Com os pés no ar

E sua cabeça no chão

Experimente este truque e gire-a, yeah

Sua cabeça vai colidir

Mas não há nada nele

E você vai se perguntar:

Onde está minha mente?

Onde está minha mente?

– Where is my mind? — Emily Browing.

X

O terror havia tomado conta dela desde aquela noite e sabia que com Malfoy não estava sendo diferente. Ele estava mais frio e constantemente ficava encarando o nada, com uma expressão melancólica. Hermione não sabia os motivos, já que muitas coisas ruins estavam acontecendo ultimamente: a perspectiva de morrer em Barton Hollow, ou os fatos de seu pai estar morto e sua mãe, desaparecida.

Ela mesmo não estava em um estado melhor. Sentia medo de cada corvo que passava perto da cabana e, sempre que olhava para trás, Draco não estava ali. Talvez o loiro tivesse se esquecido do trato de se ajudaram, ou talvez estava mergulhado na própria dor, mesmo que não quisesse admitir.

A morena subiu as escadas e parou na frente de seu quarto, como fazia todos os dias. Deu uma batida de leve, mas, ele não abriu.

– Malfoy? — chamou, um pouco hesitante — Eu estava pensando em a gente ir dar uma pesquisada na biblioteca, o que acha?

Silêncio.

– Eu ahn, acho que precisamos entender o que eram aqueles corvos — ela passou a mão pela porta de madeira, como se quisesse passar seus pensamentos através dela — Conseguir algumas respostas. Eu odeio ficar sem elas, e acho que você também.

Quando não conseguiu resposta, Hermione suspirou e começou a descer as escadas. Sabia que ele estava machucado demais e esse fato, de certa maneira, a incomodava. Ouviu a porta ser destrancada e se virou, surpresa, quando ele desceu apenas em calças moletom. Embora odiasse se sentir como uma garotinha de colegial, corou. Claro, coraria com qualquer homem sem camisa que não fosse Harry e Ron.

– Eu sei — foi tudo o que ele respondeu, sua voz rouca. Se perguntou se ele não estava chorando, mas não questionou em voz alta com medo se sua reação — Vamos logo.

Caminharam até a porta da biblioteca, abrindo-a com um ranger. O cheiro de livros velhos entrou na narina da morena, que sorriu. Amava o cheiro dos livros. Encontrou o diário de Anne Marie e entregou ao loiro, que levantou uma sobrancelha enquanto mexia-o entre os dedos. Hermione olhava pela prateleira, passando os dedos pequenos e delicados pelos títulos. Sorriu quando achou "A Bela e a Fera" mas guardou-o novamente, não estava na hora de ler por lazer.

– Veja isso — Malfoy limpou a garganta e ela se virou para ele — Sei que agora minha prioridade é cuidar do meu filho, dentro de mim, mas não consigo de deixar de sentir mais preocupada por Will naquela casa com Céline, fingindo a amar. Nossa história é tão bela, e não consigo deixar de acreditar porém, que histórias belas tem um final trágico– ele leu, e ficou pensativo por um momento — Ela parecia uma mulher bastante pessimista.

– Eu também seria, naquelas situações — Hermione pegou o diário das mãos dele, ignorando o olhar de raiva — O que foi? Quer ler mais?

– Não — ele respondeu rapidamente, lhe dando um olhar cortante — Mas odeio que tirem coisas da minha mão.

– Você age como uma garotinha as vezes, Malfoy — ela revirou os olhos e ignorou o gesto horrendo que ele lhe deu com a mão — Muito bem, então estamos de acordo que esse diário tem a ver com essa cabana, e também com o porque de estarmos nela.

– Eu não concordei em nada — o loiro resmungou.

Hermione lhe deu um olhar cortante.

– Eu presumi — a morena limpou a garganta, e continuou a andar de um lado para outro — Os vestidos antigos, os móveis e até a própria casa fecham com aquela época, acho que tudo faz sentido. Negar seria burrice, até mesmo para você.

Draco levantou os olhos que estavam fixos no chão e lhe olhou, dando um sorriso de lado. Hermione inconsequentemente colocou os braços em volta do corpo, se lembrando de quão violento ele poderia ser.

– Eu era segundo melhor da turma, Granger, apenas para lembar — sua voz era cheia de zombamento — E eu também estou de acordo. Sabe, em alguns assuntos você pode ser mais inteligente, como matérias e mistérios, mas em outros, eu sou muito mais esperto que você.

– Duvido muito — ela ergueu o nariz, odiava que duvidassem de sua inteligencia ou a questionassem de qualquer maneira — Você sempre negou que esse diário tinha algo a ver...

