Barton Hollow - Dramione
8 A maldição.
Corte minhas asas, leve tudo
Não sei o que é certo
Fogo e Gelo
Mantenha seus olhos azuis longe de mim
Estou hipnotizada
Fogo e Gelo
– Fire and Ice — Olivia Bray.
X
Não havia mais razão para esconder a necessidade de diálogos.
Tudo o que queria era descobrir a saída daquele lugar. Por um momento, Hermione até mesmo se esqueceu da guerra contra Voldemort e de Harry, que com toda certeza precisava de sua ajuda. E se estivesse em perigo? Merlim, ela não queria pensar nessa possibilidade. Finalmente, conseguiu convencer Malfoy de que Anne Marie com toda certeza tinha algo a ver com aquela cabana e o motivo de ambos estarem ali.
Em meio a pesquisas de livros antigos, coisas estranhas continuavam a acontecer. Era comum ambos acharem manchas de sangue nas paredes de madeira ou no chão. Durante a noite, os corvos gritavam alto, os impedindo de ter uma noite de sono. Exaustos, dormiam o próximo dia durante horas e mais uma vez não conseguiam descobrir a verdade. Parecia que esse era o motivo dos animais estarem ali: atrapalhar.
Ambos estavam na biblioteca, folhando mais uma vez o diário e os livros antigos. Suspirando, Hermione colocou um livro pesadamente contra a mesa.
– Não vamos conseguir nada — ela resmungou, enterrando a cabeça entre as mãos — Tudo o que tem aqui é inútil.
– Nunca pensei que justo você, Granger, diria que um livro é inútil — o loiro também resmungou e ela lhe lançou um olhar de raiva — Tudo bem, podemos parar por aqui.
– Não — a morena retrucou, voltando a pegar o livro — Eu não aguento mais ficar sem respostas. E mesmo você ajudando muito pouco, está ajudando, o que é mais do que eu pensei que fizesse, agora pegue aquele livro no canto esquerdo da última prateleira.
– E a educação? — Draco a olhou, zombando com os olhos.
– Por favor– Hermione não se conteve e revirou os olhos. Voltou sua concentração ao livro em sua mão, as palavras vindo de encontro a sua mente: Quando um feitiço entra em colisão ao outro as consequências podem ser desastrosas...
Algo pulou para seu colo, fazendo seu livro cair ao chão e deslizar em baixo de uma mobília. Steve estava lambendo seu rosto, mas agora não era hora de brincar. Acariciando sua cabeça, ela o pôs no chão e foi até o móvel, se abaixando para pegar o livro caído. Fez uma careta quando tocou na sujeira, franzindo o nariz, mas o que puxou fez seus olhos ficarem alertas. Não era um simples livro de feitiços, mas um livro que antes, não havia prestado atenção.
Magia das Trevas por Céline Gryn.
– Malfoy! — gritou, o chamando — Malfoy, venha aqui agora!
Escutou os passos dele e então, lhe estendeu o livro, ainda chocada. As mãos finas e pálidas do loiro tiraram a sujeira da capa e seu olhar cinza chegou até ela, também surpreso.
– Você...?
– Li? Não, nem sabia que estava aqui — respondeu, se levantando do chão e arrumando o vestido dourado desconfortável e agora, cheio de poeira — Céline Gryn, com certeza é a esposa de Will, e com certeza esse é o livro que estávamos procurando — ela o pegou de volta, colocando em cima de uma mesa e se sentando — Deve haver mais informações aqui.
– Ou talvez não tenha nada, e você só esteja iludida com a ideia de sair daqui — mesmo assim, ele se sentou ao seu lado, mas seu semblante era sombrio e desprovido de emoções — Nenhum livro de magia negra é algo bom, Granger.
– Talvez seja quando possui as respostas que precisamos — ela o estudou, franzindo a testa — E só há um jeito de descobrir.
