Balto IV: O Retorno da Lenda
10 Ato X
Notas iniciais
A neblina pairava densa sobre o platô rochoso, cobrindo tudo com um manto branco que parecia engolir sons e passos. Ainda ecoava o rastro da batalha, pedras quebradas e marcas de garras na neve indicavam o caos que havia acontecido poucas horas antes. Balto, Steele e Kodi mantinham-se vigilantes, observando os arredores.
Do alto, silhuetas começaram a surgir na neblina, passos firmes e regulares que se aproximavam. Nuk, Yak e Sumac, marcados pela experiência e pelo tempo afastados do grupo, vinham liderando uma parte da alcateia que antes pertencia a Nava, garantindo que todos chegassem até ali com segurança.
Aleu ergueu a cabeça ao ouvir o primeiro uivo. Seus olhos se iluminaram.
Aleu: Nuk, Yak, Sumac… são vocês!
O trio emergiu da neblina, cada um carregando a aura de autoridade e respeito adquirida durante a viagem. Atrás deles, os lobos que eram leais a Aleu, estavam alinhados, fatigados, poucos. A visão trouxe um misto de alívio e esperança para Aleu, que correu até eles, unindo-se a seu antigo grupo.
Balto observou de longe, atento. Steele manteve-se ao seu lado, os músculos tensos, pronto para qualquer ataque. Kodi farejou o ar, sentindo mudanças na direção do vento.
De repente, a presença de Niju surgiu à frente do grupo, firme e imponente, mas de olhar apreensivo para seus antigos colegas. Mas os olhos atentos de Balto, Steele e Kodi não permitiriam que ele fosse ameaçado ou desafiado naquele momento.
Balto avançou, posicionando-se à frente de Niju.
Balto: Qualquer passo em falso, e eles terão que passar pela gente...
Pressentiu uma possível luta entre eles e Niju, mas toda ajuda era bem-vinda. Steele e Kodi olharam para Nuk, Yak e Sumac, que traçaram Niju com os olhos e focinhos, suas expressões duras transmitindo a todos que qualquer agressão seria respondida imediatamente. Niju, por um momento, parecia surpreso — mas não recuou. O lobo havia aprendido a aceitar seu lugar naquele momento.
Então, um calafrio percorreu o grupo. A neblina começou a se mexer de forma estranha, como se algo tomasse forma dentro dela. Uma silhueta de pelo vermelho surgiu à distância, imensa e quase sobrenatural, seu corpo emergindo e desaparecendo entre a neblina, apenas o contorno firme e ameaçador visível. O Amuleto do Wendigo castanho cintilava em seu pescoço, refletindo a pouca luz que conseguia atravessar a neblina.
Terry: Vocês… perturbam minha presença.
A voz dele não era apenas ouvida, mas sentida — reverberando no chão, nos ossos e no ar.
Terry: Se não se retirarem agora… Eu os retirarei à força.
Os dois grupos se enrijeceram. Aleu olhou para Balto, a tensão em seus olhos. Balto respirou fundo, sentindo cada lobo de sua alcateia ao seu redor, unido, pronto. Claro que todos ali estavam pela mesma causa: Parar aquele lobo.
Balto: Não vamos recuar.
Steele rangeu os dentes, Kodi rosnou e os membros da alcateia de Aleu, se alinharam ao lado dela. Niju permaneceu firme, finalmente aceitando que sua luta interna e sua necessidade de provar algo a si mesmo não poderiam mais obscurecer o caminho da alcateia.
Aleu deu um passo à frente, sua voz clara cortando a neblina.
Aleu: Estamos unidos. Não somos apenas indivíduos. Se você quiser nos remover, sabe o que terá que fazer.
Ela se pronunciou. O vento da montanha uivava, carregando o eco de cada palavra e a silhueta vermelha de Terry parecia crescer, tornando-se mais ameaçadora. Cada membro da alcateia sentia o peso da decisão: Agora não havia mais fugas, apenas a marcha em direção ao confronto inevitável.
Balto ergueu a cabeça, encarando a neblina, pronto para liderar, cada um consciente do sacrifício e da coragem que seria necessário. Ele uivou para a figura. A imagem enorme de Terry desapareceu no ar, o vento soprou e o caminho até a montanha dele voltou a ficar limpa.
Por um breve instante, houve silêncio. Então eles surgiram. Não houve aviso, nem som de passos. Os lobos que o grupo havia enfrentado antes simplesmente estavam lá, emergindo de todos os lados — entre rochas, atrás da neblina, no alto das elevações. Um círculo fechado, preciso, antigo demais para ser improvisado.
Steele reagiu primeiro.
Steele: Formação!
Rosnou, avançando com alguns dos lobos de Aleu. O impacto foi imediato… e inútil. Poucos combatentes bastaram. Os lobos inimigos se moviam como se já soubessem cada passo, cada reação. Em segundos, Steele foi derrubado, imobilizado. Nuk tentou romper o cerco — foi contido. Luk e Sumac resistiram juntos, mas acabaram rendidos, presas pressionadas contra a garganta, facilmente derrotados.
