Baile de Pai e Filha

3 Capítulo 03 - Às Compras


Notas iniciais
Jethro vai às compras, com todas as meninas... e porque não com os meninos também, afinal, meu adorado DiNozzo não perderia a festa por nada! Boa leitura!!

Na manhã seguinte, pouco depois do despertador tocar, ela já estava me importunando:

— Pelo menos tem café nessa casa? – Sua voz era abafada pelo travesseiro.

— Tem.

— E bom dia pra você também.

— Era você quem deveria dar bom dia.

— Que seja.... – ela rolou para o outro lado. – Horas?

— Cinco e meia.

— Lizzy?

— Seis e meia.

— Posso dormir mais meia hora.

— Não.

— Por que?

— Café.

— E?

— É você quem vai fazer.

— Sou visita.

— Não, é intrusa.

Ela virou para o meu lado e me olhou zangada.

— O que aconteceu com o cavalheirismo?

— Você me chamando de Chauvista.

— São duas coisas completamente diferentes.

— Café.

— Eu. Te. Odeio.

— Se odiasse não estaria aqui.

— Talvez só esteja porque a minha sobrinha mora aqui, e porque eu preciso de uma casa próximo de D.C.

— Vai ser assim?

— Café.

— Vai fugir?

— Eu preciso de café, antes de começar a brigar com você!

E ela desceu as escadas já pronta e realmente fez um café da manhã digno. Muito diferente daqueles que ela fazia em Paris.

— Quem é você e o que fez com a Shepard que eu conheço?

— A ocasião faz o ladrão. Sem casa, eu tive que me virar e aprendi a cozinhar. Antes tarde do que nunca. Mas mudando de assunto, que dia será a festa da compra do vestido?

— Hoje à tarde, Lizzy tem a tarde de quinta-feira livre.

— Essa eu quero ver!

— Você deveria ficar do meu lado!

— Eu fico do seu lado, por isso quero ver isso. Você vai ver que não é tão fácil assim cuidar de uma garota.

Eu a olhei descrente.

— E isso é você ficando do meu lado?

— Não, isso sou eu indo embora porque alguém já está fazendo barulho lá em cima. – Ela olhou para o teto na direção de onde vinham os passos apressados — Te vejo pelo shopping, Jethro! Boas compras!

E como havia prometido, ela se foi antes que a sobrinha acordasse. A única dúvida que ficou era, como ela iria aparecer no shopping, sem aparecer?

Não demorou muito e a outra ruiva desceu as escadas. Cara de sono e bocejando ela me cumprimentou.

— Bom dia, papai! Hoje desci cedo!

— Resta saber se já acordou...

Ela me olhou e apenas sacudiu negativamente a cabeça.

— Bom dia, filha. Tenho uma coisa para te pedir.

— Sim...

— Hoje, depois da aula, eu preciso que você vá a um lugar comigo.

— E seria?

— Te falo quando chegarmos lá.

— Isso é injusto! Como vou passar o dia inteiro pensando nisso? Dá uma dica!

— Não. Na hora você fica sabendo. E agora coma seu café.

Foi só aí que ela notou o que tinha para comer.

— NÃO ACREDITO! PANQUECAS! E HOJE NEM É DOMINGO! – Ela veio para me abraçar, se ao menos ela soubesse quem fez.

Rotina da manhã cumprida, já estávamos a caminho da escola, e era impossível fazer Liz trocar de assunto.

— Só uma dica! Pequenininha!

— Não.

— Pai!

— Nada de dicas.

— Injustiça!

— Ah, é?

— Sim! Se você não iria me contar aonde vamos, por que tocou no assunto?

— Só para te deixar curiosa!

— Meu Deus! Onde fui arranjar um pai desses??

— Eu tô bem aqui.

— Por favor!

— Não. E agora se apronte para descer, pois chegamos.

— Uma única letra do local?

— Tchau, Liz, tenha uma boa aula — beijei o topo da sua cabeça.

— Tchau pai. — Ela desceu do carro, mas não desistiu de primeira, agora na janela insistiu pela última vez:

— Por favorzinho....

— Até depois da aula!

— Sem graça!

-Você tentou, Shepard... só não conseguiu.

Ela bufou e rumou para dentro da escola.

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Na sala do esquadrão era como se a conversa de ontem não tivesse sido interrompida. As três ainda estavam discutindo lojas, cores de vestido e quais sapatos combinariam.

— Gibbs, Gibbs, Gibbs! É hoje que nós vamos comprar esse vestido! Todos nós vamos!

