Bastidores
14 Prision, soccer and pizza.
Notas iniciais
Sirius e Marlene estavam perto de fazerem completamente as pazes. Isso foi bom, tanto para os dois como para o resto da banda, já que Sirius voltaria a ser como sempre foi.
Estavam novamente em Londres, depois de uma maratona de shows. Era bom voltar ao lar.
Lily estava em seu carro, no rádio Led Zeppelin no último volume arrancava olhares de todos. Dirigia calmamente enquanto fumava um cigarro. Encolheu-se no banco, suspirando pesadamente ao avistar uma barreira de policiais que faziam revistas em todos os carros que passavam por ali.
– Droga, droga, droga, droga. – ela reclamava.
Chegou aos policiais, que a pediram para descer do carro. Um deles fazia revista em seu carro, o outro pedia aquelas bobagens, como documentos.
Lily revirou os olhos ao ver que o que revistava seu carro havia voltado com um saquinho de cocaína numa mão, e na outra duas seringas usadas.
– É pra consumo próprio. – alegou antes de qualquer pergunta.
– Mas certamente você comprou de alguém. – o policial disse, com a voz neutra.
Lily se deu por vencida. Entrou na viatura e viu seu carro, seu bebê, ser levado. Chegou a delegacia em minutos, e foi jogada em uma pequena cela ao lado de outras duas garotas.
– Porque você está aqui, ruiva? – uma delas perguntou. Tinha os cabelos loiros quase brancos, o corte parecido com o de Lily.
– Drogas. – Lily falou, sem emoção. A outra riu. – E você?
– Matei um cara. – ela falou, séria. Logo depois, riu, Lily estava assustada. – Mentira, garota. Drogas também.
Lily foi em direção a grade.
– Eu não tenho direito a um telefonema? – gritou com um policial que estava por perto.
– Isso aqui não é um filme americano, moça. – riu-se.
– Mas eu posso dar um telefonema? – a ruiva falou, impaciente.
O policial abriu a grade, agarrando o pulso de Lily fortemente e a levando até o telefone. Ela discou os números já conhecidos da casa de Frank e esperou.
– Frank? – ela falou assim que atenderam.
– Não, é a Alice. – a voz do outro lado da linha falou.
– Lice, sou eu, Lily.
– Nem precisa explicar, Frank está indo pra aí.
– Como ele sabe?
– Acabou de passar na TV. “Lily Evans, vocalista da banda The Snakes, acabou de ser detida em uma barreira policial no centro.”
– Ok. Ok. Então tchau.
Desligou sem esperar resposta.
Voltou para a cela, sentou-se em um canto e esperou. Esperou... e esperou. Até que um Frank irritado invadiu o local, fazendo os dois policiais ali presentes se assustarem.
– Eu não vou mais pagar fiança. – falou, olhando com raiva para Lily.
– Quanta raiva. – ela murmurou.
Frank pagou a fiança e os dois saíram. O carro de Lily estava numa espécie de deposito de carros apreendidos.
Logo ela saiu novamente com seu carro nas estradas de Londres, com o rádio no último volume. Frank apenas revirou os olhos e foi pra casa.
Lily dirigiu até seu apartamento. Estacionou entre dos carros caros e chiques e subiu as escadas até o terceiro andar. Revirou os bolsos atrás da chave.
– Que caralho! – gritou, batendo na porta. Uma velhinha que passava por ali a olhou assustada. – Perdeu o cu aqui, velha? – falou, com raiva. Estava sem paciência para velhos.
A velhinha desceu as escadas quase caindo, assustada com a falta de educação da ruiva.
– Caralho, eu sou muito burra mesmo. – falou ao lembrar-se que a chave ficava embaixo do extintor de incêndio ao lado da porta.
Pegou-a e abriu a porta, entrando em seu pequeno e bagunçado apartamento. Não era preciso ser grande, ela morava ali sozinha. Havia uma cozinha quase intacta, uma sala com TV e um toca discos, seu quarto sem cama, apenas um colchão e roupas espalhadas, e um pequeno estúdio onde ela costumava gravar os vocais das músicas.
Deixou a bolsa no chão, fechando a porta com a chave. Rumou para a cozinha, onde abriu rapidamente a geladeira. Havia uma pizza, aparentemente boa para consumo. Lily pegou um pedaço e deu uma mordida, pegando uma garrafa de refrigerante. Lily Evans também é fã de pizza e refrigerante, ou você achava que ela só bebia vodca?
Sentou-se no sofá e ligou a TV com o controle. Para sua surpresa, quem era a notícia do momento, era ela. Quem via aquela Lily em cima do palco, os olhos marcados e a expressão forte, usando roupas sexys e salto alto não imaginava que ela estava comendo um pedaço de pizza com muito queijo e bebendo refrigerante. Ela era humana, acima de garota rebelde.
O barulho do lado de fora tirou Lily dos seus pensamentos. Era vozes que ora berravam, ora batiam na porta impacientemente. Ela abriu a porta, dando de cara com três de suas girafas de estimação, vulgo Remus, Sirius e James.
