Bastidores

10 You came in this world alone.


Notas iniciais
Eu sei que postei ontem mas esse capítulo já tava pronto e... Tá, curtam aí.

Voltamos o palco. Lá estavam, exatas 76 pessoas – eu, louca, contei – espremidas em um pub minúsculo. Algumas eu reconheci, como Tonks, Luke e Alice. Faltava apenas uma das músicas que havíamos escolhido para acabar nosso showzinho.

Todos cantaram “Shut Up Slut” inteira, em coro, o que me vez vibrar de alegria. Parecíamos ter agradado. Então James fez uma coisa que eu não esperava: começou a tocar “My Medicine”. Nós a havíamos feito a pouco tempo e quase não tínhamos ensaiado. O olhei, confusa. Ele riu e parou. – Canta, vai lá. – Falou, mas em emitir som. Começaram novamente.

My Medicine (The Pretty Reckless)

Somebody mixed my medicine

Somebody mixed my medicine

Where you hurt, where you sleep

And you sleep where you lie

Now you're in deep and

now you're gonna cry

You got a woman to your left

And a boy to your right

Start to sweat so hold me tight

Somebody mixed my medicine

I don't know what I'm on

Somebody mixed my medicine

But baby it's all gone

Somebody mixed my medicine

Somebody is in my head again

Somebody mixed my medicine again, again

Cantei e pareceu que havia agradado. Eu balançava a cabeça conforme a música, com as mãos na cintura.

I'll drink what you leak

And I'll smoke what you sigh

See across the room with a look in your eye

He got a man to his left and a girl to his right

Start to sweat so hold me tight

Somebody mixed my medicine

I don't know what I'm on

Somebody mixed my medicine

But baby it's all gone

Somebody mixed my medicine

Somebody is in my head again

Somebody mixed my medicine again, again

There's a tiger in the room

and a baby in the closet

Pour another drink mom

I don't even want it

Then I turn around and think I see

Someone that looks like you

Baguncei um pouco os cabelos e apontei para um garoto perto do palco na última frase, sorrindo.

Where you hurt, where you sleep

And you sleep where you lie

Now you're in deep

And now you're gonna cry

You got a woman to your left

And a boy to your right

Start to sweat so hold me tight

Somebody mixed my medicine

I don't know what I'm on

Somebody mixed my medicine

But baby it's all gone

Somebody mixed my medicine

Somebody is in my head again

Somebody mixed my medicine

Again. Again. Again

Again. Again. Again

Again. Again. Again

Somebody mixed my medicine

Somebody mixed my medicine

Somebody mixed my medicine

Deslizei as mãos pelas laterais do meu corpo, e assovios vindos do fundo me fizeram sorrir. Terminei a música recebendo aplausos. Não posso traduzir em palavras o que eu estava sentindo.

Era... Mágico, e eu estava realizada.

Por enquanto.

Eu queria mais daquela sensação de felicidade como quando eu cheiro um fileira de cocaína. Agradecemos e descemos daquele palco.

– Não era pra vocês cantarem My Medicine! – Frank gritou assim que nós entramos no camarim improvisado e pequeno.

– Agradou? Agradou, então tá bom. – Remus falou se jogando no sofá velho, que rangeu. Frank bufou e se despediu.

Já estava tarde e ele a Alice foram embora, mas eu e os garotos resolvemos ficar por mais algum tempo. Alguém praticamente arrombou a porta quando eu sentei no sofá ao lado de Remus. Era Marlene, que praticamente se agarrou ao pescoço de Sirius. Me levantei para cumprimentá-la quando ela finalmente largou o coitado.

– Como tá o tempo aí em cima? – brinquei. Marlene era uns 8 centímetros mais alta que eu.

– Jardineira de bonsai! – me abraçou, rindo.

Marlene era irmã de Marilyn (meio óbvio e eu já devo ter falado isso, mas eu esqueci, portanto vou falar de novo), e como Marilyn era minha melhor amiga garota em Londres, eu me apeguei bastante a Marlene também. Parece que Sirius também, só que mais intimamente. Se é que você me entende.

– Eu e Lene vamos beber, vocês vêm? – Sirius perguntou, abraçando Marlene pela cintura.

– Eu vou também! – Remus se levantou e os três saíram do apertado camarim. James sentou ao seu lado.

– Oi baixinha. – ele falou, me abraçando e rindo.

– Vocês combinaram de me zoar hoje né? – ri e o abracei novamente.

– Você cortou o cabelo? – perguntou, pegando uma mecha do meu cabelo.

– Faz um tempão! Só agora que você percebeu? – perguntei, indignada, me separando do abraço.

– Já tinha reparado. – James riu e eu dei um tapa nele.