– Eu já disse que é melhor com mistérios, Granger, merda deixe de ser tão obtusa — Draco fez uma careta e passou a mão pelo cabelo — Eu sei mais sobre as pessoas do que você, é um fato.

Ela o estudou com os olhos castanhos, e Draco não pode deixar de pensar o quanto eles eram diferentes do de Pansy, que apesar de serem castanhos, eram escuros e frios. Sorriu arrogantemente de lado, vendo como a raiva dela aumentava, seu pescoço e bochechas ficando vermelhos.

– Você não sabe nada, Malfoy — ela cruzou os braços — E está se desviando do assunto principal.

– Você é o tipo de pessoa que julga todos por serem arrogantes idiotas, também conhecido como eu, mas não olha a própria arrogância — ele dizia, com puro veneno em sua língua — Se acha inteligente, mas se por acaso se apaixonar, nunca vai demonstrar, assim como fez com Weasley, assim como o perdeu.

– Não fale como se soubesse de qualquer coisa envolvendo Ron e eu! — ela exclamou, e ele se sentiu vitorioso. Era claro que ela não percebia os seus joguinhos — Nunca amou ninguém, é de fato um arrogante idiota e todos sabem disso, é por isso que nunca ninguém te amou de verdade — certo, agora, ele se sentia a alegria de irritar Hermione Granger indo embora a cada palavra que ela proferia — E é exatamente por isso que ninguém sentiu sua falta nesses dois anos. Ninguém liga para você mesmo, ninguém o quer de volta.

E então ela saiu da biblioteca, não antes de pegar dois livros que estavam em cima de uma mesa, um deles sendo o diário. Draco ficou parado no meio da biblioteca, novamente olhando para um ponto fixo. "Seu pai está morto, Malfoy, e ninguém sabe onde está sua mãe". A voz de Granger ecoava em sua mente. Não conseguindo aguentar mais, enterrou o rosto nas mãos, e deixou poucas lágrimas escorrerem por sua bochecha até chegarem em seu peito. Não conseguia entender porque era assim, porque sempre dizia coisas que machucavam, mas, quando alguém lhe retrucava — principalmente a certa parte do trio de ouro — sentia como realmente era: um ninguém.

Não havia razões para voltar.

X

A sala de treinamento era muito diferente do que Pansy achou que era. Havia alguns bonecos de borracha, aqui e ali, com alvos desenhados. Mas estava feliz de finalmente sair do quarto da garota Weasley, embora as irmãs Greengrass estivessem naquele mesmo cômodo também, ela não gostava nem um pouco daquela casa. Pelo menos iria ter alguém para conversar, além de Theo, quando Rebastian chegasse. O homem cuidou dela quando ela precisava, e certamente, precisava dele agora.

– Muito bem, está um dia ótimo para treinar! — uma mulher de cabelos rosa chiclete, com uma barriga de grávida dizia animadamente para eles — Eu acho que vou separar vocês em pares para ficar mais fácil, podem treinar duelos para começar.

– Não entendo porque a gente tem que treinar — Astória resmungou, revirando os olhos — Não é como se a gente nunca estivesse ido lá fora antes.

– É apenas para vocês se aperfeiçoarem nas coisas que não são melhores em, Srta.Greengrass — Tonks sorriu e então, pegou uma prancheta, procurando o nome da garota — A senhorita, por exemplo, não é boa em feitiços de estupefaça e precisa urgentemente aprender a fazer corretamente. Harry pode lhe ajudar, ele é muito bom nesse. Agora, vamos lá! Os pares não foram feitos por mim, lembrando e então... ah sim, estão escritos aqui nessa folha, vou deixar aqui para darem uma olhada. Voltarei daqui algum tempo para ver como estão se saindo.

Pansy viu seu nome ao lado do de Theo, que olhava tudo em volta com uma carranca.

– Estamos juntos — ela disse, pegando seu braço — Pelo visto os da Ordem não tem muita criatividade.

– Nem bom senso — ele resmungou — Daphne vai matar Weasley no primeiro feitiço, isso se não antes.

Virando-se, ela pode ver os cabelos perfeitamente cacheados e loiros de Daphne enquanto ela desarmava Ron de uma maneira tão fácil, que o ruivo estava vermelho de vergonha. Pansy levantou uma sobrancelha quando viu o sorriso arrogante da melhor amiga, mas não comentou nada. A mais velha das Greengrass sempre havia sido competitiva, e agora, Ron Weasley parecia ser o seu novo alvo.