Balto não avançou, mas deu alguns passos.
Balto: Fiquem frios.
Ele disse para todo mundo que estava em pé. Ian inclinou a cabeça, um sorriso torto surgindo no focinho.
Ian: Frios?
Zombou.
Ian: Olha ao redor, herói. O ambiente já está.
Tosica riu, um som baixo e seco, os olhos fixos em Balto.
Eles o observavam com atenção, vendo o seu símbolo. Viam o filho da grande figura dos lobos, que ele tinha relação com ela. Aquele que foi convocado, entre outros significados... A Grande Loba — a divindade antiga, o equilíbrio natural.
Terry — o que queria substituir isso, de alguma forma, ficar superior ou apagar ela, eles não entendiam direito, mas isso tinha haver com ir contra as vontades de Aniu, contra o caminho natural e de aceitar os outros seres vivos como sendo importantes no Alaska.
Ian deu um passo à frente. Balto sentiu, mas não como medo, como pressão. Como quando o ar anuncia uma tempestade antes do primeiro trovão. Eles queriam avançar. Balto sentiu e olhou para os dois, sua boca levemente arqueada com uma ameaça que pairava como ameaça de morte, de querer matá-lo ali mesmo. Queriam rasgar aquele símbolo ali mesmo. Qualquer movimento poderia arriscar a vida dos presos.
Kodi sentiu o chão sumir sob as patas. Jenna conteve um ganido, os olhos fixos em Balto. Eles trocaram olhares com ele. Balto entendeu. Ian também.
O lobo cinza respirou fundo.
Ian: Levem todos eles.
No mesmo instante, o vento mudou. Ele endureceu. Rajadas cortantes atravessaram o espaço entre Balto e os lobos inimigos, criando uma barreira invisível, rígida, quase sólida. A neve passou a se mover lateralmente, impedindo qualquer avanço direto.
Tosica ficou confuso.
Tosica: Ele não quer que a gente toque nele.
Ele murmurou. Ian assentiu lentamente.
Ian: Terry quer ele inteiro.
Ele desprezou. Balto sentiu o vento pressionar seus flancos, não como agressão, mas como contenção. Uma ordem silenciosa. Um limite imposto.
A alcateia reunida foi empurrada para dentro do cerco, passo a passo, enquanto o vento mantinha Balto isolado no centro — imóvel, observando seus amigos serem levados, sentindo o peso do que ele representava crescer a cada segundo.
O silêncio que seguiu foi silenciado pelo uivo do vento. Nenhum lobo ousou rosnar. Nenhum uivo cortou o ar.
Eles foram levados até o Santuário, Balto fez todos andarem pacificamente para lá, sem problema algum, além de alguns pensamentos por parte de alguns membros sobre relutância ou tentativas de fuga. Aleu disse para sua alcateia ficar fria e apenas seguir a naturalidade da situação — que era eles ficarem calados, se for falar, que fossem coisas não muito perigosas ou suspeitas, sem movimentos muito perigosos ou rápidos, sem tomada de atitude sem que Aleu permitisse e que comprometesse todos, sem uivos ou marcação de território — O interior do santuário de Terry começou a se revelar entre as neblinas sendo sopradas aos poucos. Era um paraíso de gelo sólido, como já mostrado por fora, como se o vento tivesse soprado com a neve e solidificado em pleno ar, haviam algumas áreas rochosas. Quando todo o vento soprou, aquele lugar estava praticamente deserto.
Olhos amarelos se revelaram a partir de uma neblina vinda de baixo.
Terry deu um passo à frente, as patas afundando levemente no gelo sólido como se o próprio santuário o reconhecesse. Seus olhos amarelos percorreram a alcateia reunida com calma predatória, demorando-se em Balto, depois em Aleu, e por fim em Steele e Niju. Seu pelo vermelho, semelhante ao de Jenna e seu porte de cão foram revelados. Ele se sacudiu um pouco.
O amuleto em seu pescoço pulsou uma vez — fraco, mas suficiente para fazer a neve aos pés de alguns lobos ranger de forma antinatural.
Terry: Vocês caminham sobre solo sagrado .
A voz de Terry não ecoou, mas estava rouca; ela simplesmente existiu, espalhando-se pelo espaço como o frio.
Terry: Solo moldado antes de muitos de vocês nascerem… antes de algumas lendas sequer aprenderem a andar.
Ele falou calmamente, dando um teaser para todos eles, mas não deu para entender sobre o que ele falava. Ian avançou meio passo, forçado a parar quando o vento endureceu à sua frente como uma parede invisível. Ele rosnou, irritado, mas manteve o sorriso torto.
Ian: Grande discurso... sabe que A Grande Loba não aparecia... nem de corpo inteiro quando queria.
