Bastidores
7 We played out an all night.
Logo Sirius também chegou, esbarrando em algo e gritando de dor.
– Sofá filho de uma puta – eu ri -, bem no dedinho!
Tive que rir um pouco mais alto. Claro que bater o dedinho em um canto qualquer doía pra caralho, mas mesmo assim, os xingamentos de Sirius pro sofá eram tão engraçados quando um comediante.
– Olá... Meu Deus, Sirius! Para de xingar o coitado do sofá! – Alice apareceu na sala, rindo, seguida por Frank.
– Cadê o Rem? – perguntei assim quem percebi que já eram quase 15h00min e Remus não havia acordado ainda.
– Morreu naquele quarto! – James gritou, rindo em seguida.
Algum tempo depois, Remus acordou, com a cara amassada e de mal humor. Tomamos café/almoçamos, eu e os meninos ensaimos um pouco no estúdio de Frank (a casa dele era grande o suficiente pra ter um estúdio e cinco quartos).
– Vocês precisam de uma musica própria, não acham? – Frank perguntou, sem nos olhar.
– A Lily tem um monte de musica no caderninho dela! Olha, olha! – Sirius pegou meu caderno de músicas de um canto, folheando-o.
– “Espero que você se enforque com seu lenço H&M, enquanto se masturba ouvindo Mozart” — recitou, e depois teve um ataque de riso. Tentei pegar o caderno das mãos dele, mas Remus foi mais rápido e o pegou.
– “Cale a boca, vadia, você ama isso. Por que vingança não vai matar você, querida, vingança só vai dar merda, e eu digo isso porque eu encontrei razoes porque você é miserável” gostei dessa!
– Dá aqui? – pedi, meiga, e logo Remus me entregou o caderninho – obrigada! – sorri falsamente.
– Gostei dessa também, como chama? – Frank.
Frank trabalhava pra uma gravadora, pequena, ainda estava no começo e gostou da banda e quis gravar o nosso disco. Um alívio pra gente.
– Não tem nome ainda, nem está completa. Talvez “SUS”.
– SUS? – Sirius perguntou confuso.
– “Shut Up Slut”. – Respondi.
– Gostei, vamos terminá-la. – Frank puxou algumas cadeiras até a mesa e nos sentamos em volta.
A cada estrofe, nós discutíamos. Por uma palavra, ou porque meu pé bateu na canela deles sem querer e doeu. Coisas do tipo. Depois de algumas horas – é, horas. A gente brigava mais que escrevia – a letra e melodia estavam prontas.
– Vamos gravar uma demo e mandar pra umas rádios? – Frank nos perguntou.
Todos concordamos, e mesmo já estando anoitecendo, nós fomos ao estúdio – dessa vez, o de verdade.
Eu sempre quis (e com sempre eu quero dizer desde que começamos a banda) gravar um disco. Sabe, não só pela fama, mas por fazer o que eu realmente gosto.
Gravamos tudo em umas duas horas. Ou os meninos erravam uma nota e precisaram começar tudo de novo uma vinte vezes (ok, nem tanto, é que eu sou exagerada mesmo), ou eu ria no meio de uma frase e precisava cantar a música toda de novo. Foi divertido, até.
Alguns minutos depois (eu jurava que demoraria mais) de terminarmos de gravar, Frank já veio com uma fita em mãos.
– Amanhã vou mandar pra rádio, ok?
Acenamos com a cabeça. Voltamos de carro pra casa de Frank, ouvindo a fita. Até que tinha ficado boa, modéstia a parte.
Chegamos e Alice arrumava a mesa.
– Com fome? – nos perguntou. Os meninos assentiram, e eu neguei, andando pro quarto.
Eu raramente comia, e quando comia, comia pouco. Talvez o cigarro tivesse me deixado assim. Não sei, eu só sei que não sinto mais fome.
Tomei um banho gelado e coloquei roupas grandes e folgadas. Peguei, da bolsa onde tinha colocado meus discos preferidos, um do David Bowie.
1984–David BowieSomeday they won't let you, now you must agree
The times they are a-telling, and the changing isn't free
You've read it in the tea leaves, and the tracks are on tv
Beware the savage jaw
Of 1984
They'll split your pretty cranium, and fill it full of air
And tell that you're eighty, but brother, you won't care
You'll be shooting up on anything, tomorrow's never there
Beware the savage jaw
Of 1984
Cantei a música enquanto arrumava minhas roupas no armário, e pensava na vida.Eu era uma garota, de 17 anos recém feitos, morando em uma casa com dois praticamente desconhecidos e três homens. Eu saí da capital pro Interior, conheci um cara que quer gravar nosso disco. Estou me entregando cada vez mais a bebida e o cigarro, e se não me engano, eu havia fumado um cigarro de maconha ontem. Eu estava me tornando uma adolescente perturbada dos anos 80. Uma garota que usa preto e couro, gosta de rock n roll e é mais masculina do que deveria ser.Come see, come see, remember me?
