Batalha Da Lua

21 Capítulo 20 - Parte II (relembrando o passado)


Notas iniciais
Capítulo dedicado, novamente, ao Jimmy-kun que não nos abandona, obrigada! Ah! Como não posso demorar muito para postar, vou postar sozinha, pois a Yui não poderá postar uns tempos, mas ela não vai nos abandonar, ela também resolveu deixar um recado. Abraços, Mikachan.

Oi pessoal! Sei que eu sou bem sumida e não posto muito, por ter só três personagens, estou meio ocupada e não poderei dar continuidade à historia da Hanako, da Sachiko e do Hiro por alguns dias, mas a Mika vai continuar postando e quando eu tiver tempo de novo eu volto a postar, ok? Beijos, Yui.

Ponto de Vista — Kaye

Estava andando sem rumo, esfregando as mãos para tentar me aquecer, estava desesperada.

–Quem eu sou? — eu sussurrei. — eu sou Kaye Okamoto.

Repetir meu passado, meu nome e minha idade me faziam me lembrar de quem eu era e ter alguma motivação.

–Quantos anos eu tenho? Vinte e dois. Onde eu morava? No Japão, em Tokyo. Eu fui uma revolucionária.

Eu repetia aquelas palavras enquanto vagava, como um fantasma, tentando achar abrigo, comida e alguma forma de sobreviver, com o passar dos dias eu estava ficando cada vez mais magra, eu nunca fui gorda, mas também nunca magra demais, sempre fui normal para a minha idade e minha altura, mas agora eu estava parecendo uma daquelas pessoas que você vê em propagandas de instituições de caridade. Você nunca pensa que é possível chegar a este ponto, até que você chega, e começa a ter de enfrentar o tipo de coisa que nunca pensou enfrentar antes. Eu era uma garota normal, comum. Não era rica, minha família era pobre, mas eu fazia faculdade e me esforçava para trabalhar e ajudá-los, apesar de não ser boa aluna, estava tentando. Quando o mundo perdeu o controle, as pessoas mais pobres não tinham o que comer e estavam enlouquecendo, alguns viraram canibais e você podia ver cachorros de estimação que eram beijados e mimados por seus donos virarem o prato principal do dia. Algumas garotas bonitas e jovens foram vendidas como escravas e a humanidade havia abandonado toda a ética que se conhecia. Eu fui esperta e não me deixei ser capturada ou comida, por sorte, mas as pessoas mais ricas não queriam ter que depender de sorte, elas estavam indo embora e se refugiando enquanto o apocalipse acontecia, e com isso eu e amigos que ainda não haviam enlouquecido formamos uma resistência, fazíamos passeatas nas ruas e protestos, greves e tudo mais, e eu como a líder acabei sendo morta. Apesar do caos e da pobreza que eu já enfrentava antes (e com essa situação duplicou) eu tinha o que comer, tinha uma casa quente e um cobertor para me aquecerem e uma cama para dormir, aqui eu não sei se terei o que comer, o que beber, aonde dormir, não sei se estou segura, pois alguém pode vir me matar a qualquer momento, não tenho os cuidados básicos e não posso nem tomar banho, eu fui sempre uma garota higiênica, e agora estou fedendo como lixo. Isso é loucura.

Ponto de Vista — Riki

Hoje eu acabei me perdendo um pouco em meus devaneios, e me lembrando do passado. Eu e minha irmã vivíamos num apartamento em Tokyo, ela fazia faculdade e eu não, eu trabalhava num "café de mordomo", uma profissão um pouco estranha, mas era o que eu fazia. Chiharu sempre foi fechada, ela era bem fria comigo mas eu sabia que ela só era assim porque algo lhe estava acontecendo. Apesar de sua frieza, Chiharu sempre cozinhava para mim com amor e me ajudava quando eu precisava. Nós não conversávamos muito, éramos bem reclusos na verdade, ela era bem estudiosa e passava quase o dia todo na faculdade, e depois estudando em seu quarto. Já eu, tinha o tempo tomado pelo trabalho no café, e aquele lugar era a minha forma de distração. Eu me lembro que, uma vez, Chiharu conversou comigo. O telefone não parava de tocar e a campainha também, olhei pelo olho mágico e havia um vestido bem curto de empregada com uma carta estranha. Chiharu pegou algumas cartas e queimou, e ficou tapando os ouvidos com os cobertores. Eu não sabia o que era aquilo tudo. Eu fui até ela e tentei levá-la para o quarto, mas ela estava em choque, ela ficou cansada e gritou:

–Saia daqui, seu idiota, antes que eu chame a polícia!

