Balada Maldita.

9 A batalha final


Abby ficou duas semanas internada no hospital. Estava muito machucada por dentro. Gibbs sempre ficava com ela e quando não podia Tony, McGee e até mesmo Ziva ficavam cuidando dela. Ainda não haviam achado Enoar e Erick. Abby não conseguia lembrar de muita coisa. Vivia mais sedada do que acordada e isso a fez ficar mais tempo no hospital. Os médicos administravam um coquetel antiaids para casa ela tivesse alguma complicação. O objetivo de Enoar era o de engravida-la e ele realmente tentou or dois meses. Abby realmente se sentia feliz de não ter acontecido já que os níveis de hormônio de gravidez eram altos. Ainda assim Abby queria muito se lembrar o que realmente havia acontecido.

Gibbs por outro lado preferia que ela não se lembrasse. Por mais que eles precisassem saber para ajudar na investigação era melhor que ela não lembrasse. A lembrança poderia ser cruel e Abby era frágil não iria suportar isso. Ela já tinha consciência que fora violentada inúmeras vezes, mas preferia não lembrar com exatidão.

Quando o médico deu alta Abby foi pega por Gibbs no colo e colocada numa cadeira de rodas até o carro do agente. Ela queria ir para a casa dela, mas Gibbs a levou para a dele alegando que era mais seguro. Ele a levou nos braços escada acima e a colocou na cama.

— Você precisa dormir aqui, Gibbs. – Protestou Abby. – Posso ficar no quarto de hospedes.

— Não discuta Abbs. Você vai ficar aqui. É mais confortável para você. – Disse Gibbs. – E eu posso muito bem pegar um colchão e colocar do lado da cama. Não há problema.

— Mas Gibbs... – Abby começou a falar, mas Gibbs colocou um dedo sobre os lábios dela.

— Eu te perdi por dois meses inteiros, Abby. – Gibbs deu um beijo na bochecha dela. – Isso não vai acontecer outra vez. – Ele retirou o dedo e deu outro beijo desta vez na testa.

— Não há nada que eu possa falar para te convencer né Gibbs? – Falou Abby.

— Não. – Disse Gibbs dando um sorriso.- Vou fazer comida. Eu já volto. Naquela mesa estão seu computador e seu celular. – Gibbs se aproximou da mesa e os levou para Abby. – Ficaram aqui todo esse tempo.

— Por que você os trouxe para cá? – Perguntou Abby curiosa.

— Eu queria te entregar quando você voltasse Abby, mas você nunca voltava. Então eles iriam para a caixa de provas de crime e ficariam lá pegando poeira. E eu resolvi trazer para cá. Pelos menos não pegariam poeira e eu poderia olhar para eles

— E o meu laboratório? – Perguntou Abby. – O que aconteceu com ele?

— Ele está em ordem. Não foi tirado nada de lugar. McGee trabalhou lá quando precisamos fazer alguns testes de casos urgentes. – Disse Gibbs voltando. – Suas coisas estão no mesmo lugar. – Gibbs saiu do quarto e deixou Abby sozinha com seus equipamentos.

Gibbs desceu as escadas e pensou em fazer algo para Abby comer. Não tinha muito na geladeira. Além de umas frutas, garrafas de cerveja e algo parecido com um queijo não havia nada. Ele queria ir à mercearia ao lado, mas tinha medo de deixar Abby sozinha em casa. Ele pegou o telefone para ligar para a mercearia e pedir para trazer o que ele precisaria, mas o telefone estava mudo.

— Eu paguei a conta desse mês. – Pensou Gibbs.

Ele ouviu um barulho na parte de cima e subiu correndo as escadas.

— Abby. – Subiu gritando o nome da garota, mas não teve resposta. – Abby! – Gritou outra vez.

— Aqui Gibbs! – Abby parecia agitada.

Gibbs abriu a porta do quarto com a arma nas mãos. Entrou e viu Enoar segurando Abby pelo pescoço como se quisesse enforca-la.

— Solte ela Enoar. – Gibbs pediu educadamente a Enoar. – Você não quer machuca-la. É a mim que você quer. – Gibbs tentou sem sucesso.

— Eu quero todos vocês. E começar pela Abby será fazer sofrer. Lembra do meu irmão Ari? Que você matou a sangue frio? – Enoar estava enraivecido.

— Você não entendeu o que ele fez. – Começou Gibbs. – Ele matou Kate, tentou matar a Abby atirando pela janela do laboratório, tentou matar McGee, tentou matar quase todo mundo da minha equipe por causa de uma vingança estupida. Do mesmo jeito que você está fazendo.

— Você que começou. Deveria ter deixado ele pegar o que queria. Nada disso teria acontecido de verdade. – Enoar começou a arrastar Abby que tentava tirar os braços dele do pescoço. – Eu vou me vingar de você Agente Gibbs.

