Barely Legal
1 Here We Go, Baby
Notas iniciais
"Que bosta"pensei enquanto o professor de quimíca tagarelava sem parar. Olhei para o lado, verificando que, assim como eu, ninguém prestava atenção de verdade na aula. Fiz uma bolinha de papel e lancei certeiramente nas costas da minha amiga, Julie, a qual se debruçava sobre a mesa do namorado que possuia uma beleza gregoriana, puta merda que homem lindo. Pena que era um imbecil, mas tá valendo.
- Me deixa dormir, Amanda. — Virou ela bufando pela boca.
Meu nome é Amanda, tenho dezessete anos e bem, não tenho muito o que dizer sobre mim. Sou bastante comum para falar a verdade. Rosto pálido e terrivelmente comum, cabelo louro comum (conseguido com ajuda de descolorante, devo admitir), corpo normal, essas coisas de gente sem sal. Mas tinha uma cintura finissima a nível de Dita Von Teese, pelo menos minhas raizes latinas tinham alguma serventia, no final das contas.
Na saida da escola esperei pacientemente Julie dar o décimo terceiro beijo de despedida no Deus Grego do Evan. Não a culpo, se também tivesse um namorado alto, bonito e louro ficaria o dia inteiro agarrada no seu pescoço.
- Argh, não quero ir pra fazenda com meus pais — disse ela de cara feia.
- Deixa eu ir no seu lugar então. Vou passar o final de semana todo cuidando do pentelho da amiga da minha mãe.
- Ah, quando eu trampava de babá era o maior barato. É só dar banho neles e ligar na Disney — falou com ar de experiente — depois só é levar eles pra cama e ganhar cinquenta dólares.
- Ok, me liga quando chegar lá — falei percebendo que já tinha chegado em casa.
Entrei em casa e fui logo subindo pro quarto quando notei a presença de visitas na sala. Mas não deu tempo, claro que não.
- Amanda, desce aqui e vem dizer oi pro pessoal — gritou mamãe firme, mas docemente para não fazer mal na frente da visita.
Merda. Desci as escadas contragosto e parei desajeitada no meio da sala.
- Essa é a Amanda? Como ela cresceu! — disse uma coroa de bronzeada, com um sorriso caloroso — Está linda!
- Obrigada — dei um sorriso envergonado.
- Essa é Dorah, ela te pegou no colo! — disse mamãe com um sorriso igualmente caloroso — e essa é Adrienne, você já deve saber — continuou, apontando para uma mulher com enormes dreadlocks nos cabelos, a qual eu me lembrava de ter visto rápidamente enquanto saia apressada para a festa da Claire semana passada.
- Oi — se levantou para me cumprimentar, deixando sua xícara na mesinha de centro.
- Ah, oi — falei tocando suas mãos incrivelmente macias.
- Ela vai passar uma semana fora... — começou mamãe
- Vou visitar uma ong que venho acompanhando a muito tempo com umas amigas — interrompeu Adrienne, gaciosamente — E sua mãe disse que você poderia ajudar com as crianças?
- Ahm, ela me disse, mas não que era uma semana. Eu vou ter que dormir lá? Tipo, sozinha? — estava meio acanhada.
- Não, não precisa dormir. Meu marido vai estar em casa, pelo menos a noite. É só durante o dia, e eles já são bem grandinhos. Um tem sete e o outro tem dez... — fez uma pausa — Tudo bem pra você?
- Tá certo — sorri educadamente, tentando escapar da sala.
- Ok, então eu venho te apanhar amanhã de manhã! — disse sorrindo enquanto pegava sua xícara outra vez.
Subi para o quarto atirando os sapatos longe. Me joguei na cama só imaginando o aperreio que teria essa semana. Mas que bosta.
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