coisas.
— Tânia, por favor. – Suplicou. – Eu preciso ficar sozinho.
— Sabe, o que eu disse sobre a mudança...
— Eu disse que pensaria no assunto. Mas não vou embora agora! Ela ainda pode voltar e ....
— Por Deus, Eleazar! – Tânia gritou, cansada daquilo.- Ela não vai voltar! Eu sinto muito que tenha a perdido e eu a amava como uma filha, mas ela não vai voltar. Bella sabia exatamente onde estava se metendo quando arquitetou essa vingança.
— Está dizendo que ela teve o que mereceu? – Rugiu, se levantando.
— É claro que não! Eu nunca desejei que isso acontecesse. Mas ela sabia que quando se tratava de Carlisle, esse era um dos riscos. Só estou farta de te ver se fechando cada vez mais! – Vociferou. – Eu amo você e me machuca te ver assim.
— Não veja! – Retrucou. – Faça o que eu mandei e vá embora. Eu irei ficar aqui, esperando por ela. Não importa quanto tempo passe. – Acrescentou, segurando a foto que havia dado a ela de presente. Onde estava ele, Bella e Kate.
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Edward havia finalmente terminado a mudança e agora seus irmãos estavam definitivamente instalados em seu apartamento. Carter havia saído e Mia brincava com algumas bonecas na sala.
Ele se atirou no sofá, fechando os olhos, quando ouviu a voz da irmã.
— Edward? – Mia o chamou.
— Sim? – Respondeu, ainda de olhos fechados.
— Cadê a tia Bella?- a menina questionou, fazendo seu corpo tencionar. Como explicaria aquilo?
— Ela não vem mais, Mia. — Respondeu engolindo seco. — Eu sinto muito
Mia pareceu pensar em algo e logo se levantou, correndo para seu quarto, voltando logo depois, com uma folha nas mãos.
— É pra você. — Disse lhe entregando uma página arrancada de um livro.
— O que é? Algum desenho? — Edward Perguntou mas ela negou.
— Não. A tia Bella disse pra te entregar se você me dissesse que ela não ia mais voltar. Disse que seria nosso segredo. — Respondeu, fazendo os olhos de Edward saltarem.
Rapidamente ele pegou a carta e começou a ler.
Edward, não sei bem o que estou fazendo, escrevendo essa carta. Nunca foi boa com palavras, mas sim com ações. A essa altura, você já deve saber de tudo e talvez até me odeie. Talvez seja mais fácil assim.
Você pode não entender meus motivos, mas eles são meus e não vão mudar. Os decidi no momento em que a bala atravessou a cabeça de meu pai, e no momento em que ouvi o nome de Carlisle.
Eu sempre soube que iria me vingar por eles algum dia. Sei que no começo me aproximei de você para poder me vingar e peço perdão, porem não vou dizer que me arrependo pois estaria mentindo. E se tivesse chance, é provável que fizesse outra vez. Nunca me arrependerei de ter feito o que eu fiz. Sei que desapontei Eleazar, então por favor, diga a ele que eu o amo e lamento que não tenha sido a filha que ele sempre quis. Quanto a você, quero que siga em frente. Nunca deveria ter envolvido Mia e Carter nessa história. Foram os pais dele que me fizeram mal.
Talvez no fundo, bem la no fundo, Carlisle e eu não sejamos tão diferentes. Afinal, ele mandou que matassem meus pais, me deixando sozinha. E eu fiz o mesmo com Carter e Mia. Mas ao menos me tranqüiliza saber que eles tem você.
Não posso dizer que me arrependo das decisões que tomei. Elas me aproximaram de Carlisle e possibilitarão minha vingança. Mesmo que isso possa custar minha vida. Mas também me trouxe você.
Espero que siga sua vida e cuide bem dos seus irmãos. Mas também quero que saiba, que não foi tudo mentira, Edward. Não com você. Eu não tenho palavras para lhe dizer o que senti. Você fez com que e me sentisse viva, como a muito tempo não me sentia.. E eu nunca poderei lhe agradecer o bastante. Não nessa vida pelo menos
Ass: Bella Swan Denali.
