Notas iniciais
Muita demora mas a compensação e que o caps e grande...
Estudei muito para montar só esse capitulo
Tive que ler e reler varias vezes a historia da União Sovietica, a Russia apos URSS e relações exteriores
O jornal ajudou muito também...
Mas voltando...está ai

Moscou, 2014

Jin abriu os olhos e demorou um segundo para se lembrar de onde estava e por quê. A ligação poderia ocorrer a qualquer hora, pelo menos foi o que disseram. Tinha acabado de passar 3 horas da manhã. A voz de Ryan soou mais grossa por causa do cansaço. Ele disse quando e onde. Depois começou a explicar o caminho, mas Jin o mandou ficar quieto.

-Sei onde é.

-Veja se não faz merda, viu ¿.

-Não faço merda. Por isso você me contratou. –Desligou

Quatro e meia da manhã, hora estúpida para se trocar uma garota por uma maleta de dinheiro, mas não era ele quem tomava as decisões. Lembre-se, você e apenas o mensageiro,dissera-lhe Ryan, tentando diminuir o desconforto.

Jin ligou para Ronan e disse vinte minutos. Então tomou um banho frio e se forçou a ficar embaixo da ducha até que os últimos vestígios de sono desaparecessem. Enxugou-se, vestiu-se e tomou Red Bull. O café da manhã podia esperar. Depois checou a maleta uma última vez. O dinheiro estava bem organizado: cinco milhões de dólares americanos bem embrulhados. O preço de filhas de magnatas estava subindo. Ryan queria usar dinheiro falso, mas Jin insistiu que não haveria negocio se a coisa não fosse limpa. Aquilo era uma migalha na fortuna dele, mas isso não impediu o homem em tentar negociar o valor. Aprendera que os ricos podiam ser muito mesquinhos, especialmente os mais velhos, os antigos soviéticos. Mas os chechenos tinham fixado o preço. E quando uma unha chegou pelo correio, Ryan cedeu.

Jin vestiu seu casaco acolchoado. Nada de colete, pois não via utilidade. Pensava e, se fossem mata-lo, atirariam na cabeça. Nenhuma arma de fogo também, nem faca. A confiança era tudo nessas trocas.

Ele entregou os cartões que abriam as portas na recepção. A morena bonita no balcão não sorriu e olhou de relance para a mala.

-Vai muito longe ¿¿¿

-Espero que não.

-Volte logo- Falou ela, sem muita convicção.

Ainda estava escuro e a rua permanecia vazia, a não ser por trechos de neve amontoada há um tempo. Ele gostava de Moscou quando a neve nova caia: ela arredondava as partes pontudas, cobria lixo e a sujeira e, às vezes, até os bêbados. Mas era abril, e o que restava da neve ficavam grudados no pavimento em grandes fortificações sinuosas, iguais as que eles faziam quando tinham que cavar na escola militar. Os prédios cinzentos e altos desapareciam na nevoa. Talvez o inverno ainda não tivesse acabado.

Um BMW detonado apareceu com luzes fracas dos faróis sendo refletida pelo gelo. Os pneus deslizaram um pouco quando parou em frente a ele. Parecia ter sido reconstruído com partes de doadores não muito dispostos, tipo um carro Frankenstein.

Ronan sorriu para ele.

-Achei que te lembraria da sua juventude perdida- disse.

-Qual parte ¿¿

Jin não precisava que lembrassem: qualquer momento ócio e os velhos tempos voltavam com tudo, era por isso que ele não fazia o Maximo para nunca ficar ocioso. Ronan saiu, abriu o porta-malas e colocou a mala dentro, enquanto Jin assumia o lugar dele ao volante. O interior do carro cheirava chucrute (linguiça alemã) e cigarro Troika. Você jamais veria Ronan com um Marlboro. Ele preferia os elementos cancerígenos extras contidos no tabaco russo. Jin deu uma olhada para o banco de trás todo rasgado: havia um colchonete e algumas caixas de fast-food e uma AK-47(fuzil automático russo), itens básicos da vida.

Ronan entrou no carro e viu a expressão no rosto de companheiro

-Está morando neste carro velho ¿

Ronan deu de ombros.

-Arme me botou para fora- Respondeu

-Puta merda!

