Bakuque. Zion a jornada de um escravo
3 Vivo ou morto
“Bate sempre asas na escuridão, trazendo o som da morte ao seu redor esgueirando-se pelas sombras da morte, até traga-lo. A esperança é um risco para sobrevivência ou uma ciência para sobreviver? ” As gotas caiam sobe o sol escaldante céu brilhava, o garoto se contorcia de dor fazendo o mesmo movimento repetitivo incansáveis vezes, enquanto o velho o observava tranquilamente sentado em baixo de uma pequena sombra. — Continue com o mesmo ritmo! – Não pare! – Dizia Mikai várias vezes. O garoto a partir daquele momento vivia para cavar poços e correr em volta da casa, ele não percebia, mas aos poucos ia adquirindo resistência, flexibilidade e força. Os dias se passavam e o garoto permanecia na mesma rotina sempre se perguntando quando seu treinamento iria realmente começar, até que começou a indagar. – Senhor quando iremos iniciar o treinamento? – Disse a pingar gotas de suor. — Apenas continue. O garoto insistia incessantemente, então Mikai olhou para ele e disse: Antigamente você conseguia conversar enquanto cavava? Pense nisso. O garoto não entendeu nada, mesmo assim calou-se e continuou com o treinamento. As horas passavam de vagar, o tempo persistia em não se mover, até que a noite chegou e era hora de voltar para casa, o velho se acabou a gargalhar, então Zion perguntou: — O que foi? — Você está completamente podre, da cabeça aos pés — Ele olhava para o garoto que estava com os cabelos cheios de barro, as unhas completamente sujas o rosto e até as vestes, que agora também eram costuradas, devido a flexão ao cavar. — Não tem graça — Você disse que iria me treinar e não me usar para cavar poços. Falou o garoto com um tom sério e expressão espelhando esse tom. — Garoto, você se lembra que uma vez me perguntou como eu adquiri resistência? E eu te contei a história de minha vida?
— Sim eu lembro — E o que tem isso? — O que eu fazia enquanto contava a história? — Cavava poços? — Exatamente! — Então quer dizer que você adquiriu resistência cavando poços? — E o que tem haver a história com isso? — Já percebeu o quão difícil é, falar cavando poços? Imagina contar uma história inteira ao cavar? — Quando você fizer isso, estará pronto para caminhar até Bakuque. Eles conversavam enquanto andavam até à casa, ao chegar o garoto deu algumas voltas ao redor da casa e logo após foi deitar, porém não dormia, pensando em seu pai. Já havia passado quatro meses, Zion também não sabia ao certo o que estava acontecendo na vila, e isso o deixava preocupado.
Se levantou cedo e seguiu apressado a cavar enquanto falava sozinho, até perceber que o ritmo diminuía e o cansaço corporal aumentava, então parava para descansar, mas em pouquíssimo tempo se levantava e continuava a cavar e conversar sem cessar, até cair dentro do buraco desmaiado, devido ao calor. O sol tocava a colina, o vento batia sobre um lindo pasto verde e uma moça estava deitada sobre o gramado. Ela era extremamente linda com um colar de flores rosas, seus cabelos pretos estavam soltos pressionados ao chão, usava um vestido branco rodado e suas pernas se encontravam cruzadas. Ao ver o garoto acima da campina se levantou e gritou. Zion se virou e abriu um belo sorriso, enquanto corria em sua direção, o pequeno não sabia ainda quem era, porém já tinha escutado aquela voz, tendo alcançado se derramou em prantos. Ele abraçou sua mãe com muita força dizendo: — Mãe que saudade, ainda bem que te encontrei, nunca mais vou te deixar... — Lamento meu querido, mas eu ficarei sozinha, porém não se preocupe comigo, eu ficarei bem- Zion foi interrompido, e ela continuou: — Você precisa prometer que vai sempre lutar pela honrar e o nome de nossa família, me promete? — Mas eu... — Falou fraquejando. — Eu confio em você meu pequenino — Falou sorrindo e complementou dizendo — Eu sei que é complicado essa missão, contudo estarei sempre ao seu lado.