Os olhos de Terry cintilaram por um instante, e o gelo sob as patas de Ian estalou, rachando finamente.
Terry: E foi por isso que ela caiu, filho do orgulho.
Respondeu Terry, sem elevar o tom.
Terry: Se você pedir para ela alguma coisa, até certas orientações... ela não poderá mais responder.
Um murmúrio inquieto percorreu a alcateia. Kodi se moveu instintivamente para mais perto de Balto. Jenna manteve o corpo rígido, os olhos fixos no amuleto — sentia algo familiar e profundamente errado ali. Balto deu um passo à frente.
Balto: Não viemos desafiar você.
Disse ele, firme, controlado.
Balto: Viemos porque fomos trazidos. Se existe algo que quer resolver… faça comigo.
Balto quis resolver com diplomacia. Por um breve momento, o vento cessou completamente. Terry inclinou a cabeça, observando Balto como quem avalia uma força da natureza rival.
Terry: Filho de Aniu…
Murmurou.
Terry: Você carrega o mesmo erro dela. Acredita que pode sustentar o mundo apenas ficando de pé.
Ele ficou de frente para Balto e sua voz começou a parar de parecer rouca aos poucos, sua vista de corpo inteiro ficando cada vez mais clara. O amuleto brilhou mais forte, um verde espectral e sombras começaram a se mover nas paredes de gelo do santuário — formas antigas, distorcidas, lembranças que não pertenciam mais àquele tempo.
Terry: Este santuário não é um lugar de julgamento. É um lugar de escolha.
Ele ergueu a pata lentamente.
Terry: Ou vocês se curvam ao novo equilíbrio ou então todo esse sangue será expurgado da terra.
Aleu sentiu o peso da decisão cair sobre todos como neve prestes a desabar. Ainda não era uma batalha, mas anunciada a guerra que estava acontecendo.
Stella: Mas quanto enrrolação para uma batalha final, hein? Acho que vou precisar de um check-up estético agora!
Ela cruzou as asas.
Luk: Sim... tem ficado cada vez mais cansativo...
Balto abaixou levemente a cabeça, não em submissão, mas em reflexão. Seus olhos claros percorreram o chão de gelo do santuário enquanto sua mente trabalhava rápido e fundo. Ele não estava ali com sede de luta. Sentia, quase com clareza desconfortável, que se desse um único sinal, muitos dos seus partiriam para o ataque sem hesitar — Steele, alguns dos lobos de Aleu, talvez até Kodi, movido por algo que ainda tentava compreender dentro de si.
Calmo demais para quem encarava uma força como Terry. Havia nele uma serenidade estranha, quase deslocada naquele cenário de gelo e ameaça. Não era resignação. Era diplomacia. Curiosidade. Uma vontade genuína de entender como alguém podia se perder a ponto de acreditar que aquilo fazia sentido. Terry falava de equilíbrio, de liderança espiritual, mas Balto só conseguia enxergar ecos distorcidos de poderes antigos — dos Grandes, dos Antigos, do espírito, ele iria distorcer tudo isso, mas para que? Nada ali apontava para ordem. Apenas para um caos mascarado de propósito.
Luk: Como se tivéssemos escolha, se não enrrolar...
Boris: Sempre tem escolha.
Murmurou Boris, entediado. Balto ergueu a cabeça e deu alguns passos à frente, sentindo o frio se intensificar a cada movimento. Sua voz saiu clara, controlada.
Balto: Aniu pode não responder mais, mas você ainda não ascendeu. Você não é um espírito… não ainda. Não alcança todos os lobos do Alaska. Não escuta todos os chamados. Isso significa que ainda pode parar.
O vento se moveu, inquieto.
Balto: Não tenho uma ideia melhor, se não lutar…
Ele fez uma pausa, meio arrependido de ter chegado ali sem um plano formado. E então avançou mais alguns passos, ignorando o peso crescente da pressão no ar. A lembrança veio forte demais para ser ignorada: tudo o que havia sido feito até ali. Lobos superando limites antigos, feridas que nunca cicatrizaram totalmente, inimigos que aprenderam a caminhar lado a lado. Steele. Niju. Até Kodi, com quem dividira parte de seu legado pouco tempo antes, quando arriscara tudo para salvar o aviador humano que chegara a Nome. Todos estavam ali.
Até aqueles que um dia quiseram vê-lo cair. O pensamento o atingiu com força: Mais uma vez, ele estava sendo empurrado para o centro. Mais uma vez, esperavam que fosse o papel de Balto, que era perigosamente parecido com o de um alfa. Balto nunca buscou isso.
Boris entenderia. Sempre entendeu. Foi ele quem o ensinou sobre livre-arbítrio, sobre escolher quem se quer ser, mesmo quando o mundo insiste em decidir por você. Ainda assim, uma força maior sempre puxava Balto de volta. Para o centro. Para o conflito. Para a lenda. Se se recusasse… se desse as costas… não seria apenas uma escolha. Seria se tornar um meio-lobo desgarrado. Sem alcateia. Sem lar. Sem futuro.
