Notas iniciais
Capitulo feito por ErutonHM...: olá galerinha do Nyah...blz com vcs
tá aqui o 1 cap da fanfic que realmente me esforçei pra fazer
só pra ter ideia do esforço que tive que fazer:
eu li a historia da união sovietica
eu li a historia da guerra fria
eu li um pouco do livro Arte da Guerra
eu fiquei 1 dia inteiro sem café da manha,sem almoço e com janta as 00:51 escrevendo essa fic
meu trabalho de muito esforço tah ai boa leitura ^^

Beirute,agosto de 1991

Estavam em alerta desde as 6 horas. Moscou não os contatou até as 3 horas da tarde,a hora mais quente do dia,no mês mais quente, no que devia ser o último hotel sem ar condicionado de Beirute. Mas aquele era o estilo da inteligência militar russa, a GRU: nunca falhava em desapontar. Jin colocou as pernas para fora da cama e sentiu a cabeça rodar.Atenção deu ao telefone. A 2 mil quilômetros dali veio a voz de Lass, cheia de expectativa:

-Está pronto ¿¿¿

-Pelas ultimas nove horas.

-Peugeot vermelho. Placa da Jordânia.

-Onde ¿

Houve uma pausa. Jin o imaginou em uma mesa de Moscou cheia de memorandos e telexes(espécie de telegrafo antigo,não se usa mais hoje),todos com as palavras “Urgente –ultrassecreto”.

-A quatro quadras do hotel onde Yuri está hospedado, o Majestic Palace, um estacionamento em uma área bombardeada.

-Isso ajuda bastante.Metade da cidade está bombardeada.

-Toda delegação nuclear iraniana está no hotel, que lotará com os seguranças deles. Mas eles não têm permissão para sair de lá. A informação que temos é a de que Yuri está pronto. Vocês não terão problemas.

-Você sempre diz isso e sempre temos.

Lass suspirou:

-Garanto que tudo está preparado.Yuri acha que os americanos estão indo buscá-lo,por isso não haverá resistência. Apenas entre lá e resolva. Diga a ele que há um avião esperando logo depois da fronteira e mostre os documentos, como combinamos. Uma vez que estiverem a caminho ,se ele perceber quem você é, o que vai poder fazer ¿ É só deixar a pistola de injeção preparada.

Sedar o alvo. É a solução da GRU para todos os problemas.

-E se tivermos problemas ¿¿¿

-Mate-o.É melhor ver o prodígio nuclear iraniano morto do que nas mãos dos americanos.

Lass desligou.

Jin recolocou o telefone no gancho e olhou para Azin.

-Temos sinal verde.

Azin estava sentado de pernas cruzadas na cama com as peças de sua Colt 45(pistola conhecida como M1911) americana desmontada á sua frente. Ele não reagiu, apenas retribuiu o olhar com a expressão de sempre. Ainda era tão jovem.Tinha apenas 20 anos, más projetava inteligência que intimidaria alguém com o dobro de sua idade. Jin tinha sido o seu mentor, mas agora Azin não precisava de mentores. Ao lado dele, Jin se sentia velho e inferior, e essa não era uma sensação boa para se ter antes de uma missa. Durante alguns segundos nenhum dele disse nada, os dois apenas ouviram o barulho do ventilador de teto e o ar pesado da cidade. Perto da janela uma mosca barulhenta tentava se soltar da morte que poderia grudá-la em uma fita adesiva. Lá fora, no transito, os motoristas buzinavam como uma espécie de frustração coletiva pelo congestionamento permanente de Beirute, Então, sem aviso, Azin deu um sorriso irônico.

-Sabe pelo que espero ¿ Ver a cara de Yuri perceber que não está indo para a terra da liberdade. Quero ver a cara dele.

