Bastidores

1 Oh, my London.


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Mas um dia comum, na vida comum de uma garota comum. E essa garota comum sou eu, Lily Evans, conhecida por LL (Lily Lésbica) Só porque eu uso camisetas largas dos meus amigos – Remus Lupin e Sirius Black – e prefiro o Michael Jackson a Madonna. É que eu tenho um certo nojo de pessoas loiras, mas principalmente quando ela se chamam Tracie Louth e te zoam desde a quinta série.

Bom, eu moro em Londres e tenho 17 anos, uma irmã chata e asma. Petúnia é magrela, alta, tem um namorado baixinho e gordo. Eles me odeiam. O único motivo de eu não ter entrado no mundo das drogas e fugido de casa pra virar prostituta são os meus pais, hiper mega protetores. Eles sempre acham que Sirius vai-me estrupar e Remus vai me usar como mercadoria pra comprar drogas. Se bem que Sirius tem uma cara de tarado, e Remus tem cara de drogado – na verdade ele é drogado de verdade, mas se você não gostar de maquiagem roxa no olho, não fala isso pra ele. Obrigada.

Nesse momento estou indo pra escola, Albert Einstein High School, acompanhada de Sirius e Remus, uns 10 centímetros mais altos que eu, com meus 1,60 de altura no meio dos dois. Meus cabelos ruivos compridos até um pouco abaixo do meio das costas amarrados num rabo de cavalo, eu usava uma camiseta preta do Metallica, – na verdade, eu nem gosto muito, a camiseta é do Sirius – uma calça Jeans manchada (eu a pus sem querer na água sanitária); e meus all stars já velhos.

Remus está com os olhos vermelhos e ainda cambaleante (noite em claro, com certeza) e Sirius fala sem parar em como a Madonna é gostosa e o novo disco da Cher. Passamos em frente a loja de discos, a minha preferida, e entramos. Sirius e eu vamos diretos a prateleira dos lançamentos, e Remus fica olhando as outras prateleiras. Cher, Cyndi Lauper, Agnostic Front, Whitesnake e Goo Goo Dolls. Porra hein, nada novo. Sirius está com os olhos fixos em algo trás de mim. Viro meu pescoço e vejo a bunda da Louth empinada e os cabelos estupidamente e ridiculamente loiros dela metidos na prateleira de discos pop. Ela está lendo a contracapa do disco do Michael Jackson. Espera... Ela sabe ler?

Dou tapinha na cabeça de Sirius, que olha feito um bobo pras nádegas da sem-cérebro. Reviro os olhos.

– Lils! – ouço Remus me chamas do outro lado da loja. Ele segura um disco do Guns N’ Roses em uma mão, e em outro um dos Beatles. Corri até ele e peguei os discos de suas mãos, me direciono ao caixa e sorrio para John, o dono da loja. Ele pega os discos e me olha com seus olhos pequenos e fundos.

– Onde você conseguiu achar isso, menina? – ele diz com sua voz grossa, coça a barba e dá um gole em seu como de uísque.

– Remus que achou. Lá atrás. – eu disse, apontando com o indicador para onde Remus estava.

– Então esse – ele me entrou o disco – fica de graça pela façanha.

Peguei alguns euros do bolso e entreguei ao velho. Saímos da loja arrastando Sirius conosco. Sirius fica fascinado por qualquer coisa, que incrível.

Não fomos a escola nesse dia. Você vai concordar comigo: biologia, vadias e comida ruim ou guitarras, amigos e biscoitos da Tia Black? Eu prefiro a segunda opção. Enfim, fomos pra casa do Sirius ensaiar na porão dele. Ah, eu não avisei, né? Nós temos uma banda. Legal, né? Eu sempre quis ter uma banda. É tão legal. Eu fico empolgada falando da banda, desculpe. Remus toca bateria, Sirius baixo e eu sou vocal e guitarra. As vezes (só as vezes) chamamos James pra ajudar. E a banda ainda nem tem nome. Eu gosto de Lily e seus liletes. Mentira, que porra é liletes? Na verdade eu queria que chamasse The... alguma coisa. Por que “The” fica legal, não fica? The Beatles faz sucesso e tem “The” no começo.

Chegamos na casa do Sirius e roubamos alguns biscoitos e levamos pro porão. Os pais de Sirius trabalham o dia todo, portanto ninguém ia ligar pros meus pais avisando que eu estava matando aula. O que é bem bom. No porão Sirius e Remus ligaram todos os instrumentos e microfones (os dois) enquanto eu comia biscoitos sentada em uma das caixas de som.

All My Loving – The Beatles

Close your eyes and I'll kiss you

Tomorrow I'll miss you

Remember I'll always be true

And then while I'm away

I'll write home everyday

And I'll send all my loving to you

I'll pretend that I'm kissing

The lips I am missing

And hope that my dreams will come true

Eu continuava sentada – preguiça? Imagina! – e fui obrigada a começar a cantar, devido a demora pra eu comer os biscoitos. Eu estava tocando minha guitarra favorita – uma Gibson Les Paul e meus olhos estavam focados na mesma, tentando não errar nenhuma nota – meio que impossível, porque eu ainda estava aprendendo a tocar.

