Ensina-me a lutar, eu vou lhe mostrar como ganhar

Você é minha falha mortal, e eu sou o seu pecado fatal

Deixe-me sentir a picada, a dor

A queimadura sob a minha pele

– Warrior — Beth Crowley

X

Naquela mesma noite e já havia passado exatamente vinte e quatro minutos. Sim, eles estavam vigiando o relógio, como se quando chegasse a meia noite, a casa iria explodir em chamas. Hermione foi a primeira se levantar, pegando o livro de magia negras e folhando tão lentamente, como se fosse uma página para cada minuto perdido. Draco notava que suas mãos estavam tremulas.

Ela não leu em voz alta, e ele agradeceu por isso. Porém, quando ela abaixou o livro, o loiro notou a ruga entre suas sobrancelhas. Testa franzida e Granger só havia uma razão: confusão. Ou talvez medo. Ele notou isso também, quando a atacou... melhor, foi violento, quando ela lhe desrespeitou. Mentira, ela nunca lhe desrespeitou, uma voz em sua cabeça sussurrava, você que o fez. É um bastardo, Malfoy.

– Malfoy — a voz dela era quase minuscula — Você... Você já andou por todos esses bosques?

Ele pegou o livro e colocou em cima da mesa. Era extremamente ver Hermione Granger tremendo por causa de um livro. Parecia extremamente errado. Como se não fosse, de fato, Hermione Granger a garota em sua frente.

– Não — respondeu, sem emoção alguma. Era uma pergunta quase sem nexo, mas não disse mais que isso. Por medo dele mesmo quebrar com a tensão do ar que havia acima deles — Nunca tive motivos. Fui somente até o rio e voltei, sempre, nesses dois anos.

– Acho que isso explica muito então — ela sussurrou para si mesma. Vendo o olhar de confusão, se levantou e começou a andar para a janela. Havia bafo no vidro, como se alguém estivesse respirando contra ele pelo lado de fora — Há algo no lado oeste da casa, no bosque, é isso que o livro diz.... mas que só aparece em lua nova. Sempre está lá, mas não aparece. Sempre caça, mas nunca sucede– citou, fechando os olhos e colocando a testa contra o vidro gelado por conta da temperatura — É apavorante.

– O que? O fato que tudo nessa vida é escrito por rimas ou que elas são terrivelmente terríveis? — Draco zombou, recebendo um olhar cortante dela quando a mesma se virou — Eles tentam fazer tudo mais sombrio, só que cada vez tudo isso soa mais ridículo.

Se afastando da janela, Hermione voltou a se sentar no sofá. Sentiu o material se abaixar, anunciando que ele também estava sentado, embora o mais longe possível.

– Embora suas piadas sejam hilárias — ela suspirou — Precisamos descobrir o que está acontecendo aqui. Aquele bilhete nos diz para ir atrás, e é exatamente isso o que vamos fazer. Vamos para o lado oeste.

– Ei ei ei, Granger — ele pegou seu ombro, a impedindo de andar mais em direção a porta. A soltou no momento mais cedo o possível — Não podemos ir lá. Pensou por um momento que isso pode ser uma armadilha e que estamos correndo diretamente para ela?!

– Claro que já pensei, na verdade, já pensei em todas as possibilidades — ela cruzou os braços e ergueu o nariz. É claro que ela já pensou, sabe-tudo estúpida, Draco revirou os olhos — E achei que nós já tivéssemos discutido tudo. Não podemos ficar sem a verdade e... Malfoy, você é a única pessoa aqui que pode me ajudar. Literalmente.

Não existia muitas escolhas naquele lugar, ele sabia disso. E a possibilidade de morrer era assustadora, além do mais, ele sempre havia sido um covarde. Seu sexto ano, o fato de estar sendo procurado por ambos os lados na guerra. Tudo apontava para quem ele realmente era: um idiota preconceituoso e covarde. Sabia bem que se Granger estivesse com qualquer outra pessoa além dele, ela não o escolheria. Não confiavam um no outro, mas eram tudo o que o outro tinha. Tudo.

– Muito bem, mas se a gente morrer, eu vou fazer a vida dos seus amigos imbecis um inferno — o loiro rosnou.

– Você já fez isso antes, não vai ser difícil fazer de novo — ela deu em ombros, olhando para a porta — Acho melhor irmos. Vi nuvens, e não quero enfrentar... seja lá o que for, em baixo de chuva.

