Bastard

5 Capítulo 4


Saio o mais rápido possível de casa, pego um taxi e peço para o taxista – que me olhou estranho após eu avisar que queria que ele levasse até o morro.

Eu não acredito que vou ter que voltar naquele lugar. Jurei a mim mesma nunca mais voltaria ali, mas é por um motivo maior que meu orgulho.

Meu pai quer que eu aborte, mas realmente não quero isso. Tendei ajuda com Ana, mas ela virou as costas pra mim quando eu mais precisei da sua amizade. E sinceramente? Não tô surpresa. O caráter dela já dizia o que ela faria em uma situação dessa.

Depois da minha "amiga" me mandar pro inferno – literalmente – só sobraram duas opções: recorrer à minha vó ou ao filho da puta do Marco.

Tô com tanta vergonha de ligar pra minha avó, porém engoli isso e liguei. Mas ela não atendeu. Claro que se tivesse opção não estaria nesse táxi indo atrás daquele escroto.

Minha avó estava em um cruzeiro – ela vive nessas viagens depois que meu avô faleceu, passa meses sem se comunicar. E o que sobrou pra mim?

— Não vou chegar mais perto, não, moça. – avisa o taxista.

Olho pela janela e vejo a entrada do morro. Pago a corrida e respiro fundo antes de sair do carro.

Ando até lá e sou barrada.

— Aí, gatinha, que tu quer? – um dos vapor da entrada me barra e respiro fundo pra não manda-lo ao inferno e ele me mandar logo atrás com um tiro na cabeça.

— Paty? – Breno aprece de moto e suspiro aliviada – Quanto tempo, pô. Que tu faz por essas bandas?

— Preciso falar com teu amigo.

— Sobe aí que te levo.

Subi na garupa da moto e ele subiu o morro.

Algumas pessoas olharam pra nós dois na moto. Nada mudo, mas dessa vez foram mais discretos.

Fico um pouco tonta quando desço da moto e ele me segura pra eu não cair ali mesmo.

— Desacostumou, patricinha?

Sorrio pra ele. Entramos no local cheio de homens fumando, subimos uma escada e Breno bate na porta. Ouço a voz de Marco falando pra entrar e me arrepio.

Paty, por Deus, se controla que ele só quis te comer.

— Olha quem encontrei lá na entrada. – Breno anuncia.

Apareço e ele me olha de cima a baixo. Aperto a alça da minha bolsa com força.

— Que tu faz aqui? – ele nem se quer se levanta.

Quanta gentileza.

— Preciso falar contigo.

Breno olha pra nós dois e levanta as mãos.

— Tô caindo fora. – sai fechando a porta.

— Desenrola que tô sem tempo.

— Tô gravida, meu pai sugeriu um aborto, saí de casa e preciso da tua ajuda.

Digo sem rodeios. Não tem um jeito legal de falar isso pra ele.

— É meu? – pergunta sério.

Uso toda a minha força pra não pular em cima dele e arrancar seus olhos.

— Não vou te responder isso.

Vejo-o respirar fundo e se ajeitar na cadeira.

— Que tu quer que eu faça? Quer uma casa aqui? Te arrumo um canto. Emprego? Tu não sabe fazer nada. Né melhor tu fazer o que teu pai tá falando?

Olho espantada pra ele.

— É teu filho também; como pode falar isso?

Puta que pariu! Pra quem tu foi abrir as pernas?

— Pra mim não vai mudar nada, mina, tô falando por ti. Se é o que tu quer, não tô fugindo da minha responsa, não.

O que tu pensava, Paty?

— Preciso de ajuda. Minha mãe vai dar um jeito no meu pai, mas sei que ele não vai me aceitar de volta grávida de um traficante. Ela vai trazer minhas coisas e um dinheiro.

Ele assente e abre um caderno, o folheando.

— Tu fica em uma kitnet da dona Dilma até arrumar uma das minhas casas pra ti.

— Prefiro ficar na kitnet mesmo, obrigada.

Ele estreita os olhos e balança a cabeça.

— Desce. Pedi pro BN te levar lá e liberar a entrada da tua coroa.

[3 meses depois]

Meses se passaram; mamãe brigou feio com meu pai, chegou a passar uma noite fora de casa, mas acabou voltando. Eles se amam e não vivem um sem o outro.

Mamãe conseguiu me dar um dinheiro, com qual comprei meu diploma do ensino médio – ou estudava, ou trabalhava e cuidava de um bebê – e tudo que vou precisar para o foodtruck que mamãe me deu – aempre gostei de cozinhar e faço isso muito bem, então está na hora disso servir pra alguma coisa.

Marco deixou que colocasse o foodtruck em uma praça ao lado da quadra onde acontecem os bailes funks: ali ficam muitas pessoas e vai me render bastante.

Breno... o que falar do Breno? Se mostrou um amigo que nunca tive na minha vida. É ele quem sempre tá aqui do meu lado.

E o escroto do pai do neném? Nem me perguntem... desses três meses que tô aqui, só o vi com mulher e drogado.

Cara, o que eu tinha na minha cabeça?

Notas finais
Demorei muito pra postar? Se sim desculpem. O capítulo está um pouco pequeno, mas é porque era só o que eu ainda tinha conseguido salvar e está guardado. Tenho uma nova fic. É criminal, tem o Justin Bieber pra quem gosta dele.... Mis besitos, Amy Holly.