Barton Hollow - Dramione
4 O som.
Olá escuridão, minha velha amiga
Eu vim para conversar com você novamente
Por causa de uma visão que se aproxima suavemente
Deixou suas sementes enquanto eu estava dormindo
E a visão que foi plantada em minha mente
Ainda permanece
Dentro do som do silêncio
– The Sounds of Silence — Simon and Garfunkel
X
Ainda não teve chance de ler o diário, embora não tivesse muitas coisas para fazer naquela maldita cabana. Não era apenas ela que ficava trancada em seu quarto, Malfoy ficava no dele a maioria do tempo. Durante as refeições, que finalmente passavam juntos, ficavam em silêncio a maior parte do tempo. Hermione não reclamava. Não sentia a mínima vontade de ouvir xingamentos sobre seu sangue e status. Mas foi notando algo diferente no loiro. Seus olhos cinzas se prendiam nela, como se tudo o que ele quisesse fosse conversar.
Autum e Atus estavam servindo o jantar e Hermione lançou um olhar para ele, que estava do outro lado da mesa. Pela primeira vez em dias, Malfoy não a encarava. Estava olhando para o prato com o olhar firme, pensativo. Ela se encontrou se perguntando sobre o que ele pensava. Talvez, no que estava acontecendo lá fora? Se sentiu uma megera por não contar, mas não podia sofrer o risco dele "explodir".
– Malfoy — começou, hesitante. Viu que o olhar dele não mudou nem um pouco — Eu achei um diário antigo na biblioteca. Parece ser muito interessante, então, se você tiver vontade de ler... eu, ahn, posso lhe entregar.
Ele não disse sequer uma palavra.
– Certo — Hermione suspirou derrotada e caiu sobre a cadeira — Olha, eu entendo que você não queira falar com alguém como eu. Sei que cresceu com a ideia de eu ser inferior a você. Embora eu já tenha provado o contrário e não adianta negar! Eu só... acho que você deve se sentir muito sozinho. Eu também me sinto.
Ele continuou em silêncio, embora ele estava olhando diretamente para ela com uma carranca no rosto.
– E eu... — ela engoliu em seco, olhando para longe. Sentiu a garganta arder e falou em um sussurro — Estou com medo de enlouquecer.
Malfoy se levantou da cadeira e saiu a passos apresados da sala de jantar. Os elfos domésticos grunhiram e Hermione revirou os olhos para si mesma. É claro que ele preferia ficar sozinho do que na companhia dela. Era nada mais do que sujeira, para ele. Respirando fundo, estava prestes a se levantar quando sentiu uma mão em seu ombro, a empurrando para baixo.
Os olhos cinzas de Draco estavam sem sentimento algum. Ele jogou algo na mesa, o que ela reconheceu ser um livro antigo. Hermione passou os dedos pela capa de couro surrada e sentiu o olhar dele se intensificar sobre si.
– Era o livro preferido da minha mãe — a voz dele era rouca e ela se virou para o ver melhor — Ela gostava de romances trouxas.
– Você... você já leu? — Hermione perguntou surpresa e observou ele levantar uma sobrancelha em questionamento. Ela limpou a garganta — É que é difícil imaginar você lendo algo trouxa. Durante Hogwarts eu o via de vez em quando na biblioteca... eu achava estranho pois você me chamava de rata de biblioteca quando você era um por si mesmo. Era meio irônico.
– Você não sabe nada sobre mim, Granger — foi tudo o que ele disse — Leia o livro se quiser.
E então saiu da sala de jantar novamente, dessa vez com passos mais lentos. Hermione pode respirar quando finalmente ouviu a porta do quarto se virar. Suspirando, disse para os elfos guardarem o que havia sobrado do jantar. Eles assentiram e um um "flop", toda a comida e ambos sumiram. A morena foi até a sala e ligou a lareira antiga com um isqueiro. Era tão estranho pensar em Draco Malfoy usando aqueles objetos trouxas. Deitando-se no sofá, começou a leitura.