— Edward? – Mia disse seu nome, chamando sua atenção. Ele ainda segurava a carta. Não bem uma capa. Edward virou a folha, procurando por mais respostas e pôde ver que a carta na verdade, era a primeira página do livro Psicose. O favorito de Bella. Talvez de seu próprio exemplar. Mia voltou a chama-lo, atraindo sua atenção.
— Sim, querida?
— Você está chorando? – Perguntou mas ele negou. As palavras dela gritando em sua cabeça. Não foi tudo mentira. Não com você. Será que não havia sido?
— Não, pequena. Por que não volta a brincar? – Perguntou e ela assentiu.
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Eleazar estava em sua poltrona. Com outro copo de bebida nas mãos. Não havia conseguido dormir. Apenas ficava lá, olhando para a foto em sua mão. Seu celular vibrou, chamando sua atenção.
— Denali? – Praticamente gritou.
— Senhor Deanli, aqui é Sam Unley. Sou delegado responsável aqui na cidade se Jackson.
— O que? Quero dizer, por que está me ligando?
— Fomos informados que há um caso de pessoa desaparecida. Me deram o seu telefone.
— Sim! – Gritou, pulando da cadeira. – É a minha filha? A encontraram? Ela está bem? Onde ela está? – Gritava uma pergunta seguida de outra, enquanto apanhava sua carteira.
— Encontramos uma mulher. A descrição bate. Morena, um metro e sessenta.
— Sim, se parece com ela. Eu posso falar com ela? Ela está consciente? – Perguntou.
— Senhor Denali, desculpe, mas acho que não fui claro. Não encontramos sua filha. O que encontramos, foi um corpo. Eu lamento. – O delegado declarou, deixando Eleazar mudo. Dizia a si mesmo, que sem a confirmação de suas suspeitas, podia manter as esperanças. Podia continuar procurando. Não precisava seguir em frente. Mas aquele aera a confirmação.
— Um co-corpo? – Perguntou, engolindo seco.
— Sim, senhor. Eu lamento. Será que pode vir até aqui? Não acredito que um reconhecimento seja possível, devido ao estado de deterioração do corpo, mas...
— Pare! – Rosnou. – Pode não ser ela.
— Sabemos disso, senhor. É por isso que nosso legista recomendou que fizéssemos um exame na arcada dentária. Para eliminar qualquer dúvida.
— Eu já entendi! Apenas me de o maldito endereço. Tenho algumas radiografias e vou provar que essa mulher não é minha filha! – Gritou rispidamente, anotando o endereço.
Eleazar pegou seu carro, dirigindo o mais rápido que podia até o endereço.
— Onde ela está? Onde está o responsável? – Perguntou aos gritos, quando um homem de meia idade apareceu.
— Senhor Denali? Me chamo Stefan London, e sou o legista responsável. – Declarou e Eleazar voltou com as perguntas.
— Onde está? Vamos, quero provar de uma vez que aquela não é minha menina. – Rosnou.
— Claro, entendo como pode ser difícil para você. Você trouxe?
— Sim, aqui estão as radiografias. Apenas faça esse exame e diga que o delegado cometeu um engano.
— Me de um momento por favor. – Stefan caminhou até a sala, mas antes levou Eleazar, para que visse o corpo. As roupas pareciam com que as que Bella usava, mas era difícil afirmar, pelo péssimo estado que se encontravam. Eleazar olhava para aquela figura inchada, mas não via nenhum traço de Bella.
— Não pode ser. Deus permita que não seja. – Implorou, quando Stefan apareceu na sala, com o resultado dos exames.
— Senhor Denali? – O chamou.
— Diga de uma vez. Cometeram um erro, não é? – Questionou. – Não é minha filha.
— Acho melhor se sentar, senhor Denali. Os exames de arcada dentária deram positivo. Essa mulher é Isabella Denali.
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