Jin dizia que era o sangue nômade de Ronan que atrapalhava sua vida, mas o dois sabia que era outra coisa: o legado de ter vivido demais,visto coisas demais e matado demais. Foram treinados pela Spetsnaz para estarem prontos para tudo, menos para a normalidade.

Ele apontou com a cabeça para o banco de trás

- Lire tem um certo padrão, sábia ¿Uma olhada aqui dentro e é capaz dela decidir ficar com os sequestradores mesmo.

Colocou o cambio no automático na posição “dirigir” e eles partiram, com a traseira do carro derrapando um pouco na neve derretida.

Lire Timoverosky tinha sido levada em plena luz do dia de seu Maserati verde-limão metálico, um carro que poderia muito bem ter a frase “Meu pai e rico! Venha me pegar!” escrita em relevo no capô. O guarda-costas levou uma bala na cara antes mesmo de saber o que estava acontecendo. Uma testemunha disse que tinha sido um adolescente com uma AK. Outra, que foram dois homens de preto. Ótimas testemunhas. Jin não tinha simpatia por Lire ou pelo pai dela. Mas Ryan não queria simpatia muito menos apenas a filha de volta. Queria resgata-la e obter vingança.

-Uma mensagem para o submundo: ninguém fode comigo – teria dito ele — E quem melhor para entregar a mensagem do que Jim Dimarovsky¿

Ryan também tinha pertencido a Spetsnaz. Fora um dos agentes da geração que cumpriu seu tempo e então saiu para aproveitar os anos de liberdade total de Yeltsin (líder soviético russo que promoveu a democracia na ex-União Soviética), onde cada um pegava sua parte. Jin os desprezava, mas não tanto quanto os que vieram depois deles, os microgerentes grisalhos e sem vida. Bulganov, seu ultimo chefe, dissera-lhe:

-Você jogou errado, Jin. Devia ter demonstrado certa moderação.

Mas Jin não era nem um pouco moderado. Em seu primeiro trabalho, como espião em Paris em 1981, descobriu que seu próprio chefe local se preparava para desertar para Inglaterra. Jin mostrou iniciativa e o homem foi encontrado boiando no rio Sena. A policia alegara suicídio. Mas nem sempre a iniciativa e apreciada. Muita gente em posições elevadas achou que ele tinha feito o serviço bem demais e cedo demais, e o que acabou fazendo com que fosse mandado para o Irã para treinar a Guarda Revolucionaria. Em Tabriz, perto da fronteira dos azeris, dois recrutas sob seu comando estupraram a filha de um trabalhador imigrante do Cazaquistão. Eles tinham apenas 17 anos, mas a vitima era quatro anos mais nova. Jin fez a tropa toda sair de seus alojamentos para assistir ao procedimento e mandou que ficasse próximo o suficiente para ver a expressão no rosto dos jovens. Dois tiros na cara de cada um. A tropa foi campeã de disciplina depois daquilo. Então, no Afeganistão, nos meses em que a ocupação estava indo pro saco, ele testemunhou um soldado russo comum abrir fogo contra um carro cheio de enfermeiras francesas. Sem qualquer motivo: estava fora de si, entorpecido por drogas locais. Jin acertou uma bala no pescoço do soldado enquanto ele ainda atirava, fazendo os projeteis serem lançados para o alto enquanto o homem tombava.

Talvez se tivesse sido mais contido, ainda estaria pelo menos na Spetsnaz, provavelmente em uma posição civilizada onde poderia usar as línguas que falava uma recompensa pelos anos de lealdade, dedicação e implacabilidade, sem falar na chance de tentar recuperar um pouco de sua humanidade. Mas a deserção de Azin em 1994 abalou a reputação de Jin. Alguém tinha que levar a culpa. Poderia ter previsto aquilo ¿ Não na época. Em retrospectiva, talvez. O único consolo é que tinha parado de beber, e esta foi sua missão mais difícil.

