Baile de Pai e Filha
3 Capítulo 03 - Às Compras
Notas iniciais
Na manhã seguinte, pouco depois do despertador tocar, ela já estava me importunando:
— Pelo menos tem café nessa casa? – Sua voz era abafada pelo travesseiro.
— Tem.
— E bom dia pra você também.
— Era você quem deveria dar bom dia.
— Que seja.... – ela rolou para o outro lado. – Horas?
— Cinco e meia.
— Lizzy?
— Seis e meia.
— Posso dormir mais meia hora.
— Não.
— Por que?
— Café.
— E?
— É você quem vai fazer.
— Sou visita.
— Não, é intrusa.
Ela virou para o meu lado e me olhou zangada.
— O que aconteceu com o cavalheirismo?
— Você me chamando de Chauvista.
— São duas coisas completamente diferentes.
— Café.
— Eu. Te. Odeio.
— Se odiasse não estaria aqui.
— Talvez só esteja porque a minha sobrinha mora aqui, e porque eu preciso de uma casa próximo de D.C.
— Vai ser assim?
— Café.
— Vai fugir?
— Eu preciso de café, antes de começar a brigar com você!
E ela desceu as escadas já pronta e realmente fez um café da manhã digno. Muito diferente daqueles que ela fazia em Paris.
— Quem é você e o que fez com a Shepard que eu conheço?
— A ocasião faz o ladrão. Sem casa, eu tive que me virar e aprendi a cozinhar. Antes tarde do que nunca. Mas mudando de assunto, que dia será a festa da compra do vestido?
— Hoje à tarde, Lizzy tem a tarde de quinta-feira livre.
— Essa eu quero ver!
— Você deveria ficar do meu lado!
— Eu fico do seu lado, por isso quero ver isso. Você vai ver que não é tão fácil assim cuidar de uma garota.
Eu a olhei descrente.
— E isso é você ficando do meu lado?
— Não, isso sou eu indo embora porque alguém já está fazendo barulho lá em cima. – Ela olhou para o teto na direção de onde vinham os passos apressados — Te vejo pelo shopping, Jethro! Boas compras!
E como havia prometido, ela se foi antes que a sobrinha acordasse. A única dúvida que ficou era, como ela iria aparecer no shopping, sem aparecer?
Não demorou muito e a outra ruiva desceu as escadas. Cara de sono e bocejando ela me cumprimentou.
— Bom dia, papai! Hoje desci cedo!
— Resta saber se já acordou...
Ela me olhou e apenas sacudiu negativamente a cabeça.
— Bom dia, filha. Tenho uma coisa para te pedir.
— Sim...
— Hoje, depois da aula, eu preciso que você vá a um lugar comigo.
— E seria?
— Te falo quando chegarmos lá.
— Isso é injusto! Como vou passar o dia inteiro pensando nisso? Dá uma dica!
— Não. Na hora você fica sabendo. E agora coma seu café.
Foi só aí que ela notou o que tinha para comer.
— NÃO ACREDITO! PANQUECAS! E HOJE NEM É DOMINGO! – Ela veio para me abraçar, se ao menos ela soubesse quem fez.
Rotina da manhã cumprida, já estávamos a caminho da escola, e era impossível fazer Liz trocar de assunto.
— Só uma dica! Pequenininha!
— Não.
— Pai!
— Nada de dicas.
— Injustiça!
— Ah, é?
— Sim! Se você não iria me contar aonde vamos, por que tocou no assunto?
— Só para te deixar curiosa!
— Meu Deus! Onde fui arranjar um pai desses??
— Eu tô bem aqui.
— Por favor!
— Não. E agora se apronte para descer, pois chegamos.
— Uma única letra do local?
— Tchau, Liz, tenha uma boa aula — beijei o topo da sua cabeça.
— Tchau pai. — Ela desceu do carro, mas não desistiu de primeira, agora na janela insistiu pela última vez:
— Por favorzinho....
— Até depois da aula!
— Sem graça!
-Você tentou, Shepard... só não conseguiu.
Ela bufou e rumou para dentro da escola.
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Na sala do esquadrão era como se a conversa de ontem não tivesse sido interrompida. As três ainda estavam discutindo lojas, cores de vestido e quais sapatos combinariam.
— Gibbs, Gibbs, Gibbs! É hoje que nós vamos comprar esse vestido! Todos nós vamos!
— Bom dia, Abbs. Todos?
