Bastidores
6 Happy birthday, Child.
Não tinha mais o que escrever, voltei a deitar-me ao lado de James, silenciosamente.
(...)
– Acorda pombinha! – que belo jeito de se acordar, não? Sirius gritando e batendo numa panela pela casa as... Eu não sei que horas são.
– Seu arrombado, vai acordar a avó seu filho de uma puta. – falei, rouca de tanto dormir, e super delicadamente também.
– Não fui eu que dormiu agarradinha com o Jay-Jay, né? – Sirius devolveu, rindo. Ah, é. Eu dormi agarradinha com o James mesmo. Até que não foi ruim.
Dei o dedo do meio. Sentei-me, coçando os olhos. Eu ainda estava coberta pelo casaco de James, e o mesmo não estava mais do meu lado. Tive que reprimir a vontade de fazer um biquinho. Peguei o casaco e o vesti, chamando Sirius com a mão. Ele chegou, curioso, perto de mim.
– Me carrega? – falei, rindo logo após. Ele virou de costas para mim e eu subi no sofá, pulando em suas costas e segundo em seu pescoço. Fomos até a cozinha e adivinha quem tava lá? Remus.
– O que você ta fazendo aqui, estrupício? – perguntei.
– Eu? – Remus perguntou, levantando os olhos e me encarando.
– Não, a Rainha. – revirei os olhos. – To fazendo nada, não.
– Lily... – Sirius se pronunciou.
– Que foi égua? – perguntei, pendendo meu corpo um pouco pro lado.
– Tá me enforcando. – ele disse, finguindo uma falta de ar. Ri e desci de suas costas.
– Sabe o que eu sonhei? – Remus começou, quando eu sentei ao seu lado, no chão, embaixo de um balcão.
– Diz.
– Era tipo, uma casa tipo essa, cheia de uns monstros, que comiam cérebro, e eles queriam pegar o meu cérebro, e eu tinha que correr entre um monte de corpos ensangüentados... – ele falou, fazendo uns gestos estranhos com as mãos e umas caretas nojentas.
– Obrigada, Remus, agora eu nunca mais vou dormir nessa casa. – falei rindo ironicamente.
– De nada. – ele devolveu o sorriso. Sirius havia sumido. Minto, ainda dava pra ouvir ele cantando “Don’t Stop Belivin”. Desenterrou do baú, essa.
– Don’t Stop – ele fez uma pausa dramática e eu comecei a acompanhá-lo – Beliviiiiiiiiinnnnnnn.
Credo em Cruz. Sirius devia estar muito chapado. Isso que ele nem acordou direito. Ou acordou.
– Ele acordou sozinho hoje, foi? – James apareceu, só com uma calça couro super apertada. Acho que não preciso nem dizer o quão sexy ele estava. Sério.
Ele sorriu de canto pra mim. Eu devolvi o sorriso. E nós parecíamos Romeu e Julieta.
Nem tanto. Levantei-me e comecei a andar pela casa, já tirando uma das blusas que eu usava, a procura de um banheiro. Achei. Mas pra minha infelicidade aquela porra não tinha água quente. Nem sequer era um chuveiro. Era um cano que despejava água sem parar. Isso mesmo, não tinha registro.
– Que porra, caralho, tá do Alasca isso, puta que pariu! – gritei ao entrar debaixo da água, sem minhas roupas. Eu havia tido a inteligência de trancar a porta.
Afinal, alguém podia me ver nua. E eu não queria isso, não mesmo. Tomei um banho o mais rápido que pude e me sequei com uma das minhas blusas. Vesti a que tava seca e minha calça. Voltei pra onde ‘tavam os meninos e Remus e Sirius tavam rindo, olhando pro teto. James os olhava, sério.
– Deixa eu adivinhar... Anfetamina?
– É... Ei.
– Que foi?
– Sabe quem veio aqui enquanto tu tomava banho?
– A minha mãe?
– Não...
– Quem?
– O Frank.
– E daí?
– E daí que ele pediu pra gente morar lá na casa dele, com ele e a namorada dele.
– E cabem seis pessoas lá?