— Bom dia, Abbs. Todos?

— Tony e McGee falaram que não perdem isso por nada.

Não seriam os únicos, pensei.

— Que horas que você vai trazer a Lizzy? – Ziva perguntou

— Depois da aula.

— Isso significa que temos que resolver qualquer caso até às três da tarde! Depois diversão! – DiNozzo, sempre ele.

— Isso significa, DiNozzo, que você tem até o meio-dia para me entregar todos os seus relatórios atrasados, deste mês. Então, comece!

— Sim chefe!

Os demais ficaram parados, rindo da cara do agente sênior.

— O mesmo para vocês.

E todos correram para suas mesas com o intuito de terminarem os relatórios que estavam protelando por dias.

Dois dias tranquilos para essa equipe são raridades. E mais uma vez, nenhum caso. E quando chegou às 14:30, Abby foi a primeira a aparecer entre as mesas.

— Espero, sinceramente, que todos vocês já estejam terminando esses relatórios. Os meus já estão prontos. E eu já estou pronta para a festa no Shopping!

— Por aqui, tudo ok, Abby. – Ziva respondeu. – Por algum milagre conseguimos o resto do dia de folga.

— E, então, aonde vamos e o que vamos comprar? – Ellie perguntou

— Independentemente de onde for, vai ser muito engraçado. – DiNozzo vinha perdendo o amor pela vida.

— Vai depender do gosto da Liz! Nós só vamos para ajudá-la. E, Gibbs, ela sabe que nós vamos, né?

— Não, Ziva. Ela não sabe.

— Por que não contou?

— Por que ela não quer ir ao baile, Abbs. Prefere ficar dançando na frente da televisão.

— Então vai ser mais engraçado ainda.

— Tony, mais uma dessas e você vai pagar todas as contas.

— Vira essa boca pra lá, Ziva!

— Três horas! É Agora! – Abby correu em direção ao elevador.

Era a hora do salve-se quem puder.

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Quando parei na porta da escola, Lizzy mal conseguia ficar parada para me esperar. E a sua feição quando viu não um, mas dois carros com toda a equipe junta foi de espanto.

— Pai... ela abriu a porta da frente, mas só para encontrar Abby já sentada no banco do carona. – Aonde nós vamos? É aniversário de alguém?

— Banco de trás, hoje, Liz. E daqui a pouco você fica sabendo.

Ela suspirou alto, enquanto subia no banco de trás e cumprimentava Ellie.

— Ei Ellie! Abbs! Você sabe de alguma coisa, Abigail, que possa me contar? – Ela tinha os olhos fixos em Abby, e os apertava ainda mais enquanto a morena demorava em responder.

Abby engoliu seco do meu lado e não fez contato visual com a Ruiva.

— Por que se você souber, é muito bom ficar do meu lado.

— Eu. Não. Sei. De. Nada.

— Só pela sua resposta, você sabe. Por outro lado... se estão dois carros aqui, significa que tem mais gente, e que o Tony também veio. Pai me empresta o seu celular?

— Não. Você não vai ligar para o DiNozzo.

— Ellie?

— A Bishop também não vai te emprestar.

— Que ditadura é essa?

— Aprendendo tópico novo na escola hoje, muito bom.

— Não tem graça. – Ela cruzou os braços e me encarava pelo espelho retrovisor.

— Já colocou o cinto? – olhei pelo retrovisor para ter certeza e foi quando vi. Tinha um SUV parado mais no final da rua. E não era qualquer carro. Era um carro caro que tinha a cara dela. Então era assim que ela iria rir às minhas custas.

— Tô pronta pra ir, pai! O que tem lá trás? – Liz disse enquanto virava a cabeça para olhar pelo vidro traseiro.

— Eu só estou conferindo se você afivelou o cinto direito, mocinha.

— É agora!! Yeaahh!

— Não sei por que toda essa empolgação, Abbs. Não sei.

— Você vai adorar, Lizzy. Tenho certeza.

E Abby e Ellie falaram o caminho inteiro. E, para piorar a situação. Tony resolveu que seria muito bom participar da conversa e ligou para Abby, então eram cinco pessoas falando sobre o que iriam fazer e uma querendo saber onde estava indo. Minha cabeça já explodia quando, finalmente, chegamos ao shopping.

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— O segredo era o shopping? Pai?

— Você precisa de um vestido de festa. E elas vão te ajudar.

— Vestido? Festa? Que história é essa?