– Seu idiota. – falei, rindo também.

– Chata.

– Acéfalo.

– Baixinha. – riu.

Dei uns bons (muitos) tapas em James, que pareceu não sentir e riu feito um bobalhão.

– Te odeio seu chato. – Falei, rindo também.

– Eu também te odeio sua chata. – falou e me abraçou. Luke entrou no camarim fumando um cigarro.

E sua cara não foi das melhores. Ele estava com ciúmes.

Hilário, realmente hilário.

– Dá pra parar de rir? – Luke perguntou sério, enquanto eu e James riamos feito loucos.

– Awn! – me levantei para apertar as bochechas de Luke. – Você tá com ciúmes!

– O que você queria que eu fizesse vendo você abraçada num sofá com um cara sem camisa? – sussurrou.

Esqueci de citar? James estava sem camisa.

Podem babar.

Abracei Luke e expliquei a ele que James era quase meu irmão (mesmo que eu já tenha transado com ele mas ok, vamos relevar). Fomos até o bar. Cocei os olhos e sem querer borrei a maquiagem que Alice havia feito. Passei por um espelho e me encarei. Alguns cabelos da minha franja estavam grudados na testa devido ao suar de tanto jogar o cabelo no palco. Meus olhos estavam com a maquiagem preta borrada, mas meu batom vermelho continuava lá. Baguncei um pouco o cabelo e novamente me encarei.

Luke havia ido pegar as bebidas. Sorri. Até que eu estava bem, a cara de bêbada que eu tinha combinavam com (segundo Frank) a voz arrastada e grave que eu cantava. Quando cheguei ao bar fui recebida por uma Tonks totalmente bêbada – novidade – e Sirius e Marlene quase fazendo sexo num canto. Ri alto quando Tonks tentou se equilibrar nos sapatos de salto e caiu sentada.

– Me ajuda a levantar, sua puta! – ela falou, sóbria o suficiente pra me xingar. Estendi a mão pra ela ainda rindo. Tonks se levantou e me abraçou. – Você é uma vaca! Nem me disse que estava namorando o Luke!

– Cara, você tá muito doida! O que você usou?

– Anfet...- começou, mas se interrompeu — Eu acho que era anfetamina. – e gargalhou.

Ela vasculhou os bolsos e por fim, tirou um saquinho com o que parecia mesmo ser anfetamina. Roubei – furtei, na verdade – o saquinho da mão dela e fui pro balcão. Arrumei uma fileira com o pó e cheirei. Logo eu já estava tão chapada quanto Tonks. Voltei ao palco e peguei o microfone.

– Alguém tem uma libra aí? – falei, rindo. Uns três caras levantaram a mão. Eles vieram perto do palco e eu arranquei o dinheiro de suas mãos. Liguei o karaokê. Eu odiava karaokês, mas sob efeito de drogas e um pouco de vodca, eu faria coisas inimagináveis.

Highway to Hell — AC/DC

Living easy, livin' free

Season ticket, on a one, way ride

Asking nothing, leave me be

Taking everything in my stride

Don't need reason, don't need rhyme

Ain't nothing I would rather do

Going down, party time

My friends are gonna be there too

I'm on the highway to hell

On the highway to hell

Highway to hell

I'm on the highway to hell

Cantei como se minha vida dependesse daquilo. Bom, minha vida realmente dependia daquilo agora. Segurava firmemente o microfone no pedestal, e vez ou outra, levantava o braço livre. As pessoas cantavam comigo o refrão e eu senti aquela sensação de quando tocamos Shut Up Slut.

No stop signs, speedin' limit

Nobody's gonna slow me down

Like a wheel, gonna spin it

Nobody's gonna mess me 'round

Hey Satan! Paid my dues

Playin' in a rockin' band

Hey mama! Look at me. I'm on my way to the promise land – cantei com raiva a frase, como se gritasse para minha mãe e para aqueles que não acreditaram em mim.

A música parou.

Olhei para o filho da puta que havia desligado o som e as vaias começaram.

Era Sirius, acompanhado de Remus e James.

Eles arrumaram os instrumentos e começaram a tocar de onde a música havia parado.

Soltei uma gargalhada e continuei a cantar.

I'm on the highway to hell

Highway to hell

I'm on the highway to hell

Highway to hell

Don't stop me!

(3x)

I'm on the highway to hell

I'm on the highway

I'm on the (highway to hell)

(3x)

I'm on the highway to hell (highway to hell)

Yeah I'm going down anyway

I'm on the highway to hell

Eu jogava meu corpo para frente, perto das pessoas, e a parcela masculina tentava pegar a mão que eu estendia, mas recuava. Joguei o cabelo para frente na última nota da música.