Não tinha a mínima vontade de sair do ar confortável da cabana, mas foi isso o que fez. Granger andava ao seu lado, mas ele conseguia perceber que seus passos queriam ser mais rápidos do que os dele, mas ela sempre olhava para trás e diminuía o ritmo. Também notou o quão pequena ela parecia naquele vestido dourado, que sua cabeça tocava apenas em seu ombro — ou talvez, ele quem era alto demais — e que ela parecia tão... frágil? É, talvez essa fosse a palavra.

A floresta estava com o ar úmido e gélido, que parecia fazer sua pele rachar. Viu a morena tremer algumas vezes, talvez pelo frio ou pelo nervosismo. De qualquer maneira, não se ofereceu para a ajudar. Nunca havia vindo nessa direção do lado oeste e embora não quisesse admitir, tinha medo de se perder. O único som entre eles eram dos pequenos galhos quebrando com a sola dos sapatos e os corvos. Corvos. Ele estava começando a ter pavor, nojo talvez, de corvos.

– Também tenho medo deles — a voz suave de Granger quebrou seus pensamentos. Ele a olhou e viu que ela estava com os braços em volta do corpo — Essa situação toda... e eles... já tive até mesmo alguns pesadelos.

– Não é medo — ele retrucou, teimosamente — Só não são os meus animais preferidos nesse mundo.

Ela o olhou e ele quase se encolheu com o que passava atrás dos olhos castanhos: compreensão.

– Olha, já percebi que você tem um sério problema em admitir que sente medo de algumas coisas — Hermione mordeu o interior da bochecha — Ou de admitir que se importa...

– E eu já percebi que você tem um sério problema em se meter na vida dos outros — Draco mordeu, a fazendo novamente se encolher com o tom de voz. Naquela floresta, ele era uma das coisas que poderia se agarrar com o medo. Mas, pelo visto, não — Estávamos falando sobre corvos. Não precisa fazer uma analogia inteira sobre isso.

– Minha mente faz analogias e felizmente, cem por cento delas estão corretas — Hermione deu uma risada baixa, fazendo ele erguer uma sobrancelha — Malfoy, você pode falar comigo. E-eu... não vou lhe julgar...

– Você já fez isso, não sabia? — ele parou de andar, pegando seu braço. Ela estava gélida. Não era pelo nervosismo ou medo que ela estava tremendo, era pelo frio. Deveria ter adivinhado. Era Hermione Granger afinal de contas, fazia besteiras com os idiotas porque alegava ou pensava que não sentia medo — Esqueça. Você não entenderia.

E ele a largou, voltando a andar.

– O que eu não entenderia? — a morena murmurou para si mesma, antes de correr atrás dele, tropeçando o caminho inteiro — Diga-me, Malfoy, o que eu não entenderia?

Draco parou de caminhar, a fazendo bater o nariz contra suas costas e resmungar um "Ai!". Se virando, novamente a pegou pelo braço, a fazendo ter que levantar o olhar para olhar para ele. O loiro encontrou confusão e aquela vontade idiota de Granger em querer saber de tudo: sabia que olhar era aquele por causa de anos e anos em Hogwarts, tendo que conviver com a bruxa.

– Não quero te contar detalhes, Granger, porque você é incrivelmente irritante quando faz perguntas — ela abriu a boca para retrucar, mas ele a cobriu com sua mão — Então vamos somente voltar a andar em direção a nossa morte enquanto você observa minha beleza desumana.

Ela fez uma careta mas não disse nada quando ele tirou sua mão. Apenas voltaram a andar, agora em silêncio. Hermione, processando suas palavras. O que eu não entenderia? Por que ele esconde tudo de todos? Ah, claro, porque ele é Draco Malfoy. A morena teve que balançar a cabeça com esses pensamentos. Estava intrigada demais por ele. Já era ruim ter de precisar do loiro, não queria se encontrar mergulhada no mistério ambulante que ele era.

Estava tão mergulhada nos pensamentos que só parou quando ele estendeu o braço e a puxando para trás. Ia lhe dar um olhar cortante mas parou quando percebeu onde eles estavam. Era uma de tantas clareiras daquela floresta, porém, nessa onde se encontravam a grama estava morta e as árvores, sem folhas. Secas. Ocas. O pior de tudo não era a paisagem mas sim, os corvos ali. Parados. Sem fazer nenhum ruído, olhando para eles.