Ela abriu o livro, as palavras começaram a surgir de uma folha amarelada e em branco. Era uma caligrafia chique, cheia de requinte e curvas, e de certa maneira, invejável. Alguns desenhos também começaram a surgir, como o de uma cabana, o que fez o peito de Hermione se encher de expectativas. Ela olhou para Draco animada, como se aquilo provasse o seu ponto. Os dois começaram a ler:
"Ninguém sabe a dor horrenda que é ter um coração partido. Fui criada para ser a esposa perfeita, para dar apoio a meu amado marido. Não sei quando meu coração começou a desmoronar, as paredes ruindo aos poucos e a escuridão entrando. Noiva de um trouxa, ah, que tristeza, mas nunca pensei que este mesmo trouxa seria minha salvação. Eu o amo. O amo com todo o meu ser, e, se morrer, o amarei mesmo assim, e se voltar a vida, esse sentimento quente irá continuar até eu falecer novamente. Mas é claro que minha felicidade não é possível. Ele ama outra. Anne Marie, ó perfeita, ó gentil e sempre boa. Corajosa. É isso o que ele vê, mas eu a vejo como uma mulher sem alma. Como ousa roubar meu amor? A desgraça é uma bruxa, ainda porém. Sei que se encontram em Barton Hollow, aquela maldita terra do falecido pai dela. Não sinto mais nada, além de ódio. Minha vida foi destruída.
Nada mais justo do que eu destruir a dela.
Aqui anoto minha seguinte maldição:
Draco olhou para longe, não querendo ler mais. Hermione porém, estava atenta a cada palavra daquele livro, que parecia mais algo pessoal do que público, anotações de uma mente conturbada com um coração partido.
Dois amantes, perdidos, vão se perder.
Duas almas, juntas, vão se romper.
O amor, logo, vai se acabar.
E o ódio, horrendo, entrará no lugar.
Cairão dos céus á cabana maldita.
Para separados então,
Na cova entrar."
Hermione fechou o livro com um baque, horror enchendo sua expressão. Draco a olhou pelo canto do olho, como ela mordia o lábio em desespero. Viu também ela se levantar e começar a andar de um lado para o outro, frustrada. Decidiu voltar a leitura e quando leu a maldição de Céline, deixou um "merda" cheio de ódio escapar dos seus lábios.
Caminhou até a morena calmamente e viu que lágrimas escorriam de suas bochechas, silenciosamente.
– Nós vamos morrer — ela falou e não era uma pergunta — Ou então nunca mais vamos sair desse lugar.
– Você procurava respostas, e as encontrou — Draco disse com uma voz fria, e viu ela estremecer, em negação — Sabe que sim. Nem todas as coisas são boas e... talvez aqui não seja um lugar tão ruim.
Ela se virou, quase batendo contra seu peito. Ele não se moveu, mesmo com o olhar de espanto e raiva nos olhos castanhos.
– Como pode achar boa a ideia de ficar aqui para sempre? — ela fungou — Temos uma vida lá fora, pessoas para que precisamos voltar e... coisas para fazer. Tem uma guerra acontecendo e eu preciso ajudar.
– Não, não precisa. Você acha que precisa ajudar, mas nem tudo tem que a envolver, muito menos uma guerra — o loiro a olhou diretamente, a fazendo novamente, tremer — Seu complexo de coragem é assustador e idiota, talvez ficar aqui seja bom para você entender que aquilo– ele apontou para a janela, como se algo estivesse lá fora, pronto para atacar — Não se resume a você.
– É claro que me envolve! Ele quer me matar, porque eu sou considerada inferior, você de todas as pessoas deveria entender isso! — Hermione quase gritou, mas respirou fundo e escondeu sua raiva crescente, se acalmando — Se Voldemort ganhar, nós dois estamos mortos. Você não tem lado algum, então, provavelmente iria ser morto de qualquer maneira, é um fugitivo. Se continuarmos aqui, podemos morrer também e não iriamos ajudar, ou fazer alguma coisa. Não quero ficar aqui, eu preciso voltar, Malfoy, e mesmo que você queira ficar... por favor, me ajude.
