Bastidores
15 Maybe.
Notas iniciais
Então, aí está:
Depois de um cansativo dia, Lily estava em seu quarto, ouvindo uma música melosa e comendo sorvete. Ela quase pulou do colchão quando bateram na porta, impacientemente.
– Quem é? – ela gritou do quarto.
– Sou eu! – gritaram do outro lado da porta.
– Ajudou muito! – ela devolveu. Foi obrigada a se levantar e ir atender a porta. De pijama, mas quem disse que ela ligava?
– O que você ainda está fazendo aqui, mulher? – Frank gritou assim quem ela abriu a porta.
– Comendo sorvete, oras. – ela respondeu, encolhendo os ombros.
– São seis da tarde, e caso você não lembre, você tem uma coletiva de imprensa que era pra ter começado as cinco! – ele falou impaciente.
– CARALHO! – Lily gritou e correu para se vestir.
Vestiu um curto e justo vestido preto, meias 7/8 e sapatos de salto – de uns doze centímetros, vale ressaltar. Passou rapidamente um batom vermelho e estava pronta.
Saiu ao lado de Frank, que batia os pés furiosamente contra o chão. Lily pensou em oferecer um baseado, mas ele com certeza ficaria mais furioso ainda. Lily entrou no carro de James, e em vinte minutos ela estava entrando na sala, coberta por flashs.
– Será que dá pra parar? To ficando cega. – ela falou, assim que se sentou entre Remus e Sirius, apoiando os cotovelos na bancada.
Os flashs pararam, e uma onda de perguntas foram dirigidas a ela.
– Porra, vocês parecem um bando de babuínos. Vocês são da imprensa! Dá pra ter calma? – ela falou.
– Lily, onde você estava que se atrasou tanto? – um dos repórteres perguntou, assim que todos se acalmaram.
– Em casa. – ela respondeu, simplesmente.
– Lily, você e James foram vistos abraçados hoje mais cedo. Vocês tem algo?
– Mas é claro! – ela falou e todos, todos mesmo, ficaram de olhos arregalados. – Temos uma relação de amizade. – continuou e todos ficaram aliviados.
– Lily, é verdade que o primeiro disco dos Snakes sai ainda esse mês?
– Talvez.
– Agora, uma pergunta para os rapazes. Como é conviver com a Lily, já que nos shows, ela é tão provocativa?
Lily corou até a alma. Provocativa, ela? Em que sentido?
– Normal. – eles responderam quase em uníssono, encolhendo os ombros.
– Vocês pretendem gravar algum novo video clipe em breve?
– Talvez.
– E como seria a história desse clipe? Algo especial? Os fãs podem aguardar algo polemico?
– Talvez.
– Ok, o tempo acabou. – Frank interrompeu.
Eles estavam saindo, Frank estava abraçado a Alice contando como eles queriam um filho, menino para colocar o nome de Neville quando uma garota loira e magra chegou, sorrindo, conversando com Marlene e Tonks. James sorriu e abraçou a garota loira, dando um selinho rápido nela.
E o que Lily sentiu foi esquisito, assustador e doloroso.
Ela sorriu sem graça, cumprimentando Marlene e Tonks, que abraçaram seus respectivosmachos.
– Eu sou um castiçal agora. – ela brincou, tentando fazer com que seu cérebro se lembrasse que James podia muito bem namorar outras garotas.
– Ruivinha, aquele lá – Tonks falou, apontando para o outro lado da rua – tá interessado em você. – era um velho gordo e nojento.
– Que corpo sensual! – Lily entrou na brincadeira, piscando para o velho gordo.
– Ele ficou apaixonado por você, olha! – Tonks riu alto.
Todos riram. Lily realmente se sentia um castiçal e ficava até sem graça no meio de quatro casais.
– Ah, essa é Emmeline Vance. Emme, esses são Sirius e Marlene, Remus e Tonks, Frank e Alice... E a jardineira de bonsai aqui é a Lily. – James fez as apresentações.
– Emmeline... Eu tenho certeza que te conheço de algum lugar... – Lily falou, pensativa.
– Sou fotógrafa. – Emmeline respondeu, sorrindo.
– Ah, eu sabia! Eu vi seu nome em uma revista dia desses, em baixo de uma foto da Cher. – Lily respondeu, acendendo um cigarro.
Despediu-se de todos quando estava perto do seu prédio, sorrindo falsamente. Lily não gostara de Emmeline, por três motivos: Ela era loira de farmácia, ela beijara James e o mais importante: Ela parecia demais com Tracie Louth, até no jeito de andar.
Talvez – só talvez – ela estivesse com ciúmes. Bem lá no fundo, escondido da luz do sol, seu ciúmes corroia.
O que?
Lily estava com ciúmes. Normal, mas... Com ciúmes de James, como se ele fosse totalmente seu, o que não era o caso? Não, não e não!
