Você acha que está me tirando do sério

Você continua tentando me fazer sofrer

Se você usa as suas palavras como uma arma

Então, como uma arma, não vou derramar nenhuma lágrima

– Birdy — Words as Weapons.

X

Hermione olhou pela janela. A manhã havia atingido seu auge e agora, o sol brilhava por trás das nuvens. Era um dia frio como o anterior, porém, não era quele frio cortante. A casa dos Lovegood, embora esquisita, era estranhamente confortadora. Viu como Malfoy, sentado na grama, olhava para o nada apoiado nos cotovelos. Mal se movia.

– Sua história foi realmente interessante — Luna comentou ao seu lado, mexendo algo dentro da panela. Havia voltado de uma pescaria cheia de peixes. Hermione arriscou que agora estava fazendo um ensopado.

– Não acho que "interessante" seja a palavra certa — deu em ombros, movendo a colher de chá dentro da xícara para misturar o açúcar — Talvez... assustadora.

– É, bem, acho que vocês aprenderam alguma coisa — Luna continuou, estudando Hermione com seus olhos azuis grandes — Principalmente ele, sabe? Dizem que quando os fantasmas do passado te perseguem, você tem uma ideia mais clara do futuro.

– Olha Luna, eu ficaria agradecida de não falarmos sobre fantasmas e coisas do passado — Hermione deu um sorriso fraco. Colocou a colher em cima da pia e andou até o sofá, pegando o cobertor marrom grosso — Acho que já tive disso o suficiente para a vida toda.

– Entendo completamente — a loira sorriu — O almoço vai ficar pronto daqui alguns minutos. Papai me ensinou a cozinhar com alecrim, espero que você goste, Hermione. Achei você um tanto magra.

A morena não disse nada em retorno, apenas assentiu com a cabeça. Andou até a porta e foi para o jardim, caminhando até o loiro sentado. Sentiu o enformigamento no braço desaparecer conforme se aproximava. Sabia que se estivessem muito longe um do outro, a dor iria se intensificar e o feitiço, os puxar juntos como um imã. Imogen era muito esperta para alguém que deveria estar morta.

– Lhe trouxe chá — Hermione disse, estendendo a xícara.

Malfoy a olhou com uma sobrancelha erguida.

– Foi a Lunática quem fez? — ele perguntou. Hermione apenas negou com a cabeça e assim, ele pegou a xícara — Ótimo, porque não quero nem saber o que ela vai colocar naquela comida.

– Ela não vai colocar veneno, se é isso que está pensando — Hermione disse, se sentando ao seu lado um pouco hesitante. Queria perguntar tantas coisas, principalmente sobre o que havia sido aquele toque na noite passada, mas obviamente, ela não o fez. Apenas olhou em volta, vendo a grama alta do campo se mover com o vento — É tão estranho. Parece que não está havendo guerra nenhuma enquanto estamos aqui.

– Considerando que essa casa fica quase na divisa da Inglaterra, não é nada menos de se esperar, Granger — ele esticou seu braço pálido, pegando o cobertor marrom e o esticando entre os dois. Ela ficou agradecida com o calor — Ouvi dizer que a casa dos Weasleys é aqui perto.

– É, é sim.

– Não quer ir lá... checar?

– Não — ela deu em ombros, abraçando a coberta mais perto de si. Sentia tanta falta da família de cabelos ruivos que chegava a doer seu peito — Eles não estão lá faz muito tempo. Todos os membros da Ordem ficam na sede, é mais seguro para todos. Mas fico feliz em ver que se importa com meus desejos.

– Não me importo. Só não quero ter que aguentar você chorando quando voltarmos para Barton Hollow — Draco explicou. Foi então que ele puxou algo de uma pilha que a morena não havia notado antes. Uma pilha de jornais.

– Isso são... Profetas? — Hermione perguntou, confusa.

– Sim. O último que eu achei foi de um ano atrás — o loiro explicou, lendo a página da frente do jornal — E era sobre a morte do meu pai. Faz um bom tempo... não achei nada sobre minha mãe.

– O Profeta Diário foi destruído quando os Comensais finalmente tomaram conta do Beco Diagonal — ela explicou e viu como ele assentiu com a cabeça lentamente, indicando que ela continuasse — Todos os repórteres foram mortos e o prédio está em ruínas. Houve boatos que um grupo de jovens estava o usando para criar uma rádio rebelde, mas eram apenas boatos, ninguém confirmou nada.