We played out an all night movie role
You said it would last, but I guess we enrolled
In 1984 (who could ask for more)
1984 (who could ask for mor-or-or-or-ore)
(mor-or-or-or-ore)
I'm looking for a vehicle, I'm looking for a ride
I'm looking for a party, I'm looking for a side
I'm looking for the treason that I knew in '65
Beware the savage jaw
Of 1984
Come see, come see, remember me?
We played out an all night movie role
You said it would last, but I guess we enrolled
In 1984 (who could ask for more)
1984 (who could ask for mor-or-or-or-ore)
(mor-or-or-or-ore)
1984
1984
1984 (mor-or-or-or-ore)
Sabe o que eu precisava? Uma mente feminina comigo. Necessitava, na verdade. Não é fácil conviver com garotos. Tinha Alice, mas ela era o tipo que eu pediria aspirinas pra dor de cabeça, e não do tipo que me apoiaria nas minhas loucuras. Como Marilyn, mas ela havia ficado em Londres. Tinha Marlene, que provavelmente está na cola de Sirius, mas ela é mais velha, então, nem pensar.
O disco rodou todo enquanto eu ficava pensando na vida, arrumava minhas coisas ou simplesmente olhava pro nada e contava as estrelas. Resolvi sair. Eu nunca fui de ficar muito em casa, sabe.
Avisei a todos que ia sair, depois de me vestir, com minha calça jeans, minha camiseta (relevem a parte dela ser curta e deixar minha barriga aparecendo) e minhas botas de sempre, prendi o cabelo num rabo de cavalo um pouco frouxo e saí pela cidade.
Eu era uma espécie de “estranha no paraíso”, se bem que a cidade não pode ser considerada um paraíso. Mas ok. Não conhecia a cidade, nem ninguém além do Frank e Alice.
Resolvi parar numa cafeteria. A moça do balcão era sorridente e tinha o cabelo roxo. Sentei num banquinho no balcão mesmo e fiquei escutando a música que tocava ali e bebendo meu café.
– Oi! – a mesma atendente sorridente chegou perto de mim, me fazendo pular. Ela riu alto.
– Oi. – respondi, mechendo meu café.
– Sou Tonks.
– Tonks?
– Na verdade me chamo Ninphadora, mas me chame assim e eu vou quebrar os seus dentes. – riu, depois de falar séria e me assustar um pouco – E o seu nome?
– Lily. Lily Evans.
– Muito prazer, Lily!
Apenas sorri, dando um gole no café.Tonks me encheu de perguntas como uma repórter pra um artista famoso. Quando vi, ela tinha que fechar o local e nós fomos juntas até a casa dela.Ela morava em um apartamento minúsculo, mas bem legal. Era cheio de quadros e fotos espalhadas.
Viramos a noite conversando e rindo.Contei a ela sobre a banda, o Frank, minha vinda de carro de Londres pra cá, como eu odiava vadias oferecidas e ela me contou sua vida, seu passado como uma garotinha normal do interior da Inglaterra e que ela gostava mesmo era de brincar com o cabelo.
Tinha pintado o cabelo de azul e rosa, antes do roxo, e se ofereceu pra cortar o meu cabelo, e eu aceitei. Ela cortou um palmo e meio do meu cabelo, e eu quase chorei vendo os fios caírem no chão.
Ela riu.A verdade é que eu era muito apegada ao meu cabelo e tinha um dó danado de cortá-lo.No fim, meu cabelo estava mais curto, tinha camadas e algumas mechas da parte de baixo estavam mais claras.
– E aí, que tal? – ela disse, me virando para o espelho e bagunçando um pouco meu cabelo.
– Gostei... – Eu tinha gostado mesmo, só não me acostumei de primeira com o comprimento.
Eu sempre fui acostumadas com meu cabelão, e agora ele mais curto era estranho pra mim.Então alguém bateu a porta dela, eram umas sete da manhã já, e eu só estava acordada porque tomamos muito café. Já falei que amo café? Então.
– Luke! – ouvi Tonks gritar da sala, e eu fui até lá também.
– Lily, Luke. Luke, Lily – ela nos apresentou.Ele era lindo. Alto, um pouco magro, mas nada muito significativo. Era bem branco e tinha os cabelos lisos e escuros.Estendi minha mão para cumprimentá-lo, mas ela a pegou e aproximou o rosto do meu, me dando um beijinho da bochecha.