— Eu não... — Eu não sou forte o suficiente... — Não pude te defender — O garoto abaixou a cabeça, seus cabelos movimentavam com o vento, apesar de ser curto e cacheado fazendo um único círculo. Sua feição se retraiu, então sua genitora pôs uma de suas mãos em seu queixo levantando sua cabeça e a outra passou nos cabelos de Zion quebrando assim os cachos e trazendo em direção ao seu peito. — Zion meu filho, eu sempre te amei dês do momento em que você estava em minha barriga, eu acompanhei todos seus passos um por um, eu vi você abrir os olhos e estarei sempre ao seu lado, porem nossa cidade precisa de você, esqueça o que passou, levante-se abra seus olhos e lute meu filho – Lute! – Lute! – Lute! — Eu te amo. As palavras ecoaram nos ouvidos de Zion, enquanto ia se afastando então de súbito acordou. Estava deitado em sua cama, ele olhou para os lados enquanto se perguntava como tinha chegado lá, levantou-se e ao abrir a janela percebeu que era noite.
— Eu apenas sonhei? – Se perguntava sem encontrar resposta, no entanto voltou a dormir, ao acordar desceu às escadas de mansinho, comeu um pão e quando ia saindo foi surpreendido.
— Aonde você pensa que vai? — Eu à lugar algum — Zion mentiu descaradamente.
— Eu acho bom mesmo porque ontem eu acordei e não o vi em casa, fui até os últimos poços e vi você caído. Nesse instante o carreguei, e te trouxe para casa. — E então o que faremos hoje? — Você nada — Eu estou indo trabalhar. — Mas mestre eu preciso treinar hoje.
O garoto fingiu ter escutado a orientação, mas assim que o velho saiu, o garoto começou a treinar incessantemente correndo ao redor da residência. Ao chegar em casa depois de um dia cansativo Mikai percebeu que o garoto dormia. A murmurar disse consigo.
— Está na hora de levá-lo, tomara que tudo ocorra bem.
O dia amanheceu eles levantaram e enquanto tomavam café, Mikai falava com o garoto,
—Você está pronto! Eles partiram e no caminho, Mikai completava sua história de vida:
— Minha mãe antes de morrer, designou um dos seus homens de confiança, para me tirar da vila — O sonho dela se findou e eu carreguei aquele fardo, acreditando ter força para retomar o vilarejo. — O que aconteceu com o servo que sua mãe designou? Zion indagou. — Foi atingido por uma flecha e caiu do cavalo, enquanto estávamos saindo de The Guardian, eu tinha acabado de acordar e me deparei com o corpo com a flecha no pescoço.
Eles caminharam dois dias seguidos com comida e agua racionada, até alcançarem seu objetivo. Bakuque estava devastada, os urubus cercavam toda a cidade, era um senário lastimável, o garoto não conseguiu segurar a ânsia, e vomitou. O cheiro era insuportável. Além de rondar a cidade os urubus se alimentavam de alguns restos de corpos que se encontravam dentro e fora dos muros, algumas paredes ainda estavam marcadas com sangue, haviam soldados inimigos responsáveis pela segurança do local, contudo eles não conseguiam expulsar aquela enorme quantidade de urubus apesar de não apreciarem aquele odor. – Onde ele está? Zion procurava, porém não via nada além de uma cidade devastada, corpos e soldados inimigos. — Meu pai está vivo ou morto? Enquanto se perdia nessa confusão o garoto foi surpreendido por alguns soldados.
— O que vocês dois estão fazendo aqui?
—Estávamos procurando um vendedor dessa cidade. Disse Mikai antecipando a fala do garoto.
— Essa área agora é domínio de Tempora não há mais vendedores. — Respondeu um dos soldados.
— Nós não sabíamos, nos perdoe — Estamos voltando para nosso lar.
— Espera um pouco. — Nesse momento Mikai foi segurado por um dos soldados que continuou. — Onde vocês pensam que vão? — Está em nossa terra do nada e acha que vão sair assim?
O velho chutou um dos soldados puxando sua espada enquanto gritava
—Corra garoto! Os soldados rodearam o desordeiro, que se encontrava com a espada em punho pronta para o combate, dois soldados vieram em velocidade em sua direção, um pela frente o outro pelas costas.
— Esse velho não nos trará problemas.- Acabem com ele!
Mikai girou o corpo formando um ângulo de 180 graus atingindo a espada da frente e ao completar o giro defendendo do cavaleiro que vinha em suas costas o empurrando. Com o impacto o primeiro a ser atingido foi lançado para trás. Abismados, os outros cinco estreitaram o círculo. Enquanto isso dois cavaleiros corriam tentando alcançar Zion.
— Se assustaram? A brincadeira só está começando. Falou Mikai sorrindo.
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