— Tony e McGee falaram que não perdem isso por nada.
Não seriam os únicos, pensei.
— Que horas que você vai trazer a Lizzy? – Ziva perguntou
— Depois da aula.
— Isso significa que temos que resolver qualquer caso até às três da tarde! Depois diversão! – DiNozzo, sempre ele.
— Isso significa, DiNozzo, que você tem até o meio-dia para me entregar todos os seus relatórios atrasados, deste mês. Então, comece!
— Sim chefe!
Os demais ficaram parados, rindo da cara do agente sênior.
— O mesmo para vocês.
E todos correram para suas mesas com o intuito de terminarem os relatórios que estavam protelando por dias.
Dois dias tranquilos para essa equipe são raridades. E mais uma vez, nenhum caso. E quando chegou às 14:30, Abby foi a primeira a aparecer entre as mesas.
— Espero, sinceramente, que todos vocês já estejam terminando esses relatórios. Os meus já estão prontos. E eu já estou pronta para a festa no Shopping!
— Por aqui, tudo ok, Abby. – Ziva respondeu. – Por algum milagre conseguimos o resto do dia de folga.
— E, então, aonde vamos e o que vamos comprar? – Ellie perguntou
— Independentemente de onde for, vai ser muito engraçado. – DiNozzo vinha perdendo o amor pela vida.
— Vai depender do gosto da Liz! Nós só vamos para ajudá-la. E, Gibbs, ela sabe que nós vamos, né?
— Não, Ziva. Ela não sabe.
— Por que não contou?
— Por que ela não quer ir ao baile, Abbs. Prefere ficar dançando na frente da televisão.
— Então vai ser mais engraçado ainda.
— Tony, mais uma dessas e você vai pagar todas as contas.
— Vira essa boca pra lá, Ziva!
— Três horas! É Agora! – Abby correu em direção ao elevador.
Era a hora do salve-se quem puder.
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Quando parei na porta da escola, Lizzy mal conseguia ficar parada para me esperar. E a sua feição quando viu não um, mas dois carros com toda a equipe junta foi de espanto.
— Pai... ela abriu a porta da frente, mas só para encontrar Abby já sentada no banco do carona. – Aonde nós vamos? É aniversário de alguém?
— Banco de trás, hoje, Liz. E daqui a pouco você fica sabendo.
Ela suspirou alto, enquanto subia no banco de trás e cumprimentava Ellie.
— Ei Ellie! Abbs! Você sabe de alguma coisa, Abigail, que possa me contar? – Ela tinha os olhos fixos em Abby, e os apertava ainda mais enquanto a morena demorava em responder.
Abby engoliu seco do meu lado e não fez contato visual com a Ruiva.
— Por que se você souber, é muito bom ficar do meu lado.
— Eu. Não. Sei. De. Nada.
— Só pela sua resposta, você sabe. Por outro lado... se estão dois carros aqui, significa que tem mais gente, e que o Tony também veio. Pai me empresta o seu celular?
— Não. Você não vai ligar para o DiNozzo.
— Ellie?
— A Bishop também não vai te emprestar.
— Que ditadura é essa?
— Aprendendo tópico novo na escola hoje, muito bom.
— Não tem graça. – Ela cruzou os braços e me encarava pelo espelho retrovisor.
— Já colocou o cinto? – olhei pelo retrovisor para ter certeza e foi quando vi. Tinha um SUV parado mais no final da rua. E não era qualquer carro. Era um carro caro que tinha a cara dela. Então era assim que ela iria rir às minhas custas.
— Tô pronta pra ir, pai! O que tem lá trás? – Liz disse enquanto virava a cabeça para olhar pelo vidro traseiro.
— Eu só estou conferindo se você afivelou o cinto direito, mocinha.
— É agora!! Yeaahh!
— Não sei por que toda essa empolgação, Abbs. Não sei.
— Você vai adorar, Lizzy. Tenho certeza.
E Abby e Ellie falaram o caminho inteiro. E, para piorar a situação. Tony resolveu que seria muito bom participar da conversa e ligou para Abby, então eram cinco pessoas falando sobre o que iriam fazer e uma querendo saber onde estava indo. Minha cabeça já explodia quando, finalmente, chegamos ao shopping.
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— O segredo era o shopping? Pai?
— Você precisa de um vestido de festa. E elas vão te ajudar.
— Vestido? Festa? Que história é essa?
