Notas iniciais
Oi você, oi menines! Bem, eu dividi esse capítulo em duas partes, porque acontece bastante coisa nele. Muitas tretas. Treta no regulamento, treta com o Oliver, com o Bruce... Ish, treta pra mais de metro. E para não deixa a leitura cansativa, resolvi dividir. Mas amanhã a segunda parte estará upada sem falta :3 Espero que gostem.

Oliver acordou com o som ensurdecedor da sirene pela manhã. Sentiu seu peito doer pelo susto do barulho e teve de respirar fundo, para se recompor. Pôs-se pé rapidamente, vestiu a calça de moletom e a blusa de manga curta branca. Passou os dedos pelos cabelos amassados e deixou o quarto, esfregando o rosto na tentativa de afastar o sono, então tornou a reparar os pelos em crescimento, incomodando seu rosto. Nem estavam tão grandes, as pontas louras começavam a salpicar seu rosto, mas ele se sentia um homem das cavernas.

No corredor, encontrou alguns outros rapazes bocejando ainda de sono. Eles fitaram seu rosto com certo estranhamento, notando as marcas arroxeadas do apertão de Terrence. Ignorando os olhares, Oliver os seguiu na fila indiana e se preparou para a revista, foi quando notou que Bruce estava mais a frente. Um sorriso zombeteiro abriu no canto de sua boca.

Bruce preferia não ter levantado naquela manhã calorosa. O sono ainda estava presente em seu corpo e ele precisava segurar alguns bocejos, mas parecia quase impossível, ainda mais quando os rapazes bocejavam perto dele. Fazia-lhes sinal para erguer os braços e abrir as pernas, então apertava seus corpos. Nunca achava nada, mas era necessário. Já havia escutado sobre a criatividade dos garotos daquele lugar tempos antes, até mesmo um galho pontiagudo servia de arma para aqueles que eram incorrigíveis. Por isso, o regulamento obteve alterações e passaram a aceitar apenas crimes leves e até a terceira passagem na polícia. Achavam que era mais fácil prevenir futuros crimes do que corrigir aqueles que já estavam, de fato, inseridos nessa vida.

Alguns rapazes se sentiam incomodados quando eram apertados entre as pernas, outros nem tanto. Bruce não se importava muito, era algo tão automático que ele não tinha tempo de sentir constrangimento em apalpar os outros. Entretanto, quando chegou a vez de Oliver, ele preferiu não lhe direcionar o olhar. Sabia que ele não perderia a chance de tirar proveito da situação.

Percebeu que ele trazia um sorriso maldoso nos lábios e o virou de costas. Apertou sua cintura e foi subindo pelos braços, apalpando cada canto do corpo dele. Desceu para as pernas, apertando uma de cada vez e nada encontrando, como era de se esperar. Então, apalpou-o entre as pernas, de maneira indiferente e automática.

— Pode continuar com a mão por aí... — Oliver sugeriu baixo, dando um riso nasal.

Bruce abriu um sorriso cínico e acertou um tapa em sua nuca, o empurrando para frente, podendo então continuar com a fila da revista. Oliver chiou pela agressão, mas acabou rindo baixo e seguindo em diante. Foi até Roy e pegou o café da manhã, que era a exata mesma coisa do dia anterior. Leite e banana. Enquanto comia sentado sobre o gramado pisoteado, Oliver observava Bruce.

Sentia-se grato pelo que ele fizera. Depois de passar por tanta humilhação, ter alguém que lhe protegeu invés de participar, singificava muito. Na verdade, Oliver não sabia como reagir aquilo. Nunca teve alguém que entrou em sua frente e o manteve a salvo do ataque de terceiros. Todas as vezes que alguém presenciou as humilhações e agressões, simplesmente ignoravam, ou então participavam. Por isso, a ação de Bruce o deixou abobado, já que por mais que tivesse a coragem de provocar e brincar com ele, não sabia se realmente poderia confiar nele. E também, a confiança de Oliver era algo extremamente restrito. Toda pessoa que ele deveria confiar, acabou machucando-o, então a última coisa que ele conseguia nutrir por outro alguém, era confiança. Estava sempre com um pé atrás, sempre esperando pelo pior. E daquela vez, o pior foi parado. Bruce impediu que o machucassem ainda mais e aquilo significava demais para Oliver, de um modo que talvez nem ele mesmo conseguisse demonstrar.