As ruas há esta hora estavam praticamente desertas, do mesmo jeito que costumavam ficar o dia todo quando ele era pequeno. Sob a multidão de SUVs importados, as vastas avenidas de Moscou perderam sua grandiosidade. Havia uma fila de carros para pegar a ponte Krymsky, onde um Lada velho tinha acertado um Buick. As portas estavam abertas, dois homens discutiam e um deles segurava um pé de cabra. Nenhum policial a vista. Dois bêbados cambaleavam pela rua com as cabeças encostadas como se fossem siameses e nuvens de vapor saiam deles para o ar gelado. Quando chegaram ao BMW, fizeram uma pausa e ficaram olhando para o carro. Eram homens mais velhos, por volta dos 50 anos, mas com rostos tão desgastados pela bebida e uma dieta péssima que pareciam muito mais velhos. Um falou algo inaudível através do vidro do carro, mas Jin leu seus lábios.

-Imigrantes.

Ronan deu um tapinha no ombro do companheiro. O sinal tinha aberto.

-Aonde vamos, afinal ¿¿.

Ele contou e Ronan bufou.

-Ótimo. Os residentes vendem o vidro da janela para que as autoridades coloquem placas de compensado no lugar.

-È o capitalismo. Todos são empresários agora.

Ronan continuou

- O fato e que tem mais bilionários em Moscou do que qualquer parte do mundo. E há vinte anos não tínhamos nem um milionário.

-È, mas provavelmente não tem nenhum nesta região.

Eles passaram por varias fileiras de quarteirões de prédios idênticos, monumentos ao paraíso dos trabalhadores que agora estavam cheios de drogados e moribundos.

-Lapides em um cemitério gigante. -Disse Ronan

-Vai com calma na poesia, esta cedo demais para meu gosto.

Eles pararam entre um Volga virado com o teto no chão como se fosse um besouro de costas, e um Merc. com o compartimento de passageiros queimado. O BMW combinou perfeitamente.

Eles saíram. Ronan abriu o porta-malas e colocou a mão lá dentro. Jin o empurrou pra o lado.

-Cuidado com as suas costas.

-E um baita de um dinheiro

Jin entregou seu telefone a Ronan, que deu uma pancadinha sob o próprio ombro, indicando onde estava o coldre com a Desert Eagle (pistola. 50).

-Tem certeza que quer entrar lá sem nada ¿

-Eles provavelmente vão me revistar. E ir assim os impressionará

-Ah, quer parecer um cara durão. Por que não me falou ¿

Eles trocaram um olhar, o mesmo de sempre, que significava que poderia ser o ultimo.

-Vinte minutos- falou Jin – Se demorar mais do que isso, você vai me buscar.

O elevador não funcionava e suas portas estavam entreabertas com um carrinho de supermercado amassado entre elas. Jin baixou a alça da mala e a levantou. As escadas cheiravam a mijo. Apesar da hora, o prédio estava bem vivo com batidas de rap e o som de brigas domesticas. Se as coisas terminassem em troca de tiros ninguém ouviria ou ligaria. Um menino de não mais que 10 anos passou por ele, com o nariz achatado e bochechas comprimidas, que Jin reconheceu como sendo da síndrome alcoólica fetal. O cabo de uma pistola saia do bolso de seu casaco de moletom e havia uma tatuagem de dragão na mão branca sem luvas. O garoto parou, olhou para a mala e depois para Jin, os examinado. Este e o fruto da juventude pós-soviética pensou Jin. E imaginou se tinha feito o certo em não trazer uma arma. O garoto, com expressão vazia, foi embora.

A porta de metal do apartamento fez um som abafado quando ele bateu. Nada. Bateu de novo. Enfim ela se abriu meio metro, revelando os canos de duas pistolas, o equivalente local a um capacho de boas-vindas. Ele ficou parado, um tanto afastado, para que pudessem ver a mala. Os dois rostos atrás da porta estavam escondidos por mascaras de esqui. O homem deu um passo para trás para deixa-lo entrar. O apartamento estava escuro. Velas em uma mesa deixavam o local com um brilho fantasmagórico. O ar quente seco tinha cheiro de fritura e suor.