— Baile Pai e Filha.

— Nós vamos?

— Eu te disse que sim.

— O senhor não falou nada!

— Estou falando agora.

E ela arregalou os olhos na minha direção.

— Mas como o senhor sabia que eu queria ir?

— O que você acha que faço pra viver?

— Vamos comprar o vestido! – Ela disse gritando em direção à Ziva.

— Vamos nos divertir. – Abby fez coro e estendeu a mão em direção à Liz em clara intenção de fazer um high-five.

— Por falar em vestido, o que o Tony e o Tim estão fazendo aqui?

— Apoio moral. – McGee respondeu.

— Apoio Moral?

— Sim. Carregar sacolas é muito ruim, e os dois se ofereceram para vir.

— Quanta gentileza deles, não acha papai.

E, enquanto deixávamos o estacionamento, vi o SUV chegar e parar bem próximo dos nossos carros. Ela viera ver a festa. Só queria saber como ela se manteria longe da equipe.

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— Meus pés estão doendo! – Tony reclamou.

— Minhas costas doem. – McGee continuou.

— E elas só estão começando.

— Não fala isso, Chefe. Isso tem que acabar! Como é possível que elas ainda não tenham encontrado um vestido? Um bendito vestido?!

— Eu já vi mais de cem vestidos! E todos eram bonitos! Como elas são indecisas!

— Vocês reclamam porque nunca tiveram que procurar enfeites para casamento.

— Isso é um incentivo para nunca casar, Chefe?

— Entenda como quiser, McGee.

— Ei, McCalculadora, quantas lojas foram?

— Entre os seis shoppings mais essa rua aqui?

— Foram seis shoppings? Amanhã eu não vou estar andando! Chefe, preciso de uma licença saúde!

— Sim, Tony. Seis. E já deu um total de quase cinquenta lojas. Isso sem contar as lojas de terno que entramos...

— E nem chegamos nos sapatos!

— Sapatos! Essas meninas vão nos matar, Chefe!

— Eu vou morrer aqui! Por que elas não vêm logo?

— Porque são mulheres fazendo compras, McInocente. E é assim que isso acontece. Falando nisso, Chefe, elas desistiram do terno?

— Acho que sim.

— Ainda mais depois que você fez a moça da Armani correr assustada.

— Eu não vou pagar quase cinco mil dólares em um terno para usar uma única vez, DiNozzo!

— Faz sentido. Alguém tá com fome? Estamos sentados nesse café, e como elas não vêm, por que não comer alguma coisa?

— Eu tô vendo direito? São elas ali, com sacolas? Muitas sacolas!

— Sacolas são sempre boa notícia.

— Depende de quem está pagando, DiNozzo. Para mim não é não.

— São elas, Chefe! Aleluia! – McGee comemorava como se o time de basquete que ele torcia tivesse ganhado o campeonato,

— E aí, meninas? Acharam o que queriam? Por favor, se não acharam, mintam, porque eu não aguento mais andar!

— Sim, Tony. Achamos. Temos tudo aqui! Vestidos, sapatos, laços! Viu como foi rapidinho?

— Rápido, Bishop? Estamos fazendo isso há seis horas.

— O vestido perfeito demora para ser encontrado, Gibbs. Vá se acostumando. Tem os bailes de Ensino Médio depois. E do casamento...

— Não me fala em casamentos, Abbs.

— Tá bom! Nada de casamentos.

— E o vestido? Posso ver, Liz?

— Só sábado!

— Elizabeth, o vestido!

— Não, não! Só no sábado! E antes que fale que vai vê-lo amanhã porque vai ficar na lá em casa, saiba que a Ziva vai levá-lo para a casa dela!

— E Elizabeth vira o jogo! – Ellie comemora. – E as garotas batem as mãos em um gesto de cumplicidade.

— Então podemos ir embora?

— Claro que não, McGee. Também estamos com fome! Hora do jantar!

-Abbs, eu não consigo mais andar. Vamos pular o jantar e ir cada um para suas casas! Por favor. Nem o Chefe tá aguentando mais.

— Dessa vez eu concordo com o DiNozzo.

Liz me olhou espantada. Abby quase deixou a sua bolsa cair. Ellie esqueceu que tinha um pacote de salgadinhos na mão e, Ziva. Até Ziva estava embasbacada.

— Tá bom. – as quatro garotas disseram ao mesmo tempo. – Comida pra viagem e cada um na sua casa.

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— Então você comprou o vestido que queria?