Terrence chegou ao terreno quando terminaram o café da manhã. Estavam alinhando-se nas fileiras quando ele se aproximou, limpando a boca manchada de café. Não demorou e ele começou a ordenar que iniciassem os exercícios de alongamento. Oliver odiava fazer aquilo, mas para evitar outra humilhação, resolveu obedecer.

Ele caminhou por entre os corpos se exercitando, junto de Roy e Bruce, que mais prestava atenção no general do que nos detentos. Percebeu que ele rondava perto de Oliver e sentia uma leve preocupação por isso. Torcia internamente para que o garoto não resolvesse fazer graça. Bruce não gostava nem de imaginar o que Terrence seria capaz de fazer. E ele sequer poderia intervir.

Oliver parecia ignorar a vista grossa do homem, embora notasse sua presença e se irritasse com ela. Evitava até de cruzar o olhar com ele e procurava cumprir os exercícios com mais eficiência.

— Gosto assim, bem quietinho! — alertou com a voz grossa, porém baixa, então se desviou.

O garoto revirou os olhos e quase abriu a boca para responder, porém encontrou o olhar de Bruce, desencorajando-o a continuar.

Terrence veio em direção a Bruce, logo depois, com um sorriso vitorioso nos lábios grandes. Bruce não sorriu de volta. Apenas continuou passando o olhar pelos garotos, principalmente por Oliver.

Havia passado boa parte da noite pensando sobre ele, o que acabou o privando de boa parte do sono. Bruce sentia como se quisesse poupar Oliver daquele tipo de coisa a qualquer custo. Notou que ele parecia bem acostumado a escutar aquele tipo de palavreado e isso incomodava Bruce. Por mais que seu trabalho exigisse certa brutalidade, Bruce nunca concordou com a falta de respeito, muito menos gratuita. E pensar que Oliver se acostumou a ser destratado como um animal de rua era um tanto chocante.

Depois que os garotos terminaram de se exercitar, Terrence os ordenou a ficarem de pé e os conduziu até o campo que roçaram um dia atrás. Precisavam terminar de limpar e arar a terra, por isso Roy e Bruce foram até a casa de ferramentas selecionar os materiais necessários. Ao lado daquele campo ainda havia outro, bem mais amplo e completamente intacto. Os rapazes sabiam que, mais cedo ou mais tarde, teriam de lidar com aquele.

— Vocês precisam terminar de limpar este campo e assim que o fizerem, comecem a plantar! Só irão almoçar quando todo o campo estiver coberto por sementes e muito bem cuidado! — Terrence ordenou, passando o olhar de rosto em rosto. Tinha noção de que só o café da manhã precário não os sustentaria por muito tempo e ia usar isso a seu favor. — Imagino que daqui a pouco os estômagos de vocês comecem a reclamar pela pouca refeição da manhã! Então, façam disso o gatilho para executar a tarefa e assim, quem sabe, aprenderam dar valor ao trabalho árduo, pois é só com ele que vocês vão conseguir se alimentar!

Assim que ele se silenciou, eles se adiantaram até as ferramentas e se prepararam. Alguns conversavam entre si enquanto executavam as tarefas, dividindo-as em partes, o que tornava mais fácil. O problema caía sobre aqueles que não tinham vínculo nenhum e precisavam trabalhar sozinhos, ou seja, a maioria deles.

Precisavam lidar com foices, enxadas, pás e os pesados arados manuais. Porém, os equipamentos estavam envelhecidos e enfurrajados, o que acabava dificultando.

Não tardou e, por conta força utilizada, os rapazes começaram a fazer careta de cansaço. A fome também começava a incomodar no estômago. Contudo, eles estavam cientes das regras e precisavam prosseguir, mesmo que parecesse impossível. Além do estômago roncar de fome, os músculos começaram a apresentar um cansaço que se convertia em dor. Terrence os olhava de longe, sem um pingo de empatia. Roy parecia inerte e Bruce apenas assistia.

O sol continuava a avançar no céu, enquanto eles não tinham concluído nem metade. Decidiram dividir algumas tarefas, para conseguirem agilizar, mas os rapazes cansados que manuseavam o arado deixavam a operação mais lenta. Foi preciso revezar os equipamentos inúmeras vezes, o que enrolou ainda mais.

Terrence observava as caretas que os rostos esboçavam e conseguia escutar alguns comentários de lamento; a palavra fome era a mais dita entre eles. Parecia ter certo prazer em vê-los olhar para o céu, esfregar os rostos sujos de terra, lamentarem e se desesperarem. Um sorriso vitorioso pendia em seus lábios ao assistir os garotos se matando para cumprir a tarefa.