— Baile Pai e Filha.
— Nós vamos?
— Eu te disse que sim.
— O senhor não falou nada!
— Estou falando agora.
E ela arregalou os olhos na minha direção.
— Mas como o senhor sabia que eu queria ir?
— O que você acha que faço pra viver?
— Vamos comprar o vestido! – Ela disse gritando em direção à Ziva.
— Vamos nos divertir. – Abby fez coro e estendeu a mão em direção à Liz em clara intenção de fazer um high-five.
— Por falar em vestido, o que o Tony e o Tim estão fazendo aqui?
— Apoio moral. – McGee respondeu.
— Apoio Moral?
— Sim. Carregar sacolas é muito ruim, e os dois se ofereceram para vir.
— Quanta gentileza deles, não acha papai.
E, enquanto deixávamos o estacionamento, vi o SUV chegar e parar bem próximo dos nossos carros. Ela viera ver a festa. Só queria saber como ela se manteria longe da equipe.
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— Meus pés estão doendo! – Tony reclamou.
— Minhas costas doem. – McGee continuou.
— E elas só estão começando.
— Não fala isso, Chefe. Isso tem que acabar! Como é possível que elas ainda não tenham encontrado um vestido? Um bendito vestido?!
— Eu já vi mais de cem vestidos! E todos eram bonitos! Como elas são indecisas!
— Vocês reclamam porque nunca tiveram que procurar enfeites para casamento.
— Isso é um incentivo para nunca casar, Chefe?
— Entenda como quiser, McGee.
— Ei, McCalculadora, quantas lojas foram?
— Entre os seis shoppings mais essa rua aqui?
— Foram seis shoppings? Amanhã eu não vou estar andando! Chefe, preciso de uma licença saúde!
— Sim, Tony. Seis. E já deu um total de quase cinquenta lojas. Isso sem contar as lojas de terno que entramos...
— E nem chegamos nos sapatos!
— Sapatos! Essas meninas vão nos matar, Chefe!
— Eu vou morrer aqui! Por que elas não vêm logo?
— Porque são mulheres fazendo compras, McInocente. E é assim que isso acontece. Falando nisso, Chefe, elas desistiram do terno?
— Acho que sim.
— Ainda mais depois que você fez a moça da Armani correr assustada.
— Eu não vou pagar quase cinco mil dólares em um terno para usar uma única vez, DiNozzo!
— Faz sentido. Alguém tá com fome? Estamos sentados nesse café, e como elas não vêm, por que não comer alguma coisa?
— Eu tô vendo direito? São elas ali, com sacolas? Muitas sacolas!
— Sacolas são sempre boa notícia.
— Depende de quem está pagando, DiNozzo. Para mim não é não.
— São elas, Chefe! Aleluia! – McGee comemorava como se o time de basquete que ele torcia tivesse ganhado o campeonato,
— E aí, meninas? Acharam o que queriam? Por favor, se não acharam, mintam, porque eu não aguento mais andar!
— Sim, Tony. Achamos. Temos tudo aqui! Vestidos, sapatos, laços! Viu como foi rapidinho?
— Rápido, Bishop? Estamos fazendo isso há seis horas.
— O vestido perfeito demora para ser encontrado, Gibbs. Vá se acostumando. Tem os bailes de Ensino Médio depois. E do casamento...
— Não me fala em casamentos, Abbs.
— Tá bom! Nada de casamentos.
— E o vestido? Posso ver, Liz?
— Só sábado!
— Elizabeth, o vestido!
— Não, não! Só no sábado! E antes que fale que vai vê-lo amanhã porque vai ficar na lá em casa, saiba que a Ziva vai levá-lo para a casa dela!
— E Elizabeth vira o jogo! – Ellie comemora. – E as garotas batem as mãos em um gesto de cumplicidade.
— Então podemos ir embora?
— Claro que não, McGee. Também estamos com fome! Hora do jantar!
-Abbs, eu não consigo mais andar. Vamos pular o jantar e ir cada um para suas casas! Por favor. Nem o Chefe tá aguentando mais.
— Dessa vez eu concordo com o DiNozzo.
Liz me olhou espantada. Abby quase deixou a sua bolsa cair. Ellie esqueceu que tinha um pacote de salgadinhos na mão e, Ziva. Até Ziva estava embasbacada.
— Tá bom. – as quatro garotas disseram ao mesmo tempo. – Comida pra viagem e cada um na sua casa.