Eu devo dizer que paralisei? Acho que não.Luke era um amigo de Tonks. O que ele estava fazendo na casa dela as sete da manhã? Nunca soube. Ela tinha uma bolsa/mala nos ombros e a pôs encima da mesa da sala e a abriu. Já era de se esperar, tinham drogas ali. Não fiquei muito surpresa, sempre fui indiferente em questão a drogas.
Tonks remexeu a bolsa e tirou um saquinho com maconha. Não devia ter mais que trezentas gramas. Eu observava tudo de um canto da sala. Tonks o pagou e ela mesmo fez três cigarros, acendeu um e o pôs na boca, e ofereceu um a Luke, que pegou de bom grado e me ofereceu um.
Eu nunca tinha fumado maconha. Mas como tudo tem uma primeira vez, eu peguei o cigarro indiferentemente. Dei um trago fundo. Era com certeza mais forte e melhor que um cigarro comum. De primeira, foi umas das melhores sensações do mundo. Alguns tragos depois, nós já estávamos rindo de tudo, mesmo sendo uma coisa banal como uma mosca.Estávamos todos um pouco retardados pelo efeito das horas em claro e aqueles cigarros de maconha. Não que eu fosse uma pessoa muito normal. Tonks e Luke resolveram sair, e eu fui junto. Eu não pensava em ninguém, a não ser eu mesma.
Não pensava se os meninos estariam ou não preocupados comigo. Tonks e eu já estávamos em cima de um viaduto, e os carros que vinham nos viam rindo escandalosamente de tudo.E então eu fiz uma coisa que eu jamais faria. Não lúcida. Ameacei levantar minha blusa, mas olhei pra Tonks antes, e vi que ela já fazia o mesmo. Soltei mais uma gargalhada tola e levantamos de vez as blusas.Alguns motoristas buzinavam, outros pararam e causaram um engarrafamento. Um policial gordo que ajudava velhinhas gritou conosco e veio correndo até a gente.Eu nunca ri tanto na minha vida, de verdade.
Nós corremos, Tonks caiu e um metro depois eu caí também. O policial velho não estava mais atrás da gente. Vi Luke rindo alguns metros a nossa frente. Girei o corpo, ainda deitada, agora de barriga pra cima e fiquei rindo, olhando as nuvens cinza de outono. Tão cinzas. O céu estava escuro e prestes a chover. Eu gosto de chuva. Sério mesmo. Gosto do cheiro da chuva.A sombra de Luke me assustou. Ele segurava uma garrafa da bebida mais barata do país, provavelmente.
– Abre a boca. – ele falou, rindo um pouco ainda. Tonks estava longe.Abri minha boca e, rindo, ele derramou aquela bebida no meu rosto. Posso afirmar que apenas 10% foram realmente pra minha garganta. Ri enquanto me levantava. Luke ficou me encarando, como se procurasse alguma coisa em meu rosto. Ele teve um ataque de riso alguns segundos depois, e eu o acompanhei, depois Dora, que conseguira se levantar.Sequei meu rosto (tentei) e logo vi o carro de Sirius se aproximar.
– Onde você tava, sua louca?! – Remus gritou do banco do carona, abaixando o vidro.
– Por aí...
– Mostrando os peitos no viaduto! – Luke denunciou, rindo.
– Vai se foder! – bati em seu ombro, rindo.
Depois de trocar telefones com Tonks e Luke, me obrigaram a entrar no carro. O efeito da maconha (maconha é uma palavra legal) ainda estava fazendo efeito. O carro estava lotado: Sirius e Remus na frente, James, eu e Alice atrás.
– Licença... – Tonks foi entrando no carro.
Puta que Pariu que garota doida!
– Sou Tonks, prazer! – ela cumprimentou a todos.Sentou-se onde eu estava e eu deitei nas pernas deles, a cabeça no colo da Alice. Nem comentei nada sobre Tonks ter entrado assim no carro, ninguém falou também, apenas a olharam torto.
– Ei, Lice – chamei Alice. – Cadê o Frank?
– Saiu... Foi falar com o chefe.
– Hm...Fomos até a casa deles em silêncio, a não ser Tonks tendo ataques de riso, que contagiavam a todos nós, que riamos da risada dela. Apresentei Tonks a todos e vice e versa. Alice ficou mexendo meu cabelo, falando que estava muito bonito, e conforme o balanço do carro, eu quase dei um chute no queixo de James. Então, eu gostava de ficar com eles, todos eles. E eu me sentia completamente bem com eles. E por mais que brigássemos, sós eramos como uma família. A mais louca e estranha familia.
Fale com o autor