Um dos homens encostou a arma na testa de Jin enquanto o segundo, mais baixo do que o outro, o revistava, chegando apertar seus genitais. Jin precisou se esforçar para não chuta-lo. Lançou um comando ao pé, ordenando que ficasse no chão enquanto coletava as informações possíveis do local. O baixinho provavelmente tinha 30 anos, era canhoto e sua perna esquerda era meio dura, dobrando-se de forma estranha, provavelmente por causa de um ferimento do lado esquerdo do abdômen ou em uma costela. Informação útil. O outro, alto e magro, quase 2 metros de altura, parecia jovem e em forma, mas, sendo um terrorista, devia ter sempre se alimentado com uma dieta pobre e negligenciando os exercícios. Ver seus rostos teria ajudado, mas seu trabalho o tinha ensinado a avaliar uma pessoa por movimento e linguagem corporal. Uma mascara e sinal de fraqueza, e isso era outra informação útil. Um pequeno tremor da arma apontada para ele foi outra pista: inexperiência.

-Chega.

A voz que soou de algum lugar na penumbra, seguida por um riso baixo e canceroso, foi reconhecida instantaneamente. O cômodo ficou mais claro. Estava vazia e a não ser por uma mesa baixa com velas, uma caixa de pizzas, três latas de cerveja, um par de velhas APS Stechkin automáticas e dois pentes de bala extra. Atrás, havia um sofá vermelho plastificado que parecia vir de um bordel barato.

-Você envelheceu Jin.

O sofá rangeu quando Von Crimson ficou de pé com ajuda de uma bengala. Mal dava para reconhecê-lo. Seus cabelos estavam grisalhos e ralos, e o lado esquerdo tinha sofrido queimaduras severas, a orelha quase desaparecida sob a pele brilhante e retorcida que ia até o canto da boca. Ele soltou a bengala e abriu os braços, com os dedos espalmados. Jin foi em frente e se deixou ser abraçar. Von Crimson o beijou nas bochechas e se afastou.

-Deixe me olhar para você- Ele sorriu com metade dos dentes de cima faltando.

-Tente pelo menos agir como terrorista. Você parece minha tia-avó.

-Esta com algumas rugas no rosto.

-Pelo menos tenho dentes e orelhas.

Von Crimson deu outra risada e balançou a cabeça, com os grandes olhos negros quase desaparecendo das orbitas. Jin tinha visto homens em todos os estágios entre vida e morte. Von Crimson estava mais perto da segunda. Soltou um grande suspiro e por um momento eram camaradas novamente, soviéticos unidos, irmãos em armas em favor da Mãe Rússia.

-A historia não foi muito boa com a gente, Jin. Um brinde pelos velhos tempos ¿- Ele fez um aceno teatral para a garrafa pela metade sobre a mesa.

-Parei de beber

-Traidor.

Jin olhou para a direita e viu dois cadáveres, de mulheres, meio cobertos com um tapete. A que ainda tinha rosto usava maquiagem exagerada de boneca.

-Quem é ¿

-As locatárias anteriores. Estavam com aluguel atrasado.

Tinham voltado ao presente. Von Crimson para revelar algo no sofá.

-Deixe-me apresentar a nossa convidada.

Mal dava para reconhecer a Lire das fotos glamorosas que Jin tinha visto. O capuz do moletom manchado quase obscurecia seu rosto, que agora era um grande borrão, com os olhos inchados de tanto chorar e do cansaço. O trapo usado como bandagem no dedo indicador esquerdo era cinza, com uma mancha marrom-avermelhada em cima. Os olhos vazios se encontraram com os de Jin, e ele sentiu uma estranha sensação de pena.

-Ela consegue ficar de pé ¿Não vou carrega-la por todos aqueles lances de escada.

Von Crimson olhou pra ela.

-Ela anda e fala, e talvez agora saiba um pouco mais sobre como e a vida do outro lado.

Os olhos de Lire se focaram em Jin, então seu olhar se moveu devagar para a porta esquerda, e então voltaram. Ele procurou gravar na memória para agradecê-la por isso depois, se houvesse um depois. Acenou em direção à maleta. Queria que começasse logo a contar.

-Você ficou ganancioso com a idade, Von Crimson. Ou isto será aposentadoria.¿.

Von Crimson olhou para a mala e assentiu pensativo.

-Pessoas como eu e você, Jin, nunca se aposentam. Por que outra razão você estaria em uma hora tão infernal neste buraco de merda esquecido por Deus ¿

Eles trocaram olhares por um segundo, os anos que os separavam desaparecendo. Von Crimson esticou os braços e agarrou-lhe os ombros.