Conforme ela e Theo começavam a duelar, Gina Weasley olhava para um Blaise Zabini com as mãos na cintura. Era a terceira vez que ele tentava acertar seu rabo de cavalo com um "Serpensotia" e a ruiva já estava começando a se irritar. Os olhares de Harry constantemente em sua direção, como se para se certificar que ela estava bem, não estava ajudando. Ela se sentia totalmente estressada.

– Seu cabelo fica melhor solto — Zabini comentou.

– Não sei como isso vai te ajudar em uma luta, mas obrigada — respondeu, cruzando os braços — Seria melhor se sua dupla fosse Astória.

– Ela não é muito boa no campo de batalha, sabe se virar, mas não tem esse fogo nos olhos que você tem — Blaise disse, apontando a varinha em sua direção. Gina tentou se concentrar em feitiços e não nos elogios, mas estava sendo difícil. Era desconcertante — Ela é melhor com feitiços de cura, na verdade ela é ótima neles.

– Muito útil — Gina desviou um feitiço com um aceno de varinha — Você está fazendo o movimento errado, tente ser mais leve e não tão brusco.

Ele fez o que ela disse, e finalmente acertou seu rabo de cavalo, fazendo Gina soltar um pequeno grito de dor que chamou atenção de Harry. Blaise notou Astória revirar os olhos e dizer para Potter se concentrar, que seria melhor se eles terminassem aquilo rápido. Quando olhou novamente para a ruiva, notou que estava estava no chão, os cabelos ruivos e extremamente lisos caindo por suas costas, do jeito que ele preferia.

Você está noivo de Astória, se repreendeu, e Weaslette pertence a Potter.

– Desculpe — ele disse formalmente, lhe estendendo a mão — Acho que seu cabelo me hipnotizou por um momento.

– Blaise, pede logo o shampoo que ela usa, se está com inveja — Theo se aproximou, sorrindo de lado — Aposto que ela não vai se importar, nem um pouco, não é mesmo Weasley?

– Sem dúvida alguma, agora.... — Gina estava vermelha, e percebeu que ainda estava segurando a mão de Blaise, a soltou rapidamente — Agora, acho melhor eu ir indo. Mamãe deve estar precisando de ajuda na cozinha.

Todos olharam confusos como Gina saía apressadamente da sala de treinamento. Theo olhou para Blaise e reconheceu o que estava atrás de seus olhos: desejo. Sentiu outra leve pontada de dor, mas sempre soube que o queria desde o sexto ano, nunca iria acontecer. Riu baixinho, tomando atenção do melhor amigo.

– O que foi?

– Não é bom desejar algo que não pode ter — Theo respondeu, dando em ombros — Principalmente quando se trata de um Weasley, aquele a quem Potter ama, sem mais nem menos.

– Eu não a desejo — Blaise resmungou — Eu amo Astória.

– Talvez ame, mas não pode negar uma coisa — Theo olhou para o chão, as palavras que sairiam de sua boca fincavam em seu peito — Gina Weasley tem um fogo que Astória Greengrass nunca vai ter, e Astória é calma como Gina nunca vai ser. Tem que decidir o que quer da sua vida, cara. Não se pode ter água e fogo ao mesmo tempo.

E eu ser a dor de ter um coração partido, pensou com ressentimento para si mesmo, e não quero que você a sinta.

X

Hermione acordou com o som do violino.

Ainda estava de noite, de fato, era ainda de madrugada. Olhando para suas roupas rasgadas que usava para dormir, foi até o armário vestiu um daqueles desconfortáveis vestidos longos, as únicas roupas que havia. Pegou um dourado, mas simples, e sorriu. Vestida, começou a subir as escadas.

A porta de Malfoy estava aberta.

Espiou pela fresta, como ele mexia os dedos finos nas cordas do instrumento. Fechou os olhos com o som e não pode deixar de sorrir. Era uma melodia triste, talvez, ele mesmo havia composto. Quando deu um passo para bater na porta, pisou no fim do vestido e caiu para frente com um baque, gemendo de dor quando sua cabeça atingiu o chão. Abriu os olhos e, através dos fios espessos de seu cabelo, pode ver que ele a olhava de cima.

– Desculpa — se ajeitou, começando a se levantar — Eu lhe ouvi tocar e pensei em fazer uma visita. Eu... E-eu... me senti mal pelo que eu disse.

– Não sinta, você estava certa — ele falou, sem emoção, colocando o violino em cima da mesa — Você sempre está certa.

– E você nem sempre está errado, mas nesse momento está, porque eu não estou certa! — Hermione exclamou, se sentando em sua cama — Droga, Malfoy, as vezes é impossível lhe tolerar.

