Balto IV: O Retorno da Lenda
9 Ato IX
Pai e filha se posicionaram lado a lado em uma região de difícil acesso para qualquer lobo, ali era uma região que estava começando a se tornar claustrofóbica e impossível de acompanhar as mudanças. Aleu estava com a sua sensação de desamparo maior ainda, ela tentou cavar ao redor de Nava, mas sem sucesso sem que mais pedras e poeira rolassem para cima do corpo de seu mentor.
Balto: Para aí, Aleu.
Ela tentou continuar e ele a afastou levemente.
Aleu: Pai…
Ela o olhou nos olhos. Balto olhou para Nave, o pegou pelo cangote com a boca e o puxou para fora dos escombros com a boca e um empurrão para trás, o tirando por completo. Jenna e as demais se afastaram dos restos de pedra que ainda haviam para cair.
Aleu: Nava.
Ela se aproximou e encostou seu focinho perto da cabeça dele, o empurrando de leve na lateral do rosto.
Nava: Urh…
Ele acordou.
Aleu: Nava!
Ela se animou, mas ainda sentia algo errado, sentia um vazio negro se aproximando…
Nava: A-A-Aleu…
Disse bem fraco.
Aleu: Estou aqui! Eu-E-Eu tô aqui.
Ela prestou atenção na voz dele.
Nava: T-Talvez eu devesse ter dado mais atenção para a sua dificuldade.
Disse a respeito dela sempre se cobrar demais como alfa da sua alcateia. Nava lamentou com sua postura sábia com um pequeno piscar pesado de olhos.
Aleu: I-Isso não é importante, temos um objetivo mais importante do que pensar nisso, agora.
Nava: Nada…
Ele falou calmamente, acalmando Aleu após sua palavras rápidas terem sido atiradas pelo desespero.
Nava: … deve ser mais importante do que o amparo de se ter um grupo do seu lado, te acompanhando e te protegendo, Aleu. A gente pode pensar que a liderança é solitária…
Jenna, Mica e Miriam ficaram do lado de Balto. Kodi e os demais estavam descendo aos poucos, uma vez que a descida havia mudado após a queda das rochas.
Nava: Eu já passei por isso.
Ele afirmou com uma sinceridade além de qualquer ego presente naquele momento, evidente nos olhares de Mica e Miriam, não havia julgar em seus olhares do ponto de vista de Nava.
Nava: Mas aquilo que fazem de acordo com o disse ou não, quando os lobos fazem o que é certo para eles, a recompensa que se trás de volta é muito melhor. Isso é o que suporta ou fortalece a união entre todos os outros, quando percebida.
Disse fracamente.
Aleu: Nunca me senti sozinha quando via nossos lobos fazendo aquilo que o senhor os ensinou.
Ela disse triste, uma lágrima saia da lateral de seu rosto.
Balto: Como isso se eu nunca conheci ela, de verdade.
Ele encarou a neve ao redor deles, com uma certa melancolia.
Balto: Eu nem conheci ele.
Ele deu de ombros, olhando para Nava como se não tivesse uma referência de fato.
Balto: Eu não sei como fazer isso.
Ele abaixou a cabeça.
Nava: Pensa sempre que são uma alcateia.
Ele deu uma leve risada, chamando a atenção de Balto.
Nava: São uma família também.
Mica encostou a cabeça na lateral do corpo de sua irmã.
Nava: É sua parte cumprir também como pai, marido e filho.
Sua voz foi enfraquecendo cada vez mais. Nava começou a fechar lentamente os olhos.
Nava: A Grande Loba os guia e protege. Estarei também…
Ele disse ao fechar os olhos e relaxar a cabeça sobre as pedras. Balto se curvou em profundo luto.
Aleu: Não, não, não! NAVA! NÃO!
Jenna se aproximou de Balto e o consolou com um pequeno jogo de pressão com a cabeça em seu pelo, Balto se curvou sobre a cabeça dela e se deixou levar pela tristeza, chorando em silêncio.
Aleu: Não……….
Miriam: Aleu…
Mica estava chorando ao seu lado e não pode andar até Aleu. Kodi foi até ela e a afastou devagar.
Kodi: Aleu, vem cá…
Ele a consolou, Aleu se virou para trás e chorou bastante.
O luto de todos fora desfeito dois minutos depois pela entrada exagerada de Niju, com passos autênticos entre as rochas.
Niju: Aquele desprezível!
Chingou.
Niju: Não está podendo dar as costas hoje em dia, sem que um vento desabe sobre a sua cabeça!
Ele chegou perto do grupo.
