Balada Maldita.
8 Regenerado
Um mês depois...
Abby continuava presa a cama. Parecia que morreria a qualquer hora. Ela não aguentava mais os abusos diários de Enoar. Ela não engravidava nunca e Enoar não teria muito tempo com Abby para planejar algo mais sofisticado. Apesar disso ainda queria muito um bebê. Abby havia engravidado mas sofreu um aborto espontâneo o que deixou Enoar muito irritado e mais determinado.
Ele resolveu chamar um ginecologista. Precisava de uma opinião sobre aquilo, mas Abby não poderia estar algemada. Ele a sedou mais uma vez. Algo estava errado. Abby começou a respirar em grandes intervalos o que deixou Enoar assustado. Ele tentou trazer Abby de volta com uma dose de bloqueador mais ela não respondia.
Enoar chamou o capanga para ajudar.
— Erick! Venha aqui! – Era a primeira vez que Enoar alava o nome do capanga. – Vamos Erick. Ela não está respirando. Algo deu errado. Dei a dose maior desta vez.
— Enoar. Está maluco? Com tanto abuso ela não iria suportar mais drogas. Precisamos de um médico. – Erick queria um médico e quem sabe Abby teria uma chance de escapar.
— Está louco? Um médico é arriscado demais. E se ele conta que estamos com Abby? – Enoar estava impaciente. – Meu irmão tinha uma casa equipada com equipamentos médicos. Deve estar tudo abandonado agora. E ultrapassado, mas é a melhor chance dela. Eu dirijo e você vai com ela na traseira do carro.
Enoar pegou a chave do carro e levou Abby até ele. A casa ficava a poucos quilômetros dali e ele dirigiu feito um louco. Passaram-se duas horas e Enoar finalmente chegou a casa.
— Enoar. Porque demoramos tanto? – Perguntou Erick.
— Tive que fazer um desvio na estrada. – Enoar disse saindo do carro em direção a patê de trás. – Aqui. Pegue a cabeça dela com cuidado.
— Quanto você deu para ela Enoar? – Erick queria ajudar Abby a fugir, mas a oportunidade nunca chegava. A conversa com Abby o fez ver que ele estava no caminho errado.
— Não sei Erick. Eu só deixei a seringa esvaziar. Eu dava sempre metade de uma seringa. Ela dormia umas horas, eu fazia o que eu tinha que fazer e ela acordava. – Disse Enoar – Agora coloque ela na cama. Isso mesmo. Como se liga essa coisa?
— Assim. – Erick ligou uma máquina de monitoramento cardíaco. Ele viu que nada tinha poeira. – De quem é esse lugar?
— Era do meu irmão. Tem um serviço de limpeza duas vezes por semana. Ela vem, dá uma geral e vai embora. É paga por uma conta falsa todo mês e ganha a mais só para ficar de boca calada e não revelar a ninguém sobre esse lugar. – Disse Enoar. – Para que tanta pergunta Erick?
— Se eu vou ficar aqui com a Abby tenho que saber quando ela vem. Para manter a mulher longe daqui. – Disse Erick.
— É justo. – Disse Enoar. Vou ligar para ela e dizer que a gente está aqui e vamos precisar ficar aqui essa semana. E dizer para ela ficar em casa. – Enoar levantou da cadeira e pegou o telefone. – Sente Erick e cuide da Abby por mim.
— Está certo. – Erick sentou na cadeira. Ele esperava pela hora que Abby acordaria para poder ajudá-la a fugir.
— Lembrei de uma coisa Erick. Está na hora de retocar o cabelo de Abby. Gostei dela ruiva. Só temos mais um mês com ela. – Disse Enoar. – Depois eu vou solta-la. Esteja ela grávida ou não.
— Chamarei a moça e combinarei com ela. – Disse Erick.
— Está apaixonado por ela Erick? – Perguntou Enoar.
— Não. Nem sei de onde tirou isso. – Erick tentou desviar o assunto quando Enoar chegou perto dele e colocou a arma na frente.