Era um ótimo livro, concluiu quando o fechou. Grande, mas o tamanho não havia lhe importado. Sempre leu livros grandes em pouco tempo por estar tão perdida na história. Suspirando, mexeu o livro entre as mãos. Deveria entregar para Malfoy agora, já que havia pertencido a sua mãe, Narcisa.
Bateu em sua porta, mas ele não respondeu. Hermione ouviu um som doce de algum instrumento e então, a abriu. O viu com um violino no ombro, tocando uma melodia triste. Sem querer, Hermione bateu em uma estante, fazendo vários outros livros caírem ao chão e Draco parar de tocar, a olhando surpreso e com raiva.
– Eu não queria, ah meu deus Malfoy! — ela exclamou, pegando os livros e colocando na estante de novo — Eu só vim lhe entregar... ahn, o livro da sua mãe.
Ela estendeu-lhe o livro, e ele o pegou, os olhos ainda não deixando os dela.
– Por acaso sabe bater? — ele perguntou irritado — Ou por acaso sabe andar sem bater em alguma coisa?
– Eu só fiquei surpresa — Hermione respondeu, entre dentes. Ele a olhou confuso — Não sabia que conseguia tocar violino.
Draco olhou para o instrumento em cima da cama antiga e de volta para ela.
– Você não sabe nada sobre mim, Granger — repetiu o que havia dito antes — E eu aprendi nesses dois anos, não que lhe interesse, mas esse violino estava naquele baú ao lado da lareira. Em todo aquele tempo, eu precisava fazer alguma coisa. Acho que foi o motivo para eu não enlouquecer.
A morena começou a andar pelo quarto e parou quando viu um antigo catador de sonhos. Ela olhou para ele com uma sobrancelha alevantada, mas Malfoy apenas deu em ombros. Ela mexeu as penas de pato entre os dedos e suspirou. O quarto dele tinha mais janelas e a luz do luar entrava por elas, não tendo a necessidade de um lampião como tinha no seu. Era quase injusto.
– Existe um livro trouxa... — Hermione começou e o viu ficar tenso com a menção da palavra "trouxa" — Escrito por Hitler. Se chama "Minha luta". Você sabe quem foi Hitler, Malfoy?
– Não — ele respondeu, se sentando na cama e escondendo o rosto entre as mãos — O que você vai dizer, vai me afetar?
– Sim. Hitler foi um trouxa que acreditava que alguns seres humanos eram mais puros do que outros — ela lhe disse e o viu ficar ainda mais tenso — Ele lutou na primeira guerra mundial e ficou... de certa forma, louco. Foi para a cadeia onde escreveu esse livro. Nele, ele deixa bem claros seus ideias de pureza. Então, ele se tornou presidente de um país.
– Granger, eu ainda não sei como isso me...
– Me escuta! Merlim, você é tão ruim quanto Ron — ela revirou os olhos quando viu seu olhar de nojo para ela — Enfim, ele criou uma segunda guerra. Milhões de pessoas morreram, Malfoy, porque ele acreditava que uns eram superiores as outros. Você sabe o que aconteceu com ele no fim?
– Venceu? — Draco parecia... perdido.
– Ele foi morto — Hermione cruzou os braços e se apoiou na parede — O que eu quero dizer, é que uma vez um homem disse que certo sangue era melhor do que outro. Ele matou pessoas inocentes e perdeu uma guerra. Por que você acreditaria em um bruxo que tem as mesmas ideias?
– Isso só prova que os trouxas enojam o mesmo sangue — ele levantou a cabeça bruscamente e se levantou — Não me importa. Eu não quero saber.
– Malfoy... — ela tentou explicar.
– Saia do meu quarto, Granger — o loiro tinha os olhos fechados. Hermione deu uns passos para trás, com medo de que ele a machucasse de alguma maneira.
– Malfoy...