Niju: Aonde está o Nava?
Ignorou o rosto triste de todos, eles simplesmente olharam e não disseram nada. Steele apontou com o olho para seu corpo. Os pelos de Niju arrepiaram por inteiro naquele instante e seus olhos arregalaram com uma confusão e dúvida: “Estava mesmo acontecendo isso!?”, pensou ele. Niju sacudiu a cabeça.
Niju: Está morto… ora… m-mas como... como pode estar morto!?
Ele disse com profunda dúvida e surtou de raiva.
Niju: Não pode ser!
Ele se virou para a paisagem nebulosa de névoa cinza e saiu correndo por ela.
Steele: Niju!
Ele se preparou para correr atrás dele.
Aleu: Esquece, Steele!
Este olhou preocupado para ela.
Aleu: Este só conhece um jeito de resolver as coisas e é fugindo de tudo. Deixa ele correr!
Ela gritou em voz alta para que Niju ouvisse, decepcionada com ele. Niju assim o fez, mesmo após ter ouvido, ele pulou rochas e cruzou uma pequena depressão para o outro lado. Aleu continuou a chorar após tal, o corpo de Nava começou a brilhar em um castanho-dourado.
Balto: Aleu…
Ela percebeu. O corpo dele rapidamente brilhou mais, se refletindo nos olhos de Aleu, e se desfez no ar como uma corrente de neve que fora levada pelo vento, para longe.
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Steele assumiu a guia do grupo depois que tal aconteceu. Eles subiram por horas pela paisagem desfeita e desfigurada, por caminhos sutis e pressionadores.
Mica: Aleu…
Ela se aproximou dela, que não disse nada desde quando partiram.
Mica: Eu sinto muito.
Disse entre elas. Mica não esperava uma resposta dela e seguiu para o lado de sua irmã. O ego de ambas havia caído por terra naquele momento de tristeza. Miriam andava quieta desde aquele momento, pensativa e com um conflito de realidades em sua cabeça, a respeito das doutrinas de sua antiga alcateia que fora eliminada.
Niju respirou fundo. Pela primeira vez, não reagiu com raiva.
Niju: Eu passei a vida inteira tentando provar que merecia estar acima dos outros.
Disse ele, conforme caminhava até o grupo. Todos pararam.
Niju: Achei que liderança fosse vencer todos os desafios… subir sempre e ficar acima dos perigos.
Fez uma pausa.
Niju: Mas talvez… talvez seja aceitar quando o desafio muda.
O grupo estava sem rumo. Balto se aproximou um pouco mais.
Balto: A vida não é uma escada.
Disse, mas olhando firme para ele.
Balto: É terreno. E o terreno muda.
Niju assentiu devagar, olhando melancólico para o chão.
Niju: Então eu vou encarar isso.
Olhou ao redor com um jogo de sobrancelhas, como se fosse alguém de sangue azul aceitando descer de nível, ele olhou para o grupo inteiro.
Niju: Não como quem tenta dominar o próximo nível. Mas como quem atravessa.
Niju se juntou a eles. Quando se afastaram, o caminho à frente parecia diferente. Não mais dividido por desconfiança ou medo. Não mais fragmentado por quem liderava e quem seguia. Eles seguiam em uníssono. Aleu tomou a dianteira, mas não sozinha. Balto manteve-se ao lado dela, não como guia absoluto, mas como apoio. Jenna vinha logo atrás, firme. Kodi atento. Niju integrado — não à frente, não atrás, mas dentro do grupo.
Aleu: O destino final não é uma vitória.
Ela arfava de tanto andar, escalando uma montanha de neve, enquanto avançavam.
Aleu: É um confronto. Com o que somos agora.
Balto: E com o que ainda insistimos em ser.
Completou Balto, pouco antes de subir até o topo.
O céu à frente estava cinza, não como prenúncio de fim, mas como transição. O último desafio não exigiria força maior, nem status elevado, mas sim a coerência.
Eles sabiam.
Alguns níveis da vida não se vencem. Eles se atravessam. Quando todos subiram e ficaram do lado de Balto, eles todos viram: Uma última montanha de gelo logo mais adiante, não muito longe dali para andar, mas ainda sim acima das nuvens. Estacas e caminhos de gelo puro, feitos pela natureza, como se tivessem sido feitos de um iceberg congelado, criavam uma paisagem semalhante à de um castelo derrubado ou um templo, onde as grandes luzes da aurora batiam logo acima e penetravam para a neblina branca em seu centro. Aquele era o local onde estava sendo feito o ritual – onde todo o Alasca pararia se continuasse.
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