Eu nem sei como lembrei da letra da musica. Então eu notei que havia um cidadão de cabelos roxos ao lado de outro cidadão com uma câmera filmadora na mão. Desci do palco aos tropeços. Era Frank que filmava tudo.

– Eu precisava filmar! – ele falou, quando cheguei perto.

– Desde quando você tava filmando?

– Desde o começo da música.

Soltei uma gargalhada.

– Você não tinha ido pra casa?

– Eu tava indo quando ouvi você começar a cantar aí eu peguei a câmera no carro e vim aqui.

Senti o mundo girar mais rápido e, do nada, caí sentada no chão. Gargalhei e deitei no chão sujo. Fiquei ali por tempo indeterminado. Quando levantei, encontrei Luke fumando um cigarro de maconha. Peguei-o da sua mão e dei um trago, e devolvi. Luke não falou nada, apenas tirou do bolso uns quatro comprimidos coloridos. Riu e me deu metade deles. O encarei, vendo-o engolir os comprimidos junto com um grande gole de vodca.

O imitei. Minha visão ficou turva e escureceu. Senti as mãos de Luke me segurarem quando meu corpo desligou. Eu sabia o que estava acontecendo em volta, mas meu corpo não respondia aos comandos do meu cérebro. Então finalmente eu apaguei por completo.

POV: Autora.

Lily desmaiou. Luke riu alto, já estava acostumado com aquilo, mas a mistura de tantas drogas e álcool fez a pressão baixar. Frank e Remus a carregaram até o carro, onde Alice esperava, e dali arrancaram para o hospital mais próximo, acompanhados de James, Sirius, Tonks e Luke. O atendimento da ruiva demorou longos quinze minutos, mas finalmente uma enfermeira loira (que secou James e Sirius com os olhos) a atendeu. Frank falava ao telefone, aparentemente brigando com alguém. Não era a melhor hora.

Beat it – Michael Jackson

They told him

Don't you ever come around here

Don't wanna see your face

You better disappear

The fire's in their eyes

And their words are really clear

So beat it, just beat it

You better run

You better do what you can

Don't wanna see no blood

Don't be a macho man

You wanna be tough

Better do what you can

So beat it

But you wanna be bad

Just beat it (beat it). Beat it (beat it)

No one wants to be defeated

Showing how funky and strong is your fight

It doesn't matter who's wrong or right

Just beat it (beat it)

Just beat it (beat it)

Just beat it (beat it)

Just beat it (beat it)

They're out to get you

Better leave while you can

Don't wanna be a boy

You wanna be a man

– Seu idiota! Olha o que você fez com ela! – Sirius gritou para Luke, ainda dentro do hospital. As enfermeiras os mandaram ficar quietos, mas sem sucesso.

– Eu? Ela fez aquilo porque quis! – Luke falou no mesmo tom.

– Você ofereceu pra ela! – James entrou na briga. Dois guardas precisaram arrastar os três para fora. Mas a discussão não acabou, ela continuou no meio da rua.

– Ela pode morrer, caralho! – Sirius gritou, partindo pra cima de Luke, que perto do Black era consideravelmente mais magro.

You wanna stay alive

Better do what you can

So beat it, just beat it

You have to show them

That you're really not scared

You're playing with your life

This ain't no truth or dare

They'll kick you, then they beat you

Then they'll tell you it's fair

So beat it, but you wanna be bad

Just beat it (beat it). Beat it (beat it)

No one wants to be defeated

Showing how funky and strong is your fight

It doesn't matter who's wrong or right

Just beat it (beat it). Beat it (beat it)

No one wants to be defeated

Showing how funky and strong is your fight

It doesn't matter who's wrong or right

Just beat it, beat it

Beat it, beat it

Beat it, beat it

Beat it, beat it

Beat it (beat it). Beat it (beat it)

No one wants to be defeated

Showing how funky and strong is your fight

It doesn't matter who's wrong or right

Just beat it, beat it, beat it, beat it

No one wants to be defeated

Showing how funky and strong is your fight

It doesn't matter who's wrong or who's right [6x]

Just beat it, beat it, beat it, beat it

No one wants to be defeated

Just beat it, beat it

Beat it, beat it, beat it

Sirius descontou toda sua raiva no rosto de Luke, que tentava, em vão, se defender.

Frank os separou. Eles terminaram com um olho roxo cada um e hematomas no corpo todo.

– Cai fora. – Frank falou sério.

O ódio brilhava nos olhos de Luke, que encarou Sirius por um segundo, e virou-se, indo embora.

Sirius fazia o tipo ciumento, mas não só ele, James e Remus também, mas Sirius era mais radical.

Luke não fora visitar Lily nos dois dias em que ela ficou em coma alcoólico.