— Sim. E os sapatos também.

— Bom... E não vai me deixar vê-los?

— Não. Não vou.

— Posso saber o motivo?

— Surpresa.

— O motivo é esse ou tem outra coisa!

— O vestido é a surpresa, pai!

Nós dois já tínhamos jantado e hoje, ao contrário dos últimos dias, Lizzy estava me ajudando com o barco.

— Você realmente não vai me dizer?

— Parece que eu realmente virei o jogo. Elizabeth 1 x 1 Leroy Jethro Gibbs.

— Uma hora eu desempato isso.

— Eu vou desempatar primeiro, pai! Pode ter certeza.

— A única certeza que eu tenho é que já passou da sua hora de dormir e amanhã você ainda tem aula. E se não dormir agora, vai demorar muito mais para acordar. Agora sobe para se arrumar que eu já vou te colocar na cama.

— Tudo bem, senhor ditador. – Ela se virou fazendo uma continência.

— Está com a mão trocada e eu não sou ditador.

E mais uma vez ela fez a continência, desta vez com a mão certa e disse:

— Está certa agora, Marine?

— Sobe logo.

— Tá bom! Vamos Ice! Ginger! Para de arranhar esse móvel! Ou ele vai cortar as suas unhas! Gata doida!

Dei um prazo de trinta minutos para ela. Era o suficiente para ela tomar banho e deitar. E então fui colocá-la na cama. Mas nem precisei, toda andança, todas aquelas compras vieram cobrar seu preço, e quando cheguei, ela já dormia profundamente, era só apagar a luz.

— Boa noite, Pimentinha. – sussurrei pra ela.

Ela murmurou algo inteligível e virou de lado.

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Era tarde para ela, mas não pra mim. Então voltei para o porão. Para, mais uma vez, encontrar ela lá.

— Como o serviço de recepção desse lugar caiu muito nos últimos dias, olha só o que eu trouxe? – Ela me saudou sentada no sofá, levantando uma garrafa de Bourbon.

— Chegou cedo hoje.

— Precisava.

— Motivo?

— Isso. – E ela me estendeu o seu celular onde tinha um monte de fotos da ”caça ao vestido”. – Você realmente se superou nas caras e bocas, Jethro. Mas senta aqui. Ela apontou para o lugar ao lado dela no sofá. – Hora da sua sessão de terapia e minha sessão de riso.

Seria a noite em que ela tiraria para rir da minha cara. Julgando pelas fotos...

— Então, começaremos do início. Foram quantas lojas, mesmo?

— Não contei – disse mal humorado.

— Haha, você contou sim! — Ela deu um soco em meu ombro — Seu cansaço pode ter te afetado muito, mas esse detalhe não passaria...

— McGee disse que foram quase cinquenta.

— Você contou as daquela rua onde três agentes federais estavam sentados parecendo que tinham acabado de sair da guerra?

— Eu não tenho ideia de quantas foram lá!

— Mais dez...

— Sessenta lojas para comprar um vestido?

— Sim. Sessenta. Que orgulho da minha sobrinha!!! Mas não é sobre o número de lojas que vocês visitaram que eu quero conversar... Vamos falar das suas caras e reações!

— Pra que?

— Para que eu possa rir mais um pouco, oras! Jethro, você fez o meu dia!!

— Em qual das lojas?

— Em todas! Você realmente achou que a Elizabeth compraria um vestido na primeira loja que entrasse?

— Não era para ser assim?

— Como você conseguiu se casar quatro vezes?

— Não vem ao caso. – Respondi com um muxoxo.

— Ok. Vamos lá! Eu juro pra você que teve umas quatro, ou foram cinco? Sei lá! Foram algumas vezes que eu quase fui descoberta no meu disfarce?

— Nem imagino o motivo...

— Não faça essa cara de entediado, Jethro. – Ela me deu um tapinha em ambos os lados do rosto.

— E quais foram? – Eu realmente não queria relembrar aquela tortura...

— Já na primeira loja, quando Lizzy muito sabiamente desistiu daquele vestido rosa.

— Mas vestido era bonito! E toda garota gosta de rosa.

— Era bonito, sim, mas não pra ela. E não generalize, nem todas as garotas gostam de rosa.

— Mas eu gostei do vestido!

— É você quem vai usá-lo, Jethro?

— Próxima...

— Calma, eu nem falei da sua cara de espanto para os preços!

— Eu não compraria um vestido de quinhentos dólares, nunca.