– Então, basicamente, todo esse tempo enquanto eu estive fora o mundo ficou louco — ele riu ironicamente — Que maravilha.

– A guerra destruiu muitas coisas — ela suspirou — E pessoas também. Não espero que você entenda esse último.

– Não vou dizer que entendo, porque seria uma puta mentira, Granger. Sabe, na escola, havia um rumor de que você, Potter e Weasley estavam em busca de coisas — quando Malfoy disse essa frase, ela o olhou com os olhos espantados — Mas então, quando eu tentei fugir... já havia parado. O rumor. Todos se calaram e disseram que a Ordem já havia encontrando vocês três. Diga-me porque desistiram.

– Não desistimos! — Hermione quase gritou — As circunstâncias mudaram, apenas. Ron nos largou uma noite... ele estava fora de si, mas quando voltou já era tarde demais. Comensais pegaram eu e Harry na floresta e fomos levados para o Ministério. Você sabe, seu pai estava lá. Ainda estava vivo. Ele disse para nos levaram até as masmorras para que... Você-sabe-quem, nos pegasse vivos. A Ordem soube e então, nos salvaram. Foi muito arriscado. Doze pessoas morreram naquele dia. Depois disso não tivemos mais como fugir, Ron voltou... e eu simplesmente o odiei naquele momento.

– Você odiou o seu amor — Draco riu de maneira quase maldosa — Que gracinha.

– Eu achei que odiasse, não foi bem assim. Fiquei tão feliz que ele estava bem. Tão feliz por ele ter voltado — Hermione sorriu com saudades.

– Você o ama — os olhos cinzas a estudaram, finalmente chegando naquela conclusão.

– Amo, mas não daquela mesma maneira — a morena explicou, o olhando pelo canto do olho — Nós dois mudamos. A guerra não nos deu tempo... e assim, percebemos que não daria certo. Eu percebi pelo menos, Ron sempre foi lerdo demais para certas coisas.

– E você é lerda demais para perceber isso só agora, Granger — ele tomou um gole do chá e então fez uma careta, engolindo a força — Credo, essa merda está péssima.

– Então na próxima vez esquente seu próprio chá, Malfoy — ela disse, pegando a xícara de suas mãos e a colocando do seu lado. Ele a olhou com uma sobrancelha arqueada — Porque eu não sou um elfo doméstico!

Draco apenas deu em ombros. Hermione pensou em como as coisas haviam mudado. Em como, tempos atrás, ela estaria sentada em um sofá, rindo com Gina sobre alguma coisa idiota. Ou talvez, vendo Harry perder para Ron no xadrez bruxo mais uma vez. E de novo. E de novo. Mas agora estava ali, sentada na grama, compartilhando um cobertor com um dos bruxos mais procurados. Aquele a privava de ver as pessoas com quem mais se importava no mundo.

– O que você mais quer nesse mundo?

Seus pensamentos foram cortados. Malfoy estava a estudando, de novo. Ela quase rosnou em voz alta.

– A paz mundial — finalmente respondeu. Viu que o silêncio estava caindo sobre os dois novamente — E você?

– A paz mundial — Draco zombou, revirando os olhos — Foi a coisa mais imbecil que eu já ouvi na minha vida. Tirando as outras setenta que também saíram da sua boca.

– Me sinto quase honrada em saber que você coleciona minhas frases, Malfoy — Hermione fingiu uma risada — O que você mais quer? Poder? Dinheiro? Sexo?

– Tirando dinheiro, porque esse eu já tenho o suficiente para oitenta encarnações, eu ficaria satisfeito em receber os outros dois — ele sorriu de lado, retirando algo do bolço de sua camiseta. A camiseta extremamente colorida do pai de Luna — Principalmente o último. Ficaria bastante agradecido se você me oferecesse.

Hermione sentiu o rosto ficar quente e sabia que estava mais vermelha do que nunca. Imagens da noite passada vieram na sua mente. A mão dele acariciando seu seio. Suas respirações criando fumaça no frio da noite. O sentimento de ter sido tocada depois de tanto tempo a perseguindo.

– Tocaria em mim, Malfoy? — quase rosnou — Em uma sangue-ruim?

