McGee chegou correndo a cassa de Gibbs depois de receber um telefone sobre um tiro na casa. As vizinhas nem se atreveram a entrar na casa. Achavam que Gibbs havia dado um tiro em si e se matado. Todo mundo sabia do estado de Gibbs desde que Abby sumiu. McGee entrou na casa de Gibbs e percebeu uma poça de sangue no chão. Logo a frente Gibbs parecia estar inconsciente. McGee se aproximou de seu chefe e o virou com cuidado, mas com muita dificuldade. Gibbs estava apenas com um tiro no ombro o que em circunstancias piores seria uma coisa muito boa.

— Chefe. Pode me ouvir? – McGee tentou falar com Gibbs. – Aguenta chefe. Vou chamar uma ambulância.

— 911. Qual a emergência?

— Timothy McGee. NCIS. Preciso de uma ambulância nesse endereço o mais rápido possível.

— Qual a situação da vítima?

— Um tiro no braço, mas está inconsciente.

— Tempo de chegada 5 minutos.

— Obrigado. Vou tentar estabiliza-lo.

— Sugiro que não toque na vítima até a chegada da ambulância.

— Você está brincando? Ele é meu chefe. Eu tenho que ajudar ele.

— Senhor McGee. É extremamente desaconselhável que tente mover a vítima. Eu sei que você quer ajudar ele, mas não o faça.

— Está certo. Mas venham logo por favor.

Cinco minutos depois a ambulância estava na porta. Os paramédicos atenderam Gibbs e o levaram direto para o hospital. Graças a deus nenhuma veia importante foi atingida, mas a perda de sangue fez Gibbs ficar inconsciente.

Ducky chegou correndo ao hospital com Vance Gibbs estava no quarto descansando depois de retirar a bala. Ele acordou logo em seguida.

— Digam que pegaram Enoar. – Gibbs torcia por uma resposta positiva.

— O que Enoar fazia na sua casa chefe? – Perguntou McGee.

— Ele foi se gabar por pegar a Abby. As armas caíram e a gente lutou. Aquele porco miserável deve ter pego a arma e atirado em mim. E fugiu como um covarde que é. – Gibbs estava irritado.

— Chefe. Tenha cuidado com o braço por favor. – McGee falou para Gibbs.

— Ah! Por Deus McGee! Não quero ficar aqui. Tenho que encontrar esse safado do Enoar e encontrar onde ele está mantendo Abby. As coisas que ele disse eu não tenho coragem de repetir.

— Conte para nós Jethro. – Ducky queria saber. – Posso fazer um perfil psicológico dele para você.

—Tudo o que eu quero é Abby e meter uma bala na cabeça dele, igual fiz com o irmão dele, Ari. – Gibbs levantou e tirou o soro do braço. – Ah. Já chega de hospital. Tenho que achar Abby. Cada minuto aqui é um minuto que perco. E cada minuto perdido é um minuto mais longe de Abby.

— Agente Especial Gibbs! – A enfermeira apareceu na porta rapidamente. – Aonde pensa que vai?

— Tenho uma agente sequestrada. Imobilize meu braço, mas me deixe sair para procura-la. Eu estou bem. – Falou Gibbs.

— Vou chamar o médico então. – A enfermeira saiu e voltou alguns minutos depois. Gibbs já estava vestido apesar da dificuldade em fechar os botões da camisa.

— Agente Gibbs. Onde pensa que vai? Você precisa de repouso. – O médico estava irado.

— Sabe o que eu preciso Doutor? Achar minha agente. Ela está correndo risco de vida na mão de um terrorista imundo e não será você nem ninguém que vai me impedir de achá-la me mantendo aqui nesse hospital.

— Seus argumentos são o suficiente para eu saber que não vai ficar aqui mesmo. Mas tenha cuidado com o braço. E prometa-me que vai voltar quando a encontrar. E use essa tipoia pelo menos o braço fica imobilizado. Ou algo assim.

— Obrigado Doutor. Te devo uma.

Gibbs saiu do hospital com o que tinha de equipe. Tony ainda não havia atendido ao telefone e Ziva estava voltando de Israel.

— Vou passar no apartamento do Tony antes chefe. – Disse McGee. – Talvez eu descubra o que ele tem.

— Sim McGee. Vamos. – Gibbs concordara com McGee.

Estacionaram na frente do prédio de Tony alguns minutos depois. McGee tinha uma cópia da chave do apartamento de Tony para emergências. Essa era uma delas. Entraram no apartamento. Não havia luz, havia lixo espalhado pela casa, garrafas de uísque barato jogadas no sofá e a porta do quarto de Tony estava aberta. Tony estava deitado na cama. Parecia doente. Gibbs e McGee entraram para ver o que Tony tinha. Estava febril, mas estava apenas dormindo. E estava bêbado e malcheiroso. Ziva veio direto do aeroporto para a casa de Tony. Ela parecia não acreditar no que via. Tony Dinozzo naquele estado deplorável. Ela ajudou McGee a dar um banho gelado em Tony para acabar com aquela bebedeira do amigo.

— A que ponto ele chegou. – Disse Ziva com pena.