Na reta final, faltando apenas quatro longas fileiras para plantarem e cobrirem as sementes, tudo pareceu impossível. O ritmo, que já estava lento, diminuiu consideravelmente. Alguns dos rapazes, incluindo Oliver, caíam sentados sobre a terra e afogavam o rosto nas mãos imundas. Seus rostos trocaram de cores pela mistura do suor com a poeira. Era preciso que os outros viessem e os ajudassem a se levantar, não porque tinham empatia, mas porque precisavam terminar o serviço juntos, ou ninguém comeria novamente. Os rostos retorcidos em semblantes dolorosos continuaram sua jornada e o que parecia impossível foi concluído. Já era quase uma da tarde quando eles finalizaram o trabalho e foram liberados para o almoço.

Oliver fechou os olhos por um momento, sua boca aberta respirava ofegante. Seu estômago queimava em azia pela fome, seus músculos latejavam. Quando começou a caminhar em direção ao refeitório, sentiu que o caminho até lá parecia infinito.

O ensopado esbranquiçado com o frango quase cru parecia extremamente apetitoso na visão dos rapazes. Pegavam o máximo que podiam em seus pratos e se deliciavam na comida que não tinha nenhum gosto especial, senão de água temperada e sal. Os semblantes logo começaram a apresentar alívio e satisfação. À medida que iam devorando o conteúdo em seus pratos, começaram a sentir-se confortáveis novamente.

Precisavam lavar as próprias louças depois do almoço e então, seguirem de volta até o terreno, onde os oficiais os aguardavam de braços cruzados. Fizeram quatro fileiras de quatro pessoas diante deles e aguardaram as novas ordens.

— Espero que tenham se alimentado bem! — Terrence indagou, o sorriso de prazer não lhe saía da boca. — A comida tem um gosto tão mais especial quando estamos morrendo de fome, não é? Espero que tenham aprendido que tudo o que é resultado de um trabalho duro, é mais saboroso, mais especial!

Os garotos não responderam, apenas permaneceram a encará-lo. Por mais que estivessem saciados, os músculos continuavam a doer.

— Bem, como sou um homem muito bom... — ironizou com uma risada solitária. — Vou dar a vocês uma tarefa mais leve. É simples! Vocês terão de marchar em volta de todo o terreno! — o sorriso de Terrence alargou-se nos lábios ao ver todos os cenhos franzidos a sua frente. Por um momento, olhou para Bruce e Roy e arqueou as sobrancelhas de modo sugestivo, então tornou a dirigir-se aos garotos. — Claro, devem estar se perguntando: quantas voltas? E eu lhes dou a resposta, meus caros delinquentes... Quantas voltas eu quiser!

Bruce coçou a barba, lembrando-se de Margot e o quão ela estaria chateada de presenciar aquela brutalidade. Mais ainda por saber que ele estava ali, participando daquilo. Bruce não concordava e nem discordava dos métodos de Terrence, apenas continuava a assistir e a participar. Esse era o seu trabalho.

Os garotos começaram a marchar pelo terreno, porém estavam completamente fora de ritmo, o que obrigou a intervenção dos oficiais. Andavam lado a lado dos garotos, forçando-os a ajustarem a postura enquanto marchavam. Levantavam rostos que fitavam o chão, corrigiam posturas encurvadas para frente, ajustavam o ritmo da marcha, usando a força quando necessário. Quando eles pareceram aprender um ritmo decente, se livraram das correções.

— Mais força nessa marcha! Estão de salto alto, por acaso? — Terrence gritou, enquanto Bruce deslocava-se até um rapaz alto e corrigia sua postura.

Logo, os corpos começaram a entrar em sincronia e foi bonito ver todos eles marchando na mesma intensidade e sintonia. Era possível escutar as botinas socando contra o solo, esmagando a terra. Os braços alinhados ao corpo, fazendo os movimentos firmes para frente e para trás. As cabeças erguidas, olhando somente para frente. Até mesmo Bruce abriu um sorriso satisfeito ao vê-los ordenados.

