“Há um lugar onde a luz não encontrará você

Dando as mãos enquanto as paredes desmoronam

Quando isto acontecer, estarei bem atrás de você”

— Lorde – Everybody wants to rule de World

X

O Lago Grimmald Place estava sempre cheio nesses dois últimos anos. As garotas ficavam com os quartos de cima e infelizmente, Molly reclamava o tempo todo da bagunça que os garotos faziam. Mas o pior não eram os gritos, as brincadeiras dos gêmeos. Afinal, todos estavam acostumados com a família Weasley.

O pior, era que em algum momento do dia, alguém entrava sangrando pela porta da frente. Gritando em agonia. As vezes, as coisas não saem como o planejado. O plano de caçar as Horcruxes de Voldemort é uma dessas. Quando Ron os abandonou naquela floresta, não demorou muito para que os Comensais os achassem e assim, foram levados para o Ministério. A Ordem os localizou através de feitiços e, em uma missão arriscada, os tiraram de lá.

A raiva que Hermione sentiu ao ver o ruivo, são e salvo na antiga casa dos Black ultrapassou tudo. Ela gritou e chorou, e depois de minutos, se trancou no quarto, onde chorou por horas. Gina veio com uma xícara de chá, tentando confortar a amiga, mas nada deu certo. A morena se sentia perdida, queria fazer alguma coisa.

Dois anos se passaram.

A Ordem já sabia das Horcruxes, devido a todos os acontecimentos. Porém, ninguém estava conseguindo as achar e eles estavam perdendo a guerra. Drasticamente. Hermione já estava com vinte anos, assim como Harry e Ron. Eles eram os principais nas missões de busca, embora os dois garotos tentavam argumentar que era melhor ela ficar em casa, na biblioteca dos Black, pesquisando.

Andar na rua era impossível. Haviam comensais em todos os lugares. Havia toque de recolher. Voldemort colocou um poste de ferro no meio do Beco Diagonal. Pessoas eram torturadas ali todos os dia, em plena luz da manhã.

Além das famílias que estavam foragidas, como os Malfoy, Parkinson, Zabini, Nott e os Greengrass.

- Hermione? – Gina entrou no quarto, com uma bandeja cheia de comida. A morena ergueu os olhos para a amiga, saindo dos seus pensamentos – Mamãe pensou que estaria com fome.

Ela tentou sorrir.

- Obrigada – pegou a bandeja e cruzou as pernas, a colocando em seu colo – Mas acho que não sinto fome faz dois anos.

A ruiva riu um pouco e andou pelo quarto, olhando o monte de pergaminhos que estavam em cima da mesa e os livros pesados, que estavam por todo o quarto. Não havia um dia que Hermione não ficasse lendo os livros antigos, em busca de alguma pista sobre as Horcruxes. De nada adiantava, embora ela havia achado pequenas coisas uteis.

- Soube que Kingsley vai lhe dar uma missão – Gina falou, calmamente, esperando alguma reação – Harry e Ron talvez não vão ter chegado a tempo, não quero ver a reação deles quando souberem que você foi embora.

- Eles vão gritar com Kingsley e depois vão se sentar e comer, como sempre – a garota mordeu sua torrada e engoliu a força — E eu odeio quando eles me tratam como se eu ainda fosse aquela garotinha do primeiro ano. Principalmente seu irmão.

A ruiva a olhou com curiosidade estampada em seus olhos azuis, iguais aos de Ron. Hermione não estava mais apaixonada pelo ruivo, mesmo que antes estivesse perdidamente. Não sabia o que mudou ou quando mudou. Talvez fosse quando os sonhos começaram a aparecer em sua mente, como fantasmas.

- Meu irmão é um idiota – foi tudo o que ela disse por fim – Já terminou de comer? Não quero lhe apressar, mas a reunião já deve ter começado.

Hermione assentiu com a cabeça.

- Pode descer, lhe vejo lá em baixo – a morena viu a ruiva assentir e então sair do quarto, em silêncio. Suspirando, ela caiu na cama, pensando seriamente na espécie de missão que eles iriam lhe dar. Talvez em campo. Ela só não queria se sentir inútil de novo. Sentindo algo felpudo vir ao seu colo, viu Bichento – Sabe, rapaz, as vezes eu acho que vou enlouquecer.

Ela se levantou da cama, descalça e foi até o espelho. Seu rosto estava mais magro, assim como todo o resto de seu corpo. Seus cabelos ainda não estavam domados. Continuava pequena e baixinha demais, ao contrário de Gina, que cresceu com um corpo perfeito depois de anos de Quadribol. Rosnou com sua imagem do espelho e então se vestiu com uma roupa qualquer, sempre colocando uma jaqueta de couro, que havia pertencido a seu pai.