A os dedos da mão de Granger estavam roçando seu pulso, como se ela tivesse vontade de pegar sua mão. A olhou quase perplexo e viu como ela parecia em choque, sua respiração rápida como a de um pequeno pássaro enjaulado, sem escapatória. Draco não havia admitido, mas era óbvio que sentia medo das aves, embora nem tanto quanto ela.

– São apenas corvos — ele sussurrou em voz alta, como se as os animais pretos atacassem a cada ruído alto demais — Não vão fazer nada, Granger.

Mesmo assim, a morena fechou os olhos e agora, Draco conseguia sentir a ponta dos seus dedos fortemente contra seu pulso. Quase, por instinto, fez um movimento para pegar a mão pequena, mas não o fez. Ao invés disso, os dedos de sua outra mão roçaram nos dela, em busca de apoio próprio. Um dos corvos grunhiu e Hermione quase pulou. Se sentia tão idiota. Tão fraca.

– Granger, olhe para mim — a voz de Malfoy era rouca, e somente quando abriu os olhos percebeu o quanto havia se aproximado dele — Você está olhando que nem uma imbecil agora. Essa não é você. Precisamos voltar a andar...

Mas não foi necessário. Os corvos saíram das copas das árvores e voaram ao redor deles, os deixando cegos por um momento. Toda floresta parecia ter ficado negra, as penas das aves tampando a visão. De repente, os corvos foram embora e no lugar deles estava uma jovem sentada em um trono de rubis. Hermione havia se aproximado tanto de Draco que agora ele estava a segurando pelos ombros conforme ela chorava. A mulher sentada no trono tinha uma feição dura como pedra, mas não era de longe assustadora. Era bela. Tão bela como a noite. Os cabelos eram negros e lisos, os olhos de um azul claro que na luz, aparentava ser dourado.

– Não precisa chorar, minha jovem — sua voz era calma como a brisa. Hermione a olhou espantada — Meus filhos não vão lhe oferecer mal algum.

Granger estava mole em seus braços, por isso, ele teve de se ajoelhar no chão sujo para que ela pudesse se sentar. O vestido, mais largo que ela estava quase esparramado pela grama. O loiro se levantou assim que pode, não querendo se sujar ainda mais. Mas percebendo que estava tremulo, também se sentou na grama, amaldiçoando a si mesmo por ter a segurado daquela maneira... como se ele precisasse de ajuda. As coisas não funcionavam assim. Não deveria serem assim. Ele não precisava de contato humano. Muito menos de alguém tão odiável.

A morena pensou a mesma coisa e por isso, se afastou dele, se sentando mais longe. Limpou as lágrimas que caíram de sua bochecha e olhou para a mulher, que observava tudo sem um grau de emoção.

– Q-quem é você? — sua voz saiu tão tremula e fraca, que se ele não estivesse olhando para ela, não a reconheceria — Ppor que está fazendo isso com a gente?

– Certas coisas não tem razão ou apenas estão longe de nosso alcance. E eu sou apenas uma das consequências de uma tragédia de anos atrás — a mulher contava, mexendo os anéis de sua mão. E então estralou os dedos — Tragam uma xícara de chá, essa pobre garota parece estar a ponto de desmaiar. Não posso contar nada a ambos se estiverem incapacitados. Um corvo saiu do meio da mata densa mas antes que pudesse chegar aos dois, se transformou em uma garota da idade deles. Ela tinha um sorriso bondoso e carregava uma bandeja de prata pura, com duas xícaras de um chá vermelho sangue. Ela largou na grama na frente deles e se dissolveu em fumaça branca. Hermione, por um momento, jurou que aquela fumaça havia tomado alguma forma.

– Você é aquela vadia — Draco rosnou, com raiva, mas a mulher não teve reação — Você é aquela vadia que andou nos observado...

– Sim, sou a mulher que andou os observando. Creio que é isso que eu faço. Eu observo as vítimas da profecia de minha mãe — ela estendeu a mão e uma xícara saiu de pedaços de terra que se desprenderam do chão. Tomando, ela deu um sorriso que parecia ter sido esculpido em gesso — Vocês não são os primeiros a virem para Barton Hollow, nem serão os últimos, mas com certeza são os mais interessantes. O ódio misturado com a vontade de... se tocarem, fazem que vocês se afastem. É impressionante as pessoas que são puxadas para esse lugar.

– Por favor — Hermione quase suplicou — Só queremos a verdade.

– E terão a verdade, Srta. Granger. Na verdade, com todas aquelas pistas já deveriam ter descoberto...