– Pode ser sangue-ruim, mas ainda tem uma vagina — o loiro riu — Eu espero que tenha. Mas, não penso mais assim. Vi o que tem de baixo dessas roupas. Você é linda em quase todos os sentidos, Granger. Seu corpo, sua mente. É algo que eu nunca provei, e é isso que a torna não tentadora além do fato de que eu nunca, nunca, nunca a terei.

E então ele se levantou, caminhando para dentro da casa e levando consigo o cobertor que os mantinham aquecidos. Hermione tremeu, não sabendo se era da ausência do objeto macio ou das palavras que havia escutado.

X

– Não podemos fazer isso aqui — Astória ofegou, sendo empurrada contra um armário.

– Não me interessa — Blaise rosnou, traçando um caminho de beijos em seu pescoço, descendo para sua clavícula. Seus dedos desabotoavam a blusa da jovem, que gemeu quando ele atingiu um certo ponto — Eu preciso estar dentro de você. Agora.

Ela apenas sorriu contra sua pele, arranhando suas unhas em suas costas nuas. Foi então que um som de alguém abrindo a porta da dispensa os fez se separarem em um pulo. A pessoa ergueu uma sobrancelha vendo os seios da garota sendo cobertos apenas por um sutiã e Blaise sem camiseta, apenas com as calças do pijama.

– Vocês precisam fazer isso... — Pansy começou, cruzando os braços — Dentro do armário que contém nossa comida?!

– Ah, Parkinson — Blaise bufou — Não precisa jogar sua falta de contato com um homem para cima de nós. Estávamos muito felizes aqui antes de nos interromper e...

– Blaise, para — Astória o olhou, avisando. Suspirando, ela se virou para a garota de cabelos negros — Foi mal, isso não vai acontecer de novo.

– Acho bom — Pansy rosnou — Porque se toda vez que eu vier pegar alguma coisa para comer encontrar essa cena, eu juro que prefiro passar fome. Vou ir agora, podem continuar o que estavam fazendo. Ou melhor, não continuem, eu e Theo estamos na sala do lado e não queremos ouvir vocês coitando. Até mais.

E então ela fechou a porta da dispensa novamente, os deixando no escuro. Suspirando de maneira frustada, Blaise acendeu o lumus de sua varinha. Astória estava totalmente corada e não conseguia saber se era das suas atividades anteriores ou de vergonha.

– Isso não pode mais acontecer — ela falou suavemente.

– Eu não me importo com regras — Blaise disse, estendendo a mão e fechando os botões da roupa dela — São as regras deles, não nossas.

– Eu amo quando você fica todo rebelde, sério. Mas precisamos nos controlar. Imagina se Kingsley nos pega? Ou Narcisa? Eu morreria de vergonha — ela sorriu e passou a mão pelo rosto dele carinhosamente — Pode se controlar um pouquinho, não é mesmo meu querido noivo?

– Com você usando essas saias... não muito — ele riu, a beijando novamente. Ela respondeu por um momento, antes de o afastar calmamente.

– É uma espécie de treinamento. Amanhã, vou andar só de espartilho — brincou e fechou os olhos com a risada dele. Deuses, havia se sentido tão sozinha naqueles últimos dias. Estava tão cansada de lutar. Tão cansada de tudo — Blaise, casa comigo.

– Não seu se você percebeu, Tori — Blaise levantou uma sobrancelha — Mas já estamos noivos.

– Não. Não é isso — ela balançou a cabeça, o olhando com os olhos verdes pidões — Case comigo agora. Nesse momento.

– Tori... estamos no meio de uma guerra.

– Eu poderia mandar Você-sabe-quem se fuder e beijaria você na frente dele, ou faria mais que isso. Eu faria amor com você na frente de um exército de Comensais da Morte se isso o fizesse ser totalmente meu — ela disse, rindo baixo — Ou melhor, o Lorde das Trevas poderia ser o bispo. Ele nos acharia um casal adorável.

– Ou extremamente improvável — ele voltou a beijar o seu pescoço, a puxando para mais perto — Você estava destinada a ficar com Draco.

– Eu nunca pertenci a Draco, pertenci a você. Ele não me quis e eu não o quero, não mais. Eu quero você. E ainda pertenço a você. Mas você ainda não me pertence, não é? — ela perguntou, colocando a cabeça para trás para que ele tenha mais de sua pele para beijar — Vi o jeito como olha Weasley.

– Weasley? — ele parou de a beijar subitamente — Ele não faz meu tipo. Gosto de seios e não de um pê...