Descendo as escadas, viu todos reunidos ao redor da grande mesa de jantar. Kingsley estava lá, a olhando com um sorriso de confiança. Ela sorriu de volta, para todos eles. Haviam se tornado a única família que ela tinha e isso, ela não queria nunca perder.

Tomou um assento ao lado de Luna, que deu um leve sorriso. Sra.Weasley parecia muito apreensiva. Na verdade, ela estava sempre apreensiva desde que a guerra começou.

- Temos muitos assuntos para discutir hoje – Kingsley começou, sua voz dura, mostrando liderança – Primeiro, o sumiço dos Malfoy tem preocupado muitos membros da Ordem. Lucius Malfoy foi considerado morto mas fontes dizem que Narcisa Malfoy foi vista no Beco Diagonal a poucas semanas. Quanto ao seu filho, Draco Malfoy, não temos notícias dele, como sempre.

Todos sabiam da história de Malfoy. Subiu a um grande patamar como Comensal da Morte, tomando o lugar de seu pai. Mas, depois de um tempo, ele simplesmente sumiu. Foi dado como foragido, em ambas as partes, tanto pela ordem quanto por Voldemort. Ele não tinha lado nenhum. Ambas partes da guerra o queriam morto.

- Outro assunto – ele continuou – É que temos uma missão para Srta.Granger.

Gina lhe lançou um olhar de “eu lhe disse” do outro lado da mesa. Hermione limpou a garganta.

- Missão, senhor? – perguntou, educadamente.

- Temos uma dedução que poderia haver uma Horcrux no antigo orfanato de Tom Riddle – Kingsley informou, dando um gole de seu café – E como sabe, esse orfanato fica no mundo trouxa. Ninguém sabe mais do mundo trouxa do que você, Srta.Granger, e por isso sabemos que você é a melhor escolha para essa missão. Sabemos que não faria nada por impulso.

- É uma honra, Kingsley – foi tudo o que disse em retorno, com a garganta queimando – E quem seriam meus acompanhantes?

O homem mais velho deu um olhar de confiança plena e então Hermione soube, mesmo que ele não tivesse dito nada. Deu outro olhar para Gina, que estava tão vermelha quanto seus cabelos. Sra.Weasley parecia estar em raiva pura.

- Não pode estar falando sério! – a mulher gritou – Ela é apenas uma criança.

- Molly, ela já tem vinte anos, está longe de ser uma criança – Kingsley rebateu, sua voz dura, assim como seu olhar – E ela é uma bruxa extraordinária. Seria um risco mandar mais pessoas, chamaria mais atenção e...

- E por isso você vai a deixar ir sozinha? – Gina exclamou, irritada, assim como sua mãe – Hermione pode ser a bruxa que for, ela ainda assim corre riscos.

- Está tudo bem – Hermione interrompeu e ambas a olharam surpresas – Posso me cuidar e vou fazer o máximo, Kingsley, você não vai se arrepender. Sra. Weasley, eu agradeço sua preocupação, de verdade. Assim como a sua, Gina. Mas... eu vou ficar bem, não sou mais uma criança.

Sra.Weasley deu a volta na mesa e a puxou para um abraço apertado, qual ela correspondeu.

- Eu sei, eu sei – a ruiva mais velha disse – Mas isso não me impede de se preocupar.

Hermione tentou ignorar o olhar fulminante de Gina e o olhar de preocupação de Luna. Ela se virou para Kingsley e tentou dar outro sorriso, falhando miseravelmente.

- Quando eu vou?

- Agora – ele disse – Agora, Srta. Granger. Não podemos perder o tempo que não temos.

Ela sentiu um soco no estômago e então assentiu. Murmurou um “vou me preparar” e saiu da cozinha, ouvindo os passos que Gina a seguindo. Sabiam que eles iriam falar mais coisas na reunião, mas nada que fosse muito importante, afinal, ninguém a chamou. Ela correu para o quarto e tentou fechar a porta, mas a amiga já estava lá, de braços cruzados, a olhando em um lugar entre raiva e preocupação.

- Sabe como eles vão reagir – ela disse, batendo o pé no chão – Sabe como Ron vai reagir.

- Eu vou voltar antes deles – Hermione tentou argumentar – É provável que eu volte ainda hoje, não precisa se preocupar em mandar um patrono para eles.

