Bastard

2 Capítulo 1


— Pai, por favor, não me olha assim, eu...

— Você? Você o quê, Patrícia? Meu Deus, onde eu errei com você? Te dei tudo o que você sempre quis, sempre fui um bom pai, eu sei disso... Tenho consciência que te mimei, mas isso?!

Ele acaba de falar e se joga na poltrona da sala com as mãos no rosto. Me aproximo e me ajoelho na sua frente.

— Papai, eu sinto muito, não planejei isso, não foi por querer. Foi um erro, uma burrice. Eu te amo, pai. Por favor, me perdoa.

Ele tira as mãos do rosto e me abraça.

Suspiro aliviada. Não sei o que faria se meu pai não me perdoasse, afinal ele é tudo pra mim.

— Minha menina, minha filhinha. Eu vou cuidar de tudo pra você. Vai continuar tudo como sempre foi, nada vai mudar.

Nada vai mudar? Como assim "nada vai mudar"? Tudo vai mudar. Eu vou mudar, minha vida vai mudar, essa casa não vai ser como antes, nada vai ser como antes e essa é a única certeza que eu tenho na minha vida.

— Como assim? O que quer disser com isso, Henrique? — finalmente minha mãe se manifesta — Se for o que eu estou pensando pode tirar da sua cabeça.

— Paola...

— Pode esquecer, é perigoso. Pode... — ela respira fundo tentando se acalmar.

Minha mãe não é de se exaltar, e pra ela estar assim neste estado é porque meu pai tem na cabeça uma solução bem idiota pro nosso problema. É sempre assim que mamãe fica quando meu pai, segundo ela, pensa em fazer "asneira".

Meu pai nunca me decepcionou em nada. Fui e sou muito mimada por ele, papai nunca nem levantou a mão pra mim. Tudo, absolutamente tudo que eu penso em ter eu tenho.

Eu sei que fiz besteira, sei que o decepcionei, sei que estraguei nossos planos. Mas foi sem querer e eu me arrependo e muito, mas agora é tarde. Ai meu Deus, porque eu fui fazer a besteira de ir naquele lugar?

Me desligo da discussão dos meus pais e me perco lembrando dos últimos meses.

• Flash Black

— Ana, eles estão armados. — digo com os olhos esbugalhados.

— Mas é claro! São bandidos, o que tu pensava, amiga? — diz me puxando pra encontro com os homens armados até o dente.

Eu quero estar aqui. Ana não me obrigou, mas não pensei que ficaria com tanto medo. Eles andam livremente com armas a mostra.

Passo a vista ao redor e vejo mulheres nos olhando com a cara torcida. Não entendo, acabamos de chegar e já causamos má impressão?

Reparo que estamos vestidas completamente diferente delas. Ana até que não está tão "Paty" como eu, mas mesmo assim não passou despercebida.

Da próxima vez, já sei. Próxima vez? Vamos ver.

Me surpreendo quando Ana cumprimenta um dos homens com bastante intimidade. Não sabia que ela conhecia alguém daqui.

Depois de um tempo ele nos leva de carro até uma quadra com uma multidão e som ao extremos. Pelo menos por isso já esperava.

Já estávamos a umas horas ali e sinceramente não estava me divertindo. Os funks que tocam aqui não são como os que conheço. As pessoas estão me olhando feio e eu não fiz nada, nem me mexo, tô com medo de colocarem alguma coisa na minha bebida então cá estou eu, com medo, entediada e com sede. Já Ana está adorando, já bebeu tanto que está rindo atoa. Ela e o tal BN.

Não que o carinha seja ruim, ele é até legal, mas não que tenha conversado com ele, já que a boca dos dois não desgruda pra isso.

Eu realmente quero minha casa. Já deu a experiência.

— Ana — chamo, mas ela nem me dá bola- Ana, por favor, descansa essa boca.

Ela se afasta do menino e me olha puta da vida.

— O que?

— Eu quero ir embora, já deu. Vamos?

— Ah, neném, sussa aí que levo vocês em casa — o carinha diz.

Olho suplicante pra Ana e ela revira os olhos.

— Bebê, é melhor irmos mesmo.

O tal de BN para um cara que estava passando, diz alguma coisa pra ele que não consigo ouvir e saí puxando Ana.

— Pra onde ele levou ela? — me desespero.

O menino me olha de cima a baixo, um arrepio passa por meu corpo todo.

"Corre" meu subconsciente me alerta.

— BN foi dar um trato na sua amiguinha, já eles volta e me libera da função babá de patricinha.

Olho boquiaberta pra ele.

— Não te pedi pra ser minha babá, não preciso de uma.

Dou as costas pra ir embora. Ana que me aguarde porque vou mata-la.

— Olha aqui, garota, não enche meu saco, tô fazendo um favor pro meu brother, então fica sussa ai. — diz apertando meu braço.

Já estava pronta pra pedir que ele me largasse quando um homem atirou pra cima e falou que a festa tinha acabado.

Não sei se fico feliz ou triste. Queria ir embora, mas agora não sei onde Ana foi e pra piorar as pessoas estão indo embora rapidamente e eu tô aqui no mesmo lugar com esse cara segurando meu braço.

Com um solavanco me libero de seu aberto e vejo a marca de seus dedos em meu braço.

— Olha, é melhor você ficar pianinho, o Patrão já passou a visão e vamos só esperar o vacilão do BN aparecer.

Ele se encosta na parede.

— Não vou esperar a Ana, vou embora. Obrigada pela companhia, tchau.

Me viro pra sair e novamente ele segura meu braço. Gemo de dor, amanhã vou estar roxa.

Ele me puxa pra ele e bato com o corpo contra o seu.

"Foge" meu subconsciente me alerta novamente.

Ele fixa o olhar na minha boca. Tento me afastar, mas ele me beija.

É um bandido, tô em uma favela, tenho consciência que deveria me afastar, mas não foi isso que fiz. Coloco meus braços ao redor do seu pescoço e retribuo o beijo.

• Fim do Flash Black

Notas finais
E cá esta finalmente o primeiro capítulo. Me desculpe pela demora o segundo não vai ser demorado dessa forma. Não esqueçam de deixar suas opiniões sobre o capítulo. Mis besitos, Amy Holly.