– A casa dele é enorme, Lily.
– Então ta bom.
Ele acendeu um cigarro e deu uma tragada, e depois o entregou pra mim, que fiz o mesmo. Era legal compartilhar um cigarro, apesar de parecer nojento, é legal. E a gente ficou ali, nós quatro, eu, James, Remus e Sirius, com cara de nada, olhando pro nada, se batendo, discutindo sobre coisas inúteis tipo “essa casa devia ser pintada de branco” “não, azul é mais legal” “branco” “azul” “branco”... Era sempre assim quando a gente ficava junto por mais de cinco minutos. Na verdade a gente brigava mais que conversava. A gente era tão estranho, nem parecia um bando de amigos. Parecia mais um pessoal que se odeia e não para de brigar um minuto sequer.
Logo, Frank veio nos ajudar a levar nossas coisas a casa dele. Era grande, bem cuidada e tinha muitos vasos de cerâmica. Tomei cuidado pra não esbarrar em nada. É que na verdade eu fui a pessoa mais desastrada do mundo. Não dá pra deixar nada quebrável perto de mim que ela estará em pedaços em dez minutos. Só pra ter uma idéia, eu já quebrei meu braço quatro vezes. Três vezes o braço direito e uma o braço esquerdo. Sei lá, parece que eu tenho um imã com o chão que me puxa pra lá sempre. Parece macumba.
Encontrei a tal Alice no quarto que Frank havia me indicado pra dormir (apesar de eu insistir que eu poderia muito bem dormir no sofá). Alice era alto, loira, olhos bem azuis, cabelos cacheados e volumosos penteados para o lado. Usava um top rosa e uma calça jeans dobrada até um pouco acima dos tornozelos. Sabe o tipo de pessoa escandalosa e metida? Então. Ela me lembrava um pouco aquela vadia da Tracie Louth. Tenho acesso de raiva só de pensar nela.
– Oi. – falei, já sentando na cama de casal num canto do quarto.
– Oi. – ela respondeu seca.
– Sou Lily, e você deve ser a Alice, né? Frank falou muito de você. – é óbivo que eu a queria agradar e dar uns pontos a mais pro coitado do Frank.
– Nem me fale naquele... Argh!
– Ele disse que jamais te largaria, por nada desse mundo. Ele te ama pra caralho.
– É?
– Aham. Acho que ele vai te pedir em casamento. Assim, só acho.
– Ah, é? Então... Até mais Lily! – ela saiu saltitante do quarto. Minha boa ação do dia está feita. Posso dormir sem ressentimentos, hoje. Tá, nem tanto. Tranquei a porta do quarto e tirei minha calça, ficando apenas com a blusa. Deitei-me na cama, cobri-me com o edredom florido e fechei os olhos, dormindo logo. Uns vinte minutos depois, arrombaram a porta, batendo palmas e cantando o “parabéns pra você” mais ridículo que eu já havia visto na vida. Ganhava até da minha mãe no meu aniversário de um ano. Eu havia me esquecido que era meu aniversário. Ri alto, sentando-me na cama. Remus carregava um bolo com dezessete velinhas (pois é, eu estava fazendo 17), Sirius, Frank e Alice cantavam parabéns e batiam palmas, e James tocava seu violão. Batí palmas ao gritarem “Lily, Lily, Lily” em coro. Remus colocou o bolo em uma cômoda junto com o violão de James, e todos pularam em cima de mim. Cinco pessoas em cima de 55 quilos. Oh, vida cruel.
– Tá, beleza. Já pode sair, ta esmagando... – tentei gritar, já começando a faltar o ar. Eles se tocaram e se levantaram.
– Não tem presente esse ano, OK? – Sirius avisou, sorrindo logo após.
– Não disse que queria presente. – respondi, cruzando os braços.
– Apaga as velas! – Alice gritou, afobada, pegando o bolo. Assoprei as velas e algumas delas lutaram contra mim, o que me fez assoprar umas cinco vezes.
– Só mais cinco anos de vida pra Lily! – Alice fez beicinho.
