Bastidores
3 Cigarettes and sex.
Notas iniciais
É noite já e eu não consigo dormir. Por quê? Porque aquele filho da puta do James ronca. Eu joguei pedra na cruz, só pode. Ele não dormiu do lado de fora como eu esperava, minha mãe o colocou num colchão no meu quarto. Essa mulher só pode estar me testando.
E como eu estou impossibilitada de dormir, eu estou escrevendo músicas. O sono não vem, mas eu tenho minha amiga criatividade. Isso soou estranhamente paranóico. De repente... Nada. É, nada. James parou de roncar.
Qual o número dos bombeiros? Ele morreu.
Ele não morreu, brincadeirinha! – risadas ao fundo, por favor, produção! – Ouço a janela abrir e o ar gelado entrar no quarto, me causando um arrepio.
– Lil? – a voz estranhamente (ou devo dizer sensualmente?) rouca de James me faz pular. – Achei que você estava dormindo.
– Você não deixou. – falei ironicamente, sussurrando. Nós demos uma risada baixa.
Junto com o vento frio da noite de Londres, o cheiro de cigarro também invade o quarto. Eu deveria ter se lembrado do vicio dele. Não que eu me incomode muito, já estou acostumada. O problema vai ser amanhã, minha mãe arrancará minha cabeça.
Arrancará minha cabeça cheia de pensamentos confusos, sentimentos confusos.
– Lil? – ele novamente chamou-me. Aquilo estava se tornando repetitivo. Ele estava debruçado no parapeito da janela, de costas pra mim.
Andei até ele e arranquei o isqueiro e a carteira de cigarros de suas mãos. Peguei um dos cigarros e coloquei na boca, a acendendo-o. Traguei fundo e senti o tabaco invadir minha traquéia e os pulmões. Soltei a fumaça lentamente. Aquilo era tão familiar pra mim. Tão normal.
Senti as mãos de James em minha cintura. Ele amassou o cigarro em algum lugar, jogando janela abaixo. Ele se próximo de mim e eu senti nossos lábios se colarem. Me empurrou lentamente até minha cama, onde eu caí sentada. Logo minhas roupas estavam no chão.
(...)
Sol filho da puta. Saia já. Não acredito no que estou vendo. É isso mesmo? Bem que poderia ser só um sonho. Mas não, vou de verdade. Os braços fortes de James envolvem minha cintura. E estou... Nua.
Puta que pariu, Lily! Não consigo, sou uma fraca e não resisto a sensação de ter uma pessoa do sexo oposto com quem você não tem nenhum parentesco no mesmo ambiente que eu. Fraca, burra.
Isso foi quase um incesto se parar pra pensar. Não é legal transar com um cara que – pelo menos até a noite anterior – eu considerava um irmão, na minha casa com meus pais dormindo no quarto ao lado.
Tem noção do que é isso?
Se bem que... Se bem que nada! Eu não posso ter “gostado”. Não mesmo. Puta que pariu, acho que sou bipolar.
– Bom dia... – se eu pudesse e conseguisse, eu teria dado um berro.
– Mal dia. Péssimo dia. Horri... – eu continuaria dando adjetivos como esses para o dia, mas algo me interrompeu: o telefone.
Alto pra caralho mesmo, de acordar defunto, esse telefone. Tirei o lençol de cima de mim e por sorte ou milagre, eu não precisei sair nua na frente do James, porque minhas roupas estavam próximas. Vesti-as e corri escada abaixo, pegando o telefone e me jogando no sofá.
– Alô – falei como a garota normal que não sou. Era o Sirius.
– A Mari disse que falou com aquele amigo do pai dela e ele disse pra gente ir lá hoje. – ele falou tudo muito rápido.
– Como você sabe? – não pude deixar de rir maliciosa.
– Lily! Eu preciso mesmo explicar?
– Não esconda nada. – falei séria, rindo em seguida – Brincadeira. Bobão. Ok, a gente ta indo aí.
– A gente... Quem? – pude sentir a malicia em sua voz. O que vai, volta.
– Sirius... Até mais. – desliguei.
Eu ia gritar o nome de James, mas lembrei que minha família estava em casa. Afinal, o que eu fazia em pleno sábado acordada as oito da manhã?
Sirius Filho da puta.
Corri ao banheiro a fim de jogar uma água no rosto, pra parecer que eu não havia acabado de acordar. Mas não deu.
Eu não tava a fim de ter pesadelos.
Mas bem, até que não seria um pesadelo. James Potter apenas de cueca no meu banheiro. Pelo menos ainda de cueca ele estava.
Ele ameaçou abaixá-la, então eu dei um gritinho e vir-me-ei de costas para ele, fechado os olhos com força.
– Não sabe bater na porta, Lils? – ele falou. Parecia indignado e ao mesmo tempo malicioso.
Eu vou ser estrupada no banheiro da minha casa. Socorro!
– Não ouse tentar fazer nada comigo ou eu grito. O quarto da minha mãe é ali do lado.
– Sua mãe saiu. Com Petúnia e seu pai. Deixaram um bilhete na porta do seu quarto, caso não tenha visto.
Vou morrer.
– Agora sai daqui que eu quero tomar banho... – ele completou.
Fui poupada! Saí daquele banheiro parecendo calmamente. Tá, mentira, quem vê assim pensa que James é feio. Muito pelo contrário, gafanhotos. Qualquer garota da minha escola (até algumas professoras, posso arriscar) dariam tudo pra ficar com James.
E eu aqui reclamando.
Sou muito burra, mesmo. Devia estar cantando Madonna com um abacaxi na cabeça encima de um poste de luz.
Corri pro meu quarto, e percebi que eu tava só de lingerie. De rendas. Me olhei no espelho, fazendo cara de “puta que pariu”. Graças a Deus meus pais haviam saído.
Coloquei uma roupa mais ou menos de gente, uma calça jeans, camiseta que eu achei no chão, provavelmente não é minha, mas eu gostei então peguei, e meus coturnos.
Saí do quarto, andando até a cozinha, vasculhando a geladeira e os armários procurando alguma coisa. E então alguém me abraça por trás. Dei uma cotovelada em sua barriga, fazendo-o me soltar.
– Auch! – ele gemeu, se curvando com uma das mãos onde meu cotovelo havia atingido.
– O Six ligou, ele falou que já achou uma gravadora – falei lentamente, intercalando as palavras com colheradas do cereal que eu havia acabado de pegar.
Terminei de comer meu cereal, e fomos a casa do Sirius.
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