Balto: Esse caminho…
Balto continuou, a voz mais baixa, mais sincera.
Balto: Esse peso que você carrega… ninguém é obrigado a suportar. Ninguém é obrigado a responder a chamados antigos. Nem mesmo você.
Por um instante, pareceu que Terry hesitou. Então ele se virou de costas.
Terry: Tem razão…
Disse, a voz fria como a base das montanhas.
Terry: Vejo que VOCÊ está perdido. Irei lhe mostrar o novo caminho.
O vento explodiu. Um golpe invisível atingiu Balto em cheio no rosto, arrancando o ar de seus pulmões. Seu corpo foi lançado para trás como se fosse nada, rolando, quicando pela neve do santuário até parar vários metros atrás, deixando um rastro irregular no gelo.
Kodi rosnou alto. Jenna deu um passo à frente antes de ser contida. Steele tentou avançar, mas o vento voltou a se erguer, rígido, implacável.
Balto ficou imóvel por um segundo. Então, com esforço, cravou as patas na neve e começou a se levantar.
O uivo de Aleu rasgou o santuário. Não foi um chamado. Não foi um aviso.
Foi um uivo de luta. Balto ergueu a cabeça no mesmo instante, o coração apertando ao reconhecer aquele som. Havia orgulho ali… e medo. Medo do que vinha depois.
Aleu já estava em movimento. Seu corpo cortou o ar como uma flecha branca, as patas quase não tocando o gelo enquanto avançava direto contra Terry. Os olhos dele brilharam intensamente, o amarelo se misturando ao verde espectral do amuleto, que pulsou como um coração desperto. O vento respondeu. Trombas de neve começaram a girar ao redor do santuário, não como simples rajadas, mas como entidades vivas. Do lado de fora, a neblina se condensou, tomando formas impossíveis — corvos de neve, asas abertas, olhos vazios; lobos feitos de neve e vento, sem patas definidas, deslizando pelo ar como espectros. Um a um, atravessaram as bordas do santuário e avançaram para dentro.
Ian soltou um uivo agudo, carregado de êxtase.
Ian: Agora sim.
Rosnou. Tosica o acompanhou, e juntos partiram para cima, dividindo suas forças entre a família de Balto e a alcateia de Aleu, como se esperassem aquele momento desde o início.
Nuk reagiu instintivamente.
Nuk: Agora!
Ele, Sumac e os outros giraram em arco, movendo-se rápido, criando uma barreira viva entre o grupo de Balto e o avanço da alcateia de Ian. Não houve comando formal, nem tempo para discutir — foi puro instinto de sobrevivência e lealdade. Um escudo improvisado, dentes à mostra, corpos firmes, segurando o impacto para que o núcleo avançasse contra Terry.
Mas Terry não se moveu. Um vento lateral explodiu. Aleu foi atingida em cheio, arrancada do ar e lançada rolando pela neve, parando apenas depois de vários giros descontrolados. Antes que pudesse se levantar, Kodi já estava avançando, rugindo, investindo com toda a força que tinha, mas o mesmo aconteceu. O vento o acertou como uma muralha invisível, jogando-o longe, o corpo pesado quicando na neve fofa com um som seco.
Balto: Não…
Balto murmurou, a voz baixa, ainda se levantando do golpe que tomou.
Balto: Não lutem…
Era inútil. Ele sabia. Ainda assim, sua mente insistia que a diplomacia era a única saída. Mas o santuário já não era mais um lugar de palavras. Era uma arena. As criaturas de neve avançaram como uma maré viva. Corvos mergulhavam, rasgando o ar com gritos metálicos; lobos espectrais atravessavam o chão sólido como se ele não existisse. Jenna se virou de costas para Muk e Luk, protegendo-os. Boris manteve-se firme.
Steele: Fiquem juntos...
Ele avançou contra dois espectros de lobo ao mesmo tempo e os fez sumir com golpes simples.
Enquanto o caos começava a invadir como uma enchente naquele santuário, as luzes da aurora começaram a retornar, com mais intensidade. Os pelos de todos os lobos e cães naquele local começou a eriçar aos poucos, sentindo o magnetismo. Terry se virou para cima, invocando o poder ancestral, continuando seu ritual que iria descer boa parte do antigo mundo espiritual para sempre.
Tambores primitivos do Alasca começaram a ecoar pelo santuário. O som vinha do gelo, das paredes, do chão — como se o próprio território estivesse marcando o compasso da batalha. TUM, bem forte, um eco primitivo batendo.
Niju ergueu uma sobrancelha, tentando desviar seu foco da situação.
Niju: Da onde é que está vindo esse som?