– Pistas?! Eram malditos poemas! — Draco gritou, se levantando tão rápido que quase cambaleou — Por que toda profecia tem que ser escrita dessa maneira? E o que a gente tem a ver com isso?! O que eu tenho a ver com isso?!

Com movimento da mão esquerda, Malfoy estava amarrado por correntes em uma cadeira de madeira que havia surgido do nada. Hermione olhava tudo surpresa. Pelo visto, quem aquela mulher era, não aceitava desafios ou discussões.

– Posso mostrar a verdade ou posso mostrar como é a face da morte — ela disse, como se recitasse um poema antigo — Fique em silêncio, Draco Malfoy, ou irá se arrepender. Creio que sua mãe não iria gostar de saber que seu único filho está morto.

Ela, novamente, mexeu a mão e uma neblina apareceu de frente a eles. Nela, havia a imagem de Narcisa Malfoy em um quarto que Hermione reconheceu na hora ser da Ordem. Ela estava falando com Kingsley Shackebolt e parecia estar muito envolvida em qualquer assunto. A morena olhou para o lado e viu que agora, Malfoy parecia estar quase em dor física.

– Pare com isso — outra suplica saiu de sua garganta, antes que pudesse controlar — Pare com isso, não é justo, por favor, pare.

Os olhos gélidos foram até ela e então, a mulher novamente sorriu. Draco havia sido libertado de suas correntes e a cadeira havia desaparecido, o fazendo cair no chão com um baque alto. A de cabelos negros novamente estava sentada em seu trono e a imagem de Narcisa havia ido embora, com um sopro do vento.

– Eu sou Imogen Pervensyh — disse, erguendo a cabeça orgulhosamente — Filha bastarda de Will Gryn e Anne Marrie Pervensyh. Guardiã de Barton Hollow. Querem a verdade? Não posso lhes dizer, mas posso lhes mostrar. Espero que não chore, Srta.Granger, pois meus filhos vão ter que nos ajudar com essa pequena viagem.

E os corvos novamente apareceram, dessa vez gritando tão alto que eles tiveram de tampas os ouvidos. Tudo rodou. E ao invés da floresta ter se apagado por uns minutos, parecia ter se ido para sempre. E de fato tinha. Imogen estava ao lado deles olhando para um lugar em particular. Não estavam mais dentre as árvores, mas numa estrada de chão ao meio do nada. Ao longe, uma carruagem se aproximava, puxada por cavalos que tentavam correr na maior velocidade possível. A chuva era forte e o barro havia se tornado lama, incapacitando-os.

Tanto Draco quanto Hermione estavam molhados, assim como Imogen, mas a mesma parecia indiferente a esse fato. A carruagem finalmente parou, não podendo ir a adiante com a quantidade de lama. Um homem desceu e Hermione o reconheceu no momento em que viu os cabelos negros. William. Will.

– Maldito seja! — ele gritou, dando um chute em uma roda. Já estava todo molhado e seu olhar era de desespero.

Uma mulher também saiu da carruagem, seus cabelos cor de caramelo e olhos azuis eram tão reconhecíveis quanto os cabelos negros do homem. Anne Marie.

– Não podemos ficar aqui, ela vai nos achar — Anne Marie estava chorando, as lágrimas se misturando com a chuva — Ela colocou uma maldição na nossa cabana, Will, onde a gente se encontrava...

– Vamos pensar no futuro agora. Vamos pensar na nossa filha — ele disse, colocando suas mãos no rosto dela. Ela balançou a cabeça — Na nossa pequena Imogen que está dentro dessa carruagem. Ela vai ser tão brilhante quanto a mãe... mágica, é, isso. E vamos ser muito felizes. Mas agora precisamos concertar essa roda, me entendeu?

Ela assentiu com a cabeça e começou a tirar algo do bolso de seu vestido. Porém, um som de algo quebrando chamou sua atenção. Céline estava ali, com um vestido vermelho sangue, olhando totalmente louca com a varinha estendida. Apontou para a carruagem que com um baque, caiu ao chão em pedaços. Anne gritou "Imogen!". Quando Will tentou correr para o veículo, Céline apontou sua varinha diretamente para ele.

– Seu coração pertence a mim... e não me importo se ele está batendo ou não — ela sussurrou, e em seus olhos havia ódio puro. Com um sorriso maléfico, ela recitou o feitiço — Avada Kedavra!