– Não estou falando de Ron Weasley — Astória bufou e o empurrou para longe — Estou falando de Gina Weasley. Você a deseja! E ela o deseja também.

– Gina Weasley ama Potter mais do que ama a si mesma — Blaise disse calmamente. Astória finalmente encontrou seu olhar — Ela pode me desejar, assim como eu desejo ela. Não nego. Posso mentir, mas não para você, Tori. Ela é linda, extremamente gostosa, e amo o fogo que ela tem quando luta e quando briga comigo. Mas ela é a garota que eu desejo, não amo. A garota que eu amo é Astória Greengrass, aquela que odeia lutar e que ama vestidos cor de rosa, e pretende ser escritora da Witch Weekly. Se ela entender isso, eu acho que posso me casar com ela até mesmo amanhã.

E então Blaise saiu da dispensa, deixando Astória presa em seus pensamentos. De fato, ela estava realmente cansada.

X

– Você acordou.

Foi a primeira coisa que Ron Weasley ouviu. Abrindo os olhos, viu a figura da garota de cabelos louros perfeitamente encaracolados, o encarando com os olhos verdes escuros. Ela parecia tão hesitante por estar ali, como se a qualquer momento, ele fosse abrir a boca e berrar centenas de xingamentos.

– Ér... sim, acho que sim — falou, ainda meio grogue. Sua voz saiu rouca por conta da boca seca.

Daphne estendeu-lhe um copo de água.

– Nunca vi alguém que acha que acordou — ela disse, o observando curiosamente enquanto ele tomava um gole de água — Deve ser coisa de Weasley.

– Somos uma família, não uma raça de cachorro, obrigado — Ron revirou os olhos. Olhando em volta, viu sua mãe adormecida em um sofá, assim como Harry deitado no tapete. Gina não estava ali, fato que ele estranhou — Minha irmã?

– Está dormindo no quarto dela, ela ficou aqui por um tempo. Seu amigo quatro olhos veio faz uns minutos, mas desmaiou. Seu pai não veio porque está em uma missão e não me pergunte, sei que vai fazer isso. Está com aquele olhar estranho no rosto, enfim — Daphne respirou fundo, tomando fôlego — Desculpe.

Ron piscou.

– Ahn, o que?

– Não me faça repetir, isso é vergonhoso! — Daphne exclamou, fazendo Sra.Weasley se mover no sofá. Suspirando, ela repetiu — Me desculpe! Foi minha culpa você ter quase... morrido ou sei lá. Eu me senti culpada, tudo bem?!

– Acho que, uhn, posso aceitar suas desculpas, Greengrass — o ruivo deu em ombros, ainda achando a situação realmente esquisita. Ela esteve aqui o tempo todo? Ela ficou assistindo ele a dormir? Por Merlim, ela parecia uma serial killer — Não era sua intenção. Agradeço por ficar cuidando de mim.

– Eu não fiquei cuidando de você — a loira revirou os olhos — Sua mãe cuidou. Realmente pensou que eu ficaria cuidando de suas feridas? Ou coisa do tipo? Só fiquei aqui porque, como eu disse, me senti culpada. E você baba enquanto dorme, é nojento, eu te daria um babador mas estamos em guerra, eles não vendem tantos babadores assim.

Ron apenas piscou. De novo.

– Você fala muito — disse, finalmente — Me deixou tonto.

Daphne o estudou.

– Não acho que seja eu. Deve ser a poção para dor — disse, franzindo a testa — É melhor voltar a dormir.

E então Ron apenas assentiu, sentido sua cabeça começar a pesar. A última coisa que viu foi as mãos com as unhas pintadas de vermelho da garota arrumando seu cobertor antes de adormecer.

X

Era quase fim de tarde, o sol estava desaparecendo nas colinas. Sentada com um livro aberto em seu colo, Hermione apenas olhava pela janela. Não sentia vontade de ler, o que a fez se perguntar se estava começando a ficar doente. Talvez aquele tempo isolada que passou e a ideia de passar mais tempo longe das pessoas que amava estava começando a mexer com sua personalidade.

Malfoy estava no quarto de Luna, e ela não tinha ideia do que ele poderia estar fazendo lá. Havia alguns minutos que ele apenas se levantou da cadeira e subiu as escadas. Hermione olhou por cima do ombro, vendo Luna costurando alguma coisa com agulhas que, para pessoas normais, poderiam ser consideradas extremamente grandes e inuteis.