– Muito obrigado.

– Não foi um elogio, eu só... fico imaginando o quão sozinho você se sente, não só nessa casa, mas fora dela também — Hermione olhou para suas mãos sem seu colo — Eu menti. As pessoas sentem sua falta, principalmente seus amigos e nem consigo imaginar como sua mãe se sente sobre sua ausência. Achei que deveria saber o porque eu disse aquilo... é que, você mencionou Ron. Não gosto quando falam sobre ele.

A morena viu como ele não respondeu, seu rosto sem emoção. Seu trabalho ali estava feito, era melhor deixa-lo tocar sua melodia triste no violino, sozinho, e seria melhor era descer, ler até seus olhos pesarem e dormir, onde teria outro pesadelo com corvos. Hermione Granger agora tinha medo de corvos. E agora, violinos em festas, nunca mais teriam o mesmo significado.

Estava prestes a sair quando ouviu sua voz.

– Alguma vez você já se importou com o que eu disse? — a voz de Malfoy era impassível — Os xingamentos na escola, as coisas ruins que eu disse, que na época pensavam que eram certas.

Ela se virou, se encostando na parede.

– Não — respondeu, depois de ficar um tempo pensando — Acho que quando o ódio é forte demais, o que as pessoas falam não tem importância. Não doía o que você me falava, porque, eu sabia que nunca iria receber nada além daquilo de você. Nossa relação era apenas ódio, ainda é, só que um pouco... adequado para a situação em que nos encontramos.

– E alguma vez Weasley já a vez chorar?

Hermione ergueu a cabeça surpresa.

– Sim — respondeu calmamente — Mais vezes do que você imagina.

– Esse é o porque eu sou diferente do Weasel, Granger — ele usou o apelido ridículo da escola para falar sobre Ron, mas ela decidiu ao máximo ignorar — Eu a xinguei e não significou nada. Ele lhe xingou, e a machucou muito mais vezes do que eu, porque diferente de mim, ele era suposto a ser seu amigo. É por isso que eu o usei para lhe xingar, era a única maneira de realmente atingir você.

Hermione o olhou com tanta raiva naquele momento, principalmente porque ele estava sorrindo como se nada tivesse acontecido. Respirando fundo, tentando manter sua calma, ela disse:

– Você é a única pessoa que eu posso confiar aqui, porque bem, você é a única pessoa por aqui.

– Não é a melhor escolha, não é, Granger? — ele caçoou.

– Não, com toda certeza — ela colocou os braços em volta de si — Mas como eu sou obrigada, prefiro confiar em você, do que em ninguém, que nesse caso é a única segunda opção — começou a sair do quarto, novamente, antes de se virar — E pode chorar na minha frente, não tem vergonha nenhuma nisso. Eu já chorei muito nesses últimos dias também.

O loiro ficou parado depois que ela saiu do seu quarto. Nada disse. Apenas pegou o violino e começou a tocar, dessa vez, uma melodia um pouco mais alegre.

Notas finais
Eu estou atrasada de novo, eu sei. Sou uma péssima autora, gente do céu. Eu odeio deixar gente esperando, mas as vezes eu realmente não tenho tempo para escrever, até porque eu tenho outras pequenas fics que precisava terminar, como uma chamada Smash Mouth, de Jogos Vorazes. Eu planejava escrever naquele dia que respondi os comentários, mas não deu, porque me veio um imprevisto. Espero realmente que me perdoem (gente, eu perdi a conta de quantas vezes perdi perdão pra vocês, e peço perdão por isso, Hu3). Espero que tenham gostado desse capítulo, que é um pouco sem ação, mas com uma construção mais detalhada dos personagens e também dos pensamentos do Draco sobre o que está acontecendo... eu espero ter sido realista, nem que seja um pouquinhoinho. Vou mandar biscoitos e chocolate quentes pra vocês :v porque é bom, e vocês merecem, cupcakes! Muuuito obrigada pelos comentários, sei que sempre agradeço, mas é mesmo muito importante. Também essas duas pessoas lindas e maravilhosas aqui: Sincere Tears e Emily Longbottom Que recomendaram a fic! Salva de palmas para elas! ~le palmas~ espero que tenham gostado desse capítulo em especial. Acho que muitos de vocês conhecem a Sincere, ela é minha melhor amiga, então... é. Pois é. "Chega de enrolação Ice!" Tudo bem, vamos em frente. Eu acho que é isso então! Espero realmente que tenham gostado! Obrigada e até o próximo. Beeeeeeeeeeijos sabor Icey :*