Bastidores
8 Dead Flowers.
Notas iniciais
Uma semana se passou depois que eu conheci Luke e Tonks. Tonks está sendo tão amiga quanto eu imaginava, nos vemos praticamente todos os dias. Remus está apaixonado pelo cabelo roxo dela, e eu acho, sinceramente que eles formariam um belo casal. Luke e eu estamos muito mais íntimos. Não, nós ainda não havíamos transando, o que é uma grande decepção pra mim. Não que eu fosse uma tarada ninfomaníaca, não mesmo.
Ok, só um pouquinho.
Mas não a ponto de ser chamada ninfomaníaca, eu só... Gosto. Acho que até o padre da igreja que minha mãe freqüentava tinha fantasias sexuais. Eu estava cada vez mais louca. Tudo culpa da Tonks. Tudo dela. Tá, nem tudo, mas foi ela me “apresentou” de verdade as drogas. Porque eu já sabia mais do que um drogado feito o Remus, mas nunca havia experimentado nem nada. Mas com Tonks eu fui. Fui lá e cheirei minha primeira fileira de cocaína, fumei meu primeiro cigarro de maconha. E não ,eu não estava arrependida. Pelo contrário, eu ficava mais calma e feliz depois de cheirar ou fumar.
“Shut Up Slut” estava tocando loucamente na rádio local, e era a coisa mais louca que eu tinha sentido naquele tempo que eu estava em Liverpool. Já havíamos gravado mais duas músicas e Frank estava extasiado, porque segundo ele, nenhuma das bandas que ele tinha apostado dava certo, e ele estava quase sendo despedido. Mas nós o salvamos. Eba!
Também tínhamos arranjado dois shows em pubs pro fim de semana. O que é realmente ótimo, já que a gente precisa de dinheiro. A mesma rádio que tocava – já estavam enjoados, provavelmente – a nossa música, nos convidou pra fazer uma “entrevista” no único programa da rádio que não toca música, mas fala dela. Eu nunca entendi porque tem rádio que fala das notícias do mundo, e não da música, porque rádio, pra mim, é uma coisa que as pessoas usam pra ouvir música e se animar, e não ouvir que “fulano morreu esquartejado ontem, em frente à praça tal”. De tragédia só basta a TV.
Frank nos convenceu a mudar de “The Snakes Of Shoes” para apenas “The Snakes”. “Muito mais rápido e fácil de decorar” nas palavras do próprio. Ele estava nos acompanhando até o estúdio da rádio. Devo dizer o tamanho do meu nervosismo? Acho que não. Eu tava até rindo de nervosa. Me senti muito importante e famosa aquele dia. Não é sempre que você vai dar entrevista – adoro essa palavra – pra uma rádio. Estávamos eu, Alice, Frank e Sirius no carro do Sirius e James e Remus no carro dele. Quase convenci Tonks a ir junto, mas ela disse que precisava trabalhar, mas ia ficar ouvindo a entrevista. E eu não deixaria ela a menos de 5 metros do Remus. Não depois de ontem, que tava todo mundo doidão e ele quase estuprou ela. Tá, nem tanto, mas ele tentou agarrá-la. Coisa de bêbado. E eu, pra ajudar, fiquei zoando ele hoje.
Acho que Tonks ficou com um certo medo dele. Engraçado, porque ela parecia estar gostando dele. Chegamos ao estúdio da rádio e fomos recebidos por uma animada e simpática – sintam e ironia – recepcionista. Frank ficou falando lá com ela e logo veio até nós, com seis crachás ou algo parecido, que dava acesso ao local onde gravaríamos. Parecia mais um grande prédio de apartamentos, só que no lugar dos apartamentos, estúdios. Ficamos lá até sermos chamados por um sorridente careca – sem ironia agora.
– Oi, você deve ser Lily. – estendeu a mão pra mim, eu concordei com a cabeça, sorrindo e apertei sua mão. Indicou-nos um lugar para sentar. E começou a entrevista com uma microfonia filha da puta. Rimos.
O carinha, Antony, nos perguntou de tudo. Desde “porque The Snakes?” até perguntas retardadas do tipo “Qual sua comida preferida” ou “Qual sua sexualidade”. Eu fiz questão de falar “Solteira” pra última pergunta. Porque o que vier é lucro né.
– Foi um prazer conhecer a banda que mais tem sua música tocada aqui. Espero vê-los em breve, fazendo um show por aqui! – Antony finalizou. James, colando, fez questão de dar telefone pra contato, coisa do Frank, só pode.– E, depois do intervalo comercial e uma palavrinha dos patrocinadores... – Antony continuou falando pro microfone enquanto saíamos.