– Onde está seu pai, Luna? — Hermione perguntou;

– Oh, ele saiu a alguns dias. Disse que precisava resolver algo no Ministério. Mas eu acho que ele não volta mais — a loira explicou como se fosse a coisa mais simples do mundo, não desviando o olhar do tecido que costurava — As coisas estão cada vez mais complicadas por causa da guerra. Devem te-lo chamado por causa das coisas que publicava no Pasquim. Ele era muito corajoso em publicar a verdade. Isso irrita algumas pessoas.

– Ah, meu… e-eu não sabia, não deveria ter comentado — Hermione sentiu vontade de dar um tapa na própria cara naquele momento. E agora, estava se tornando estúpida. Deveria ter notado com todas as pistas deixadas pela garota.

– Não se preocupe, Hermione — Luna sorriu, levantando o olhar. Estava tão calma como se nada tivesse acontecido — Não a culpo por não saber. Esteve fora por um bom tempo, e talvez pequenos animais entraram em sua mente brilhante.

Ela sorriu de volta, dando uma pequena risada. Era bom estar ali com alguém famíliar que não fosse Malfoy. Abriu a boca para falar alguma coisa, mas foi naquele momento que uma coruja decidiu bater seu bico contra o vidro. Como estava mais próxima da janela, Hermione a abriu, deixando a coruja das torres entrar e voar até o braço do sofá onde Luna se encontrava. A loira pegou com seus dedos pequenos a carta amarrada na perna esticada da ave, e então sorriu.

– De quem é? — a morena perguntou curiosamente.

– Neville, ele está na casa de Andromeda por um tempo — Luna explicou, lendo a carta — E manda saudações para mim, algumas notícias sobre a Ordem. Oh, e comentou sobre uma planta medicinal. Parece ser bem interessante.

– Faz tanto tempo que não falo com Neville — Hermione falou baixinho, mais para si mesma — Sinto saudades dele também.

– Tenho certeza que ele ficaria muito feliz em saber disso — Luna se levantou, levando a carta com ela. A coruja das torres a seguiu, parando em cima de uma mesa em formato de lua crescente. A loira pegou uma pena e começou a escrever — Mas infelizmente, não posso contar isso para ele.

– Eu sinto muito. Eu gostaria de poder falar com todo mundo mas… você sabe, isso não é possível por causa de Malfoy — ela suspirou — Eu não posso simplesmente deixar que o peguem. Seria… uhn, errado.

– Sim, seria — a outra garota concordou, terminando de escrever. Ela colocou o pergaminho dentro de um envelope e entregou a coruja, que saiu voando pela clarabóia do meio da cozinha. Luna se virou para Hermione com um pequeno sorriso — Deve ser frustante ficar presa a um homem perseguido. Se papai estivesse aqui, lhe daria boas dicas, ah sim, daria. Agora, vou preparar roupas e comida para quando voltarem. É melhor chamar o Draco, entende?

Ela assentiu, subindo as escadas. O quarto de Luna tinha uma porta pintada de azul claro, cheia de estrelas. Suspirando, Hermione a empurrou, fazendo aquele barulho irritante de madeira. E lá estava ele, sentado em uma cadeira de balanço, com os braços atrás da cabeça e encarando o teto como se ele fosse um enigma impossível. Mas não foi isso que lhe chamou atenção, mas sim, a fumaça.

– Você está fumando! — ela exclamou, horrorizada.

– Sim, estou fumando, Granger — ele respondeu sem emoção — Quer um também?

– É claro que não. Eu, ao contrário de você, tenho mente o suficiente para saber que isso estraga os pulmões, Malfoy — Hermione ralhou, caminhando até ele em passos rápidos. Malfoy não moveu um músculo quando ela ficou a sua frente, apenas encarava o teto — Você sabe que isso estraga os pulmões, não sabe?

Ele revirou os olhos cinzentos.

– É óbvio que eu sei, Granger, apenas estou pouco me fodendo para meus pulmões — Draco falou por entre dentes — Prefiro morrer por causa de um cigarro do que por um Comensal da Morte ou por um dos seus amiguinhos da Ordem.

Hermione não respondeu de primeira, apenas se sentou na cama de Luna, o encarando o tempo todo.