— Se eu descobrir que você sente alguma coisa pela Abby eu não vou duvidar e vou colocar uma bala na sua cabeça sem piedade. Você é meu amigo, mas eu não terrei pena. – Enoar estava revoltado com seu capanga o traindo. – Agora fora. Abby e eu teremos nosso momento.
Erick saiu a contragosto do quarto. Ele não conseguia imaginar o monstro que Enoar se tornaria por causa dessa vingança contra o NCIS.
Ele decidiu esperar alguns dias e fazer com Abby fosse liberta. Mesmo que para isso fosse preciso morrer no processo. Abby se tornara uma amiga para ele e ele faria qualquer coisa para ajudá-la a sair daquele inferno.
Um mês depois...
Erick decidiu que já era de libertar Abby daquele inferno. Dois meses de abusos e ele já não aguentava ver ela daquele jeito. Abby estava recuperada da super dosagem, mas continuava sedada. Enoar tinha se tornado um perigo até para ele mesmo. Erick pediu uma folga e disse que precisava visitar sua irmã na cidade. Ele queria um tempo para ver como ela ia passando. Mas o que ele queria mesmo era uma chance de comprar um sedativo forte para drogar Enoar e poder levar Abby para um hospital. Enoar deu a folga dizendo que ele queria mesmo ficar sozinho com Abby.
Erick partiu cedo e foi até uma casa que vendia essas coisas. Afinal ele conhecia todos os lugares que vendiam mesmo que ilegalmente e esse era o melhor jeito. Não fale nem pergunte. Apenas venda.
Comprou um frasco do mais potente sedativo e comprou uma garrafa de água sem gás. A preferida de Enoar. Fez um furinho minúsculo com uma seringa e colocou todo o conteúdo dela dentro da agua. Levou para Enoar com um laço em cima. Era um presente elaborado.
Enoar abriu a garrafa e tomou um gole dela. Alguns minutos depois já estava em sono profundo. Erick retirou Abby das máquinas com cuidado e levou para o carro dele. A colocou na parte traseira e fechou a porta. Correu para o banco do motorista e deu partida. Ele rodou com ela até encontrar um hospital. Ao encontrar um, atirou da parte de trás e entrou com ela no hospital pedindo ajuda. As enfermeiras a colocaram numa maca e a levaram para uma avaliação de emergência. Erick pediu que ligassem para o NCIS dizendo que Abby, a agente desaparecida deles havia sido encontrada e estava internada ali. E pediu discrição sobre ele pois se eles soubessem quem foi provavelmente iria ser morto.
As enfermeiras concordaram e Erick saiu para voltar a casa de Enoar. Quando ele chegou, fingiu estar dormindo também e fingir eu ele também havia sido dopado. Jogou a garrafa de água no chão. Montou uma cena, apagou pegadas e criou outras com alguns sapatos. A ausência de Abby seria explicada com um resgate da NCIS e se ele tivesse que morrer seria por um bom motivo. Queria que Abby apenas soubesse que ele tentou ajudá-la a ser salva.
Enoar levantou e se desesperou quando não viu Abby. Viu Erick no chão e concluiu que ele também foi drogado e que a garrafa de água estava adulterada e que tudo havia sido pensado pelo agente Gibbs. Tinha funcionado. Enoar prometeu vingança contra a equipe ainda mais pesada. Seu plano tinha fracassado piamente e ele nem sequer tinha engravidado Abby como ele queria ter feito.
Gibbs recebeu uma chamada no seu celular logo pela manhã.
— Quem ousa me ligar a essa hora? Não estou em nenhum caso. – Resmungou ele saindo da cama para pegar o celular na cômoda a frente. – Eu realmente odeio telefones. Alô. É o Gibbs. – Falou atendendo ao telefone.
— Chefe. Sou eu. Tony. É sobre a Abby. Acho que a encontramos. – Disse Tony.
— Estou indo Tony. – Gibbs se apressou em colocar uma roupa e ir ao hospital onde Abby estava. Ele nem acreditou quando Tony falou que eles poderiam ter achado Abby afinal ela sumiu por dois meses inteiros.
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