– Sai do meu quarto, sangue-ruim! — ele gritou e ela o olhou mais surpresa do que nunca. Ele a pegou pelo ombro, como havia feito antes, só que dessa vez com muito menos gentileza e a empurrou para fora — E da próxima vez, bata. Embora eu tenha certeza de que eu nunca vou deixar você entrar.
E então ele bateu a porta, com força, o barulho ecoando pelo corredor. Hermione ficou lá, encarando a madeira. Será que realmente pensou que poderia dar uma mudança nele? Que poderia tentar fazer aquele lugar um pouco mais confortável? Sentia saudade de pessoas, de seus amigos. Não conseguia imaginar como Draco se sentia. Ela só queria ajudar.
Mas deuses, ela se sentia tão perdida quanto ele.
X
Narcisa Malfoy aparatou com outros cinco jovens na frente do Lago Grimmald n° 12. Olhando em volta, ela estendeu sua varinha e a nova porta apareceu. Os adolescentes ficaram espantados e ela sorriu para eles, mostrando que não havia nada a temer. Quando entraram no corredor escuro e úmido, ouviram passos descendo uma escada rapidamente, nervosos. Minerva McGonagall estava com sua varinha estendida para eles, os olhos faiscando em desafio.
– Narcisa — abaixou a varinha em reconhecimento — Não posso esconder minha surpresa. Sua carta dizia...
– Sim, eu sei — a loira lhe deu um sorriso triste — Sinto muito em chegar mais cedo do que o previsto, mas não tivemos escolha. Nosso esconderijo estava prestes a ser descoberto e não poderia deixar isso acontecer — ela ergueu uma sobrancelha — A menos que não sejamos mais bem vindos.
– Sempre cumpro minha palavra, Sra. Malfoy — uma voz mais grossa disse e Kingsley entrou na sala. Narcisa mexeu a cabeça em saudação — E todos são bem vindos na Ordem.
– Dizem isso porque metade dos seus membros estão mortos — Theo resmungou e Pansy o olhou, concordando timidamente com a cabeça.
– Theo, comporte-se — Narcisa ralhou e então se virou para Kingsley com um sorriso educado — Estamos cansados, foi uma longa viagem, darei minhas informações depois de um longo e bom sono. Poderiam indicar meus aposentos? Confio nos jovens para se comportarem.
Dito essa frase, olhou especialmente para Theo e Pansy. Astória deu uma pequena risadinha, bastante feminina e Daphne revirou os olhos. Narcisa deu outro cumprimento e seguiu Minerva pelas escadas, sumindo em algum dos vários andares. Kingsley falou algo sobre "sintam-se a vontade" e saiu para um corredor lateral.
Vários passos apressados da escada se seguiram e Gina Weasley estava na frente deles. Blaise iria a reconhecer em qualquer lugar, com aqueles longos cabelos ruivos e lisos e os olhos azuis claros. Logo, outros jovens se juntaram a ela. Ron Weasley parecia estar prestes a pular em alguém, mas nada era pior do que as olheiras em baixo de seus olhos cansados.
– Weasley — Daphne riu — Que belo olho roxo.
– Não acredito que Kingsley concordou com isso! — Ron a ignorou completamente — Não dou uma semana para vocês nos traírem. É tudo o que sonserinos sabem fazer.
– Estamos em guerra, Ron — Harry parecia cansado até mesmo para falar. Blaise notou o olhar preocupado da garota Weasley para ele, que pareceu ignorar completamente — Precisamos de toda ajuda que precisarmos. Mesmo que seja deles.
– O grande Harry Potter — Pansy zombou e sorriu de lado, Theo ria descontrolavelmente ao seu lado — Aceitando ajuda de sonserinos. "Sonserina não, por favor, Sonserina não!"
– Parkinson, pare com isso! — Astória exclamou e viu o trio a olharem confusos — Estamos sob o teto da Ordem agora, e precisamos mostrar respeito. Bem, olá, meu nome é Astória Greengrass e essa é minha irmã, Daphne.
– Você não era a namorada do Malfoy? — Ron perguntou, totalmente indelicado. Suas orelhas ficaram vermelhas — Quer dizer, eram boatos mas...
