A sabedoria não está na ponta da espada, mas na mente de quem a maneja. A dor de uma flecha é sentida quando a tal é retirada, onde pode se ouvir o som da dor.

Zion corria sem parar adentrando as ruas em direção a sua casa, sendo perseguido de perto por dois soldados. Ao ver aquela movimentação estranha, um dos cavaleiros que estavam de patrulha na cidade se apressou a chamar o responsável pelo vilarejo naquele momento. — Senhor me perdoe pelo incomodo, mas tem dois estrangeiros causando problemas e pelo que parece um deles conhece muito bem o vilarejo, pois está adentrando ruas nas quais não estamos familiarizados. — E porque ainda não se livraram deles? — Não está sendo fácil. — Tudo bem, logo chegarei lá. Enquanto isso Mikai se encontrava frente a frente com sete cavaleiros que o cercavam, após se defender de dois os outros cinco partiram em sua direção tentando atingi-lo, então ele correu na direção do que estava à esquerda, primeiro acertando sua espada e depois o seu estomago. Com essa brecha pegou o guerreiro machucado e o usou de escudo. Sua espada se encontrava na direção da jugular, fazendo assim com que os outros não se aproximassem.

— Vocês vão deixar a gente sair daqui, caso contrário ele morrerá. Disse Mikai com uma expressão transbordando seriedade. — Calma não faça isso! Disse um dos cavaleiros. — Se matá-lo, você não sairá vivo. — Falou o outro. — Tem certeza que quer arriscar? — Não, não quis dizer isso. De longe Mikai avistava alguns cavalos vindo em sua direção. Pensou com ele: — E agora o que farei? Se eles se aproximarem não terei como fugir. Enquanto ele pensava os cavalos o alcançaram, então foi escutado um grito:

— Solte o cavaleiro. — E quem é você? — Eu sou lorde Gram. — E o que meu lorde faz aqui? Disse Mikai com tom irônico. — Vim apaziguar a situação — Espero não ter que usar a força. — Então permita que eu saia da cidade sem lutar. — Receio que isso não será possível.

— Nesse caso, você está perdendo seu tempo, lorde. Ele sorriu. — Que tal então um Desafio? — Se eu ganhar, você irá me obedecer, porem se eu perder estará livre, você e seu amigo, é claro. — A vida dos dois está em suas mãos.

— Estou cercado, se matá-lo estou morto e Zion? No entanto se eu perder não sei o que ocorrerá. Ele pensou bastante e aceitou. — O que garante que se eu ganhar sairemos vivos?

— A minha palavra, e os meus homens são testemunhas. — Então aceito! Zion corria muito, até que encontrou sua casa, ao adentrar o recinto percebeu que a casa estava bem arrumada, então concluiu que alguém estava instalado no local, subiu as escadas cautelosamente procurando algum indício sobre seu pai, mas não havia nenhum. Ao entrar em seu quarto olhou pela janela e viu o estábulo, resolveu descer e ver se havia algum cavalo. Ao entrar viu gotas de sangue pelo chão que iam aumentando, pensou que seu pai poderia estar ali, porém não havia nenhum corpo, também não estava o cavalo do pai nem o da mãe, mas os outros cavalos incluindo o que seu pai lhe dera quando tinha oito anos, estavam no estábulo. — Ele pode estar vivo. O garoto se encheu de esperança, montou em seu cavalo, e levou outro com sigo. Agora seguia em direção a Mikai, onde outrora era caminho inverso. Por sua vez seu mestre estava lutando com o lorde. Gram veio em alta velocidade acertando a espada de Mikai, que com o impacto agora se encontrava desarmando. A luta parecia que já tinha acabado, porem ele mostrou sua habilidade ao desviar da lâmina. Gram tentava incessantemente deferir golpes, porém não conseguia atingi-lo. Em um dos golpes, Mikai correu deslizando pelo lado direito do lorde, que tentava acertar seu estomago lateralmente e ao se esquivar pegou a espada que se encontrava no chão. As espadas se tocavam numa precisão impressionante, até que Gram usou seu lado direito, que mesmo se cortando e pressionou seu braço para tomar a espada de Mikai, e logo após posicionou duas laminas cruzadas no pescoço de Mikai, que não teve outra escolha, a não ser se render.

— Me rendo! E agora o que fara comigo? — Disse se ajoelhando. — Seria maravilhoso mata-lo, não vou mentir, mas você daria um ótimo escravo — Tragam o pirralho para mim!

— Sim senhor! Mal sabiam, que o garoto vinha em sua direção. Ao avistá-lo Gram pensou:

— Eu ia matar esse garoto, porem ele me pareceu bem corajoso, vir até aqui defender seu amigo, interessante. Ao se aproximar, Zion foi atingido por uma flecha disparada em suas costas, mais especificamente no se ombro esquerdo caindo do cavalo. — Seus idiotas, não era para acertar o garoto. — Perdão meu lorde. — Disse o arqueiro que deferiu a flechada.

Caído ao chão se encontrava o garoto a perder sangue, Mikai se levantou e correu desesperado ao encontro do garoto, então o Zion disse: — Consegui cavalos para sairmos daqui, fuja! — Eu não sou de fugir. — Está doendo muito, não conseguirei partir com você.

— Você vai ficar bem, eu só tenho que retirar a flecha — Aguenta firme! Ao rasgar sua camisa Mikai disse:

— Morde isso! — Aguenta firme, vai doer muito. Disse puxando com toda sua força. Os olhos de Zion queriam se fechar, no entanto ele era bem persistente. — Agora vai melhorar. Disse Mikai. — Vamos, levem o garoto para o curandeiro. — Você será enviado hoje mesmo, para os campos de um amigo meu, tenho certeza que ele me dará um bom preço por seus trabalhos. Falou Gram olhando para Mikai. — O que fará com o garoto? — Ainda não sei, mas primeiro vou cuidar dele, depois decido. — Amarem ele, e o leve imediatamente!

Amarraram Mikai e o levaram em uma carroça, ele estava indo para um destino, no qual ele não sabia ao certo o que o esperava, nem o que iria acontecer com Zion, nesse caso, a questão que mais o incomodava.

Enquanto isso Zion recebia atendimento. Passaram se quatro dias e o garoto já estava plenamente recuperado. Então lorde Gram veio até ele e disse:

— Pensei bastante o que iria fazer com você, então fiquei sabendo que uma pedreira em Ice-one, estava pagando muito bem por escravos jovens, e é para lá que te mandarei — Você não vai gostar nem um pouco de lá, porem eu vou amar — Disse Gram sorrindo.

Enquanto isso Mikai chegava em Ataria, a exatos dez dias de distância do paradeiro no qual fora enviado o garoto. Ataria, uma cidade deslumbrante de pastos completamente verde, terra dos melhores cavaleiros de arenas. Um destino agora trilhado em incertezas, no qual o mestre não sabia o que viria de bom, ou de ruim, mas o pior de tudo é que ele não sabia para onde o Zion estava indo.