– A Lily usa lingerie vermelha mesmo? – Sirius perguntou para James, sem perceber a ruiva plantada ali.
– Vocês interrompem minha sessão “Pizza de semanas atrás e refrigerante da mesma data” pra perguntar se eu uso lingerie vermelha?
– Opa, desculpa ruiva. Mas sabe, o quatro olhos aqui não parava de falar em como você fica sexy de lingerie vermelha.
Ao contrário do esperado, Lily nem James ficaram envergonhados. Eles apenas riram alto. Lily abriu passagem para os três, que logo se jogaram no sofá. Mudaram os canais até parar em um canal onde um jogo de futebol passava.
– Deixa aí, é o Chelsea que tá jogando! – Remus gritou, arrancando o controle de Sirius quando o mesmo ameaçou mudar o canal.
– É, os Red Devils também! – James gritou também.
Remus e James eram os fanáticos por futebol. Sirius preferia ver os jogos femininos, principalmente os que era jogados na praia, com garotas de tops e shorts curtos.
Coisas de homens.
Lily revirou os olhos, indo até a cozinha. Ela podia ouvir claramente a discussão dos três.
– Não vejo graça em ver vinte e dois machos correndo atrás de uma bola! – Sirius falava.
– As brigas em campo, oras. – James.
– E os gols olímpicos. Não esqueça daqueles gols fodas. – Remus.
– Tem pizza de... Caralho, que porra é essa? – Lily começou a frase gritando, mas a terminou olhando estranhamente para uma das caixas de pizza em sua geladeira, havia uma coisa verde em cima de toda a calabresa, o que foi decepcionante.
– É bolor. – Remus a assustou com sua inteligência. Um cara que ficou no terceiro ano por dois anos tem que pelo menos saber o que era aquilo.
– Às vezes acho que você repetia o ano de propósito. – Lily falou, enquanto jogava a pizza fora.
Remus voltou para o sofá, seguido por Lily. Ela se espremeu entre Remus e James no pequeno sofá.
– Quem é quem? – ela perguntou, examinando os jogadores.
– Os de vermelho e branco são os jogadores de Manchester. – James respondeu.
– E os de azul são os do Che... GOL! – Remus se interrompeu, gritando e se levantando.
Um a zero para o Chelsea.
– Eu vou bater nesse Ferguson! – James falou, com raiva.
– Cara, o jogo tá acontecendo em Manchester. – Sirius tentou fazer o amigo voltar a realidade, sem sucesso.
– Que dia é hoje? – Lily mudou completamente o assunto.
– Sexta... Não, sábado. – Remus respondeu.
– Tem festa do Lewis! – Sirius gritou, se levantando e assustando todos.
Saíram atropelando tudo até a garagem do prédio, entraram no carro de Sirius – que estava em um estado melhor – e rumaram para a área comercial da cidade. Lewis era o melhor organizador de festas do mundo, segundo Lily. As festas aconteciam na área comercial da cidade, num grande galpão abandonado. Era perfeito: Afastado da cidade, grande, com acústica ótima e licença para bebidas (não que fizesse muita diferença).
Chegaram ao grande galpão e Sirius estacionou o carro em um local escondido, já que sabia que o mesmo ficaria ali até outro dia qualquer. Entraram no galpão e mesmo sendo duas da tarde, a música já estava alta, todos ali estavam muito loucos e ninguém se importava com o sol. Simplesmente respirar o ar do local já matava alguns bons neurônios.
– Caralho, cobras! – o DJ gritou ao microfone.
Alguns se assustaram sem imaginar de que cobras ele falava. Mas uma rápida olhada para a porta esclarecia tudo.
– Porra! – uma garota berrou.
Os quatro ignoraram e a festa se seguiu. Estava muito lotado, chegava a ser difícil de se mexer por ali, mas nada que impedisse a diversão de certa garota de cabelos ruivos. Ela já usava uma cartola que roubara de um garoto com o cabelo Black Power, que provavelmente estava vestido de Slash. Haviam várias pessoas fantasiadas, desde diabinhas até anjos e coelhos. Sim, coelhos.
Caminhou cambaleante até o bar. Alguém havia lhe dado uma bebida colorida e forte que a deixara tonta.
– Uma vodca. – pediu ao rapaz que atendia um outro ao lado de Lily.
Ele a entregou o copo, que ela bebeu em poucos goles. O líquido quase não fez efeito, ela precisava de cada vez mais. Quando se deu conta, estava tombando a cabeça no balcão, de tão bêbada que estava.
Alguém se sentou ao lado da ruiva, e o barulho de comprimidos batendo contra a madeira do balcão despertou a ruiva, que olhou diretamente para o rapaz ao seu lado. Ele sorriu malicioso para ela, e empurrou quatro comprimidos para ela, que pôs dois na boca e guardou o resto do bolso da jaqueta. Engoliu os comprimidos com ajuda de um grande gole de sua bebida.