– Credo, vira essa boca pra lá! – gritei, rindo em seguida, acompanhada dos outros. Ainda eram 22h00min, e todos resolveram sair. Tomei um banho rápido e vesti roupas limpas. Uma calça de couro, um corpete também de couro e uma jaqueta – adivinha? – também de couro. E sapatos se salto preto, com tachas.
Eu tava parecendo uma vaca. (N/A: Vaca, couro, entendeu? Não? Ah, tá) Saímos em direção a única boate da cidade. Era grande e tinha isolação acústica, porque do lado de fora, não era possível ouvir, mas a música era alta pra caralho. Entramos e logo perdi Alice e Frank de vista. De longe, eu podia ver uma figura muito familiar. Tinha os cabelos pretos, belas curvas e usava um top e saia pretos e apertados. Por um momento, pensei ser Marilyn. Mas era impossível, Marilyn era um pouco mais baixa e magra. Sirius andou em direção a garota, e logo eles se agarram. Mas é claro! Era Marlene, irmã de Marilyn. Mas... O que ela fazia em Liverpool? Ah, ela era modelo, e viajava muito, provavelmente estava em Liverpool pra fazer um ensaio. James também sumiu de vista, e apenas eu e Remus ficamos ali, criando raízes. Puxei-o pelo pulso até o bar, e gritei em seu ouvido, por causa da alta música.
– Pega uma bebida pra mim!
– O que você quer?
– Qualquer coisa, forte e que tenha um gosto bom!
– Ok.
Foi até o bar e pegou duas garrafas e Jack Daniel’s, me entregou uma e sumiu. Que ótimo, eu estava sozinha. Quem iria pegar bebida pra mim agora? Fui até a pista, tocava uma música desconhecida, mas bem agitada. Dancei até meus pés doerem. Bebi tudo que me entregavam, forte, colorido, alguns eram tão fracos e transparentes que eu pensei ser água. Cambaleei até um cara desconhecido, rindo escandalosamente. Ele era alto, extremamente bonito. Ele estava sentado em grande sofá vermelho. Sentei ao seu lado. Ele me olhou, falou algo que eu não entendi e me puxou pelo pulso. Resisti, então ele me pegou no colo. Me debati e ele me pôs no chão, contra uma parede. Seus braços me impediam de ir para qualquer lado que fosse. Me encarou e aproximou seu rosto do meu, e finalmente nossos lábios se tocaram. Eu não sei se era porque eu estava bêbada, ou realmente era verdade, mas ele me era familiar. Muito.
(...)
Minha cabeça doía e levei alguns bons minutos tentando fazer meus olhos se abrirem. Meu corpo doía e eu não lembrava absolutamente nada. Nada depois da primeira garrafa de uísque. Estava na casa de Frank, eu tinha certeza. Ainda estava com as roupas de ontem a noite, inclusive os sapatos. Eu devo ter desmaiado. Meu cabelo estava baunçado e minha cara, provavelmente borrada de maquiagem e amassada. Olhei no rádio-relógio ao lado da cama. 14h30min. Que beleza, hein. Me levantei e tomei um banho gelado. Deixei a água cair sobre meus ombros, gelada, o que me impedia de dormir por mais tempo naquele banheiro. Fui a cozinha, a procura de algum remédio pra dor, mas não achei, nem na cozinha, nem no banheiro, nem em lugar nenhum. Ninguém havia acordado ainda. Sentei na varanda, acendendo um cigarro.
Ok, vamos rever os fatos e tentar se lembrar de alguns: Eu lembro de ir a uma festa, beber, transar com um desconhecido e... Mais nada. Nada, apenas um branco. E quanto mais eu tentava lembrar, mais minha cabeça latejava e mais um cigarro eu queimava. (Rimou!)
– Bu! – James chegou por trás de mim, me assustando.
– Minha cabeça ta doendo, não queira que eu faça a sua doer também.
– Mais do que já ta doendo? Duvido. – sentou ao meu lado – tem um cigarro?
Entreguei-o um cigarro e ele o acendeu no meu. Ficamos em silêncio, sentados lado a lado, fumando naquela varanda.
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