O grito de "NÃO!" de Anne Marie quebrou a noite, assim como o corpo de seu amado caiu ao chão sem vida. Hermione tentou correr até eles, seus próprios olhos cheios de desespero, mas Draco a pegou pela cintura, a impedindo.

– Isso já aconteceu, Granger — ele murmurou para ela, também sem emoção — Não há como mudar.

Sabia que ele estava certo, sabia que aquilo era apenas uma magia de volta ao tempo e que eles não estavam ali de verdade. A Imogen mais velha olhava a cena com uma tristeza que Hermione, por um momento, pensou que ela fosse uma humana normal. Enquanto isso, a Imogen bebê começou a chorar.

– Onde está a sua bela filha, Anne? — Céline zombou — Não sou tão cruel a ponto de matar uma criança, mas com toda certeza terei prazer em matar a sua querida mãe.

– Não vai ser tão fácil quanto pensa — Anne Marie se levantou do lado do corpo de Will, completamente molhada e suja de lama. Havia retirado sua varinha do vestido e olhava a outra de maneira quase tão cruel quanto a mesma — Você tirou metade do meu coração, não vou deixar que tire a metade do de minha filha.

O que veio depois foi uma série de feitiços não verbais. Varinhas balançando no ar, duelando, e os olhares de raiva entre as duas mulheres. Porém, no fim, com um movimento rápido de Anne, Céline estava no chão. A chuva parecia ter ficado mais forte como se, assim como eles, estivesse observando a cena.

– Eu poderia matar você pelo o que fez. — Anne rosnou, apontando a varinha para a garganta da mulher caída.

– Ah, mas eu fiz muito mais — Céline ria loucamente, suas roupas cobertas de lama — O que eu fiz com aquele lugarzinho, a maldição que eu coloquei sob a sua filha.

Os olhos de Anne se tornaram ainda mais raivosos. Prestes a lançar um feitiço, começou a balbuciar alguma palavra. Mas Céline havia aparatado, sumindo em uma nuvem de fumaça negra. Hermione observou como a mulher desabou no chão, chorando no meio da chuva pela tragédia que sua vida havia se tornado. Por um momento, sentiu como se fosse ela em seu lugar.

E a cena havia desaparecido, com os corvos que retornaram. A floresta estava a mesma, quieta, e as aves haviam retornado para as árvores. Imogen novamente estava sentada em seu trono, olhando para eles com um sorriso esculpido na pedra que eram suas expressões.

– O que foi aquilo? — escutou Malfoy perguntar, sua voz seca de emoções.

– Aquilo foi a morte de meu pai, a tristeza de minha mãe e a fuga de Céline — Imogen suspirou, olhando para longe — Ela nunca mais foi vista depois daquele dia, mas soube que se casou com outro trouxa e teve um filho sem linhagem mágica. Um aborto.

– Ela falou de uma maldição — Hermione franziu a testa — Que colocou sob você e sob esse lugar.... ah meu Merlim, então quer dizer...!

– Eu sou imortal, nunca poderei sair daqui até que alguém tome meu lugar. Céline colocou a maldição de que dois amantes, perdidamente apaixonados e de mundos diferentes, seja rico e pobre, seja mágico ou não, qualquer diferença, seja trazido aqui através de objetos mágicos que pertenciam aos meus pais... aqui, seu amor acabaria, e se tornaria ódio. Era o que pretendia fazer desde o começo com minha mãe e meu pai, mas não deu certo... então, tomou a decisão de destruir o lugar onde se encontravam para provar que o amor deles no fim, nunca iria continuar — Imogen olhava para um lugar distante — Minha mãe quase não suportou essa ideia. Naquela noite, voltamos e ficamos aqui em Barton Hollow... cresci aqui. Ela me ensinou tudo sobre magia e conforme eu ia crescendo, a maldição de Céline me conectava a casa, ao bosque, a cada ser. Minha mãe então tomou uma decisão, ela mudou a maldição para que Céline, onde quer que estivesse, nunca venceria.

Ela era a bruxa mais esperta de sua idade. Apenas conectou tudo. O desespero tomou conta ela e não pode deixar de olhar para Draco, que a encarava com confusão em seu olhar e tensão em todos os seus músculos.

– Se Anne mudou a maldição, se nós dois estamos aqui.... — ela tomou fôlego, tentando se impedir de cair ao chão desacordada — Nós nos odiamos. A maldição era para amantes. Se ela mudou...