Eu pensei que ela estava falando de mim e me afastei, mas então ela se virou e disse:

–Espere! Fique aqui!

Aquela também foi a única noite em que vi minha irmã derramar uma lágrima. Eu pensei que aquilo era só uma brincadeira idiota, e que algum namorado dela estava tentando se desculpar, mas eu só fui começar a entender o que se passava quando li os e-mails, cartas e mensagens na caixa eletrônica que chegavam para a nossa casa, e quando um dia enquanto eu voltava tranquilamente do café, eu vi na televisão que minha irmã havia sido esfaqueada e estava morta. Meus pais sempre foram muito bondosos comigo e com ela, mas quando Chiharu se tornou maior de idade, quis ir morar em Tokyo sozinha. Como eu achava que poderia ter uma boa oportunidade lá também, me juntei a ela.

Ponto de Vista — Katsuo

Estar com Chiharu aqui me faz me sentir bem. Ela foi minha amiga desde quando éramos crianças, e eu desenvolvi um afeto especial por ela. Chiharu foi sempre muito fechada e mesmo quando éramos crianças, ela ficava no canto brincando sozinha. Eu me lembro dela, ela tinha cabelos curtos e uma franja, e escondia seu olho vermelho com os cabelos, as outras crianças a chamavam de vampira pelo tal olho e por ser tão fechada, mas eu era gentil com ela e com o tempo, ela foi se abrindo comigo. Nos tornamos amigos e começamos a fazer tudo juntos, mesmo depois daquilo... Mesmo depois de tudo o que ela passou, ela mantinha a cabeça erguida e sempre permaneceu ao meu lado. Fico feliz de poder ser mais do que um amigo para ela. Eu era bem comum na minha vida, não fazia nada fora do comum, eu fui esfaqueado pelo assassino dela, Chiharu, porque eu me joguei na frente dela quando ele ia matá-la. Eu não me arrependo.

Ponto de Vista — Chiharu

Minha vida... Minha vida não foi a melhor... Ela poderia ser, afinal, eu tinha dois amigos inseparáveis que eu amava como a mim mesma, Reiko e Katsuo, tinha uma beleza enlouquecedora e era muito inteligente, mas alguém tirou isso de mim. Depois do que aconteceu, eu me tornei mais fria e fechada do que eu já era, mas também me tornei vingativa e, no fundo, eu tinha medo. Tinha medo de andar nas ruas durante a noite para voltar para casa e medo de acordar de dia, pois tinha de me lembrar de quem eu era e de tudo o que eu já passei. Eu não chorei, não xinguei, naqueles dias eu não fiz nada, aguentei sozinha. Reiko sabia o que eu passava, e Katsuo já presenciou o terror que eu enfrentei inúmeras vezes. Uma vez ele apanhou até ficar inconsciente por tentar me ajudar. Eu me lembro que, numa noite, ele me levou para casa e me abraçou, ele fez a minha comida preferida e nós comemos juntos, ele cantou para mim:

"Chiharu, minha lua e minha estrela,

Eu te amarei para sempre,

Eu sei qual é o seu sofrimento,

Eu vou te proteger,

Meu amor Chiharu, você está segura agora,

Ninguém vai te machucar,

Minha lua e minha estrela"

Naquela noite eu dormi em paz, tive sonhos bons e não fiquei com medo, apenas adormeci encostada em Katsuo, e depois disso sabíamos que nunca mais estaríamos sozinhos.

Notas finais
Jimmy-kun, cadê seu super review? Ficou falando que ia enviar e me deixou na maior expectativa :( mas eu te perdoo (-*u*-) este cap. foi mais focado no passado deles, que assim fica mais sentimental, se vocês quiserem saber a historia dos outros personagens, comentem. Eu vou pedir para a Yui acrescentar uns POV's assim nas partes da Hanako, da Sachiko e do Hiro quando ela puder. Beijos, Mikachan.