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— Então você comprou o vestido que queria?
— Sim. E os sapatos também.
— Bom... E não vai me deixar vê-los?
— Não. Não vou.
— Posso saber o motivo?
— Surpresa.
— O motivo é esse ou tem outra coisa!
— O vestido é a surpresa, pai!
Nós dois já tínhamos jantado e hoje, ao contrário dos últimos dias, Lizzy estava me ajudando com o barco.
— Você realmente não vai me dizer?
— Parece que eu realmente virei o jogo. Elizabeth 1 x 1 Leroy Jethro Gibbs.
— Uma hora eu desempato isso.
— Eu vou desempatar primeiro, pai! Pode ter certeza.
— A única certeza que eu tenho é que já passou da sua hora de dormir e amanhã você ainda tem aula. E se não dormir agora, vai demorar muito mais para acordar. Agora sobe para se arrumar que eu já vou te colocar na cama.
— Tudo bem, senhor ditador. – Ela se virou fazendo uma continência.
— Está com a mão trocada e eu não sou ditador.
E mais uma vez ela fez a continência, desta vez com a mão certa e disse:
— Está certa agora, Marine?
— Sobe logo.
— Tá bom! Vamos Ice! Ginger! Para de arranhar esse móvel! Ou ele vai cortar as suas unhas! Gata doida!
Dei um prazo de trinta minutos para ela. Era o suficiente para ela tomar banho e deitar. E então fui colocá-la na cama. Mas nem precisei, toda andança, todas aquelas compras vieram cobrar seu preço, e quando cheguei, ela já dormia profundamente, era só apagar a luz.
— Boa noite, Pimentinha. – sussurrei pra ela.
Ela murmurou algo inteligível e virou de lado.
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Era tarde para ela, mas não pra mim. Então voltei para o porão. Para, mais uma vez, encontrar ela lá.
— Como o serviço de recepção desse lugar caiu muito nos últimos dias, olha só o que eu trouxe? – Ela me saudou sentada no sofá, levantando uma garrafa de Bourbon.
— Chegou cedo hoje.
— Precisava.
— Motivo?
— Isso. – E ela me estendeu o seu celular onde tinha um monte de fotos da ”caça ao vestido”. – Você realmente se superou nas caras e bocas, Jethro. Mas senta aqui. Ela apontou para o lugar ao lado dela no sofá. – Hora da sua sessão de terapia e minha sessão de riso.
Seria a noite em que ela tiraria para rir da minha cara. Julgando pelas fotos...
— Então, começaremos do início. Foram quantas lojas, mesmo?
— Não contei – disse mal humorado.
— Haha, você contou sim! — Ela deu um soco em meu ombro — Seu cansaço pode ter te afetado muito, mas esse detalhe não passaria...
— McGee disse que foram quase cinquenta.
— Você contou as daquela rua onde três agentes federais estavam sentados parecendo que tinham acabado de sair da guerra?
— Eu não tenho ideia de quantas foram lá!
— Mais dez...
— Sessenta lojas para comprar um vestido?
— Sim. Sessenta. Que orgulho da minha sobrinha!!! Mas não é sobre o número de lojas que vocês visitaram que eu quero conversar... Vamos falar das suas caras e reações!
— Pra que?
— Para que eu possa rir mais um pouco, oras! Jethro, você fez o meu dia!!
— Em qual das lojas?
— Em todas! Você realmente achou que a Elizabeth compraria um vestido na primeira loja que entrasse?
— Não era para ser assim?
— Como você conseguiu se casar quatro vezes?
— Não vem ao caso. – Respondi com um muxoxo.
— Ok. Vamos lá! Eu juro pra você que teve umas quatro, ou foram cinco? Sei lá! Foram algumas vezes que eu quase fui descoberta no meu disfarce?
— Nem imagino o motivo...
— Não faça essa cara de entediado, Jethro. – Ela me deu um tapinha em ambos os lados do rosto.
— E quais foram? – Eu realmente não queria relembrar aquela tortura...
— Já na primeira loja, quando Lizzy muito sabiamente desistiu daquele vestido rosa.
— Mas vestido era bonito! E toda garota gosta de rosa.
— Era bonito, sim, mas não pra ela. E não generalize, nem todas as garotas gostam de rosa.
— Mas eu gostei do vestido!
— É você quem vai usá-lo, Jethro?
— Próxima...
