Balada Maldita.

10 O interrogatório


Gibbs pegou o elevador e desceu chegando ao laboratório. Quando entrou viu Abby abraçada a Ziva olhando fotos antigas com a equipe. Ela parecia muito bem-estando de volta.

— Ei. Abby. Vance quer falar com você. Eu te levo até lá. – Disse Gibbs pegando Abby e levando Abby consigo.

— O que ele quer? – Perguntou Abby.

— Te dar as boas-vindas. – Gibbs apertou o botão e as portas fecharam e subiram até a sala de Vance.

Ele estava esperando na porta dele e ao ver Abby deu um abraço. Meio desajeitado pois não era de fazer isso. Abby retribuiu o abraço e ganhou outo da secretária de Vance.

Eles entraram e conversaram por 30 minutos. Depois que Abby e Gibbs saíram Vance deu um sorriso discreto.

Gibbs levou Abby para a sala dos agentes onde estavam todos os agentes. Todos ficaram feliz por ela ter voltado viva e podia dizer que estava bem.

Abby se sentou ao lado de Gibbs e ficou pensando.

— No que está pensando Abby? – Perguntou Gibbs.

— No capanga do Enoar. Queria saber se ele ainda está vivo. – Respondeu Abby.

— Talvez isso te ajude Abby. – Responde Tony entregando uma pasta para Abby. – Ele se entregou a polícia de Maryland hoje depois da morte de Enoar. Ele pediu para falar com você chefe. Ele será transferido para cá. – Tony concluiu se dirigindo a Gibbs.

— Por que ele se entregou Tony? – Perguntou Gibbs.

— Ele falou que depois de uma conversa no início do sequestro com a Abby ele se deu conta que não era uma má pessoa. E que ele viu o que Enoar fazia com Abby e resolveu ajuda-la.

— Ele está chegando chefe. – Falou Tony vendo Erick ser transferido algemado. – Ele não parece um monstro.

Gibbs levou Abby a sala de observação depois que ela protestou para ver o interrogatório.

— Agente especial Leroy Jethro Gibbs. – Disse Gibbs entrando na sala de interrogatório.

— Agente especial Anthony Dinozzo. – Disse Tony entrando depois de Gibbs.

— Erick. Erick Lagrahan. – Disse Erick.

— Muito bem Erick. – Começou Gibbs. – Nos conte porque se entregou para a polícia.

— Eu senti necessidade de fazer isso. Sabe, pela Abby. A gente teve uma conversa sobre o meu passado. Desde que minha esposa morreu eu vendi minha alma ao diabo. E ver Abby ser violentada todo dia mudou totalmente o que eu era. – Disse Erick. – Então eu comecei a planejar um jeito de libertar Abby. Enoar se tornou um homem cruel demais. As coisas que ele fazia... Eram totalmente absurdas. Nunca pensei que fosse ser isso. – Erick começou a chorar. – Não queria deixar chegar dois meses. Mas tive que ter muito cuidado.

— Conte-nos como foi que você levou Abby ao hospital sem Enoar saber? – Perguntou Tony.

Erick hesitou um pouco.

— Bem... Pedi uma folga a Enoar. Disse que precisava visitar minha irmã na cidade. Ele me deixou afinal era irmã e ele valorizava a família. Mesmo sendo um terrorista dizia que irmãos são a coisa mais sagrada que existe na vida. – Erick fez uma pausa e continuou. – Quando cheguei a cidade fui a uma loja que vende produtos caseiros. Já havia comprado sedativos para Enoar usar em outras operações de sequestro. Ele não sabia daquele lugar porque eu sempre ia sozinho. Quando entrei na loja pedi o sedativo mais forte que eles tinham. Custou uns quarenta dólares e eu saí com ele em liquido. A versão em pó era arriscada e eu não podia deixar Abby ser machucada no processo. Comprei uma garrafa de água sem gás da marca que Enoar gostava e apliquei o sedativo na água com uma seringa. O buraco era mínimo e eu cobri com uma fita de presente. Comprei um cartão legal e pedi para uma moça escrever para ele e levei a garrafa para onde Enoar estava. Ele tomou um gole da água e apagou de repente.

— Como você se safou? – Perguntou Gibbs.

— Eu não tomo água no bico da garrafa apenas em copos plásticos então eu fui a cozinha com a garrafa e medi um tanto que caberia no copo que eu iria usar. Joguei fora a medida e coloquei água da torneira. Dei um pouco da água da garrafa em um copo que era o preferido de Enoar. Ele tomou a água e eu tomei em seguida. Fingi sentir sono e dormir e depois ele apagou de verdade. Eu retirei a Abby do monitoramento ela só estava lá porque estava sedada, mas conseguia respirar normalmente. Coloquei ela no carro e rodei com ela procurando um hospital.

— Enoar não acordou nesse tempo? – Tony estava curioso.

— Como eu disse antes, era um sedativo forte. O homem da loja disse cinco ou seis horas de sono. Acho que rodei por duas horas com Abby atrás no carro. Eu só sabia que tinha que achar um hospital logo antes de Enoar acordar. O local que Enoar colocou Abby era muito isolado e longe da cidade. Não sei como ela sobreviveu da primeira vez.

