Dois meses antes...

O efeito da droga finalmente havia passado e Abby não sabia onde estava quando acordou. As mãos estavam amarradas em uma cadeira no centro de uma sala vazia. Haviam alguns homens num canto pareciam estar mortos. Abby tentou soltar uma das mãos sem nenhum sucesso.

Não havia ninguém vivo além dela. Parecia ser um armazém abandonado a muito tempo. Além da cadeira em que Abby estava amarrada havia uma cama com lençóis brancos e fronhas cor de rosa. Uma das portas laterais se abriu e um homem entrou com quatro algemas nas mãos. Abby estava assustada. Já não bastava o tanto de amarras agora viriam mais quatro algemas. O homem se dirigia a cama e começou a abrir e fechar cada ponta das algemas nas pontas da cama. Deixou uma parte de cada algema livre como se fosse prender alguém nelas.

Abby estava começado a se debater quando o homem enfiou uma agulha no braço dela a fazendo apagar por alguns minutos. Ele a coloco na cama com a ajuda de um parceiro que só apareceu depois que Abby apagou e a algemaram. Mãos e pés algemados onde ele havia posicionado as algemas.

Abby acordou depois de alguns minutos na cama. Estava apenas de lingerie e ficou muito assustada.

— O que vão fazer comigo? – Perguntou Abby gritando com o cara.

— Você não sabe onde se meteu Srta. Sciuto. Ou devo te chamar de Abby? – Perguntou o homem diretamente para Abby.

— Por favor. Não! Eu sou agente federal do NCIS. Meus amigos vão vir atrás de vocês. – Protestou Abby.

— Acho que não Abby. Eu cobri muito bem meu rastro online. E aparentemente você foi sequestrada depois de um acidente. Você estava bêbada o suficiente para não notar um carro e saiu da estrada. Depois alguém veio e te levou para algum lugar desconhecido. E o homem que você saiu está em coma num hospital. Forjamos uma batida e induzimos o coma natural com uma toxina. – Disse o homem.

— É um plano elaborado para um sequestro ocasional. – Observou Abby ironicamente.

— Não é um sequestro ocasional Abby. – O homem virou para Abby. – Eu planejei tudo isso. Há muito tempo venho te seguindo e sei o suficiente sobre sua relação paternal com o Agente Gibbs.

— Quem é você? – Perguntou Abby. – O que eu fiz para você?

— Sua agência matou meu irmão há muito tempo. Acho que eu tenho o direito de me vingar. – Disse o homem. – E o que você fez para mim? Contribuiu para eu perder a única coisa que eu amava que era meu irmão.

— Quem é você? – Abby repetiu a pergunta para o homem.

— Enoar Haswari. Irmão de Ari Haswari. O mesmo Ari Haswari que matou a agente Kate Todd e que foi morto pela agente Ziva David.

— Achei que Ari não tivesse mais irmãos. – Falou Abby. – Achei que a linhagem podre dele já estivesse acabada.

Abby levou um tapa de Enoar.

— Respeite meu irmão. Ele foi um mártir da causa. E o Agente Gibbs matou ele a sangue frio. – E levantou-se da cama. – E você vai ser quem vai gerar um novo Haswari para continuar a linhagem.

Ele começou a desabotoar a camisa que ele estava vestindo e depois a calça.

— Nunca! Eu não vou servir para você. – Abby se debatia na cama. As algemas estavam apertadas e ela desconfortável por estar apenas de lingerie.

— Você vai gerar sim. E vamos tentar muito. E eu vou ter um pouco de fantasia com você. A protegida do agente Gibbs. – Ele subiu na cama junto de Abby e começou a toca-la.

Abby começou a chorar de tanto medo que sentia. Não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo com ela.

— Por favor pare. Eu não quero. – Abby tentava protestar sem sucesso.

Enoar então subiu em cima de Abby. Ela fechou os olhos e sentiu as lagrimas saírem.

— Eu não sei porque você me escolheu. Mas eu não vou te ajudar.

— Ah. Vai sim Abby. E vou te manter um tempo aqui então se acostume. – Ele deu um beijo no pescoço de Abby. Ela apertou ainda mais os olhos.

Ele tocou as pernas de Abby e ela começou a gritar recebendo outra bofetada na cara mais forte do que a anterior.

— Não. – Abby estava sem forças para resistir e apagou.

Enoar sentiu-se mais confiante e finalmente a penetrou. Só saiu de cima dela depois de um tempo quando finalmente o prazer dele veio. Abby ainda estava apagada quando ele levantou. Ele se vestiu e mandou o capanga limpar Abby e amara-la na cadeira de novo.