Ele a olhou sem emoção como ela caiu ao chão, se dissolvendo em lágrimas. Nunca a tinha visto chorar com tanto desespero ou tremendo mais que antes. Era uma cena quase trágica, como os cabelos castanhos escuros encaracolados caiam pela face e o vestido dourado se estendia ao seu redor. E pela primeira vez, desde que ele encontrou Hermione Granger quase morrendo naquela floresta, com correntes aos seus pés, ele não sabia o que fazer.
No momento em que ele a salvou, ele se auto-condenou.
– Granger, me escute — ele se abaixou ao seu lado, mas não a tocou, ou nada parecido — Granger, pare de chorar. É a coisa mais ridícula que eu já vi.
Ela levantou o olhar, quase surpresa em ele estar tão perto. Sem pensar, estendeu a mão para a dele, que estava levantada como um sinal de "pare". Não a segurou ou nada parecido, não tinha coragem para fazer isso ainda. Mas seus dedos se roçaram, pela primeira vez, um toque sem ódio nenhum ou necessidade de salvar alguém. Não diretamente. Só tinham um ao outro de companhia e agora, pareciam estar destinados a morte iminente. Não queria se sentir sozinha e estava cansada de chorar. Draco retribuiu o toque, confusão em todos os ângulos da face, assim como espanto. Era como se a ponta de seus dedos lutassem, tentando chegar mais perto.
– Sabe, Malfoy — Hermione abaixou a mão lentamente — As vezes eu te odeio por ter me salvado.
X
As ruas de Liverpool eram escuras e as poças no chão deixavam claro que havia chovido durante dias. A parte bruxa da cidade parecia estar um caos. Conforme os jovens andavam pelos becos, se sentiam cada vez mais sufocados. Então havia uma razão para todo aquele treinamento das últimas semanas. Todos sabiam que o anel no dedo de Pansy Parkinson era a razão deles estarem ali, correndo o risco de se unir a alguém que possivelmente poderá os trair no futuro. Nem mesmo Narcisa tinha certeza que Rebastian Lestrange era confiável, afinal, sua história de violência provava o contrário.
– Esse lugar não possui classe nenhuma — Pansy resmungou, enquanto caminhavam. Todos estavam com capas escuras, para se passarem de Comensais, já que havia passado do toque de recolher e qualquer um que não fosse, seria instantaneamente morto — É tudo tão escuro, credo.
– É o que se espera de Comenais, não é? — Theo retrucou, olhando em volta com um sorriso animado — Eu achei até meio sexy.
Os dois irmãos Weasley se olharam, já que estavam atrás dos outros. Depois de muita discussão no Lago Grimmald, foi escolhido que Harry não participasse da missão em busca de Rebastian. "Se você for, vai colocar tudo a perder. É sério Harry, você é muito esquentadinho as vezes" foi o que Gina disse ao moreno irritado com a situação. Ron fora escolhido para ir no lugar dele e embora sua mãe também houvesse discutido muito sobre a segurança dos filhos, teve de ceder.
– Fiquem atentos aos becos — Narcisa avisou em voz alta — E se nos acharem, não aparatem, corram, me entenderam?
Alguns assentiram com a cabeça. Voltaram a caminhar, dessa vez mais silenciosamente como passaram por um grupo de pessoas, algumas até mesmo, machucadas terrivelmente. Outras gemiam de dor e Gina teve que se impedir de tremer em pavor. O que havia acontecido com o mundo? Ido a loucura completamente.
– Eu vi alguma coisa — Astória sussurrou em voz alta, olhando apavorada para um ponto escuro da próxima rua — Se mexendo perto daquelas lixeiras.
– Deve ter sido um rato, não precisa se preocupar — Blaise se aproximou da noiva, pegando suas mãos pequenas com as suas e lhes dando um aperto confortável — Pode andar comigo se achar melhor.
Ela assentiu com a cabeça, e o casal ignorou o olhar no rosto de Theo, mas que não passou despercebido por duas pessoas. Talvez estivesse óbvio para todos, menos Blaise, de que Theo estava apaixonado por ele. Gina ficou com pena do garoto. Por muitos anos soube o que era ter o amor não correspondido, mas, aprendeu também, que isso os faz ficarem mais forte.
