Bastidores
5 Five days, a haunted house and sex (again)
Notas iniciais
Cinco dias de viagem e nós estamos a muitos quilômetros de Liverpool. “Mas porque vocês não foram de avião?” Porque a gente é pobre. Muito cheiro de álcool dentro do carro e depois de um tempo nem se sente mais. Dormimos dentro do carro e tomávamos banho em casas de velhinhos bonzinhos. Eu, James e Sirius ficamos bêbados quase toda noite. Sirius está cheirando também. Agora temos dois viciados. Que ótimo.
Agora eu e James estamos indo em direção a uma lanchonete. Sem dinheiro nenhum. Sim, é o que vocês estão pensando. Entramos na lanchonete e uma loira aguada nos atendeu, cruzando os braços pra fazer seus peitos parecerem maiores. Pedimos muita, mas muita comida pra viagem. Ela nos trouxe a comida e nós a pegamos, correndo até o carro, onde Sirius arrancou e alcançou Remus que nos esperava alguns quilômetros atrás. Rimos como condenados – se bem que condenados não estariam rindo, mas ok.
Sentamos nós quatro na beira da estrada, ainda rindo um pouco. Cada um de nós pegou uma coisa e almoçamos. Nossa rotina era assim: Acordar, dirigir até bater a fome, arranjar comida – na maioria das vezes, furtar – e voltar a dirigir até não agüentar mais acordados e pararmos pra dormir. Não me pergunte onde conseguimos gasolina. “Essa porra bebe mais que o Sirius”, Remus gritava chutando o pneu no seu carro constantemente, e Sirius o olhava confuso. Eu só fazia rir nessas horas.
Nessa rotina cansativa, chegamos ao condado de Merseyside.
Agora entendo porque Sirius resolveu vir pra Liverpool: Ele conhece um cara, que conhece um cara que trabalha em uma gravadora. E nós estamos tentando achar um telefone público pra ligar para o tal cara. Não achamos.
– Puta que pariu! – Sirius resmungou, chutando o pneu do carro.
Havíamos deixado os carros em um casarão velho e abandonado. Quando Sirius tentou ligar os fusíveis, levou um choque. Precisei eu mesma tentar, e não levei choque por usar chinelos de borracha. Por sorte, havia um pouco de energia. Teremos até vir a primeira conta.
Entramos no casarão e parecia aqueles lugares mal assombrados. Os móveis eram cobertos por lençóis brancos e uma camada de poeira. Parecia aquelas casas assombradas de filme de terror.
Os meninos resolveram “fazer um som”. As onze da noite. Acho que isso aqui não tem vizinhos.
Let’s Have a Party – Led Zeppelin
Some people like to rock, some people like to roll
But movin' and a-groovin's gonna satisfy my soul
Let's have a party
Woo, let's have a party
Send `em to the store
Let's buy some more
Let's have a party tonight
Now, Honky-Tonky Joe is knockin' at the door
Bring him in, fill him up, an' sit him on the floor
Let's have a party
Woo, let's have a party
Well, send him to the store
Let's buy some more
Let's have a party to…
Eu estava de frente para os garotos, o microfone no apoio, meus pés agora descalços batendo os calcanhares no ritmo da música. Mas alguém bate na porta, e parece que há duas pessoas brigando do lado de fora.
Todos fomos até a porta, e eu a abri (escancarei), deparando com uma velha, com os cabelos brancos em bobs e um robe de seda florido. Devo frisar que ela lembrava muito a Sra. Tyler. Havia uma pessoa que brigava com ela, também. Ele era bem mais alto que a velha e não parecia ser mais velho que Remus, não. Tinha o rosto redondo e olhos e cabelos castanho escuros.
Os dois pararam de brigar ao nos ver na porta. A velha já começou:
– Parem com essa barulheira! – ralhou, franzindo o rosto todo e me fazendo rir.