– Ela foi. Ele terminou com ela. Ela chorou e agora está noiva do melhor amigo dele — Theo disse, soando incrivelmente — O mundo é uma merda, não é? Quando uma garotinha qualquer perde o namoradinho, ela já busca o coração de outro para tomar, pouco se importando com os sentimentos dele. Com os sentimentos dos outros.
Gina olhou curiosamente quando Astória olhou para longe. Theo obviamente não gostava da garota, embora não parecia ter nada contra sua irmã mais velha, Daphne. A ruiva olhou para seu irmão e murmurou um "Se comporte, idiota" e tentou forçar um sorriso para as garotas.
– Vocês vão ficar no meu quarto — disse, e viu o olhar de Parkinson em completo nojo — E não reclame, eu também não gosto da companhia de vocês, mas não tenho escolha — ela se virou para o garoto de cabelos pretos aos seu lado — Harry, eu preciso...
– Não agora, Gina — ele retrucou, antes mesmo dela terminar — Só... não.
E subiu as escadas. Ron deu um olhar de desculpas para a irmã antes de seguir o melhor amigo. Gina ouviu a risada de Nott as suas costas e o olhar curioso de Zabini. Conseguia imaginar o sorriso arrogante na face de cada um dos sonserinos, até mesmo em Astória, que afinal de contas, ainda era parte de um deles e provavelmente, tão preconceituosa quanto.
– Disse que iria nos levar para seu quarto — Daphne disse, sua voz sem emoção — Não me diga que seu quarto é aqui no corredor? Baixo até mesmo para um Weasley.
X
Havia começado a chover fazia poucos minutos. O som dos pingos de chuva contra a vidraça eram confortáveis, já que felizmente, não era nenhuma tempestade forte que poderia a impedir de dormir. Hermione colocou o lampião para mais perto de si, já que seu quarto muito diferente do que Malfoy, não tinha nenhuma iluminação natural.
Abriu o antigo diário e estudou a letra fina e inclinada. Não era um diário muito longo, mesmo que parecesse bastante antigo. Suspirando, começou a leitura e se perdeu em cada palavra:
“ 12 de Fevereiro de 1787
É bom retornar para minha terra de origem. Londres é simplesmente magnífica e não consigo crer em quanto essa cidade cresceu em tão pouco tempo. A estação de trem estava cheia e fiquei feliz em meu pai entregar este diário para me fazer companhia durante a viagem. Mas isso foi semanas atrás, tenho muito mais coisas para contar.
Eu deveria estar em busca de um marido. Sou uma mulher rica e pura, vista na sociedade como um objeto de troca. Mas, dois dias atrás, recebi a notícia que meus pais faleceram. Nunca fui próxima demais de ambos, mesmo assim, foi inevitável não sentir a perda. Agora, os homens são meus objetos de troca. No dia em que desci do trem, porém, encontrei William. Deus, ele esta ainda mais lindo, mesmo depois de todo esse tempo. Mas eu sou uma bruxa e ele um mero trouxa. Ele é sujeira. Não posso me contaminar. Mas como passar por cima deste desejo?
Ele me viu também. Me cumprimentou. Disse que eu estava cada dia mais linda. Não pude me impedir de sorrir. Mas, momentos depois, uma jovem de cabelos cacheados negros e olhos da mesma cor se aproximou e sorriu para mim falsamente. Céline Flintmont. A esposa de Will. Meu coração quebrou naquele instante e me pergunto como ele pode se casar com mulher tão horrenda? A única coisa que eles tem em comum é o negro dos cabelos, mais nada.
Sei que não deveria me envolver com Will, pois além dele ser um trouxa, é um homem casado. Mas não consigo me controlar. Cada vez que dou um passo para longe dele, dou mais dois para perto. A saudade que durou todo esse tempo só pode ser saciada com a eternidade, e me dói saber que isso nunca poderia ser possível. Ele pertence a Céline, embora eu quisesse que pertencesse a mim.