– É tão estranho — ouviu Ron resmungar — Zabini e Greengrass, ela é melhor que a irmã, claro, a outra é insuportável, mas mesmo assim esses dois continuam a ser estranhos.
– Eles se amam — Gina respondeu no mesmo tom, mas, algo dentro dela dizia que não era para o irmão o que dizia, mas para si mesma — Querem ficar juntos. É a coisa mais normal que existe.
– Mesmo assim, é estranho.
Ela revirou os olhos mas parou de andar assim que viu que todos haviam feito o mesmo. Estavam de frente para uma loja de varinhas abandonadas, coberto de mofo e úmido. Narcisa fez um sinal com a cabeça para voltarem a andar, e assim, eles seguiram a mulher mais velha para dentro do edifício. Ela sabia exatamente para onde ir, e, embora os sons perturbadores de correntes enchiam o lugar, Gina tentou ao máximo não sentir medo. Sentiu porém, a vontade de Harry para estar ali do seu lado. Assim como Blaise estava ao lado de Astória.
Entraram em uma espécie de sala dos fundos, onde em uma cadeira estava um homem. Olhos negros, assim como cabelos e barba rala e também, vestes. A manga do braço esquerdo estava levantada, mostrando a marca negra, que fez Daphne estremecer. Isso não fez o mesmo com Pansy, porém, que correu até o homem, jogando-se em seus braços e o abraçando fortemente. Todos da sala ficaram em silêncio. Era tão estranho, em um mundo tão mudado, ver aquela maneira de afeto.
– Você está bem — Pansy disse, sorrindo. De repente, se separou dele e com uma rapidez invejada, deu um forte tapa em seu rosto — Seu merda! Seu completo merda, você não me escreveu, nem sabia se estava vivo. Eu mesma te mataria se não... ah, Theo, você está com minha varinha?!
– Não — Theo respondeu, embora Gina pudesse ver que ele tinha uma varinha extra em seu bolso.
– Você é muito estressada para seu próprio bem — Rebastian respondeu, quase tão frio como um cubo de gelo por si mesmo. Se virou para a mulher no recinto com um sorriso de lado, totalmente lascivo — Narcisa, linda como sempre. Faz um tempo desde a última vez que nós nos vimos.
– Sim, faz. Mas acho que esse não é o melhor lugar para conversa — a loira olhou em volta, apreensiva — E não quero perguntar onde está o fabricante de varinhas. Precisamos ir, e agora.
Foi então que outro barulho encheu a sala, justamente quando Rebastian estava prestes a falar. Um grito cortou todos, pertencendo a Astória, que subitamente foi arrastada pelos calcanhares, indo em direção a outro cômodo onde uma explosão foi ouvida. Ninguém viu exatamente quando, mas Blaise imediatamente correu atrás dela, e é claro, Theo não esperou nada para ir atrás dele.
Várias figuras encheram o lugar, vindas de uma fumaça negra. Gina viu o rosto doentil de Bellatrix Lestrange, cuja varinha estava apontada diretamente para Rebastian. Narcisa estava parada no lugar, completamente estática, e nada poderia se falar do ex-Comensal que estava totalmente em choque, como se não estivesse entendendo o que estava acontecendo. O porque do irmão e cunhada estiverem naquele lugar.
– Ron! Cuidado! — Gina gritou para o irmão, que estava de costas a uma parede que parecia estar prestes a desabar — Protego!
Conseguiu impedir a parede de cair por cima do ruivo, que não teve tempo de agradecer. Ambos começavam a duelar com outros Comensais. Ron não sabia quem era o homem a sua frente, possuindo cabelos loiros e olhos verdes claros, mas lhe era famíliar, de uma maneira que não conseguia entender. Ouviu um grito e se virou, vendo Daphne atrás dele, com a varinha levantada.
– Weasley — ela rosnou — Sai da frente.
Outras pessoas retornaram no cômodo, enquanto Narcisa e Rebastian duelam incansavelmente contra Bellatrix, que parecia não estar nem um pouco afetada. Pansy parecia estar exausta e Theo, vendo, correu para a ajudar, gritando uma maldição ao topo de seus pulmões, fazendo Rodolphus voar até a parede contrária, que se desprendeu do feitiço de Gina e caiu entre pedaços, fazendo o chão tremer.