And then while I'm away

I'll write home everyday

And I'll send all my loving to you

All my loving I will send to you

All my loving, darling, I'll be true

Close your eyes and I'll kiss you

Tomorrow I'll miss you

Remember I'll always be true

And then while I'm away

I'll write home everyday

And I'll send all my loving to you

All my loving I will send to you

All my loving, darling, I'll be true

All my loving, All my loving

All my loving I will send to you

Depois de errar algumas notas – culpa do McCartney e Lennon que fizeram a música difíci– eu finalmente havia pegado a jeito da coisa. Eu balançava minhas pernas curtas no ritmo da música, parecendo uma criança.

Logo, pra minha total infelicidade, James chegou e tomou posse da minha guitarra – eu quase arranquei todos seus dedos das mãos e dos pés por isso.

– Tira as mãos da minha guitarra seu anima– ciúmes da guitarra? Nem tenho.

– Qual a palavrinha mágica?

– Agora, porra.

– O amor é lindo, né Sirius? – Ouvi Remus falar, piscando os olhos nada docemente.

– Remus?

– Diz.

– Vai tomar no cu.

Sirius segurou o riso. Ainda me admiro e andar com eles. Campainha toca. Sirius corre pra atender, desesperado. Quem ele acha que é, Paul McCartney vindo pedir uma xícara de açúcar? Eu acho que não. Logo ele volta, ofegante.

– Velha chata dos infernos. – resmungou. Com certeza era a Sra. Tayler, uma velha chata vizinha do Sirius, que sempre reclama quando a gente ensaia.

– Já não ta na hora de você saírem desse porão, não? – James olhou em volta. – Sei lá, só acho.

– E alguém pediu sua opinião, ô animal? – falei, pegando meu caderno de músicas (que como você já deve ter percebido é onde eu escrevo minhas músicas)

– Concordo com o Jay, Lil. A gente tem uma banda e nem nossos pais sabem! – Sirius. Eu riscava uma folha em branco do caderno, sem olhar pra eles.

– Mas onde a gente vai se apresentar? Por acaso vocês já tem um local? – Encolhi os ombros, olhando pra eles e jogando o cabelo pro lado.

– No Red tem karaokê, a Lils pode ir lá, cantar e a gente fala com o Shoun. – Shoun era dono do Red Club, barba branca e barrigudo.

– Ah, porque eu tenho que ir lá cantar? Eu odeio Karaokê. – é verdade, eu odeio Karaokê. Sério, muito seio. Eu também odeio marshmallow. – E porque eu preciso cantar enquanto vocês falam com o velho? Não dá só pra falar com ele, sem cantar? – Ativar carinha de cachorro pidão.

Bom, eu tive que cantar no karaokê. Anotação mental: arrancar os olhos do Sirius, que me arrastou pro Red. Eu até gosto de lá, exceto dos bêbados de lá. Por isso eu sempre vou lá acompanhada.

Comprei uma ficha pro karaokê, mesmo que contrariada. Meus tênis fazem a madeira do pequeno palco ranger. Eles precisam urgentemente de uma reforma. Botei a ficha na máquina e a música começou a tocar. Peguei o microfone.

All Through The NightCyndi Lauper

All through the night
I'll be awake
And I'll be with you
All through the night
This precious time
When time is new

Oh
All through the night today
Knowing that we feel the same without saying

A letra eu já conhecia. Claro, quem não conhece as músicas da Cyndi Lauper. Sempre achei ela meio louca, mas...

We have no past, we won't reach back
Keep with me forward all through the night
And once we start the meter clicks
And it goes running all through the night
Until it ends, there is no end

All through the night
Stray cat is crying
So stray cat sings back
All through the night
They have forgotten
What binding they lack

Oh
Under those white street lamps
There is a little chance they may see

E um bando de bêbados olhando pra mim. Ainda bem que eu continuo com minha calça jeans, mas parece que um velho já arrancou-as de mim em pensamento. Meu Deus, não deixe ele me estrupar, por favor. Obrigado.

We have no past, we won't reach back
Keep with me forward all through the night
And once we start the meter clicks
And it goes running all through the night
Until it ends, there is no end

Oh
The sleep in your eyes is enough
Let me be there, let me stay there a while

We have no past, we won't reach back
Keep with me forward all through the night
And once we start the meter clicks
And it goes running all through the night
Until it ends, there is no end

Finalmente a tortura acabou. Ando até Remus, que enche um copo com vodca.

– Diga que conseguiram. – Sentei do seu lado. Mordi o lábio inferior – se eu fiz aquilo por nada eu...

– Claro que conseguimos. Shoun disse que você canta muito bem.

– E cadê o Sirius? E aquele acéfalo que vocês chamam de James?

– Sei lá. O Sirius deve estar com aquela morena... Aquela dos olhos azuis... Sei lá o nome dela.

– Marilyn?

– Isso. Sabia que começava com M.

– E quando vai ser?

– O quê?

– O... show... Sei lá.

– Mais tarde.

Se eu tivesse com um copo de água, eu cuspiria na cara dele.

– Como? Mas...

– É, hoje.

Resumindo: Eu procurei Sirius e Mari, e arrastei-a comigo. Não que Mari e eu fossemos muito amigas, mas eu precisava de uma mente feminina pensando comigo, e era ela ou Pet. Bom, Pet certamente não me ajudaria e escolher uma roupa. Não que eu ligue muito pra roupa, é só uma apresentação pra um bando de bêbados, mas... Bom, é legal se arrumar.

Notas finais
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