– Cala a boca, velha chata. – o outro falou, revirando os olhos. Estendeu-nos a mão e se apresentou – Sou Frank. Frank Long...
A velha bufou e foi embora, ameaçando chamar a polícia. Frank riu e Sirius o convidou para entrar. Frank não pensou duas vezes e entrou, olhando tudo em volta. Chegou a onde estavam os instrumentos.
– Hm... Que legal... Vocês têm banda? – ele falava andando por tudo.
– É. – Sirius respondeu, jogando-se no sofá e fazendo uma camada de poeira se levantar.
– Hm... Eu ainda não sei o nome de vocês... – ele riu e coçou a nuca.
– Lily – apontei pra mim – Sirius, James e Remus – apontava pra cada um enquanto falava seus nomes. – prazer.
– Então... o que vocês tocam? – Frank perguntou.
– De tudo, Beatles, Led, Sex Pistols, até Cyndi Lauper e Madonna. – respondi.
– Hm… — murmurou. Ele só sabe falar “Hm”?
Conversamos até altas horas, e quando o sono chegou, já era quase de manhã. Frank foi pra casa, dizendo “Desculpem, mas vou morrer hoje, foi bom conhecer vocês” e riu. Frank namorava Alice, que era ciumenta ao extremo. Coitado.
Sirius e Remus capotaram assim que apaguei as luzes. Apenas a luz que vinha da rua iluminava aquele cômodo. Dava pra ouvir Remus roncar e Sirius não parava de se remexer. James e eu estávamos sentados lado a lado, no chão embaixo de uma das janelas grandes e sombrias daquele casarão. Eu fumava meu cigarro e a fumaça era visível ao sair pela janela. Apoiei minha cabeça em seus ombros e abracei-me, quando o vento bateu forte. Escorreguei minhas costas pela parede até estar deitada. James fez o mesmo.
Dei um longo trago no meu cigarro, tomei coragem e vir-me-ei, querendo beijá-lo, mas James foi mais rápido que eu. Seu corpo logo estava sobre o meu, apoiado nos joelhos. Amassei meu cigarro em um canto e levei minhas mãos aos seus ombros. Suas mãos seguravam minha cintura e passeavam pelo meu tronco. Estavamos ofegantes quando nos separamos, pedindo ar. Rimos baixinho. Aquilo estava se tornando hábito.
Levei minhas mãos a sua calça, ele riu.
– Calma, Lils! – sussurrou em meu ouvido, e eu soltei uma risada abafada.
(...)
Aninhei-me e cobri-me com o casaco de James, minha cabeça em seu peito, ele colocou os braços embaixo da cabeça. Dormir no chão frio não era muito confortável, mas era o que tinha.
Eu sabia que todos os meus conceitos em relação a James estavam mudando. Pra caralho. Era como se eu precisasse estar perto dele pra conseguir raciocinar. Talvez, bem lá no fundo, eu soubesse o que eu estava sentido, mas era tão confuso, tão complexo.
Não posso perder meu foco, simplesmente não posso. Frank trabalha pra uma gravadora e estamos pensando em gravar pelo menos uma musica. Agora que tudo que eu queria estava se tornando realidade, se eu estiver realmente gostando de James como eu acho que estou gostando, poderia mudar tudo.
Ou não.
Como eu já esperava, fiquei vagando em pensamentos e não consegui dormir. Levantei-me e procurei meu caderninho de músicas, sentei-me em um canto afastado, peguei o violão de James e comecei a escrever.
I am finding out that maybe I was wrong
That I've fallen down and I can't do this alone
Stay with me, this is what I need, please?
Sing us a song and we'll sing it back to you
We could sing our own but what would it be without you?
Notas finais
Ah, lembrei. Bastidores agora tem um tópico na WNF (orkut). Pra quem quiser: http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=7712203&tid=5649266254259510998&na=2&scroll=-1&c=0.3281332873058115&refresh=0.41285005777303263
Acho que é só isso. Até o próximo ;*
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