Não estava satisfeita com apenas copos. Ficou em pé sobre o Baco em que estava sentada, se debruçou sobre o balcão e pegou duas garrafas de Jack Daniel’s.
– Você é louca! – o rapaz que lhe dera os comprimidos gritou, rindo.
Ela voltou, rindo. Entregou uma das garrafas a ele, que abriu as duas ainda rindo. Ela não o conhecia, mas nada que a impedisse de se divertir com o desconhecido.
Sem querer, ela se deixou levar pelos olhos azuis daquele desconhecido. E logo ela estava na casa dele, sem ao menos saber o nome dele. Mas sem problemas, ela não se lembraria de nada no outro dia.
Acordou num quarto bagunçado – que estranhamente não era o seu – e fedendo a cigarros e tequila.
Tequila?
– Arriba! – alguém gritou em seu ouvido. Era o mesmo rapaz da noite – ou tarde – anterior. Ele usava um sombreiro e bigode falso.
A tequila estava explicada.
– Cara, vai pro inferno! – ela falou um pouco baixo, ainda com os olhos um pouco fechados e sentando-se na cama pequena. – PARA DE GRITAR, PORRA! – ela gritou, ao que o desconhecido não parava de gritar “arriba”.
Luzes. Roxas e amarelas e verdes.
Luzes?
– Cara, como é o teu nome? E me diz onde eu to pelo amor! – perguntou.
– Eu sou John e você está na minha casa.
– Ótimo. Agora tchau eu vou pra Ca... – ela começou, se levantando, mas se interrompendo a ver que John estava nu. E ela também.
– Cadê as minhas roupas? CADÊ AS SUAS ROUPAS? – ela disparava perguntas como uma metralhadora.
John apontou para um amontoado de roupas. Lily pegou as suas e vestiu-as na velocidade da luz.
– Dale a tu cuerpo alegria Macarena! – John cantava e dançava ainda nu.
Deus, aquele cara era louco!
Lily saiu o mais rápido dali, sem antes roubar uns cigarros, comprimidos e tequila.
Na rua, ela encontrou James que aparentemente estava indo pra casa, tão cansado quanto ela. A ruiva não agüentou e desabafou sua... Manhã – afinal, que horas eram, mesmo? – para o moreno.
– Porra, eu estou morrendo! – ela falou, relaxando os ombros.
– Morre logo, então.
– Sua delicadeza é impressionante, Potter.
– Cala a boca, Evans. Eu estou morrendo!
– Pelo menos você não transou com um doido, que, quando eu acordei, gritava “arriba” de segundo em segundo e ainda pelado.
– Nossa.
– Cadê o Sirius e o Rem?
– Com suas garotas, provavelmente.
– Com “garotas” você quer dizer abraçados com a privada, né?
– Isso aí.
Lily soltou uma gargalhada e James passou um braço pelos ombros da ruiva, que abraçou a cintura dele. E um flash cegou-a momentaneamente.
– Parece que estaremos na MTV hoje ou alguma revista de fofocas. – James brincou.
– E qual será o boato dessa vez?
– “Lily Evans e James Potter, do The Snakes, saem de festa juntos. Há boatos em que os dois estejam em um relacionamento sério!” – James disse, já imaginando a notícia nas páginas de alguma revista de fofocas.
Lily gargalhou alto, ignorando toda a ressaca.
– Que fome! – Lily exclamou, estendendo o “o” quando passaram em frente a uma pizzaria.
James a empurrou para dentro, rindo. Sentaram em uma mesa afastada e logo uma garçonete vadia veio pegar os pedidos.
– Qualquer coisa com muito queijo, por favor! – Lily quase implorou, James riu e a garçonete correu para pegar a pizza “com muito queijo” para Lily.
James tirou do bolso da jaqueta um saquinho que Lily percebeu ser anfetamina.
– Aqui? – ela perguntou, confuso.
– Já estamos numa revista de fofoca, mesmo. – James deu de ombros, e Lily concordou.
Ele arrumou suas fileiras em cima da mesa e contou até três, e logo todo o pó branco estava nas vias respiratórias deles.
Imagine dois jovens, numa pizzaria, chorando de rir da garçonete assustada. Era exatamente essa a cena.
– Exijo que saiam do meu estabelecimento. Agora! – um velho baixinho e gordo com sotaque italiano disse para eles, bravo.
Os dois sairam, rindo, para variar. Lily estava de costas para a rua, e uma pedra ficou em seu caminho, a fazendo tropeçar.
Sabe aquelas cenas de filmes, em que a mocinha tropeça e o mocinho a segura, eles se encaram e se beijam apaixonadamente? Então, quase isso.
Lily tropeçou, James tentou a segurar, mas devido ao riso, ele estava sem forças. Os dois caíram na calçada, gargalhando.
As pessoas que passavam pro ali só pensavam uma coisa sobre eles:
Drogados.
Notas finais
Deixem reviews, não esqueçam! E é isso aí.
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