Ninguém ligou. O foco da luta se deslocou violentamente para o centro do grupo de Balto. Stella não teve escolha. Quando uma tromba de neve desceu de cima para baixo como uma coluna branca esmagadora, ela bateu as asas e subiu rápido, evitando que fosse lançada contra os outros. Mas os outros foram atingidos e tiveram que recuar daquele local onde se concentravam. Boris e os demais foram arremessados para os lados.
Boris caiu de costas, deslizando pelo gelo com as patas erguidas, tentando desesperadamente frear com as asas abertas.
Boris: Ooooh não, não, não, não…!
Ele virou de barriga para baixo com um impulso muito forte. Deslizou até a beirada do santuário, onde o gelo terminava em um declive envolto por névoa. Conseguiu se agarrar na borda com as asas antigas, as penas tremendo sob o peso.
Ele gemeu. Stella, voando em círculos acima, perdeu completamente o foco da luta ao vê-lo pendurado ali. Girou no ar e mergulhou para ajudá-lo.
Do outro lado, Muk e Luk foram atingidos por uma rajada lateral e lançados como bolas pelo campo de batalha. Seus corpos ricochetearam nas estruturas de gelo em forma de pilastras, abrindo trilhas na neve como se fossem projéteis vivos. Quando finalmente pararam, ergueram a cabeça ao mesmo tempo, olhos girando.
Luk: Eu tô vendo dois de você.
Muk piscou. À frente deles, um espírito em forma de lobo e outro em forma de urso giraram seus focos para a alcateia de Aleu, claramente preparando um flanqueamento. Os irmãos se entreolharam. Sem dizer nada, começaram a cavar neve com as patas, moldando bolas rápidas e compactas.
Luk: Ei! Ei! Aqui!
Gritou Muk, arremessando a primeira. As bolas atingiram as costas e a nuca dos espíritos, atravessando parcialmente as formas espectrais, mas chamando atenção o suficiente. Os dois espíritos se viraram lentamente. Seus olhos começaram a brilhar. Um sopro saiu de suas bocas — primeiro leve. Depois mais forte. Depois violentamente crescente. O vento começou a empurrar os dois irmãos para trás, aumentando a cada segundo, como se estivesse sendo alimentado por algo invisível, lançando neve para cima deles.
Enquanto isso, Kodi ainda lutava contra a corrente de vento controlada por Terry, sendo arrastado centímetro por centímetro. Steele viu e correu com raiva para cima dele, pretendendo lançar todo seu peso para cima do canídeo menor que ele. Rosnando alto, partiu direto contra Terry, ignorando os riscos, as rajadas, o gelo sob as patas.
Steele: CHEGA!
Mas uma segunda tromba de neve veio de fora do santuário como um míssil branco e o atingiu de frente. A coluna giratória envolveu seu corpo, travando seus movimentos. Cada passo se tornava mais pesado. Cada respiração mais difícil.
Niju recuou instintivamente, posicionando-se ao lado de Jenna. À frente deles, Mica e Miriam assumiram posição. As duas viram a situação apertar. A neve começou a subir pelas patas de Steele, pelo seu corpo. Ele grunhiu, um som grave, sufocado.
Jenna: Steele!
Gritou Jenna, o desespero quebrando sua firmeza. Um bando de espíritos em forma de corvos desceu do alto em espiral, gritando como lâminas cortando o ar. Aleu saltou, interceptando um deles com uma investida direta — o espírito se desfez em partículas brilhantes. Mas os outros atingiram Mica e Jenna, batendo contra seus rostos com impacto cortante.
Mica: OH!
Parte do pelo em seu rosto foi cortado. Miriam correu, saltou com todo o peso do corpo e derrubou um dos corvos contra o chão, fazendo-o desaparecer.
Aleu: Eu seguro a retaguarda!
Aleu, posicionando-se para proteger sua alcateia. Jenna latiu com raiva e mordeu a cauda de um dos espíritos, girando o corpo e arremessando-o para longe. Por um breve segundo, o ataque diminuiu.
Mica e Miriam se entreolharam. Mais trombas estavam se formando. Vindo direto para eles. Elas não hesitaram. Separaram-se e correram em direções opostas.
Niju: O que vocês vão fazer?!
Mas já era tarde. As duas começaram a avançar em um movimento coordenado, fechando um quadrado imaginário em direção a Terry. Steele estava sendo engolido, a neve alcançou sua mandíbula, fechando a cabeça. Ele seria sufocado ali mesmo.
Terry inclinou levemente as orelhas. Dois uivos cortaram o santuário — um à esquerda, outro à direita. Ele percebeu. Por um instante, interrompeu o controle de duas trombas de neve. Deu dois passos firmes à frente e pisou com força, o chão respondeu. Duas trombas surgiram diretamente do gelo, erguendo-se com garras e como torres violentas e bloqueando Mica e Miriam antes que alcançassem o centro. Patas e volume surgiram e ergueram as duas lobas, lançando elas para trás depois de dominadas – golens de ursos polares, feitos de pura neve, se ergueram dali e havia cada um para cada irmã.