Já haviam perdido as contas de quantas voltas deram pelo terreno, mas enquanto Terrence não anunciasse o fim, eles sequer podiam pensar em desistir, por mais que seus pés latejassem. A fome já não parecia ser a inimiga daquela vez, pelo menos para Oliver, que mantinha um ritmo concentrado. Uma pequena dor corria por sua coluna, mas não o incomodava, ele continuava a dar as passadas com firmeza, olhando sempre em frente. Entretanto, ele começou a sentir a parte de trás de suas botas serem pisadas. Como não podia se virar para ver o que estava acontecendo, ele resolveu adiantar duas passadas e ficar mais a frente. Então, de repente, um pé adentrou entre os seus, o desequilibrando a ponto de quase cair. Imediatamente, ele se virou e encarou Luke com um sorriso de escárnio.

— Porra, me erra, infeliz! — esbravejou ao empurrá-lo para longe, bagunçando todas as fileiras.

Luke veio em sua direção, mas Oliver conseguiu desviar. Um agarrou a camisa do outro, mas os oficiais vieram intervir imediatamente. Enquanto Bruce segurou ambos pelas nucas, Terrence tratou de gritar para que os outros continuassem. Assim, voltou seu olhar para Bruce, esperando sua atitude.

— Vocês querem brigar, não é? Então tudo bem, vocês vão brigar! — vociferou irritado para ambos, apertando-os com força. Terrence sorria satisfeito. — Vocês vão brigar para valer e só vão parar quando eu mandar!

Oliver meneou. Ele não ia pagar pela provocação de Luke. Não achava justo. Por isso, sem pensar, tomado pela raiva, ignorou se tratar de Bruce e levou o braço esquerdo até ele, na tentativa de um golpe.

Por um reflexo muito bom, Bruce conseguiu segurar o murro de Oliver antes que acertasse seu rosto. Roy arregalou os olhos, surpreso com aquela reação. Bruce apertou o pulso de Oliver e o olhou dentro dos olhos, dando a chance de desistir daquilo. No entanto, ele não hesitou e tentou acertá-lo com a outra mão, mas antes que conseguisse, levou uma cotovelada no canto do maxilar, que o deixou atordoado. Bruce puxou o pulso esquerdo dele, o que segurava, e torceu-o sobre suas costas. Um ganido de dor escapou dos lábios de Oliver, mas Bruce não afrouxou. Torceu o braço dele o suficiente até que ele entortasse o corpo pela dor e então agarrou seus cabelos com a outra mão. Puxou os fios, forçando a cabeça dele se inclinar em sua direção, podendo encarar o rosto dele e ver que sangrava pela boca.

— Você já lutou comigo uma vez e você apanhou, então é melhor desistir! — murmurou irritado, bem próximo ao rosto dele. Oliver franzia o cenho levemente pela dor, mas continuava a olhá-lo nos olhos intensamente. — Não adianta querer me enfrentar, porque você sempre vai perder e eu sempre vou ganhar!

Oliver abriu um sorriso sangrento e com força, conseguiu deixar seu rosto de frente ao dele, tão próximo a ponto de sentir a respiração dele sobre seus lábios.

— Então eu quero pagar para ver, daddy. — sussurrou malicioso e suspirou, passando o olhar pelos olhos dele até os lábios, tão perto dos seus.

Bruce respirou fundo, fitando o rosto dele, sem reação. Apenas sentia uma estranha tentação crescer em si, o que causou uma tensão entre eles, que logo foi rompida por Terrence.

— Parece que tem alguém que prefere ir pelo lado mais difícil da coisa! — exclamou, encarando o rapaz imobilizado contra o corpo de Bruce. Aproximou-se dele e acertou dois tapas amigáveis em sua bochecha. — Vou realizar seu desejo então, Cherry Bomb!

Oliver forçou contra Bruce, tentando se soltar, mas ele puxou mais seu braço, também soltou seus cabelos para segurar-lhe pelo peitoral, imprensando seu corpo contra o dele. Terrence segurou suas bochechas novamente, dessa vez sem força, mas ainda assim Oliver franziu o cenho pela dor que sentia. Então, ele girou seu rosto em direção ao campo amplo e intacto de mais cedo.

— Você vai capinar e arar aquele campo todo sozinho! — anunciou suavemente de encontro ao rosto dele. — Você não vai poder comer até que termine! Você não vai poder ir ao banheiro até que termine! Você não vai descansar até que termine!

Bruce olhou assustado para Terrence ao escutar o castigo e questionou a si mesmo se não era exagerado demais.

— Quem sabe assim você não aprende a respeitar seus superiores! — concluiu e se afastou. — Bruce, já que ele te adora, é você quem vai vigiá-lo! Ele só vai sair daquele campo com o serviço terminado ou morto! — então, afastou-se e foi até Luke, que também estava abismado, e o empurrou de volta até os detentos que marchavam, mas queriam prestar atenção no que se passava.