Gibbs continuava com a arma mirada para Enoar. Abby ainda estava na frente, mas ele tentaria uma maneira de salvar Abby e atirar em Enoar ao mesmo tempo.

— Me solte Enoar. Eu não vou com você. – Abby tentava tirar os braços, mas era difícil. Estava ficando cansada de tanto lutar e já estava sufocando. Enoar mirou a arma para Gibbs quando Abby apagou por causa da falta de ar. Gibbs viu sua chance de atirar em Enoar e quando Enoar deixou Abby cair Gibbs apertou o gatilho. A bala começou a seguir para a testa de Enoar que entrou e arou na parede. Enoar caiu morto no chão, sangrando enquanto Gibbs correu para ajudar Abby. Gibbs pegou Abby e a ajudou a voltar com a consciência. Quando Abby recobrou a consciência Gibbs a colocou na cama.

— Gibbs... – Abby estava feliz por estar viva.

— Abby. Estou feliz por você ter acordado. – Disse Gibbs. – Vou ligar para Tony e McGee virem retirar o corpo do Enoar e leva-lo para a autópsia. – Gibbs pegou o celular que estava caído na escada e ligou para Tony.

— Dinozzo. – Atendeu Tony do outro lado.

— Ei Tony. Sou eu. – Disse Gibbs.

— Ei. Chefe. Como está a Abby? – Perguntou Tony.

— Bem. Era sobre isso que eu queria falar. Preciso que venham retirar o corpo de Enoar. – Disse Gibbs.

— Enoar está morto? – Tony estava surpreso.

— Ele cortou meu telefone e tentou matar Abby. Então eu dei um tiro no meio da testa dele. E ele caiu morto. Abby está bem agora. Mas está assustada. – Disse Gibbs.

— Mando Ducky e Palmer para retirar o corpo? – Perguntou Tony.

— Sim. Seria bom. E você e o McGee venham também. E é claro. Tragam Vance junto. – Disse Gibbs.

— Estamos indo chefe. – Disse Tony.

— Mais uma coisa Tony. – Gibbs falou antes de Tony desligar.

— Sim chefe. – Disse Tony em resposta.

— Eu quero levar Abby para a sede da NCIS. Quero que ela veja seu laboratório e sabe eu queria que alguém coloque alguns balões nele. Quero que ela se sinta bem de novo la. – Disse Gibbs.

— Vou mandar o pessoal colocar. Coloco a faixa de Bem-vinda Abby que mandamos fazer? – Perguntou Tony.

— Eu não sabia sobre essa faixa, mas pode colocar sim. Ela vai amar. – Disse Gibbs desligando o telefone.

Ele voltou para perto de Abby. Ele a abraçou forte e ficou com ela até a chegada da equipe.

— Vai ficar tudo bem agora, Abbs. Eu prometo.- Disse Gibbs.

Abby fechou os olhos e deixou-se cair em Gibbs. Eles ficaram abraçados juntos.

Tony, Ducky, Palmer, McGee e Vance chegaram logo em seguida. Subiram direto para o quarto onde o corpo de Enoar estava. Entraram e encontraram Gibbs abraço com Abby, eu estava dormindo.

— Ela dormiu. Façam em silêncio. Ela estava cansada e dormiu aqui mesmo. – Disse Gibbs. – Retirem o corpo desse terrorista e depois me ajudem a coloca-la no carro. Vou leva-la ao NCIS.

— Claro chefe. Eu vou te ajudar com a Abby. – Disse Tony.

— Abby. Ei Abbs, vamos dar um passeio? – Gibbs acordou Abby. – Desculpa te acordar. Eu vou te levar ao NCIS. Acho que você vai gostar de ir até lá e ver como tudo está em ordem.

— Vem comigo Abby. – Tony pegou Abby no colo. Ela poderia perfeitamente andar, mas seus colegas queriam que ela evitasse se cansar. – Se segura em mim que eu vou te levar até o carro.

Tony levou Abby escada abaixo enquanto ela estava lentamente pegando no sono.

— Abby. Fica acordada está bem? – Disse Tony. – Não dá para ficar só dormindo.

— Está bem, Tony. – Abby deu um bocejo e se ajeitou no banco da frente de Tony.

Gibbs entrou junto e eles foram para o NCIS. Ele não queria ficar na casa enquanto retiravam o corpo de Enoar. Vance queria conversar com Gibbs então pegou seu carro e foi para o NCIS.

Eles chegaram logo ao NCIS. Abby disse que queria caminhar e mesmo a contragosto de Gibbs ele deixou ela caminhar. Colocou os pés de Abby no chão, mas deixou um dos braços ao redor da cintura dela para não deixar ela cair no chão. O elevador começou a subir e chegou ao andar do NCIS. As portas se abriram e Abby saiu do elevador. Ao mesmo tempo que caminhava ela recebia aplausos dos seus colegas. Ziva veio ao seu encontro e deu um abraço forte em Abby que ficou congelada.