Abby acordou uma hora depois. Amarrada a cadeira e já com suas roupas Abby se sentiu enojada ao lembra do pouco que conseguir ver. Ela sabia que ele havia terminado, mas tentou bloquear ao máximo o que pensava.

— Apenas respire Abby. Você vai superar isso. Gibbs vai te encontrar. – Ela falava baixinho para ela mesma.

Quando o pensamento voltou para a mente dela ela tentou lutar com ele, mas acabou sentindo nojo de si mesma por tudo o que aconteceu. As lagrimas antes contidas agora rolavam rapidamente. Ela queria se esconder e ficar sozinha. Ela tomou consciência de que não conseguiria esquecer tudo aquilo e se culpou.

O capanga de Enoar voltou e trouxe um prato com macarrão para Abby comer.

— Vou comer com os pés – Disse Abby irônica.

— Eu vou dar na sua boquinha. – Disse o capanga. – Enoar quer você forte e alimentada.

— Quanto tempo vou ficar aqui presa? – Perguntou Abby.

— Um ou dois meses. Depende de quando você engravidar. – Disse o capanga.

— Eu nunca vou gerar um filho de um terrorista. – Disse Abby.

— Se não colaborar você não vai sair daqui nunca mais. – Disse o capanga pegando um pedaço de macarrão e colocando no garfo. Ele levou em direção de Abby que fechou a boca. – Colabora e come senão eu vou colocar a força na sua boca esse macarrão. Você não vai ficar sem comer.

Abby viu que não teria escolha e abriu a boca e comeu todos os macarrões do prato.

— Boa menina. Enoar Volta em algumas horas. Até lá vou te fazer companhia. – Disse o capanga se sentando numa cadeia perto de Abby.

— E se eu tiver que ir ao banheiro? – Perguntou Abby.

— Eu te levo e te ajudo a fazer. Tenho ordens para não deixar você sozinha e vou cumpri-las.

— Não quero ser vigiada no banheiro. É ridículo isso.- Protestou Abby.

— É... Até pode ser ridículo, mas ordens são ordens. – Disse o capanga.

— Como entrou nessa vida de crimes? – Perguntou Abby.

— Por que quer saber? – Respondeu o capanga com outra pergunta.

— Bem... Se vamos ficar tanto tempo juntos eu tenho que conhecer você. – Respondeu Abby.

— Eu era um homem de bem. Minha esposa teve um problema de saúde e o plano não cobria o tratamento. Pediu um empréstimo ao banco e eles me negaram. Falaram que meu emprego não tinha um bom salário e duvidaram que eu realmente conseguisse pagar o empréstimo. Eu saí do banco e me sentei num banco da praça em frente e comecei a chorar. Só pensava em como iria fazer para minha esposa ficar bem sem poder ao menos pagar pelo tratamento dela. Enoar estava num banco há alguns metros do meu e viu que eu estava chorando. Ele me perguntou qual era o problema e eu contei tudo para ele. Ele me ofereceu um emprego de segurança particular na empresa dele. Só eu não era uma empresa.

— Era o que? – Perguntou Abby.

— Uma célula terrorista. Em vez de fazer segurança privada eu me juntei a Enoar e Ari Haswari e começamos a nos infiltrar nos órgãos americanos. Enoar foi para o ministério da defesa e Ari se tornou um falso informante do FBI. Eu fui para o pentágono como segurança para meu disfarce ser perfeito. Ganhava 100 mil, 200 mil por mês por uma conta falsa. Minha mulher acabou morrendo durante o tratamento. A doença era agressiva e o tratamento também. Depois que enterrei minha mulher eu queria sair da célula terrorista, mas já tinha feito pacto com o diabo. No começo eu lutei para sair, mas comecei a gostar. Ainda trabalhava de segurança. Não queria correr o risco de ser preso.

— O que sua mulher tinha? – Abby estava entretida com a história, mas queria saber o que a mulher havia tido.

— Câncer no fígado. Eu havia feito muitos planos quando ela começou o tratamento. Seriam vinte sessões e ela poderia ter até três anos de vida ainda. Ela morreu no quarto mês no hospital. Ela estava esquelética e com dor. Mas eu realmente queria que ela vivesse mais tempo.

— É... Eu sei que você já foi um bom homem algum dia. – Disse Abby.

— Eu ainda sou um bom homem. Mas a vida que eu tinha não existe mais. É isso que eu sou agora. E mesmo que eu queira sair, não dá. Mas eu posso conviver com isso.

O capanga percebeu que Enoar havia voltado e levantou-se da cadeira.

Enoar entrou no local e Abby sabia que tudo iria acontecer de novo.