— Primeira vez? – Gibbs estava ficando apavorado.

— Quando Enoar transferiu Abby para aquele lugar ela estava com uma super dosagem de sedativos. Enoar errou na dosagem, acho que de propósito e demorou duas horas para chegarmos no local. Eu nunca entendi o que ele tentou fazer e o porquê de leva-la para lá. Quando eu tive a oportunidade de ajuda-la eu ajudei. Não importava o que iria acontecer. Eu só queria deixar Abby em segurança.

— Conte o que aconteceu quando achou um hospital. – Perguntou Tony.

— Faltavam três horas para Enoar acordar. Se eu não achasse um hospital ou não chegasse a um eu ia deixa-la em uma parada de ônibus onde alguém a acharia e chamar um resgate. Cheguei a uma cidade, não sei como consegui achar ela e encontrei um hospital. Tirei Abby do carro e a levei nos braços para a emergência. Gritei por ajuda e as enfermeiras arrumaram uma maca e a colocaram nela e levaram até um médico. Eu fui a recepção e pedi que ligassem para o NCIS em Washington e informassem que a agente deles havia sido encontrada finalmente. Eu soube depois que a transferiram para Washington para receber tratamento aqui perto da NCIS e dos amigos.

— E então você resolveu voltar? – Perguntou Gibbs.

— Eu dirigi rápido até a casa. Faltavam trinta minutos para ele acordar quando finalmente cheguei a casa. Abby estava em segurança no hospital e muito provavelmente já estava sendo levada para Washington então eu simplesmente resolvi fingir que eu estava dormindo ainda. Quando Enoar acordou ele ficou muito irado. Achou que a NCIS ou alguém havia levado a Abby enquanto estávamos dormindo. Ele veio até mim. Eu demorei a acordar para ele não perceber. Acordei como se tivesse sido drogado. Fingi que estava tonto. A garrafa de água estava no chão. Ele me perguntou quem havia dado a garrafa e eu menti. Enoar apenas me olhou e me perguntou como eu deixei aquilo acontecer. E eu não respondi nada. – Disse Erick a Gibbs e Tony.

— Por que se entregar depois da morte dele? – Gibbs queria essa resposta.

— Vi que havia feito parte daquilo tudo. Eu realmente queria fazer o bem outra vez. O que eu fiz por todos esses anos como capanga de Enoar e de Ari. Eu estava presente quando ele airou na agente Todd. Eu não podia falar nada sobre aquilo. Quando Enoar descobriu que Ari estava morto ele começou a planejar sua vingança. Ele queria matar quantos pudesse e não se importava com quem iria matar. Daí ele viu Abby. E colocou na cabeça que ela era uma garota perfeita. Ele começou a montar um plano de engravida-la e ter um herdeiro para a organização terrorista. Ele a vigiava sempre. Ficou dois anos fazendo isso discretamente. Grampeou o telefone dela. Ia aos mesmos lugares que ela ia, até as cenas de crime que ela aparecia. Vivia trocando de carro. Ele se mudou para um apartamento ao lado do Abby por um tempo. Depois que ela se mudou levou um tempo para ele descobrir onde ela morava então isso o deixou nervoso e mais obstinado. Ele não podia morar no apartamento então ele mandou um outro capanga morar lá. – Erick estava disposto a contar tudo.

— Qual o nome dele? – Perguntou Gibbs.

— Peter Reah. Ele está no hospital há dois meses. Ele fingiu ser um homem interessado pela Abby. A chamou para aquele bar. Colocou droga na bebida dela e a levou para fora do bar. Enoar estava lá esperando numa van. Eu não participei do sequestro. Eu apenas cuidava de Abby. – Erick Contou tudo aquilo.

Abby ainda estava do outro lado do vidro vendo a entrevista. As lagrimas desciam rápido e McGee estava com ela. Ele a abraçou enquanto ela chorava. Ela quis levantar e Timothy a pegou e levou até o laboratório. Não ficaram para ver o final da conversa. Já estavam há uma hora e Erick não parecia estar bem.

— Sei que o que eu fiz não é certo. E eu sei que vou ter que pagar por isso. Apenas digam a Abby que eu sinto muito por isso. – Completou Erick.

Gibbs não falou nada. Tony estava boquiaberto depois de tudo o que ouviu. Quando Gibbs finalmente falou algo.

— Bem... Pagar por tudo isso você terá, mas posso conseguir um acordo para você. E talvez aja alguma saída para você depois. – Disse Gibbs. Tony estava surpreso.

— Acho que não posso pedir desculpas para Abby. – Disse Erick triste.

— Acho que ela não quer passar por isso de novo. Ela ainda precisa se curar e aceitar tudo o que aconteceu com ela. – Disse Gibbs. – Talvez quando ela curar ela vai ver você.

— Está bem. Só diga a ela que eu sinto muito. Que eu não queria que aquilo acontecesse com ela. – Erick se levantou. Tony algemou Erick e o levou.

Abby estava com McGee no laboratório quando Gibbs apareceu e deu um abraço nela.

— Acabou agora Abby. Você está segura. – Gibbs a abraçou mais forte.