- E se você não voltar, Hermione? – Gina perguntou, ignorando a morena indo e voltando com roupas e outras coisas – Eles vão ficar arrasados. Tudo o que Harry menos precisa é perder outra pessoa. É por isso que ele deu ordens para Kingsley nunca lhe dar uma missão em campo, para sua segurança.

- Harry precisa aprender que a segurança que mais importa é a dele mesmo – ela retrucou de volta, colocando comida em sua bolsinha encantada – Mas ele é burro demais para perceber isso e Ron se deixa levar pelas emoções facilmente. Está na hora deles aprenderem que eu também tenho direito de sair dessa maldita casa.

Gina suspirou, vendo que havia perdido a discussão. Ela deu um abraço na amiga e então se separou, dando um pequeno sorriso.

- Volte logo então, se não eu vou atrás de você – ela disse, apontando um dedo – E você sabe, ninguém é páreo para as minhas azarações.

- Eu sei, Gina, eu sei – Hermione revirou os olhos – Até logo.

Quando ela fechou a porta do quarto, pode ouvir o baixo “Até logo” de Gina. Naquele momento, ela só pensou que soava terrivelmente errado.

X

O orfanato estava quase caindo. Havia cinzas pelo chão e ela pode ver alguns trouxas caminhando pela rua, desatentos a tudo. Pegou a varinha na mão, a apertando entre os dedos. Olhando em volta, entrou no prédio antigo. O salão principal estava deserto, com tábuas de madeira pelo chão e um enorme buraco no teto, onde a luz entrava. Tudo bem, ela precisava achar os quartos.

Tomou muito cuidado ao subir as escadas, que estavam podres. Andou pelo corredor e então achou o pequeno quarto. “Tom Riddle” estava escrito na porta, com uma plaquinha em dourado. Esse era o quarto dele. Sentiu uma estranha vontade de vomitar.

Ela foi até o armário, que tinha uma porta caída no chão, e viu uma concha. Uma simples concha. Se Harry estivesse ali, saberia dizer se era uma Horcrux ou não. Com cuidado, ela pegou a concha em suas mãos, a girando na frente de seus olhos. Tinham desenhos leves, suaves, sem forma definida.

Foi então que outra coisa pegou sua atenção.

Era uma vela, com desenhos antigos, parecendo ser runas antigas. Não, era runas antigas. Com toda a certeza. Hermione sentiu uma dor em suas costas, como uma queimação. Mas tão rápido quanto veio, foi embora. Ela então ouviu passos e uma risada maníaca, que reconheceria em qualquer lugar. Quase congelou no lugar quando se virou e viu ali na porta, a poucos metros dela, Bellatrix Lestrange e outros dois Comensais. Yaxley e Dolohov.

- Veja só, a sangue-ruim – ela disse, com um sorriso de lado – Já estava com saudades.

Hermione apontou sua varinha rapidamente para Yaxley e gritou “Estupefaça!”. Ele saiu voando pelo cômodo, indo em direção da parede do corredor. Bellatrix gritou algo e feitiços vieram na direção da morena. A cama antiga virou e ela ficou atrás da mesma, sentindo as pressões dos feitiços contra o ferro torcido. Dolohov estava se aproximado, ela conseguia sentir.

A queimação de antes, em suas costas, se intensificou. Ela gritou de dor e pode ouvir Bellatrix rindo em puro prazer. Prazer pela dor alheia. Ela já tinha a concha, então, precisava sair dali de alguma maneira. Eram três contra uma, e aquela cama não iria aguentar por muito tempo.

- Reducto! – ela gritou, apontando a varinha para a janela a sua frente.

Vidro explodiu por todos os lados. Hermione conseguiu ouvir Bellatrix gritar. Não esperou tempo e correu para a janela. Ignorou seu terrível medo de altura e pulou. Lestrange não esperou nada e gritou uma maldição, que atingiu a morena em cheio enquanto ela caía em queda livre, do sexto andar do orfanato. Mas, antes de atingir o chão, Hermione aparatou.

Era uma aldeia bruxa. Ela não esperou para saber qual. As ruas estavam desertas, apenas com alguns bruxos sentados ao redor de fogueiras improvisadas. Comensais marchavam pela rua. Hermione puxou seu capuz da jaqueta e andou, como se fosse parte deles. O céu estava nublado, pronto para uma tempestade. Ela conseguia sentir o cheiro de chuva no ar.

Suas costas ainda queimavam. E ela precisava sair dali.

Não poderia aparatar, nesse novo regime de sangue, era totalmente proibido. Além de que iriam a rastrear e achariam a sede da Ordem. Não poderia colocar nenhum deles em perigo. Seria sua culpa e isso, ela não iria conseguir conviver.