Mica: Argh!
Miriam: UGH!
Elas caíram no chão, mas se levantaram rapidamente.
Kodi se lançou com o corpo inteiro, colidiu contra Steele no exato momento em que a neve começava a selar completamente sua cabeça. O impacto rachou a armadura branca que o envolvia, ambos caíram na neve fofa cobertos de cristais quebrados. Steele tossiu.
Steele: Eu… ainda… tô aqui…
Mas não havia tempo. Mica e Miriam, bloqueadas pelas trombas erguidas por Terry, foram forçadas a se separar completamente. Dois espíritos em forma de urso avançaram sobre elas — enormes, pesados, cada passo fazendo o gelo vibrar.
Miriam desviou por pouco de uma pata espectral que atravessou, como se fosse fumaça. Mica girou o corpo e atacou o flanco do outro, mas sua mordida atravessou parcialmente a forma neve.
Lobos e corvos, eles avançaram contra Jenna e Niju como uma rajada coordenada — não como animais, mas como uma tempestade inteligente. Jenna foi atingida pelas laterais e pela traseira ao mesmo tempo, como se ventos sólidos a golpeassem em sequência. Seu corpo girou e deslizou pelo chão. Ela ganiu de dor.
Niju recuou dois passos, tentando avaliar o padrão de ataque. Erro, os corvos mergulharam sobre ele. Bicos de vento cortante rasgaram seu pelo em múltiplos ângulos. Ataques vinham de cima, dos lados, por trás. Ele girava tentando acompanhar, mas eram rápidos demais. Ele fechou os olhos, sentindo múltiplos pontos de dor.
Niju: Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!
Então veio o pior. Três lobos espectrais se fundiram em uma única tromba giratória e o atingiram de frente. O impacto o levantou do chão. Ele foi arrastado alguns metros. Por um segundo — apenas um — o medo voltou, mas depois tudo mudou, ele sentiu raiva. Niju cravou as patas no gelo e forçou o corpo para cima. Com um rugido curto, deu uma patada violenta na altura do queixo de um dos espectros — um golpe seco que, se fosse carne e osso, teria quebrado mandíbula, ele golpeou novamente como um lince, na altura da jugular.
Niju: É igual caçar alce!
Rosnou ele e mergulhou para frente, mordeu a perna de um dos lobos espectrais e desceu a mandíbula até a base do pescoço. Em seguida, lançou todo o peso do corpo lateralmente, girando como um caçador experiente que tira a presa do centro de gravidade. O espectro se distorceu e explodiu em neve dispersa.
Jenna, ainda ofegante, viu uma abertura. Ela se lançou contra um lobo espectral que vinha de frente e atravessou seu corpo ao meio com um golpe cruzado, dispersando-o em duas nuvens de partículas brilhantes, mas o golpe a cansou bastante já que seu corpo não estava adaptado a um movimento tão forte e exigente. Os corvos reagiram imediatamente, mergulhando sobre ela em bloco. Jenna agachou no último segundo com todas as patas do corpo, eles cruzaram por cima, mas ela se ergueu como mola comprimida e mordeu três deles em sequência — esquerda, direita, centro. 3 deles se desfizeram no nada, depois que elas o abocanhou, um de cada vez.
A dupla de ursos espectrais avançava sobre Mica e Miriam quando, de repente, a neve diante delas se ergueu. Não como ataque. Um pequeno paredão branco surgiu abruptamente do chão, interrompendo o avanço dos espíritos e os lançando para trás em uma explosão de pó gelado. Eles se desfizeram parcialmente, recuando para se recompor. Aleu viu a brecha e saltou sobre a cabeça de um lobo espectral que vinha por trás, usando-o como impulso. Suas patas atravessaram a forma de vento, dissipando-a, e ela já caiu correndo na direção de sua própria alcateia.
Sumac e os outros estavam sob pressão pesada de Ian e Tosica.
Aleu: Pela direita!
Entrando na briga e colidindo contra um dos atacantes com força suficiente para empurrá-lo vários passos. No alto do santuário, Boris ainda se pendurava por uma única asa. Stella mergulhou e o agarrou no ar. Ele se prendeu a ela imediatamente, enrolando as asas velhas ao redor do pescoço dela como se fosse uma donzela sendo resgatada.
Boris: Minha heroína alada!
Exclamou, beijando a bochecha dela repetidas vezes.
Stella: Boris, não é hora—!
Tarde demais. Uma tromba de neve cruzou o caminho deles no ar e os dois atravessaram a coluna branca. Quando saíram do outro lado, estavam cobertos. As asas pesadas de gelo, cristais grudados nas penas. Boris ficou com um pequeno pingente de gelo pendurado no papo, como uma barba congelada que tremia a cada movimento. Stella, com molduras de gelo acumuladas no peito e na parte inferior do corpo, sentiu o peso dobrar.