— Abby é uma irmã para o Tony. Ele não teve irmãs então Abby acabou se tornando uma. Ele a considera mais do que os outros. – Disse McGee. – Isso. Agora me ajude a leva-lo para a cama.

— Ele chegou ao fundo do poço rápido McGee. – Disse Ziva colocando Tony a cama só de toalha. – É claro que há mais coisa McGee. Uma relação um degrau acima da de irmãos.

— Não. O Tony e a Abby nunca ficaram. – Disse McGee.

— Que você saiba McGee. Ótimo. Coloque uma roupa nele e faça o sair da cama. – Ziva se afastou sob os protestos de McGee.

— E porque eu? – Protestou McGee.

— Talvez porque eu seja uma moça decente e não queira ver certas partes? – Respondeu Ziva saindo do quarto. – E faça o beber agua não uísque.

McGee ficou parado e resolveu chamar uma vizinha de Tony.

— Olha eu não pediria isso a você, mas ele está bêbado e precisa se vestir. E eu não sou uma pessoa adequada para isso. – Começo McGee. – Então se puder vesti-lo para mim seria de grande ajuda. – McGee se afastou do quarto. – E sem fotos. Ele é agente federal. Não vai pegar bem para ele.

A moça fez uma cara de desapontamento, mas entendeu. E se ela apenas olhasse seria um segredo só dela.

Ziva e Gibbs estranharam a demora de Timothy.

— Ele está gostando. – Ziva falou ironicamente.

— Ah. Por favor Ziva. Timothy não é desses. – Gibbs deu uma risadinha. – Acho que os remédios estão me deixando maluco.

— Então eu deveria retirar sua arma e guardá-la comigo. – Observou Ziva.

— Ah Deus Ziva. Não é como eu fosse sair por aí atirando em todo ser que respire. Não estou tão maluco a ponto disso. – Gibbs observou. – Apesar de que algumas pessoas bem merecem.

— Vamos encontra-la Gibbs. – Falou Ziva.

— Temos que achar Enoar primeiro. – Gibbs não parecia confiante nisso. – Ele sumiu depois de atirar em mim. Eu em vi para onde ele foi.

— Aí vem Timothy. E quem é aquela moça carregado Tony? – Ziva saiu do carro e abriu a porta de trás. – Eu assumo querida. Obrigado. – Ziva estava com um nítido ciúme. – Com cuidado Tony.

— Minha cabeça está girando Ziva. Parece que eu bati a cabeça num poste e o chão ao mesmo tempo. – Falou Tony. – Ah. Oi chefe. Como está seu braço?

— Bem Tony. Parece que eu furei ele com um prego. – Falou Gibbs para Tony que deu um sorriso mesmo com a cabeça doendo.

— Qual é o plano chefe? – Perguntou Ziva.

— Primeiro: deixar o Timothy dirigir. Segundo: ir para a sede NCIS. Terceiro: informar Vance tudo o que conseguirmos sobre Enoar Haswari. E então sair e procurar Abby. E traze-la de volta viva.

McGee pegou as chaves das mãos de Ziva e entrou no baco do motorista. Ziva se sentou ao lado de Tony atrás.

— Colegas de viagem. – Ziva deu uma risada baixa e Tony deu um sorrisinho tímido.

— Acha que ela ainda está viva? – Perguntou Tony a Ziva.

— A Abby é forte Tony. Ei Gibbs. O que Enoar quer com a Abby?- Perguntou Ziva.

— Filhos. – Respondeu Gibbs.

— Filhos? – Perguntou Tony.

— É Dinozzo. Filhos, crianças, bebes. Ele quer dar continuidade a família dele.

— Abby nunca iria aceitar isso. – Disse McGee.

— Eu acho que ele está deixando ela sedada Timothy. – Observou Gibbs.

— É um jeito cruel de se ter filhos. – Disse Ziva.

— Ele era irmão do Ari, Ziva. Pelo pouco que eu percebi vocês não se consideram irmãos ou não falaria dele assim. – Disse Gibbs friamente para Ziva. Ele se arrependeu depois. – Desculpa Ziva.

— Não Gibbs. Tem toda razão. Eu reneguei Ari quando ele matou a Agente Todd. Naquele momento eu reneguei a Enoar também. Eu nunca aceitei o modo que eles agiam.

— Vamos Timothy. Vamos caçar esse canalha. – Gibbs ordenou a McGee.

McGee deu partida o carro e alguns minutos depois chegaram a sede do NCIS. Vance os esperava ansioso.

— Agente Gibbs. Por que a demora?

— Tony estava meio bêbado. – Gibbs disse isso com uma calma que Vance ficou incomodado.

— E como ele está agora?

— Muito bem, diretor. – Disse Tony chegando na sala. – Apenas uma dor de cabeça horrível. Mas já tomei algumas aspirinas e vou melhorar logo.

— Que bom. Recebemos essa carta há alguns minutos. Está endereçada a você Gibbs. – Vance entregou o pacote pardo para Gibbs. – Tome cuidado por favor.

Gibbs abriu o pacote e soltou o conteúdo na mesa. Era uma caixa de brincos de bebê.

— Enoar. – Gibbs pegou a caixa e jogou no lixo. – Eu vou fazer uma oração para alguém matar aquele desgraçado antes que eu faça.