Ela balançou a cabeça, tentando jogar seus pensamentos fora, o que não deu muito certo. Entrou em seu cubículo – conhecido como apartamento – e se jogou no sofá, ligando a TV. Ficou mudando os canais, entediada demais.
– Lily! – gritaram, batendo na porta.
Ela a abriu e – novamente – Sirius, Remus e James estavam lá.
– De novo? – ela perguntou.
Ninguém respondeu, apenas entraram. Três folgados, isso sim. Eles carregavam garrafas de vodca, uísque barato e cerveja.
–Warm smell of colitas…– Lily cantou baixinho.Estava deitada no chão, as mãos atrás da cabeça e o olhar vago. Depois de beber todas, ela estava aérea, não muito diferente dos outros três.
– Rising up through the air – James comletou, também deitado no chão.
– Aquela Vance é uma vadia – cantarolou sem pensar, sem perder o ritmo da música que antes cantava.
– E você está com ciúmes! – James completou, caçoando.
– Vá pro inferno. – Lily continuou a cantar.
– Pelo menos lá é quente.
– DÁ PRA PARAR DE DISCUTIR? QUE CARALHO. – Remus gritou, assustando os dois. Ele e Sirius dormiam no chão.
– Remito estressadinho! – Lily riu.
– Vai se foder, Lily! – Remus resmungou e voltou a dormir. Sirius nem se mexera.
Estranhamente, os dois grandões pareciam duas crianças dormindo profundamente no chão.
Lily riu, imaginando realmente duas crianças, ao invés de um bêbado e um drogado naquele chão frio.
Ela se levantou, e, aos tropeços, foi para a cozinha. Se escorou na bancada da pia, fechando os olhos. Foi surpreendida por um abraço. Não daqueles de conforto. Ela abriu os olhos e encarou James, que sorria malicioso. Ela soltou uma gargalhada não tão alta.
Apoiou-se na bancada, e logo estava sentada. James segurou firmemente suas coxas e beijou-a. Ela tinha as mãos entre os cabelos escuros de James. Ele desceu seus beijos para o pescoço da ruiva, que tinha os dedos cravados na nuca do moreno. Quando ela voltou à realidade, e o afastou, encarando-o.
– Sua namorada vai ficar puta. Digo... Puta ela já é, né. – ela falou.
– Ela não é minha namorada. – ele alegou.
– E então o que foi aquilo mais cedo?
– Na realidade, nem eu entendi.
– Meu Deus, você é retardado.
E voltou a beijá-lo, depois de soltar uma risada baixa.
Quando o ar faltou, eles foram obrigados a se separarem, ofegantes. Lily tentou empurrar o moreno, sem sucesso.
– Com licença? – ela perguntou, sem paciência.
Ele revirou os olhos e a pegou pelas pernas. Ela se debateu, mas James só sabia rir da situação.
– Me solta, James Potter! – ela falava não muito alto.
– Não solto, Lily Evans! – ele ria.
– Vai se foder, Potter! – ela reclamou e desistiu de se debater, quando percebeu que ele não a colocaria no chão tão cedo.
– Desistiu?
– Não! – ela recomeçou a dar murros nas costas de James e se debater.
Ele tornou a revirar os olhos.
E duas loucas invadiram o apartamento. Uma delas tinha o cabelo rosa chiclete e a outra tinha olhos extremamente azuis. Eram Tonks e Marlene.
James pôs Lily no chão rapidamente, o que desequilibrou a ruiva.
As outras duas, em passos firmes e decididos, foram até onde Remus e Sirius dormiam como dois bebês – se é que bebês roncam feito porcos.
– Awn, que fofos! – Marlene falou, admirando os dois. Mas logo sua expressão mudou. – Acorda filho da puta! – gritou, quase chutando o noivo, que acordo assustado.
Com o grito, Remus também acordou e até James, Lily e Tonks se assustaram.
– O que você estava fazendo dormindo no chão da casa da Lily, Remus Lupin? – Tonks perguntou, as mãos na cintura e a expressão furiosa.
– Você mesma já respondeu! – Remus falou, levantando-se.
– Eu quis dizer “porque você estava dormindo aí”!
– E não era mais fácil perguntar “porque” de uma vez?
– Credo, você é tão complicado!
– Eu sou complicado? – e Remus riu debochadamente.
– Epa, epa! – Lily falou, quando Tonks ia argumentar.
Como os dois eram complicados!
Depois de muita discussão – principalmente entre Tonks e Remus, que não pareciam estar nos melhores dias – os seis sentaram-se na pequena varanda, o vento frio do outono invadindo a sala.
Lily incrivelmente se sentia um pouco desconfortável por estar tão perto de James. Mas talvez... Só talvez, ela tivesse um sentimento reprimido por um longo tempo e que agora voltava a tona, um sentimento que fazia seu coração disparar e ela sentir ciúmes. Amor. Amor que ela nunca sentira por Luke.
Talvez amor.
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