-Jin, Jin! Precisa se adaptar aos tempos. O mundo está mudando. Esqueça o passado e esqueça até mesmo o presente. O que está vindo mudará tudo. Acredite em mim.

Ele tossiu como um cachorro, mostrando as gengivas onde um dia havia dentes.

-Estamos no que os americanos chamam de Fim dos Tempos, mas não do jeito que eles pensam. Deus não estará lá, isso e certo. Três letras para você: U-N-S. E hora de polir o seu persa, meu amigo.

Eles serviram juntos no Irã durante a guerra contra o Iraque, camaradas e rivais. Jin teve que negociar com os iraquianos para soltarem Von Crimson, mas não a tempo de impedir que lhe marcassem as costas e arrancassem todas suas unhas. Eles até mantiveram contato depois da separação do Império Soviético, mas Von Crimson se voltou para o submundo depois que a região de Grozni foi tomada pela Rússia. Agora estavam frente a frente no apartamento de uma prostituta morta. Mercenário e terrorista, duas profissões da moda.

Jin se virou repentinamente. Os dois homens de mascaras de esqui deram um pulo. Ele se abaixou, abriu o zíper da Mara e, com um floreio de vendedor do mercado negro apresentando a mercadoria, abriu a tampa, revelando os dólares arrumados em fileiras perfeitas. Ryan queria tudo de volta, mas isso provavelmente seria tarefa de Ronan. Os dois mascarados olharam fixamente, embasbacados. Ótimo, outro sinal de inocência. Von Crimson nem se preocupou em dar uma olhadela.

-Não vai contar ¿

Ele pareceu ficar bravo.

-Acha que não confio no meu velho camarada ¿

-O dinheiro e do Timoverosky, não meu. Se eu fosse você checaria cada nota, frente e verso.

Von Crimson riu da piada e fez um aceno de cabeça para seus rapazes que se ajoelharam e começaram a pegar ansiosamente os maços bem amarrados de dinheiro. A atmosfera do apartamento ficou mais leve. Jin percebeu que uma mancha escura tinha se espalhado por debaixo do tapete que cobria as prostitutas mortas.

O checheno baixinho colocou sua pistola no coldre, mas o alto manteve a sua no chão, ao lado do joelho. A menos de 2 metros. Jin gostaria muito de saber quem ou o que estava no quarto ao lado, mas era agora ou nunca.

-Preciso mijar. Onde e o banheiro ¿

Jin saltou para frente fingindo tropeçar na mesa que virou para um dos lados. Tombou com tudo em cima da cara do mais jovem, que se fechou inteiro como se fosse um livro. Ao cair, Jin pegou a pistola do chão com as mãos, achou o gatilho com uma delas, armou com a outra e, sem levanta-la atirou primeiro no cara alto, bem na coxa. O homem saltou para trás, oferecendo a Jin um alvo melhor. Seu nariz explodiu com jorradas de sangue. Ainda com a arma abaixada, atirou na virilha do homem a frente e sentiu o impacto enquanto ele batia no chão. Sem parar, Jin rolou por cima da mala de dinheiro aberta e até o canto diagonalmente oposto a porta aberta. Olhando para trás viu que o sofá estava vazio. Von Crimson se abaixara por detrás da mesa tombada tentando alcançar com a bengala uma das armas caídas. Jin perdeu um segundo inteiro com a sensação de parentesco o impedindo de atirar. Mas se recuperou o suficiente para enfiar uma bala no ombro de Von Crimson.

Lire não estava à vista. Havia ido para o outro quarto. Será que tinha se protegido lá ou fora levada por alguém ¿ Não precisou esperar muito para saber. Ela apareceu na porta na porta com a cabeça puxada para trás e o rosto contorcido em uma convulsão de medo. Bem atrás dela havia outro rosto escondido e ainda mais jovem. Não havia duvida de quem era: tinha os mesmos olhos do pai, mas em um delicado rosto de boneca de porcelana. Jin fez um calculo rápido: Rey, a filha de Von Crimson, a única filha que teve com sua mulher deveriam ter... 16 anos. Rey tivera a chance de ir para a America com a mão e poderia estar prestes a ingressar em Harvard. Mas em vez disso estava aqui, enfiada na resistência do pai. Ele deu uma olhava para Von Crimson, que estava de olhos abertos, vendo a filha refém do dinheiro que nunca gastaria.