James estava dormindo na poltrona no quarto em que Lily estava, ligada em aparelhos que monitoravam seus batimentos cardíacos.

Nesse pouco tempo, todos haviam mudado, física e internamente. James voltara a usar seus óculos, Tonks deixara os cabelos da cor natural: castanho claro, Sirius estava mais frio com todos, Frank não parara um minuto sequer e Remus... Remus estava como sempre, mas aparentemente mais forte.

Lily abriu os olhos e encarou o teto branco e sem graça.

Olhou o próprio corpo e viu os fios ligados a ela. Tentou sentar-se, mas os mesmos a impediram. Arrancou-os do corpo com raiva.

O barulho contínuo do aparelho acordou James. Aquilo que apitava, indicando que o coração de Lily ainda batia agora anunciava que ela havia morrido. Mas era apenas a própria que desligara os fios de si.

James abraçou-a.

– Da próxima vez que você quase morrer, eu te mato. – ralhou.

– Ok então, pai. – falou a ruiva com a voz rouca. – Awn!

Retirou os óculos de aros redondos de James e os examinou.

– Dá pra devolver? – James pediu.

– Que dia é hoje?

– Sei lá... Acho que é segunda-feira, e... Frank tá querendo seu fígado.

– Ele já tá todo fodido mesmo! – Lily brincou.

– Vou chamar a Tonks e o Rem... Se eles não estiverem se comendo de novo – sussurrou a última parte, que Lily fingiu não ouvir.

James saiu do quarto em que Lily estava e passou pelo corredor onde uma enfermeira – a mesma que “secou” James dois dias atrás – e comunicou a ela que Lily havia acordado. Caminhou até a sala de espera, onde Tonks e Remus tomavam café, seus rostos estavam um pouco vermelhos.

– Lils acordou. – falou e o casal sorriu e se levantou.

Caminharam apressadamente e praticamente quebraram a porta branca do quarto.

Lily estava irritada e brigava com a enfermeira.

– Não vou tomar porra de injeção nenhuma! – Lily falava tentando gritar, mas sua voz estava fraca demais para isso.

– Você é um viciada em remédios e não quer tomar remédio, isso? – riu a enfermeira.

– Quem disse que eu sou viciada em remédios?

– Deu na sua lavagem estomacal... Remédio pra depressão principalmente.

– Enfiaram um tubo no meu... Reto? – perguntou Lily, exaltada. Os três expectadores riram.

– Não, foi pela boca, fica tranqüila.

Lily suspirou aliviada.

– Tá, tá. Ô minha querida, dá pra você cair fora? – Tonks falou impaciente, praticamente chutando a enfermeira dali.

– As vezes tenho inveja da sua delicadeza, Ninphadora. – Lily ironizou.

– Ninphadora é a sua vó, sua vaca. E da próxima vez que morrer, eu te mato, ouviu?

– “Da próxima vez que morrer eu te mato”? O que foi isso? – Lily riu.

– Sua bunda ta de fora. – Tonks falou, séria.

Lily arregalou os olhos e deu graças a Deus por estar sentada e coberta pela manta.

– Rem! – abraçou o amigo, fugindo do assunto. – Cadê o Six, o Frank e o Luke?

– Sirius tá com a Lene e o Frank tá na gravadora. Luke... Na verdade ele sumiu quando você chegou aqui. – James falou.

– É, ele e o Six brigaram bem feio. – Remus falou, calmo.

Lily pensou por um segundo. Luke só podia estar em sua casa. Ou não.

Discutiram um pouco com a enfermeira e a mesma deu alta a ruiva, meio que por pressão de Remus e James. Mas ela apenas sairia dali no outro dia. Precisava de supervisão.

– Ah, ok. Dá pra alguém ir em casa pegar umas roupas pra mim... Falando em roupas, cadê as minhas? – perguntou, procurando suas roupas.

– Tá na sua casa, eles insistiram em te colocar essa camisola com abertura atrás. – Tonks riu-se.

– Há-há-há. Vadia. – Lily xingou.

Lily havia voltado ao normal.

Remus pegou seu carro (em que alguns adolescentes de no máximo 15 anos estavam desde o dia anterior. Ele teve certeza que eles estavam ali por Lily, já que perguntaram sobre a mesma) e foi para casa avisar Sirius, Frank, Marlene e Alice do acontecimento. Como James havia dito, Frank quis o fígado de Lily naquele momento, por ter cancelado a apresentação no domingo. Mas a de sábado correra melhor que o esperado, o bar estava lotado e eles ganharam dinheiro suficiente.

Afinal, Lily arrastava multidões.

Notas finais
Eu tinha alguma coisa pra falar mas eu esqueci '-' kkk
Mas tá, por enquanto é só :