— Calma, eu nem falei da sua cara de espanto para os preços!
— Eu não compraria um vestido de quinhentos dólares, nunca.
— Fico feliz que você não estava por perto para ver o preço do vestido que ela comprou...
— O que? Jenny!
— Não está mais aqui quem falou! Mas, aí vocês foram na segunda e terceira lojas...
— Jennifer Shepard! O vestido!
— Você vai saber na fatura do seu cartão... Mas onde estava, ah, sim as duas lojas seguintes... alguns vestidos e nada, e você já estava com aquele olhar de que queria voltar pra casa...
— Tinham várias opções...
— Jethro, Jethro, o vestido perfeito não aparece de uma hora para outra...
— Mas ela tinha que ter um gosto tão difícil... Parece você decidindo com qual roupa iria... Ficava o dia inteiro...
— Ainda fico. Mas foco no assunto...
— Você é o assunto agora.
— Não, suas caras e bocas são o assunto agora. Aí vocês rodaram o primeiro shopping todo, e nada. Nessa hora, você já estava no, deixe-me lembrar, quinto copo de café?
— Estava com fome.
— Estava sem paciência! E a ideia era sua!
— Mas a Lizzy não se decidia! E Abby e Ziva e Ellie só davam opiniões erradas.
— Falando na Ellie, eu gostei dela! Só come muito... então, segundo shopping e neste, além de olhar vestidos, também tiveram a ideia de olhar ternos!
— Eu tenho terno, é desnecessário comprar um novo.
— Mais uma vez, várias lojas e nada do vestido. Por outro lado, acharam um terno que ficou ótimo em você...
— Eu não gostei.
— Para com essa birra de criança. Você ficou ótimo naquele Armani de três peças, azul royal... Eu particularmente adicionaria um par de abotoaduras e um clipe de gravata, mas você estava perfeito, até que...
— Cinco Mil, Jen? Cinco Mil?
— Até que você deu um chilique digno de Diva e disse que por aquele preço você comprava muito café. E eu, coitada de mim, estava logo atrás de você, e quase que eu dou um aneurisma de tanto que eu segurei o riso!
— Eu não sou palhaço para comprar algo naquele preço. Aliás, você estava atrás de mim?
— Sim, estava! Lembra da velhinha?
— Você era a velhinha.
— Eu fui um monte de coisas. Mas voltemos ao embate do século.
— Não foi embate.
— Você assustou a vendedora!
— Não mais do que o DiNozzo!
— Tony foi outra história! Você gritou com a pobre moça que deve estar chorando até agora! Tadinha!
— A minha ideia era comprar um vestido, não um terno.
— Tudo bem, próximo shopping. Abby deu um tempo na história do terno. Mas Lizzy não virou fã de nenhum vestido. E nesse ela andou. Andou tanto que até os meus pés doeram. Os seus estavam te matando, não é?
— Não.
— Não minta pra mim! Eu vi! Eu vi você parando e alongando!
— E daí?
— Daí que era só a metade do caminho e você já estava entupido de café, olhando o relógio a cada cinco minutos e se alongando! Poderia piorar?
— Sempre piora, Jen!
— Sim. Vocês rodaram por mais uma hora e nada. Aí até o McGee começou a reclamar! Afinal, qual foi o motivo do Tony e do McGee terem ido? Eles não ajudaram na escolha...
— O mesmo que o seu... para rirem da situação.
— Gosto mais deles a cada dia. E não me olhe assim, tirar sarro da sua cara sempre foi a minha diversão favorita! E, então, o Quarto Shopping.... Esse deu trabalho...
— Trabalho? Eu perdi as contas de quantos vestidos ela experimentou.
— Alguns até ficaram bonitinhos, mas nenhum era ela...
— Ser ela? Que ideia de desocupado é essa?
— O vestido tem que combinar com a pessoa, Jethro. E todos ali, apesar de lindos, nenhum lembrava a Liz... paciência. Vestidos de noiva são piores...
— Como se você já tivesse se casado.
— Eu comprei um uma vez... cheguei até a usá-lo. Mas não deu sorte...
— O que aconteceu... você fugiu?
— Ele me trocou pela minha melhor amiga, na hora da cerimônia...
Isso era novo...
— Antes ou depois de Paris.
— Antes... E a cena foi linda...
— Dele te deixando?
— Não, eu queimando o vestido como se fosse um ritual! Não sobrou nenhuma renda daquela coisa...