— Vai ficar tudo bem, Abby. Não vai acontecer mais nada com você. Eu prometo. – Disse Ziva. Ela não era uma pessoa que demostrava muito seus sentimentos, mas quando fazia era sincera.

— Vamos ao seu laboratório. Temos uma surpresa. – Disse Gibbs levando ela até o elevador. Ziva foi com eles. Gibbs apertou o botão e as portas do elevador se fecharam. Ele começou a descer e chegaram ao laboratório.

No caminho haviam balões coloridos e na porta uma grande faixa dava as boas-vindas a Abby. Ela não poderia acreditar no que via.

Enquanto entrava no laboratório ela começou a se lembrar da briga que tivera com Gibbs e Vance e de todas as coisas que aconteceram antes do sequestro. Ela apenas pensava:

— Como eles podem me amar mesmo depois de tudo o que aconteceu?

Abby se sentia agradecida por estar viva. Era grata pelos amigos que ela tivera. E pelos eu ainda viriam pela frente. Abby se sentou em rente a sua tela de computador e começou a lembrar de pequenos pedaços do que aconteceu no cativeiro. Lembrou do capanga de Enoar e sentiu saudade pois provavelmente ele a salvara das mãos de Enoar provavelmente por causa da conversa nos primeiros dias. Ela nunca soube seu nome, mas ele virou um amigo especial.

Ducky e Palmer chegaram com o corpo de Enoar ao necrotério e Gibbs oi até lá, deixando Abby com Ziva.

— Causa da morte? – Perguntou Gibbs irônico para Ducky, sabendo que fora ele quem matou o homem.

— Um tiro de Arma calibre .38 a queima roupa. A bala entrou e saiu. – Respondeu Ducky enquanto Gibbs se aproximou do corpo.

— Esse canalha mereceu morrer. – Disse Gibbs.

— Eu acho que depois de tudo que ele fez com Abigail ele merecia uma morte mais dolorosa. Ele nem sofreu o que ele precisava. – Ducky falou para Gibbs que o olhou espantado.

— Nunca pensei que você fosse falar isso Ducky. – Falou Gibbs para Ducky.

— Ele mexeu com a Abby. Ela não merece passar pelo o que ela passou. Dois meses sendo abusada sexualmente para ele realizar seu plano sádico de ter um bebê.

— É isso que me intriga Ducky. Ela oi violentada por dois meses e não engravidou nenhuma vez. Por que? – Gibbs estava intrigado.

— Pelo que eu vi nos exames dela, ela teve um aborto há alguns meses. – Disse Ducky. – Parece que as drogas eu ela recebia para ficar inconsciente bloquearam totalmente a ovulação. O que é bom.

— Acho que ser abusada por dois meses não é uma coisa boa, Ducky. – Disse Gibbs. – Ela pode ficar viciada por causa disso?

— Há uma pequena chance Jethro. Recebendo drogas para dormir não deve ser uma boa coisa. Mas com muito esforço ela pode ficar bem e não desenvolver vicio.

— O que vai fazer com o coro dele? – Perguntou Gibbs.

— Mandarei para o FBI. Eles requisitaram o corpo para fins de segurança. – Disse Ducky.

— Segurança? – Perguntou Gibbs.

— Sabe... No caso de algum maluco querer roubar o corpo. – Disse Ducky.

— Quem iria querer um corpo desses? – Perguntou Gibbs saindo.

— A organização terrorista deles. Eles estão atrás de um motivo para atacar os Estados Unidos de novo. – Disse Ducky.

— Se eles quiserem atacar os EUA eles irão achar um motivo. – Gibbs apertou o botão do elevador. – Por mim eu queimaria e jogaria as cinzas na privada.

Ducky não culpava Gibbs por pensaram daquele modo. Ele também pensava do mesmo jeito.

Gibbs subiu até o escritório de Vance que o esperava.

— Cadê a Srta. Sciuto? – Perguntou ao ver Gibbs sozinho.

— Ela passou por muita coisa diretor. Precisa de um tempo. Está no laboratório dela com a Ziva. – Falou Gibbs se sentando em uma das cadeiras. – A conversa vai ser só comigo.

— Eu a queria presente para me desculpar com ela. – Disse Vance.

— Desculpar? Pelo que? Por achar que ela tivesse forjado o próprio sequestro? – Disse Gibbs.

— Eu fiz um julgamento errado e sei que isso não tem perdão. Mas espero ganhar o dela. Ou pelo menos dizer que sinto muito. – Disse Vance se sentando a frente de Gibbs. Ele por sua vez se levantou.

— É um começo. – Disse Gibbs saindo do escritório. – Eu vou chama-la.

— Estarei esperando. – Disse Vance.