– Nem todos são meus amiguinhos e sabe, alguns eu não consigo tolerar. Jones, por exemplo, ela é realmente estúpida. Não possui um pingo de inteligência — Hermione falou tudo rapidamente, quase envergonhada em dizer que não gostava de alguém que era do mesmo lado que ela — E você já pensou em… isso pode soar meio assustador, não morrer?

– Todos morrem mais cedo ou mais tarde — respondeu ele, assoprando a fumaça em direção ao teto — Eu não consigo suportar a minha vida do jeito que ela está agora. Se eu ficasse imortal, o que eu faria com o meu tempo seria procurar algo que me faça morrer.

Hermione mordeu o interior da bochecha. Não era uma resposta que se ouvia todos os dias. A fez se perguntar o que levava alguém a se tornar imortal. Malfoy não queria viver para sempre porque considerava sua vida uma perda de tempo, cheia de sofrimento e dor. Voldemort causava sofrimento e dor, e por isso ele queria a vida eterna. Para fixar suas ideias no mundo, deixar sua marca. Fazer com que os outros desejassem a morte ao invés da vida. Tirar a esperança, assim como tirou daquele que estava a sua frente.

– Não pode pensar assim, Malfoy — ela engolhiu em seco — Todas as pessoas tem algo para dar nessa vida.

– Então a garota que segue com a razão, Hermione Granger, acredita em destino? — Draco zombou, dando uma risada seca.

– Ah não, destino é uma ideia estúpida de pessoas que não possuem conhecimento ou coragem o suficiente para mudar a vida delas. Então elas criaram uma ideia para aceitarem o fato de ficarem em repouso o tempo inteiro — dessa vez, fora Hermione quem riu seco — Não acredito em destino, mas acredito em escolhas.

– Como a escolha que a Lovegood teve em pintar o rosto dos maiores idiotas que eu conheci no telhado dela? — ele apontou para o teto — Não faz o menor sentido.

Hermione olhou para cima e sorriu para o retrato dos seus amigos. Sabia porque Luna havia os pintado. Era para de que algum jeito, sempre estivessem perto dela. Não era uma má ideia… um pouco estranha, mas boa. Infelizmente, Hermione era péssima desenhista. Na verdade, não gostava muito das artes ilustrativas. Talvez apenas aprecia-las.

– Isso se chama amizade, Malfoy.

– Isso se chama estupidez — ele cuspiu — Depender de alguém…

Confiar em alguém — ela o corrigiu — É completamente difente.

– Pelo menos ela pintou seu cabelo certo. Parece um espanador — Draco a ignorou — Me diga, Granger, quando essa guerra terminar, você poderia ir lá em casa limpar o pó?

– Nem em seus melhores sonhos — Hermione rosnou — Mas se prepare, vamos voltar.. lá, daqui alguns minutos, só vim para avisar isso.

E então ela saiu do quarto, o deixando encarando o teto e fumando. Ou melhor, destruindo os próprios pulmões. Daqui alguns minutos voltariam para Barton Hollow e novamente, só teriam um ao outro como companhia. Já não estava sendo tão assustador quando no principio, mas não significava que era algo bom ou agradável. Apenas… necessário.

Notas finais
Olá cupcakes! Retornei! Como vocês viram, eu respondi os comentários e novamente, me atrasei. Como eu disse nas últimas notas, isso vai começar a acontecer bastante... não vou repetir de novo, até porque eu sou meio chata ( *cof* cof* muito *cof*cof*). Mas eu finalmente brotei aqui para dar esse capítulo para vocês, mesmo estando parcialmente congelada. Muito obrigada pelos comentários gente, vocês são fabulosos e fabulosas demais ♥ e eles sempre me inspiram tanto. Ah, e obrigada especial para a MrsMalfoy que escreveu uma recomendação simplesmente diva! Espero que você, cupcake de chocolate, tenha especialmente gostado desse capítulo. Eu tive uma ideia em criar um grupo no Whats para aqueles que queiram discutir fanfics de dramione! Então, sei lá, se quiserem participar podem me mandar o número de vocês por mensagem privada. Juro que não sou um pedófilo. MUAHAHAHAHAHAHAHA. Ta, parei. Me controlei. Tomei meus remédios. Então eu acho que é isso! Né? É só isso produção? Sim, é só isso. Maaaas, eu vejo vocês no próximo capítulo e quem sabe no grupo não é?! Beeeeeeeeeeeeeeeijos sabor Icey :*