Fora uma entrevista legal, o nervosismo não atrapalhou e nós rimos muito, o que foi bom. Frank estava soltando purpurina e vomitando arco-íris. Na volta, Sirius quase atropelou um cachorrinho que estava na rua. Eu gritei e saí correndo do carro pra pegar o pobre cachorrinho. Quando eu era pequena, sempre quis ter um animalzinho, mas Petúnia tinha alergia a cachorros e eu, a gatos, e minha mãe não gostava de outros tipos de bichinhos. Eu queria uma cobra, mas minha mãe tem pânico.
– Vou ficar com ele! – falei, animada enquanto entrava novamente no carro.
— Ounnnnn, que fofo! – Alice falou, como se fosse uma criança. O que era muito fofo, vindo dela. Se fosse eu, iria parecer uma retardada.
– E como vai chamar? – Frank.
– Ringo.
– Ringo? Não, George Harrison é mais legal! – James faloiu, irônico, revirando os olhos.
– Mas eu sempre quis ter um animalzinho pra chamar de Ringo! – Falei, fazendo beicinho.
– Ringo não é nome de animal!
– Mas pode ser! É a minha homenagem!
– Põe John então.
– Eu não!
– Mas o John Lennon já morreu, e é mais legal fazer uma homenagem a alguém que morreu do que a alguém que tá vivo!
– Põe Sirius! – Sirius gritou, gargalhando.
– Nem fodendo! – Falei, rindo também.
A gente ficou brigando lá, pra achar um nome pro animalzinho. Frank resolveu tomar a direção de Sirius. Alice riu má. Porque eu não sei.
– Vai levar a gente pra um puteiro? – Sirius pervertido filho da puta, não?
– Cala a boca, seu tarado! – Gritei, batendo em seu ombro, rindo.
– Lily, acho que é fêmea! – Alice me cutucou, falando do animalzinho no banco do carro.
– Porque? – perguntei, e ela apontou pro cachorrinho, que fazia atos sexuais na coxa de James. Tive um ataque de riso, é claro.
Depois peguei o bichinho e vire-o de barriga pra cima, e lá estavam seis tetinhas. Ok, eu não precisava falar isso.
– Então, põe Lessie! – Remus falou, me olhando sério.
– Meu filho, se trata por favor? – Sirius revirou os olhos.
– Vai ser Cherrie. – Falei, eCherrielatiu. – Ela gostou, vai ficar Cherrie então.
No começo, só eu e Alice chamávamos Cherrie de Cherrie, os meninos não tinham gostado. Mas no final da viagem estavam todos acostumados, inclusive Cherrie. Eu não sabia sua raça, ninguém sabia eu acho. Era uma cachorrinha pequenininha, com o pelo bem curtinho e muito branco. Fomos pra casa, almoçamos, rimos, brincamos com Cherrie e arrumamos tudo que ela precisava. Não precisamos ensiná-la a fazer as necessidades no jornal, parecia que ela já sabia.
Estava perto de anoitecer quando eu avisei que iria sair. Nos últimos dias eu passava as noites na lanchonete ou na casa de Tonks. Meu relógio biológico estava totalmente alterado. Eu dormia de dia, e ficava elétrica de noite. Peguei uma jaqueta e algum dinheiro, pus mãos nos bolsos e saí.
Tomei o caminho de sempre, com um pequeno desvio pra comprar cigarros – não vendiam cigarros onde Tonks trabalhava, o que era uma pena. Acendi um e guardei o resto no bolso da calça. Fumei-o rapidamente e parei em um beco pra apagá-lo. Mas eu penas senti mãos fortes segurando meus braços. Tentei me soltar, em vão.
O homem, um loiro alto e forte, me jogou contra a parede. Ele riu quando tentei gritar, e seu hálito denunciou que ele estava bêbado, bem bêbado. Fechei os olhos, esperando o pior, um corte ou um roubo, mas nada disso aconteceu. E sim uma coisa muito pior. O homem abriu suas calças e tentou tirar a minha. Tentei gritar, novamente, em vão. A voz simplesmente não saia. Consegui gritar quando o senti me penetrar. Claro que doeu, principalmente pela brutalidade que ele tinha feito aquilo. Durou cinco ou seis minutos até ele parar, ofegante. Vestiu as calças e tirou algumas libras do bolso e jogou no chão perto de mim. Talvez ele achasse que deveria, ou que eu era uma puta.