— Fico feliz que você não estava por perto para ver o preço do vestido que ela comprou...

— O que? Jenny!

— Não está mais aqui quem falou! Mas, aí vocês foram na segunda e terceira lojas...

— Jennifer Shepard! O vestido!

— Você vai saber na fatura do seu cartão... Mas onde estava, ah, sim as duas lojas seguintes... alguns vestidos e nada, e você já estava com aquele olhar de que queria voltar pra casa...

— Tinham várias opções...

— Jethro, Jethro, o vestido perfeito não aparece de uma hora para outra...

— Mas ela tinha que ter um gosto tão difícil... Parece você decidindo com qual roupa iria... Ficava o dia inteiro...

— Ainda fico. Mas foco no assunto...

— Você é o assunto agora.

— Não, suas caras e bocas são o assunto agora. Aí vocês rodaram o primeiro shopping todo, e nada. Nessa hora, você já estava no, deixe-me lembrar, quinto copo de café?

— Estava com fome.

— Estava sem paciência! E a ideia era sua!

— Mas a Lizzy não se decidia! E Abby e Ziva e Ellie só davam opiniões erradas.

— Falando na Ellie, eu gostei dela! Só come muito... então, segundo shopping e neste, além de olhar vestidos, também tiveram a ideia de olhar ternos!

— Eu tenho terno, é desnecessário comprar um novo.

— Mais uma vez, várias lojas e nada do vestido. Por outro lado, acharam um terno que ficou ótimo em você...

— Eu não gostei.

— Para com essa birra de criança. Você ficou ótimo naquele Armani de três peças, azul royal... Eu particularmente adicionaria um par de abotoaduras e um clipe de gravata, mas você estava perfeito, até que...

— Cinco Mil, Jen? Cinco Mil?

— Até que você deu um chilique digno de Diva e disse que por aquele preço você comprava muito café. E eu, coitada de mim, estava logo atrás de você, e quase que eu dou um aneurisma de tanto que eu segurei o riso!

— Eu não sou palhaço para comprar algo naquele preço. Aliás, você estava atrás de mim?

— Sim, estava! Lembra da velhinha?

— Você era a velhinha.

— Eu fui um monte de coisas. Mas voltemos ao embate do século.

— Não foi embate.

— Você assustou a vendedora!

— Não mais do que o DiNozzo!

— Tony foi outra história! Você gritou com a pobre moça que deve estar chorando até agora! Tadinha!

— A minha ideia era comprar um vestido, não um terno.

— Tudo bem, próximo shopping. Abby deu um tempo na história do terno. Mas Lizzy não virou fã de nenhum vestido. E nesse ela andou. Andou tanto que até os meus pés doeram. Os seus estavam te matando, não é?

— Não.

— Não minta pra mim! Eu vi! Eu vi você parando e alongando!

— E daí?

— Daí que era só a metade do caminho e você já estava entupido de café, olhando o relógio a cada cinco minutos e se alongando! Poderia piorar?

— Sempre piora, Jen!

— Sim. Vocês rodaram por mais uma hora e nada. Aí até o McGee começou a reclamar! Afinal, qual foi o motivo do Tony e do McGee terem ido? Eles não ajudaram na escolha...

— O mesmo que o seu... para rirem da situação.

— Gosto mais deles a cada dia. E não me olhe assim, tirar sarro da sua cara sempre foi a minha diversão favorita! E, então, o Quarto Shopping.... Esse deu trabalho...

— Trabalho? Eu perdi as contas de quantos vestidos ela experimentou.

— Alguns até ficaram bonitinhos, mas nenhum era ela...

— Ser ela? Que ideia de desocupado é essa?

— O vestido tem que combinar com a pessoa, Jethro. E todos ali, apesar de lindos, nenhum lembrava a Liz... paciência. Vestidos de noiva são piores...

— Como se você já tivesse se casado.

— Eu comprei um uma vez... cheguei até a usá-lo. Mas não deu sorte...

— O que aconteceu... você fugiu?

— Ele me trocou pela minha melhor amiga, na hora da cerimônia...

Isso era novo...

— Antes ou depois de Paris.

— Antes... E a cena foi linda...

— Dele te deixando?

— Não, eu queimando o vestido como se fosse um ritual! Não sobrou nenhuma renda daquela coisa...

— É por isso que você não se casa?

— Sim e não. Mas voltando... Foram muitos os vestidos e você, dessa vez, já estava reclamando. Eu vi a hora em que você iria tomar os vestidos das mãos das garotas e iria escolher um e sair logo dali.

