Banica Conchita
1 Capítulo 1
Notas iniciais
A história que vou contar aconteceu há muito, muito tempo atrás. Numa vil mansão escondida atrás de uma remota floresta, exalava-se um cheiro asqueroso. Preparava-se agora um outro jantar. Á frente de refeições que envenenariam uma pessoa normal, encontra-se uma mulher sozinha com um sorriso de arrepiar.
Essa mulher chamava-se Banica Conchita, e tinha um costume, digamos que era muito invulgar. Tinha como hábito ir atrás das comidas mais requintadas do mundo, mas no final o que ela acabou desejando foi a mais macabra que alguma vez se poderia pensar. Os únicos que viviam com ela eram seus dois serventes e o cozinheiro, o décimo quinto naquele ano.
Com seus curtos cabelos castanhos, pele pálida e longo vestido vermelho, esperava agora a longa fila de pratos habitual. A fome dessa mulher era de longe algo fora de normal. Durante a sua espera, não evitou pensar durante alguns minutos na sua família, seus pais e sua irmã. Foi a primeira vez que ela tinha experimentado aquele sabor, durante o acidente na mansão que aconteceu. Vendo os seus pais pedindo ajuda para sobreviver, a única coisa que quis fazer foi experimentar o sabor da carne que tanto a atraía. Com a irmã não se sabe bem o que aconteceu, qual será o fim dessa mulher que desapareceu?
Os serventes apareceram poucos dias depois do acidente e a partir daí criaram laços com a sua senhora, ajudam-na com a sua mania macabra. Um casal de serventes cuja aparência era tão inocente. Das pessoas que alguma vez entraram naquela mansão, nunca mais saíram ou os poucos que conseguiram disseram que humanos não eram. ''Ajoelhem-se e prestem referência á nossa grande Conchita. Todos os ingredientes do mundo pertencem a ela.'', era o que sempre diziam ao servir-lhe as refeições.
O cozinheiro já estava exausto, não aguentava aquela vida de trabalho exagerado. Não concordava com o que a senhora fazia, mas nada podia dizer ou fazer pois medo dela ele tinha. Naquela noite decidiu que ia por um fim a isso e um veneno azul misturou com cada um dos pratos. Finalmente, chegou a última refeição do dia.
Pratos e mais pratos que alimentariam uma família completa. Ingredientes que não se pensava poder utilizar em alguma refeição, era o que compunha aqueles pratos.
''Devora tudo o que está nesse mundo. Ainda há espaço para mais no estômago. Até o veneno que brilha de azul, não é nada mais do que um tempero no prato principal, se a refeição então não for suficiente, basta agora mastigar os próprios pratos.'', cantava alegremente Conchita enquanto comia, e a musica fez empalidecer o cozinheiro do outro lado da enorme sala. A felicidade dançava na ponta da língua daquela mulher que parecia ter uma fome insaciável. O jantar ainda estava bem longe de acabar.

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