Vesti minha calça e caí de joelhos no chão. Não chorei, apenas tentei me recuperar. Respirei fundo duas vezes, me levantei e peguei aquele dinheiro que o cara havia deixado jogado próximo a mim. £20. Coloquei no bolso junto com o que eu já tinha e saí daquele beco o quanto antes. Claro que havia sido um trauma pra mim, mas nada que eu não pudesse superar. Foi só um estupro, um pouco de dor, e ainda ganhei £20. Passaria em uma farmácia, compraria algum remédio forte, iria pra cafeteria e agiria como se nada tivesse acontecido. Foi isso que eu fiz. Comprei logo um vidrinho de remédio pra depressão. Eu nem sei porque eu fiz isso, mas Tonks falou que aliviava a tensão, e, bem, aliviou mesmo. Acendi um cigarro e caminhei rápido até a cafeteria.
Tudo estava bloqueado. Como se eu não tivesse sentimentos ou aquilo fosse normal pra mim. Talvez eu não tivesse processado toda a informação ou meu cérebro tenha congelado. Acredito mais na segunnda hipótese.
Cheguei lá e Tonks não perguntou nada, talvez nem tenha reparado que eu demorei um pouco mais, o que é ótimo já que eu não precisei responder a um interrogatório.
– Ei, adivinha. – falei enquanto Tonks limpava o balcão. – Vamos fazer dois shows em uns pubs aqui perto no fim de semana.
– Sério? Que ótimo! Vou dar um jeito de ir, com certeza. E falando nisso, adorei a entrevista.
– Valeu! – sorri, dando um gole no meu café.
Nós jogamos fora aquela noite também. Luke apareceu e nós fomos pra casa dele. Era grande, parecida com aquelas de ricos de Londres, que eu tinha inveja quando era pequena. Fumamos, usamos toda a heroína de Luke, que quis nosso fígado, mas nada demais, e bebemos. Bebemos até desmaiar.
Quando acordei, eu estava abraçada a um Luke suado e nu. E, olha que maravilha, minhas roupas também estavam no chão. Todas elas. Com certeza nós havíamos transado. Mas nada demais, eu só queria lembrar. Porque eu estava ansiando por aquilo a uma semana. Levantei, vesti minhas roupas e cambaleei pela casa atrás de Tonks. Só fui achá-la na sala, ao lado de uma garrafa de Jack Daniel’s quebrada.
Procurei minha jaqueta e peguei meus remédios, que eu havia comprado na noite anterior. Tomei dois comprimidos daqueles para dor de cabeça, que eu nem lembrava que havia comprado e engoli-os de uma vez só. Voltei para o quarto de Luke e ele ainda dormia. Deitei novamente ao seu lado e acariciei seu rosto. Ok, isso parece meloso demais pra mim. Nunca fui de apelidos carinhosos e nunca quis parecer fofa. Nunca fui fofa na verdade, desde pequena. Era excluída e até Petúnia me odiava. Eu me lembro de chorar quando Elvis morreu, e aquele foi uma das únicas vezes que eu chorei desde que me entendo por gente. Odeio chorar. Enquanto as outras garotas choravam por tudo, eu segurava as lágrimas. Talvez possa parecer estranho, mas eu sempre fui precoce. Mas, apesar de tudo que eu sofri na infância, como a exclusão e a quase separação dos meus pais, eu tenho muitas lembranças boas da minha infância.
Só fui voltar a realidade quando Luke acordou. Levantamos-nos e eu tentei acordar Tonks jogando algumas almofadas nela, que reclamou e me xingou de todos os nomes possíveis. Eu apenas fiz rir. Nós três tomamos café e Tonks foi pra casa. Era quinta-feira e nós precisávamos ensaiar, então também fui pra casa, ou pelo menos tentei. Luke segurou-me pelo cotovelo antes de sair, virou-me de frente pra ele – era forte, mesmo sendo um pouco mais magro que caras da idade dele. Nos rostos estavam quase colados e eu sentia seu cheiro de ressaca.
Eu o encarava debochada e divertidamente. Então Luke fez uma coisa que eu jamais teria imaginado. Ele tirou do bolso um anel. O encarei, agora surpresa e desconfiada, enquanto ele murmurava frases bonitas que eu não fiz questão de ouvir. Algo como “eu gosto de você desde aquele dia, Lils”. Eu fechei os olhos e senti seus lábios tocarem os meus depois de um quase inaudível pedido de namoro. Eu nunca esperaria isso de Luke. Talvez algo menos fofo e mais “durão”. Mas não, ele foi aquele Romeu que eu esperava quando tinha sete anos. Eu poderia sair pulando, dançando e cantando Michael Jackson com um nariz de palhaço. Mas não, eu apenas passei meus braços pelo pescoça de Luke e o beijei calorosamente.
Então, eu namoro Luke agora.
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