— É por isso que você não se casa?
— Sim e não. Mas voltando... Foram muitos os vestidos e você, dessa vez, já estava reclamando. Eu vi a hora em que você iria tomar os vestidos das mãos das garotas e iria escolher um e sair logo dali.
— Já tinham mais de quatro horas que nós estávamos naquilo. Toda paciência tem limite.
— Leroy Jethro Gibbs falando de algo que ele nunca teve...
— Limites?
— Não, paciência... Porém, se pensarmos bem, você também não sabe o que significa e nunca teve limites, você é um completo maluco! Mas voltando. Nada no quarto shopping e até o DiNozzo já estava exausto. E você se arrependendo de ter tido essa ideia... não sua cara era de quem tinha se arrependido de nascer! – ela ria alto enquanto tomava um gole do Bourbon.
— Não tem graça!
— Ô criança mimada... ainda não acabou. Teve um no quinto shopping que eu teria levado pra ela. Era muito princesa para ela não vestir...
— Mas ela não levou.
— Não, mas levou os três agentes à loucura! Jethro, você tinha uma cara de assassino! As pessoas estavam até desviando da sua aura pesada...
— Eu tinha mais o que fazer!
— Em casa? Por que o barco não conta...
— Isso já esta me irritando.
— Mas eu nem falei do modo como você se jogou no sofá da salinha de espera naquela loja que você, com certeza, achou muito chique, mas pequena demais...
— Não tinha espaço pra muita coisa, Jen. Nem cabia todo mundo!
— É por isso que vocês deixaram o McGee de pé?
— Não. Ele ficou de pé porque quis.
— Porque quis... ou por que tinha tomado um tapão atrás da cabeça?
— Os dois. Vamos prosseguir.
— Finalmente o sexto e último shopping. Olhar vestido, terno, sapato... Ainda bem que você não trouxe o terno que você experimentou... porque o defunto era maior!
— E...
— E então as meninas disseram que não agradaram de nada... e com a cara mais lavada do mundo disseram que queriam ir na rua mais badalada de Washington pra poder olhar... e você clamou pela sua morte.
— Não.
— Sim. Se jogou em um café e por lá ficou, esperando, por um hora e meia, as mais longas da sua vida. E some-se a isto, o fato de ter DiNozzo e MCGee reclamando na sua orelha! Confesso que fiquei com pena de você!
— Da minha orelha?
— Não do seu cartão de crédito...
Suspirei diante da revelação. Esse baile não vai me deixar barato.
— Mas finalmente elas voltaram.
— Sim... e você não faz ideia do valor de todas aquelas comprinhas....
— Nem quero saber.
— Sério? Você é tão sem graça... e pensar que não viu o que foi comprado. Eu vi.
— Que cor é...
— Não digo... mas vou estar por perto para ver a sua reação... O vestido é lindo.
— É bom que seja, porque além do rombo na minha carteira, eu perdi quase meio dia de trabalho.
— A sua cara... quando você teve que concordar com o Tony... Me deu até pena!
Nem respondi,
— Interessante vai ser quando você vê-la no sábado e depois quando olhar a fatura do cartão. – A essa altura ela estava chorando de tanto rir.
Depois dessa levantei e rumei para o quarto, já era o bastante o tanto que ela riu às minhas custas.
— Ei, onde você pensa que está indo? Eu não terminei! Não falei da sua cara de indignado quando a Ziva levou o vestido embora...
— Estou indo dormir.
— Mas vai de deixar aqui?
— Boa noite, Jen!
— Sério! Vai ficar de birra e me deixar dormir no sofá?
Virei as costas e apaguei a luz, deixando-a no escuro. Mas antes de fechar a porta escutei a gargalhada dela.
— Leroy Jethro Gibbs está bravo porque uma garotinha de sete anos conseguiu deixá-lo extremamente cansado e com um rombo na conta corrente! E como ele sabe que isso é verdade...
Eu subi para o quarto para poder ficar longe da sua voz, mas não por muito tempo. Alguns segundos depois ela entrou no quarto e de mãos na cintura continuou o falatório:
— E como ele sabe que é verdade, está agindo como uma criança mimada e mal humorada para que todos tenham medo dele... só que eu não tenho. Então... – ela deu um tapa na minha perna e sentou onde elas estavam – eu vou te atazanar a noite inteira.... – seu sorriso era vitorioso.
— O que eu fiz para merecer isso?
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