Não foi a primeira vez que Jin ficou pensando a respeito de seu protegido. Era perturbador o prazer que Azin tinha ao ver o infortúnio dos outros. E agora, em sua primeira missão de campo pelo GRU, como ele conseguia ficar tão calmo era outra coisa que Jin gostaria de saber.Ele se levantou, foi até o banheiro e deu um gole de vodca do frasco que trazia em sua nécessaire(bolsa pequena em Frances). Um gole pequeno, apenas para aguentar as próximas horas(para quem não sabe vodca esquenta o corpo, na Rússia e frio pra caramba). Então voltou ao quarto, pegou a 45. Colocou-a no coldre. Azin fez uma careta.

-Você a limpou ¿

-Sim, está OK.

Azin levantou o cano de sua arma e o examinou pela enésima vez.

-Mesmo com toda essa poeira aqui. Além disso, estas 45 não têm boa reputação.

Falou o “sabe-tudo”, pensou Jin. Era com a munição que eles deviam se preocupar. Balas ilegais com carga fraca. Por que tinham que usar aquela porcaria americana ¿ Pela obsessão de Lass com o disfarce. O negocio era não se preocupar com a munição se as informações estivessem corretas.

Ele olhou de relance para o pente fora da arma e para as balas. Azin tinha feito uma cruz na ponta de cada uma delas. Usava munição do tipo JHP (a ponta da bala cortada não tendo a curva) para causar o máximo de dano. A esperança de Jin era que nenhum tiro fosse disparado naquela noite.

-Vamos nessa.

Eles pegaram um táxi, um Opel pintado com várias cores diferentes. O interior cheirava a suor e ao almoço do motorista. Azin se sentou de braços cruzados, emburrado como um adolescente forçado a levar o lixo para fora.

-Se fôssemos da Cia teríamos nosso próprio carro, e com motorista- Falou ele em seu inglês americano perfeito.- E nossa própria rede de rádio.

-Talvez você tenha escolhido o lado errado.

Ele não respondeu,como se estivesse pensando o mesmo.

-Veja pelo lado bom.- Jin deu um leve soco no próprio peito.- Pelo menos vamos poder ficar com estas camisas polo com logotipo.e com as calças –acrescentou ele ,dando um tapa na coxa de Azin.

-É, cortesia de uma loja árabe, e comandada por um menino de pernas cruzadas sentado em frente a maquina de costurar e que deveria estar na escola. Elas parecem tão americanas quanto uma feijoada.

-Yuri não vai notar. Ele e físico.

-Ele já foi para a América antes.Você não.

Jin olhou para ele com reprovação. Aquela postura do Azin quase o fez ser expulso do rápido treinamento na Spetsnaz. Desde o primeiro dia ele ficou marcado como problemático .Sempre estranho, sempre desafiando os professores e sempre achando que sua ideia era melhor. Os tutores reclamaram com Jin, com Lass e de novo com Jin, que só podia culpar a si mesmo. Azin fora um achado seu, resgatado por Jin das encostas devastadas de Kandahar(no Afeganistão) nos últimos dias da fútil ocupação russa. Ele tinha feito parte da grande diáspora (nome judaico dado a saída dos judeus na terra santa pelos romanos em 70 depois de Cristo devido a destruição de Jerusalém)de jovens que se reuniu no Afeganistão para ajudar a derrotar o Império do Mal (nome sarcástico dado as forças do EUA). Jin, que operava disfarçado, viu o potencial do garoto e o recrutou. Sua calma, disciplina, a incrível facilidade com línguas e o caráter implacável eram qualidades preciosas. Jin insistiu que a GRU necessitava dele, que a Rússia precisava dele .Tudo bem, disseram. Quando os dois anos de treino terminarem ele ficara sob sua responsabilidade. Esta era a primeira missão de Azin, e Jin estava inseguro quanto a isso.

Eles saíram do taxi e poucas quadras do hotel, caminharam pela frente e encontraram o estacionamento bombardeado.Aquela mera distancia percorrida na poluição grudenta o tinha deixado coberto de suor. Não havia sinal do Peugeot, mas ele viu um pequeno bar do outro lado.Como se puxado por uma força magnética, Jin foi direto para ele, bateu uma nota de 5 dólares no balcão e pediu um duplo

-O que vai querer ¿

Azin espreitava da entrada.

-Só água.