Ele concordou em se encontrar na cabana antiga de meu pai, na floresta ao longe daqui. Disse que iria de carruagem e que não se importava se nossa história fosse impossível, que só seria se ele desistisse. Perguntei sobre Céline, e ele disse que não a amava. Senti pena, pois ela claramente o ama com todo o ser.
Mas nunca fui mulher de repartir. E não vou desistir. E é por esse motivo que irei me encontrar com ele na cabana.
Sinceridade,
Anne Marie”
Hermione colocou o diário no canto, espantada. Então, essa cabana já havia sido usado antes... por dois amantes desafortunados. O fato de Anne Marie ser uma bruxa a espantou, ainda mais do fato de William ter sido um trouxa. Queria continuar a ler, mas foi interrompida quando a porta se abriu. Era Malfoy, obviamente, a estudando com olhos assombrados. A morena olhou para si mesma e viu que ele estava encarando as roupas que ela usava. As roupas do dia em que ela havia caído naquele maldito lugar.
– Eu não sabia que estava lendo – ele limpou a garganta, quebrando o silêncio desconfortável – Vou ir embora.
– Não – ela se viu protestando. O olhar que o loiro lhe deu era de surpresa e ela não pode de deixar de concordar. O que havia acontecido – Está tudo bem. Estava só lendo o diário... é interessante, como eu disse.
Draco se aproximou e se sentou ao seu lado, ficando na maior distância que a cama permitia. A encarou por alguns momentos antes de desviar o olhar para a janela e andar até a mesma. Hermione o olhava, cada ação que parecia calculada. Tudo nele parecia ser calculado, como uma máquina programada.
– Eu não sabia o que dizer... – ele disse – E ainda não sei. Só pensei sobre o que você me falou antes.
– Pureza? – perguntou.
– Sim – a voz saiu quebrada – Eu não... eu não queria explodir daquele jeito, Granger. Faz tanto tempo que não falo com alguém... faz tanto tempo que não sei nada sobre a guerra.
– É melhor não saber – a morena se levantou e foi até o seu lado na janela, mas não se atreveu a toca-lo – As vezes é melhor ficar na omissão, meu pai costumava dizer isso para alguns clientes que iam no consultório dele. Malfoy, eu não quero causar problemas para você.
Ele a olhou pelo canto do olho.
– Que problemas você iria me causar? – perguntou lentamente e voltou a olhar pela janela, sem um ponto específico – A única coisa que você me causa, Granger, é dor de cabeça.
Hermione riu um pouco, mas seu sorriso sumiu quando percebeu que ele não estava brincando. Estava quase mentido, ela sabia que causava mais problemas nele do que ele gostava de admitir. Ela mesmo havia causado problemas para Harry e Ron no começo de tudo, não conseguia imaginar o que causava em Malfoy.
Encarou as árvores ao longe e então pulou quando percebeu um vulto branco por entre elas. Olhou para o loiro ao seu lado e percebeu que ele havia notado a mesma coisa. Não era qualquer vulto, tinha a forma de uma mulher de longos cabelos negros. Mas talvez fosse tudo ilusão da chuva. A mente gostava de causar peças. Causar enganos. Era isso. Não estavam ficando loucos.
– Você viu? – Malfoy perguntou – Me diga...
– Sim – o interrompeu – Eu vi. Foi a chuva, Malfoy. A chuva e o vento.
– Mas...
– Não me diga que está com medo – ela se virou para ele, tentando não dizer apenas para o loiro, mas também para si mesma – Isso parece conto para criancinhas. Temos que ser racionais aqui. Foi apenas o vento, a chuva e um truque de luz. A mente prega essas peças as vezes.
Draco olhou para longe e saiu de perto da janela.
– Tem razão – e balançou a cabeça – Eu sou estúpido demais... pensei...
– Pensou o que?
Ele a estudou com o olhar.
– É só que – suspirou – Isso já aconteceu antes.
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