– Daph, não! — Astória tentou gritar com sua voz rouca. Estava com um corte em sua testa e Blaise a segurava fortemente pela cintura, a impedindo de correr até sua irmã — Ele não vale a pena. Não faça isso, por favor!
– É bom ver vocês, meninas — o homem sorriu. Ron de repente se sentiu doente. Então esse era Aaron Greengrass — Faz muito tempo, estão bastante crescidas. Ah, Astória, você está tão parecida com sua mãe.
Daphne deu um grito de raiva e atirou um feitiço, esse acertando apenas o braço do pai, que caiu ao chão em dor. Vendo que estava perdendo, Bellatrix puxou seu marido e aparatou, livrando os outros dois adultos de um duelo cansativo. Vendo o que estava acontecendo, Narcisa empunhou novamente a sua varinha, enquanto Rebastian corria até uma Pansy desacordada. Aaron então, tentou acertar a filha com uma maldição, mas se surpreendeu quando acertou um ruivo. Ron Weasley caiu ao chão, gemendo de dor.
E então, vendo que estava sozinho, Aaron aparatou. Todo o caos que tão rápido veio, se foi ao mesmo tempo.
– Sua idiota! — Daphne gritou para a irmã, que finalmente saiu do aperto do noivo — Se você não tivesse gritado...
– Ele é nosso pai! Você nunca iria se perdoar se o matasse! — Astória gritou de volta, seu rosto vermelho de raiva — Não, você não iria conseguir nem isso. Ele iria te matar primeiro e sabe, você é minha irmã e eu não quero a ver sem vida no chão.
Narcisa murmurou algo "Olha o que você fez, Daphne" e apontou para Ron, que ainda estava desacordado. Gina estava com a cabeça do irmão no colo, mexendo nos cabelos do mesmo. Blaise se ajoelhou ao lado dela.
– Está bem? — ele perguntou.
Ela o olhou surpresa.
– S-sim — respondeu fracamente — Mas ele precisa de cuidados.
– Vamos voltar para a Ordem — Narcisa disse, suspirando em derrota — Foi um reencontro em tanto, Rebastian, é acho que a Srta.Parkinson também precisa de algumas poções. Theo, ajude as Srtas.Greengrass a aparatarem e todos, vão direto a Kingsley, ele saberá o que fazer. Agora, Rebastian, temos que ter uma pequena conversinha. Tem ideia de como minha adorável irmã sabia que hoje você, oficialmente, seria considerado um traidor?
X
Quando a noite chegou, eles estavam sentados nos sofás, lendo o livro de Céline e o diário de Anne Marie, cada um contendo informações sobre o que aconteceu anos e anos atrás. Hermione estava com medo. Não, minto. Estava apavorada. Mas não sabia se era por causa da maldição descoberta ou do fato de Malfoy, de todas as pessoas, começar a fascinar de certa maneira. Ele era inteligente. Muito inteligente, de fato. Ele sabia como segurar uma conversa, mesmo que a mesma seja repleta de insultos. E o que havia acontecido antes, aquele simples toque, a fez se perguntar se ele precisava mais que uma companhia. Se precisava de um amigo.
Algo bateu em sua janela. Ambos se olharam com medo e lá estava, um corvo. Negro como a noite. Havia um pergaminho em seu bico. Hermione começou a tremer, seu novo medo de corvos tomando conta de seu corpo. O loiro voltou com o papelzinho, assim como o corvo voou, se misturando entre as árvores.
– A resposta está na página quarenta e cinco– ele leu em voz alta, e a olhou — E depois, acho que está na hora de descobrir quem sou eu.
Hermione colocou os braços em volta do corpo.
– Está assinado? — perguntou.
Ele balançou a cabeça.
– Não — e então jogou o papel no fogo da lareira — Só diz que logo saberemos o porque de estarmos aqui e que talvez, vamos agradecer.
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