- Mostre sua identidade – disse um Comensal que se aproximou dela.

Hermione começou a tremer. Não poderia tirar o capuz. Não poderia mostrar sua identidade.

- E-eu não tenho – conseguiu gaguejar.

O homem a estudou com um sorriso cruel e então acenou. Outros dois mascarados se aproximaram e então puxaram seus braços para trás. Hermione gritou de dor, não apenas pelo movimento brusco, mas também porque a queimação em suas costas se intensificou. Não bastava Bellatrix, ela teve que aparatar em uma vila bruxa.

- Vamos levar ela para a praça – e então ele se ajoelhou, dando um tapa na cara da morena. Ela sentiu vontade de chorar, mas não o fez. Não mostraria que era fraca, não na frente deles – Vamos ver se ela aprende o seu verdadeiro lugar na sociedade.

E então ela foi carregada até o poste de ferro, onde foi amarrada com correntes. Hermione não conseguia processar tudo, como estava indo tão rápido. Pelo menos ela havia conseguido a concha, que talvez fosse uma possível Horcrux. Mas agora seria torturada ali, na frente de todas aquelas pessoas sujas, sangrando e na miséria. Não conseguia se sentir mais humilhada. E o pior, Bellatrix iria vir atrás dela. Tinha certeza disso.

Mas então, ela sentiu algo no bolso. Enquanto os Comensais amarravam seus pés, deixando uma de suas mãos livres, ela puxou e viu. Era a vela. Como ela havia pegado aquela vela? Não tinha a menor ideia. Tinha certeza que não havia a pegado antes de pular a janela, até porque não fazia sentindo algum.

As suas costas pararam de doer. E assim, do nada, a vela se acendeu.

Um fogo azul.

E então tudo começou a queimar, como se ela estivesse pegando fogo. Ouviu o seu próprio grito e o grito dos Comenais. A vila, o poste, tudo sumiu. Mas as correntes em suas pernas vieram com ela, se desprendendo do ferro de tortura. E então, ela caiu, na grama.

E tudo ficou negro. Apagada. Toda a luz sumiu.

Não se sabe quanto tempo passou. Mas ela acordou, em uma cama macia, com lençóis de seda verde. Não tinha mais aquela queimação nas costas e tudo parecia estar leve, como se ela estivesse em uma nuvem. Piscou os olhos várias vezes, para se acostumar com a luz que vinha de um lampião antigo na parede a sua frente. Tirando esse lampião, não havia nenhuma outra luz no cômodo.

Ela não estava mais com suas roupas. Estava de um vestido longo, branco, mas quase não sentia o tecido em sua pele. Com a luz do lampião, foi até um espelho e se viu nele. Suas pernas estavam com cicatrizes, mas ela não estava suja. Alguém deve ter lhe dado um banho. Mas quem?

Foi quando ouviu passos.

E foi quando ela o viu. Ali. Na sua frente. Aquele que esteve foragido durante dois anos. Aquele que ambos os lados queria morto, queimado. Qualquer coisa. Aquele que estava correndo para não ter sua cabeça pendurada no Hall do Ministério.

- Malfoy – ela disse, surpresa, com medo.

Ele sorriu de lado.

- Surpresa, Granger.

E então tudo ficou preto, novamente.

Notas finais
Oi meus cupcakes! Olha quem chegou! A Madonna!
Ta mentira, sou eu.
E como eu disse que teria outra fic Dramione, aqui está, a minha mais nova bebê que eu espero muito que vocês acompanhem, pois vai ter muita coisa inesperada pela frente e embora ela pareça uma fic sobre a guerra contra Voldemort, ela não é. Embora se passe nesse período (quase, como vocês perceberam).
A minha agenda de atualizações continua a mesma então: todos os fins de semanas ou sextas e segundas, tem cap novo. Então para se lembrarem: é melhor ler minha fic do que assistir Faustão. Ou, se estiver passando Faustão na sua TV você vai se lembrar de que yo estoy aque.
(Não sei falar espanhol, foda-se)
Sinto muito se magoei você que assiste Faustão :3 não era minha intenção.
Para os amantes do Theo: ELE RETORNÁ NESSA FIC! SIIIIIM, depois do final dele em Breath of Life, decidi dar outra chance a esse personagem incrível (que quase não aparece nos livros, infelizmente) que vocês que leram minha outra fic conhecem.
Acho que é isso, espero que tenham gostado desse primeiro cap e esteja bom para um começo de fic.
Beeeeeeeeeeeeijos sabor Icey :* (ps: com menta)