Oliver foi empurrado para longe com força por Bruce. Seu braço esquerdo pulsava de dor pela torção e ele quase não conseguia mexê-lo. Logo, Bruce reapareceu por trás e o conduziu a empurrões até a casa de ferramentas para buscar os materiais. Esperou qualquer tipo de provocação, mas quando reparou em seu semblante, notou o desespero. Mas não conseguiu sentir pena. Oliver era inteiramente culpado pela punição que estava prestes a cumprir e teria de lidar com isso.

Assim que chegaram em frente ao amplo campo, Bruce jurou ter visto os olhos de Oliver lacrimejarem.

— Desculpe... — murmurou, sem coragem de olhá-lo.

Bruce suspirou parecendo chateado.

— Meio tarde para pedir desculpas, não acha?

Oliver não respondeu, apenas seguiu em frente. Pegou a enxada e foi até a extremidade do campo, começando a socar o equipamento contra o chão. Bruce cruzou os braços e respirou fundo, também era uma punição para ele. Tanto por ter que vigiar Oliver quanto por ter que aguentar vê-lo passar por aquela brutalidade.

Ele começou em um ritmo bom, mas o braço esquerdo continuou a repuxar pela dor e dificultou tudo. Oliver mal conseguia sustentar a enxada, precisava fazer mais força com o braço direito para conseguir equilibrar e acertar o solo de maneira eficiente. O problema era que toda vez fincava no solo e recebia o impacto, a dor parecia ser maior, então todo movimento executado era acompanhado de um breve ganido doloroso. Bruce notava a dificuldade dele e lamentava internamente. Não negava que Oliver merecia sim ser punido, mas não conseguia não sentir pena ao escutá-lo grunhir de dor.

Inúmeras vezes, Oliver largou a enxada e sentou-se o solo. Olhava para cima e quase gritava. De raiva, dor, cansaço e tristeza. Nesses momentos, Bruce precisava tentar motivá-lo de qualquer maneira para que não desistisse.

— Levanta, Oliver! Ficar sentado e se lamentando não vai adiantar de nada! — gritou para ele em certo momento ao vê-lo arrancar a camisa com raiva, cair sentado e afogar o rosto nas mãos. — E veste essa camisa!

— Vai se foder, Bruce!

Bruce riu baixo e olhou para os lados. Ao fundo, Terrence começava outras tarefas junto dos rapazes.

— Se você conseguir terminar antes de anoitecer, te farei um strip-tease. — sugeriu irônico e conseguiu escutar a risada de Oliver.

— Se eu terminar isso aqui antes do anoitecer, você teria que me fazer o serviço completo! — respondeu e começou a se levantar. — Strip-tease não é mais que sua obrigação, até porque você já me viu nu e me apalpa quase sempre!

— Tudo bem, prometo pensar com carinho! Agora, mexa essa bunda!

Oliver riu baixo, mas assim que voltou a executar sua punição, o sorriso sumiu de sua face. Por mais que Bruce continuasse a incentivá-lo, não parecia o suficiente. Sempre que olhava para frente e encarava todo aquele campo intacto, tinha vontade de escolher a segunda opção que Terrence lhe dera: morrer.

A tarde foi avançando e Oliver conseguiu progredir bastante. Estava começando a usar o arado, quando a fome começou a apertar seu estômago novamente, e seus músculos, além do braço dolorido, latejarem de dor e cansaço. O equipamento era pesado e exigia uma força que um dos seus braços não podia suprir, por isso o outro braço não tardou a incomodar também.

Quando tinha concluído mais da metade da tarefa, Oliver reparou a chegada de alguém. Bruce também notou a visita inesperada e abriu um sorriso para cumprimentar Ginger, que se aproximava deles.

— Espero que esteja fazendo o trabalho direitinho, Oliver! — ela falou alto para ele assim que se aproximou de Bruce.

— Claro que estou! Bruce me prometeu um strip-tease quando eu terminar!

Ela abriu um sorriso e se virou para Bruce.

— Assim não tem como recusar, não é? — comentou maldosa, olhando o oficial.

— Ainda estou cogitando a ideia, mas se você continuar tagarelando invés de trabalhar, vou ser obrigado a desistir da ideia! — Bruce anunciou alto, provocando risadas em Ginger.

— É melhor voltar ao trabalho então, Oliver! — ela aconselhou.