— Já tinham mais de quatro horas que nós estávamos naquilo. Toda paciência tem limite.

— Leroy Jethro Gibbs falando de algo que ele nunca teve...

— Limites?

— Não, paciência... Porém, se pensarmos bem, você também não sabe o que significa e nunca teve limites, você é um completo maluco! Mas voltando. Nada no quarto shopping e até o DiNozzo já estava exausto. E você se arrependendo de ter tido essa ideia... não sua cara era de quem tinha se arrependido de nascer! – ela ria alto enquanto tomava um gole do Bourbon.

— Não tem graça!

— Ô criança mimada... ainda não acabou. Teve um no quinto shopping que eu teria levado pra ela. Era muito princesa para ela não vestir...

— Mas ela não levou.

— Não, mas levou os três agentes à loucura! Jethro, você tinha uma cara de assassino! As pessoas estavam até desviando da sua aura pesada...

— Eu tinha mais o que fazer!

— Em casa? Por que o barco não conta...

— Isso já esta me irritando.

— Mas eu nem falei do modo como você se jogou no sofá da salinha de espera naquela loja que você, com certeza, achou muito chique, mas pequena demais...

— Não tinha espaço pra muita coisa, Jen. Nem cabia todo mundo!

— É por isso que vocês deixaram o McGee de pé?

— Não. Ele ficou de pé porque quis.

— Porque quis... ou por que tinha tomado um tapão atrás da cabeça?

— Os dois. Vamos prosseguir.

— Finalmente o sexto e último shopping. Olhar vestido, terno, sapato... Ainda bem que você não trouxe o terno que você experimentou... porque o defunto era maior!

— E...

— E então as meninas disseram que não agradaram de nada... e com a cara mais lavada do mundo disseram que queriam ir na rua mais badalada de Washington pra poder olhar... e você clamou pela sua morte.

— Não.

— Sim. Se jogou em um café e por lá ficou, esperando, por um hora e meia, as mais longas da sua vida. E some-se a isto, o fato de ter DiNozzo e MCGee reclamando na sua orelha! Confesso que fiquei com pena de você!

— Da minha orelha?

— Não do seu cartão de crédito...

Suspirei diante da revelação. Esse baile não vai me deixar barato.

— Mas finalmente elas voltaram.

— Sim... e você não faz ideia do valor de todas aquelas comprinhas....

— Nem quero saber.

— Sério? Você é tão sem graça... e pensar que não viu o que foi comprado. Eu vi.

— Que cor é...

— Não digo... mas vou estar por perto para ver a sua reação... O vestido é lindo.

— É bom que seja, porque além do rombo na minha carteira, eu perdi quase meio dia de trabalho.

— A sua cara... quando você teve que concordar com o Tony... Me deu até pena!

Nem respondi,

— Interessante vai ser quando você vê-la no sábado e depois quando olhar a fatura do cartão. – A essa altura ela estava chorando de tanto rir.

Depois dessa levantei e rumei para o quarto, já era o bastante o tanto que ela riu às minhas custas.

— Ei, onde você pensa que está indo? Eu não terminei! Não falei da sua cara de indignado quando a Ziva levou o vestido embora...

— Estou indo dormir.

— Mas vai de deixar aqui?

— Boa noite, Jen!

— Sério! Vai ficar de birra e me deixar dormir no sofá?

Virei as costas e apaguei a luz, deixando-a no escuro. Mas antes de fechar a porta escutei a gargalhada dela.

— Leroy Jethro Gibbs está bravo porque uma garotinha de sete anos conseguiu deixá-lo extremamente cansado e com um rombo na conta corrente! E como ele sabe que isso é verdade...

Eu subi para o quarto para poder ficar longe da sua voz, mas não por muito tempo. Alguns segundos depois ela entrou no quarto e de mãos na cintura continuou o falatório:

— E como ele sabe que é verdade, está agindo como uma criança mimada e mal humorada para que todos tenham medo dele... só que eu não tenho. Então... – ela deu um tapa na minha perna e sentou onde elas estavam – eu vou te atazanar a noite inteira.... – seu sorriso era vitorioso.

— O que eu fiz para merecer isso?

Notas finais
Gibbs atazana a vida da Liz... deixa a pobre garota a beira de um ataque de ansiedade... tadinha. Mas o que seria de nós sem Jenny para vingar a sobrinha! Mas ela avisou que iria... e não perdeu um movimento!