-Você não tem vicio nenhum ¿

Azin olhou para ele com aquela expressão vazia que parecia dizer, “O que acha ¿”,e Jin se sentiu desconfortável novamente.

Em uma prateleira acima do bar havia uma pequena TV em preto e branco. Via-se uma imagem de Gorbatchev livre da prisão domiciliar, mas neutralizado e humilhado.

A grande esperança agora era desesperança enquanto a União Soviética ruía em torno dele, a revolução que ele tinha começado agora está ficando sem controle. Onde terminaria aquilo¿ Tudo que Jin conseguia ver era o caos. Nem um pouco parecido com o grande sonho socialista que tinha prometido a Azin quando o alistou.

-Talvez Yuri nos ajude a voltar ao topo.-Jin apalpou a protuberância sob o casaco. –Pensa só: capacidade nuclear portátil.

Azin não entendeu a ironia de Jin(a maioria dos leitores também não).Pela primeira vez no dia, os olhos do garoto brilharam. A ideia agradava sua imaginação, bem como a de Lass e do resto dos chefes de Moscou. Jin bateu com outra nota de 5 dólares e pediu mais uma dose.

Ele avisou Lass que haveria problemas e, agora, enquanto o Peugeot surgia, ele percebeu qual seria. Vindo devagar pela rua, o carro quase parou quando uma das rodas acertou um dos muito buracos dali. O veiculo estava cheio de gente.

-Porra. Ele esta com a família toda lá dentro.

Havia um arranhado recente em toda a lateral, que expunha o metal da lataria,e parte do para-choque frontal estava envergada para frente como se estivesse enroscado em outro veiculo.O carro andava de forma descontrolada até parar,depois de subir na calçada.

-Espere- sussurrou Jin para Azin,que começava atravessar a rua. –Precisamos checar se ele está sendo seguido.

A segunda vodca não parecia mais uma ideia boa agora.

Do outro lado da rua eles podiam ver Yuri no volante, com a mulher no banco de carona.A cabeça de ambos balançava de um lado para o outro, em pânico, enquanto olhavam ao redor.

O plano A tinha dançado, pensou Jin.Qual seria a merda do plano B ¿

Nada mais apareceu pela rua atrás deles. Jin e Azin andaram até o carro. Assim que os viu Yuri pulou para fora. Era um homem magro com o colarinho da camisa grande demais para o pescoço muito fino.

-Olá, olá ! Estou aqui!

O cara não tem noção, pensou Azin. Jin fez um sinal para que ele se acalmasse e entrasse de novo no Peugeot. Quando se aproximaram, puderam ver que o bando de trás estava cheio de crianças.

Jin sentiu tudo o que tinha no estômago se revirar.

-Teremos que matá-los –falou Azin.-Primeiro sedamos Yuri.Depois tiramos a família do carro.Ele nunca vai saber o que aconteceu.

Outra porra de fiasco. Que culpasse Lass o quanto quisesse, no final das contas Jin sabia que era o próprio culpado por ter aceitado a missão. Simplesmente não era da sua natureza dizer não, ainda mais nesses dias, com todas as velhas garantias de emprego sendo viradas de cabeça para baixo.

Yuri estava dentro do carro com a janela aberta e os olhos cheios de expectativa. Uma das crianças chorava.

-Sr. Yuri, me chamo Fin.- disse Jin.

-Fin...-repetiu Yuri, e franziu a testa como se tivesse testando o nome- A mensagem dizia Guin.

Merda, pensou Jin. O que tinha combinado ¿ Fin, Guin, Jin, não havia muita diferença. Sentiu-se um pouco confuso.Talvez a vodca não tivesse sido uma boa ideia. Ou talvez ele devesse ter tomado a terceira.

A mulher se inclinou por cima do marido,franziu a testa para Jin por trás do véu e falou com Yuri em persa:

- من بوی مشروب در نفس خود (Sinto cheiro de bebida no hálito dele).

De repente Azin estava ao lado de Jin, empurrando-o para a janela do carro, com um sorriso largo como ele nunca tinha visto em seu rosto.

-Oi gente, como vocês estão hoje ¿ Meu nome e Guin e vamos levar vocês até seu destino. Senhora, pode sair do carro, por favor, e seus filhos também.