Stella: Estamos… muito… pesados…!
Ela foi falando. A sustentação falhou. Os dois começaram a descer involuntariamente pela encosta do santuário, planando sem controle montanha abaixo.
Muk: TIO BORIS!
Mas já era tarde. Eles desapareceram na neblina branca, obrigados a planar encosta abaixo, sem escolha. Então o chão tremeu. Todos os lobos sentiram. Uma força religiosa, algo estava mudando. O ar ficou mais denso. A energia no santuário começou a se transformar, como se uma engrenagem invisível tivesse sido girada. Balto estava no centro de tudo. Ao redor dele: Luta, vento, gritos, neve, espíritos, aliados feridos, amigos desaparecendo montanha abaixo. Ele fechou os olhos por um segundo. A hora de parar ele estava chegando, se não poderia ser tarde demais. Mesmo que não atendesse ao chamado bruto do heroísmo — avançar, atacar, derrubar Terry com força — ele precisava tentar algo diferente.
O chão tremeu mais forte. Ele abriu os olhos. Subidas de neve começaram a emergir do solo, como lanças crescendo de dentro da terra congelada, separando grupos, erguendo barreiras irregulares. O santuário estava se reconfigurando.
A batalha já não parecia apenas física. Os ventos sopravam em espirais largas demais, altas demais. A neve brilhava sob luzes que não vinham do céu comum, mas de algo mais distante — quase cósmico.
Para o grupo de Balto, a luta começava a pender perigosamente. Kodi percebeu primeiro.
Kodi: Ele está subindo…
Plataformas de neve sustentadas por colunas de gelo começaram a se erguer Terry. Não eram abruptas como as trombas — eram estáveis, sólidas, quase cerimoniais. Ele foi elevado lentamente, aproximando-se das luzes que dançavam acima do santuário, onde o verde do amuleto parecia querer se conectar com algo maior.
Balto correu até a base da formação.
Balto: Se a gente não fizer alguma coisa agora ele vai alcançar o topo. E aí vai ficar muito pior!
Ele falou para seu filho e Steele.
Miriam: De fato ficaria...
Confirmou Miriam calmamente enquanto era virada de cabeça para baixo pelo urso espectral que ainda tentava esmagá-la contra o gelo.
Steele rosnou.
Steele: Eu pego as pernas! Você o flanco!
Balto virou o rosto, confuso.
Balto: O quê—?
Mas Steele já tinha disparado. Na arrancada, quase empurrou Balto para fora do caminho. Deslizou de barriga pela neve e cravou as presas na perna do urso de neve. O rugido do espírito ecoou grave e distorcido. Kodi não hesitou. Saltou e se prendeu ao braço da criatura, arrancando um pedaço inteiro de neve espectral com uma mordida brutal. O braço se desestabilizou, a forma perdeu consistência. Balto correu e saltou por cima do urso, pisou nas costas dele se fosse um trampolim vivo. Suas patas dianteiras se firmaram na parte frontal da criatura, quase como braços humanos segurando um oponente. Ele deslizou pela frente do corpo gelado e mordeu, na base do pescoço e firme. O urso se desfez em uma explosão de cristais brilhantes que se dissiparam no ar.
Miriam caiu no chão, rolou e se levantou sem perder tempo.
Miriam: Mica!
Do outro lado, Mica já estava presa à perna do segundo urso. Miriam se juntou a ela imediatamente. As duas morderam e puxaram juntas, sincronizadas. Elas torceram o corpo da criatura, tirando seu centro de equilíbrio e o fizeram tombar.
Balto, Kodi, Steele, Miriam e Mica ergueram os olhos ao mesmo tempo.
Lá em cima, Terry continuava sendo elevado pelas plataformas de neve sustentadas pelo gelo, cada vez mais próximo das luzes dançantes que cortavam o céu do santuário. O verde do Amuleto do Wendigo pulsava em sintonia com algo invisível, como se estivesse prestes a se conectar definitivamente a uma força maior.
Balto respirou fundo.
Balto: Força bruta talvez não resolva. Se ele completar isso… pode estar prestes a vencer. Pode rebaixar Aniu. Pode se tornar o novo espírito guia dos lobos.
Steele olhou para ele, sério.
Steele: Eu não entendo nada dessa espiritualidade toda. Mas você entende.
Ele deu um passo atrás.
Steele: E isso só vai ser resolvido pelos lobos certos.
Sem esperar mais explicação, Steele girou e disparou de volta para a linha de combate onde Aleu liderava sua alcateia contra o avanço de Ian e Tosica.
Mica: Ei! Pra onde ele vai?!
Miriam já tinha entendido.
Miriam: Vai atrás da peça que falta. Vai!
Mica correu atrás dele. Steele avançava abrindo caminho na marra. Afastou um lobo rival com o ombro, empurrou outro com uma investida direta, rosnando com autoridade que poucos ousavam contestar naquele momento. Aleu estava no centro da formação, coordenando os movimentos.