– Dois inimigos vão entrar em Barton Hollow através de objetos espalhados que pertenciam aos meus pais. A cada cinquenta anos. E esses inimigos, no fim, iriam se apaixonar — Imogen assentiu com a cabeça — Minha mãe mudou a maldição para que assim pudesse provar que o ódio e o amor são os mesmos sentimentos, e que Céline sempre esteve errada.

– Você só fala merda — Draco passou as mãos pelos cabelos — Eu não pedi nada disso.

– Nenhum de nós pediu — Hermione complementou, sentindo novamente seus olhos arderem por conta das lágrimas — Por favor... está acontecendo uma guerra... não podemos ficar aqui.

– O tempo não é o melhor, concordo, mas será que não entendem? — Imogen os olhou com raiva — Se não ficarem, vão morrer. Esse lugar é repleto de magia. Estes corvos que estão vendo são as pessoas anteriores, que pisaram esse chão, que falaram comigo assim como falam agora. Que falharam. Céline venceu com elas... as encheu de ódio, e agora, estão presas aqui para sempre. É isso o que desejam?

– Eu desejo ir para casa! — Draco gritou, não, berrou — E-eu... só quero ir para casa....

E então ele se dissolveu em lágrimas. Hermione percebeu então que ele parecia apenas um garotinho querendo voltar para onde nasceu. Olhou para a mulher imortal a sua frente, caminhando até ela com hesitação.

– E eu preciso voltar também — disse — Não podemos ficar aqui. Temos... coisas para fazer, para resolver.

Imogen ergueu uma sobrancelha e estralou os dedos. Uma corda dourada surgiu em sua mão. Brilhava tão forte quanto ouro, o que deixou a morena até mesmo um pouco tonta.

– Podem sair, mas terão que retornar durante a noite — disse, pensativa — É o máximo que posso fazer. Escrevam minhas palavras — falou em uma voz mais forte, e um dos corvos se transformou novamente na garota de antes — Durante o dia, irão lutar. Durante a noite, vão voltar. Sempre será assim... porém, nem tudo é perfeito.

– O que quer dizer? — Draco perguntou, dessa vez, com a voz muito mais quebrada por conta do choro inesperado.

– Não é óbvio? — Imogen sorriu — Não vão poder se separar um do outro. Agora vão, lute sua guerra, Hermione Granger e ache seu time, Draco Malfoy... quem saiba o motivo para vencer a batalha esteja ao seu lado.

A corda dourada então se prendeu entre os dois, causando uma queimadura terrível em suas peles. Gritos de dor cortaram a noite, como seus corpos foram para perto um do outro. No momento em que a corda pareceu desaparecer e seus corpos novamente tomarem uma certa distância, tudo ao seu redor pareceu girar pela primeira vez naquela noite. A pressão do ar que parecia ter em Barton Hollow havia sumido, assim como a floresta e Imogen. Ambos se sentiram livres por um momento, antes da escuridão os levar.

Notas finais
Esse foi o maior atraso da minha vida. Eu sei que vocês devem estar muito bravos, eu também estaria. Na verdade, eu não ficaria surpresa em descobrir que vocês desistiram da fic e eu receber nenhum comentário nesse capítulo. Bem, o fato é que eu não postei pelo fato de minha mãe ter quase morrido em uma cirurgia, ela sofreu uma parada respiratória no meio de uma operação e quase faleceu. Eu simplesmente não podia deixar ela de lado e escrever, sinto muito... além disso, teve esse problema com o Nyah que atrasou ainda mais. Eu peço de todo o meu coração perdão por esse mega atraso, e peço também, que entendam a minha situação. Eu quase perdi uma das pessoas mais importantes da minha vida e não é uma coisa fácil. Saindo desse clima pesado, espero que tenham gostado desse capítulo! Agradeço também todos os comentários que recebi, eu li todos, e respondi também como vocês perceberam. No dia em que eu respondi era para esse capítulo ter sido postado, mas por causa desses incidentes não deu. MUUUUUITO obrigada por esse apoio incrível e por tudo o que vocês escrevem: dicas, sugestões, criticas ou até mesmo um oi. Mando algodão doce mental para cada um de vocês ♥ E ta muito frio aqui gente, ta uns 3C e isso me lembra o quanto eu amo frio, mesmo estando totalmente congelada. Digitar é dificil com dedos de picolé mas yay, eu tentei! ahsuahsuahsu Novamente, desculpa por tudo. Beeeeeeeeeeeeeeeeijos sabor Icey :*