Se havia mais daquele papo de vendedor de Azin, Jin não iria nem ouvir, nem os Yuri, pois o que aconteceu em seguida transformou a fraca historia contada em redundante. Dois Chevy Suburbans novos mas empoeirados, surgiram e pararam no meio da rua.Oito portas se abriram e oito homens branquelos usando camiseta, bermuda e óculos escuros saíram todos armados. Quatro deram cobertura e quatro se aproximaram.Dois dos que davam cobertura miravam em Jin.A mulher gritou tão alto que os ouvidos de Jin começaram a zumbir.

Azin não estava mais ao seu lado. Ao primeiro sinal de perigo ele se tornou invisível entre os carros estacionados.

-Hands up cowboy(mãos ao alto vaqueiro)- grita um dos homens de óculos, repetindo a ordem em árabe para garantir.

Jin pegou sua 45, mirou, puxou o gatilho, errou, mirou de novo, e... ela travou. Uma fração de segundo depois a arma não estava mais em sua mão, que agora sangrava. O gringo a tinha arrancado com um tiro certeiro. Jin deitou no chão enquanto os americanos davam a volta pelo carro, abriam as portas, tiravam a família de Yuri de lá e levavam para o centro da democracia(os EUA). Ele amaldiçoou Lass por suas missões estupidas, mal planejadas, e sem recursos, praguejou a 45, assim como uma ou duas vodcas a mais e praticamente todo o resto de sua vida de merda até ali.

Ele percebeu rápido o movimento entre um DMG e um Mercedes estacionados: era Azin, atrás dos carros, escolhendo uma posição. Por debaixo do Peugeot, enxergou um dos americanos vindo em sua direção, contornando o carro, como garantia. Com a mão que estava boa, Jin lutou para tirar a Beretta (revolver) do bolso direito da calça e atirou em um dos pés do americano, bem na hora que ele o levantou.

Ouviu portas sendo batidas: eram os americanos fugindo.

-Ready to go, home safe. Go now !!!( família segura prontos para partir. Vão agora)

E melhor ele morto do que nas mãos dos americanos, pensou.Jin não tinha contado aquilo para Azin.Nem precisava.Azin.Nem precisava.Azin saberia. As balas, aquela família... O americano cujo pé Jin quase acertara apareceu, com seu queixo largo, bigode Adolf Hitler e óculos espelhados.

-Fagot commune (bicha comuna)-O americano levantou a M9(pistola automática) e mirou. Houve uma explosão no ar entre eles.

O americano caiu de joelhos com a testa aberta por uma bala que entrou por trás de sua cabeça e abriu até a frente.A boca formou um O perfeito, como se fosse começar a cantar. Ficou ali, parado por um segundo, e então tombou por cima de Jin, empurrando-o para o chão, com partes de sua cabeça esmigalhada caindo pelo rosto.

Houve mais tiros vindo da posição de Azin. mas gritos e gemidos...

-...fuckouttahere (emboradaquicaralho)!!!-

Portas foram batidas, depois veio um cantar de pneus furiosos e então o silencio.

Azin levantou o cadáver de cima de Jin e limpou seu rosto com a camisa polo falsa.

Jin respirou fundo.

-Acertou Yuri ???

Azin negou com a cabeça.

-Por que ???

Ele encostou a ponto da pé no americano morto.

-Ou atirava em Yuri ou nele.

Jin deixou alguns segundos se passarem enquanto absorvia o significado do que Azin tinha dito.

-Você salvou minha vida.

Azin não respondeu nada, apenas lançou um olhar de desprezo. Então acabou assentindo.

-Sim. Fodi com tudo.

Notas finais
Deu uma dor nos dedos do caramba quando terminei de digitar... mas finalmente dá orgulho de ver cara...orgulho
Comentem pessoas...por favor vcs não teem a ideia do quanto é dificil fazer isso aqui
Se tem alguma observação ou critica...pode fazer eu estarei sempre atendendo vcs...
Um abraço se cuidem com muito amor e carinho...Até mais