Aleu: Pela esquerda! Não deixem fechar!
Steele entrou na frente dela, interceptando um adversário que tentava flanqueá-la.
Steele: Seu pai precisa de você. Agora! Lá na frente.
Aleu arregalou os olhos por um segundo. Ela olhou ao redor. Viu a desvantagem numérica. Ela cerrou os dentes.
Aleu: Niju! Segura a linha!
Niju, ainda ofegante da luta anterior, assentiu firme.
Niju: Pode deixar!
Steele assumiu o lugar dela, avançando contra dois rivais ao mesmo tempo, comprando o tempo necessário. Aleu correu e Mica já vinha ao lado dela. No meio do trajeto, trocou um olhar rápido com a irmã — agora entendia. Não era apenas sobre força.
Balto, Aleu, Kodi, Mica e Miriam encararam aquela parte do santuário sendo erguida, um trovão branco cortou por cima deles e caiu atrás do santuário.
Balto virou-se para os quatro ao seu lado. Seus olhos não hesitavam mais.
Balto:Vamos subir.
Não era um pedido. Os cinco correram juntos até a última plataforma que ainda se erguia do chão do santuário. O gelo vibrou sob suas patas quando saltaram sobre ela, e, unidos, deixaram-se ser elevados alguns metros.
Balto ergueu o olhar. A plataforma se movia lateralmente, cruzando de um lado para o outro sob Terry, que continuava ascendendo em direção às luzes.
Balto: Mica, Miriam, o mesmo movimento de antes. Só que agora no ar. Vertical. Vamos cercá-lo por direções diferentes!
As duas assentiram quase ao mesmo tempo. Lá embaixo, Niju observava a formação das plataformas. Ele desenhou com a pata na neve: um quadrado. Dentro dele, um círculo.
Niju: A vida é uma luta de níveis...
Ele murmurou, filosófico mesmo em meio ao caos.
Niju: O quadrado é a completude. O círculo é a estrutura. Só alcança o todo e expande a partir do círculo, quem aceita o conhecimento-
Uma pata atravessou seu focinho como um chute ele gira a cabeça com o impacto.
Niju: Ai...
Aleu não esperou instruções adicionais. Saltou para uma plataforma lateral, mais estreita, mais instável. Balto a viu ir, mesmo rebelde, ele saba que podia ter confiança nela. Balto e Kodi começaram a subir juntos, saltando de plataforma em plataforma. Cada impulso exigia cálculo e o gelo se movia, inclinava. Mica e Miriam precisaram de mais esforço. Seus saltos eram mais longos, sincronizados, usando uma à outra como referência visual para manter o ritmo.
Então o cenário mudou. Algumas plataformas começaram a se fundir, engrossando e acelerando. Uma delas veio diretamente contra a que sustentava Balto e Kodi.
Miriam: CUIDADO!
Tudo aconteceu em um segundo. Kodi girou o corpo e empurrou Balto com o flanco. O impacto o lançou para trás, fazendo-o cair numa plataforma abaixo e destroçar a plataforma em que ele estava. Kodi despencou ainda mais abaixo, rolando até se estabilizar numa formação inferior.
Ele levantou a cabeça, ofegante.
Kodi: Continua!
Balto hesitou por meio segundo, mas seguiu. Subia agora sozinho, plataforma por plataforma, mais alto, depois mais baixo, tendo as vezes que pensar um pouco antes de fazer. Mica e Miriam encontraram resistência.
Espíritos surgiram em ambos os flancos, lobos de neve comprimida, olhos brilhando em fúria ritualística. Elas lutaram separadas, mas com coordenada. Aleu reapareceu acima delas. Com um salto ornamental, cruzou uma tromba de neve pelo meio, exatamente como Jenna fizera antes. A estrutura se partiu e Miriam ficou livre de um ataque que a teria lançado para o vazio.
Miriam: Valeu!
Mais deles deviam aparecer. Balto continuou. Uma última plataforma se ergueu diante dele. Ele saltou. E, quando pousou, estava quase no topo.
Mica ficou isolada. Três espectros a cercaram — um com forma de corvo, outro de urso e outro de lobo — todos feitos de vento condensado e n
neve espiritual. Eles não apenas atacavam: Giravam ao redor dela primeiramente e começaram a atacar, reviraram ela como se tentassem desalinhar sua própria essência. Ela foi jogada de um lado para o outro, sozinha.
Mica: Agh!
Antes que fosse lançada ao vazio, uma plataforma veio girando pelo ar com a a ajuda de Aleu. Com um movimento de rotação do corpo, ela empurrou a estrutura inteira, redirecionando seu trajeto. A plataforma colidiu contra Mica com força, duro, mas calculado, exatamente como Terry havia feito antes com uma delas. O impacto a lançou para baixo. Kodi olhou para cima e não havia mais por onde subir.
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