— Só porque a ruivinha pediu, viu Bruce?

— Até parece que você gosta, Cherry Bomb!

Oliver deu uma risada fraca, pelo cansaço.

— Ciumes?

— Com certeza! Gosto quando só eu posso mandar em você, e você obedecer quietinho!

Eles riram e Oliver deu de ombros, continuando o trabalho como Bruce dissera; quieto. Então, ele dirigiu-se a oficial ao seu lado.

— Veio trazer mais jovens? — perguntou-a.

— Trazer e buscar! Alguns foram liberados por boa conduta, mas não foi o caso do bonitinho aí! Terrence me contou sobre ele, parece que se apaixonou por você! — ela abriu um sorriso brincalhão. — O que não me parece muito difícil.

Bruce resolveu ignorar aquilo e suspirou, cruzando os braços.

— Quem veio trazer? — mudou o assunto e focou o olhar em Oliver, que coçava o tronco nu e se sujava inteiro de terra, parecendo uma criança lambona. Teve vontade de rir ao vê-lo daquela maneira.

— Bem, Terrence pediu para não te contar, mas... Ah, Rogers, eu não concordo com isso! — desabafou soltando um estalo com a língua. Bruce voltou a prestar atenção nela.

— O que quer dizer com isso?

— O garoto foi preso por agressão e injúria racial, mas não é só isso... — explicou, fazendo uma careta. — Ele tem acusações de estupro e assédio!

Bruce franziu o cenho, incrédulo.

— Como é? Como que ele foi transferido para cá?

— Não há nenhuma prova, mas o Terrence ligou ontem para o delegado e insistiu tanto que trouxessem qualquer tralha que tivéssemos lá, que o Martin acabou cedendo e mandando o Maxwell!

Ele meneou firme, reprovando.

— Isso não está certo! A Fraternidade Maus Elementos não pode receber nem mesmo crimes de média escala, imagine crime hediondo! Isso está previsto na lei! — contestou inconformado.

— Eu sei e tentei dizer isso ao Martin, mas ele quebrou um pau no ouvido! Você sabe que ele e o Terrence vivem babando o ovo um do outro!

— Se fosse para a FME receber qualquer tipo de crime, era mais fácil transformar em presídio de uma vez! — esbravejou, coçando a barba. — Quantos anos o moleque tem?

— Dezesseis.

— Então ele tem idade para responder e ser punido por crime hediondo!

Ela concordou.

— Eles dizem não ter provas, mas ignoraram o registro de acusação, Rogers! Eles sequer continuaram as investigações! E agora, foi ignorado que ele foi acusado por isso!

Bruce estalou os lábios e massageou a própria testa, aborrecido.

— Bem, mudando de assunto! — Ginger puxou a atenção dele. — Encontrei Margot esses dias! Ela está linda!

Ele a encarou, surpreso.

— Ela disse que está com saudades de você e que não vê a hora de você voltar! — Ginger concluiu com um sorriso nos lábios.

— Pelo visto a distância não foi de todo mal, não é? — ele deu de ombros, sustentando um sorriso fofo nos lábios.

— Bem, agora eu preciso ir! E, sobre o Maxwell, tenta conversar com o Terrence, quem sabe ele não te escuta?

Quando despediu-se de Ginger, notou que já estava anoitecendo. Então, voltou a prestar atenção em Oliver, que parecia não aguentar mais. Observou-o cair no chão, praticamente exausto, sem saber o que fazer.

Precisava conversar sério com Terrence sobre aquela atitude errada, mas não poderia deixar Oliver sozinho. Contudo, também não sabia se poderia liberá-lo, mas ele não aguentaria continuar e logo o corpo sucumbiria ao cansaço. Então, caminhou até ele e estendeu-lhe o braço de apoio para se levantar.

— Vá para o banho! — falou, fazendo força para conseguir erguê-lo de pé. Ele estava frouxo de tão cansado. Até tentou dizer algo, mas parecia não ter força nem para isso. — Ande! Eu preciso falar com o Terrence! Não quer que eu te carregue no colo, quer?

Oliver o olhou, quase suplicando por aquilo, porém Bruce o deixou sozinho. Estava tão destruído que cogitou, seriamente, a ideia de ir se arrastando até o vestiário.

Notas finais
Oliver às vezes passa dos limites também, mas não vou negar, adorei ele chamando o Bruce de daddy -v- Bem, espero que tenham gostado e até o próximo. ♥