Jin fixou o olhar nos olhos de Rey. Ela mantinha o corpo atrás do de Lire, agarrando-lhes os cabelos com uma das mãos enquanto a outra segurava uma faca de cozinha na garganta da refém. Meio segundo se passou. Jin já tinha estado nessa situação antes. Tivera alvos mais jovens do que Rey. Uma tampinha de oito anos segurando uma AK como se fizesse parte do corpo, e uma garota, uma atiradora sniper bem treinada enviada para matar o próprio pai, que era informante. No telhado onde a encurralou, com o predio abaixo em chamas, ele fez uma ultima tentativa de convencê-la a mudar de lado. Mas ela deixou claro que a ideia a enjoava e insistiu em cair lutando.

Mas meio segundo. Não havia escolha, reconsideração nem oportunidade de negociação. O pai dela tinha sido como um irmão no passado e Jin tinham até segurado Rey no colo quando pequena. O Maximo que ela podia esperar era que a mira dele não fosse à mesma de antes e que o tiro acertasse Lire, e então todos eles seriam fugitivos.

Jin levantou o braço. Aquilo parecia requerer um esforço enorme como se uma força subterrânea estivesse se manifestando. Rey estava levemente para a esquerda de Lire, com o rosto meio escondido por sua prisioneira. Jin atirou, prevendo que Rey se esconderia atrás do escudo humano, e então atirou de novo para a direita de Lire, acertando Rey quando tentou surgir do outro lado. Lire caiu para frente enquanto a garota a soltava e mergulhava na escuridão. Ele atirou novamente no outro quarto e então, caminhando por entre coisas quebradas e cadáveres, pegou Lire em seus braços.

No repentino silencio ele pode ouvir a respiração rápida de um dos chechenos. Jin se virou pronto para atirar nele, quanto ouviu algo se arrastando lá fora. Virou a cabeça bem na hora em que a porta da frente explodiu. Três canos de AK apareceram e, não muito atrás deles três figuras: rostos pintados de preto inutilmente, capacetes e coletes a prova de balas novinhas e ainda intocadas. Uma equipe de segurança interna da SWAT, famosa por sua tolice. Ao entrarem e verem a cena que os confortava, congelaram. Por um momento ninguém disse nada,

-Ele está ali – falou Jin, gesticulando para onde Von Crimson estava, mas não tirando os olhos dos homens. Podia ouvir Von Crimson se esforçando para levantar e sussurrando fracamente

-Jin, Jin, não deixe que me levem.

Um dos homens tomou a frente e abaixou a arma.

-Jin Dimarovsky, você deve vir conosco.

-Por ordem de quem ¿

-Do diretor Lass.

-Estou sendo preso ¿

-Não, você tem uma reunião.

-Não pode ser mais tarde. Estou um pouco ocupado.

Ronan apareceu na porta atrás deles.

-Desculpe, não deu tempo de te avisar. Recolho a mercadoria ¿

Quando a palavra “mercadoria” foi mencionada, um dos homens da SWAT fitou o dinheiro. Enquanto ele meneava a cabeça para um companheiro, contando Lire como parte do pacote, Jin girou a arma do próprio soldado e acertou no rosto. O tempo que o segundo levou para decidir se valia a pena largar o emprego bom e estável por uma mala cheia de dólares foi o suficiente para Jin acertar seu saco com a arma

Jin olhou para Von Crimson e fez um único aceno de cabeça. Depois, de volta para os homens para os homens, disse.

-Aguardem só um minuto.

Então, encarou mais uma vez o antigo camarada e enfiou uma bala na cabeça dele.

Notas finais
Não sabem o quanto essa historia está no comecinho ainda... mas tem grandes proporções
Eu agradeço a Luka-san que me ajudou a fazer esse caps
E também a Lass Isolet...
Não demorarei como da ultima vez para postar um novo caps...creio que o proximo será melhor
Vamo conhecer o americano
Sieghart Blackburn