Bad Reputation
2 Chapter 2
Notas iniciais
O sol daquela manhã já indicava o calor infernal que as pessoas de Arcadia enfrentariam. O raios já atingiam a cama através da janela, obrigando o casal a acordar e já não era sem tempo, eram quase oito horas e ambos tinham coisas a fazer.
Margot girou o corpo de encontro ao do marido, que olhava para o teto. Ele estava sem camisa, exibindo o peitoral forte. Passava os dedos sobre os cabelos e depois coçava a curta barba. Às vezes, ela se perdia na beleza que ele tinha. Sentia falta do corpo dele, mas não conseguia sentir o mesmo desejo. Torcia muito para que quando Pietro nascesse, ela pudesse olhar para o trajeto que os pelos formavam da barriga até a virilha dele e sentisse todo o ardor novamente.
Bruce virou o rosto em sua direção e sorriu singelo, mas antes mesmo que pudesse cumprimentá-la, ela se ergueu. Ele suspirou firme e se contentou em levantar também. Seguiu-a com olhar, vendo entrar no banheiro e decidiu se vestir enquanto esperava. Como todas as regatas cinzas estavam dentro da mala, ele usou uma preta qualquer, afinal vestiria a jaqueta da farda por cima. Vestiu a calça azul escura e ajeitou o cinto de utilidades. Encarou a arma e encaixou-a na cintura. Teria de se desfazer dela, pois não se podia usar armas na Fraternidade.
Ela saiu do banheiro com os cabelos penteados, uma maquiagem para esconder olheiras e o longo vestido preto para trabalhar. Olhou para o marido se arrumando e passou por ele, notando o quão ficava bonito de farda. Nunca foi uma mulher que se interessava por homens fardados, mas Bruce era uma exceção. Ele ficava lindo de qualquer maneira, mas de farda era capaz de arrancar suspiros longos e apaixonados de qualquer uma, ou um. Não podia negar que estava sentindo um pouco de ciumes por ficar tanto tempo longe dele. Ele seria do trabalho, de inúmeros garotos infratores em tempo integral e ela ficaria sem ele. Parecia injusto.
Deixou com que ele fosse ao banheiro e foi para a cozinha preparar o café. Conforme andava percebeu que sua coluna doía mais que o normal, por isso decidiu usar sua licença maternidade. Iria até o trabalho só para isso, mas não comentaria nada com Bruce. Era possível que teriam mais uma discussão e ela não se sentia em um bom dia.
O café estava quase pronto quando ele chegou, já arrumado. Pegou uma maçã verde da mesa, sua fruta favorita, e deu uma boa mordida. Margot vinha trazendo os copos com café e percebeu que ele lhe olhava fixamente. Não devolveu o olhar e não falou nada. E foi assim o café da manhã inteiro, Bruce só interrompeu o silêncio quando Ginger ligou para seu celular avisando que estava o esperando para partir. Terminou de comer a maçã e recolheu as chaves do carro em cima da mesa. Sem escolhas, Margot deixou de comer o restante do pão integral e o seguiu para pegar a carona.
Eles já estavam dentro do veículo quando Bruce lembrou que havia esquecido a mala. Margot revirou os olhos entediada e suspirou, esperando-o retornar. Ele jogou a mochila cheia no banco de trás, sem ligar para a bagunça entre casacos e objetos.
— Esse carro está uma bagunça! — Margot comentou baixo, quase que só para si, mas Bruce escutou, só escolheu não responder.
Seguiram um trajeto silencioso pela estrada, sequer olhavam um para o outro. Isso preocupava Bruce. Chegaram no ponto que ele temia. Enquanto estivessem discutindo e brigando, tudo estava bem, afinal significava que se importavam com alguma coisa e a cobravam. O silêncio era pior, pois vinha acompanhado de semblantes debochados e irritadiços de Margot, como se ela soubesse o que estava errado, mas se recusava a falar, evitando o contato com ele. Mesmo sabendo o quão isso era grave para um casamento, Bruce não se preocupou em consertar. Estava cansado de tentar mudar as coisas sozinho enquanto ela só retorcia os lábios ou reclamava.
Deixou-a na porta do fórum e teve a expectativa de receber qualquer cumprimento, fosse "tenha um boa viagem" ou até "passar bem". Mas ela apenas abriu a porta, então ele foi obrigado a chamar sua atenção.
— Não vai falar nada? — perguntou sério.
Ela o olhou indiferente.
— Já te falei tudo o que tinha para te falar, Bruce, mas se faz questão... Tenha um ótimo dia. — resmungou fechando a porta e o deixando sozinho.
Bruce comprimiu os lábios, irritado. Socou o volante e deu retorno, indo direto para a delegacia.
Quando chegou lá, encontrou Ginger na porta, arrumada como uma verdadeira patrulheira. Teve vontade de rir, ela ficava engraçada com aquela roupa engomada, mas preferiu ficar quieto. Assim que estacionou o carro, pediu para o rapaz da baliza levá-lo até o fórum, pois Margot iria precisar do veículo. Ele anuiu, um pouco hesitante em ter de voltar andando.
Ginger abriu um sorriso imenso ao vê-lo se aproximando com a mochila nas costas. Mesmo que trouxesse um semblante irritado, ele estava belo, como sempre estava.
— Demorei? — ele perguntou ao chegar perto dela e começarem a andar juntos para dentro da delegacia.
— Não muito. Aconteceu algo?
Ele a olhou com as sobrancelhas erguidas.
— Margot aconteceu.
Ela deu um riso desajeitado e deixou com que ele fosse largar a arma e os pertences. A partir dali, seria ele e suas roupas. Ela aproveitou e foi até a cela provisória, buscar os rapazes.
Eram apenas três, entre eles Oliver. Todos eles expressavam olhares trêmulos e nervosos. Ela abriu a jaula e ordenou que saísse ordenadamente, um atrás do outro. Então, levou-os até a entrada e os fez sentar na recepção. Nesse tempo, Bruce já estava de volta.
Lia as fichas criminais dos rapazes brevemente. O primeiro, chamado como Luke Rick era preso por assalto à mão armada, mas não era sua primeira vez, já tinha outras passagens por pequenos furtos. Era um rapaz magricela, branquelo e alto, com a cabeça raspada e sobrancelhas cheias de falha. Seu olhar castanho era pavoroso, o nariz adunco e lábios comprimidos. O segundo, um rapaz franzino, conhecido como Freddie Park, preso por porte ilegal de armas, era sua primeira vez, porém foram apreendidas quase vinte armas diferentes em sua casa. E por último, e não menos interessante, ficava Oliver. Bruce deu maior atenção para a ficha dele, notando que sua vida não era uma coisa fácil em relação aos outros, que mesmo sendo pobres, não foram judiados e tinham mordomias que o outro já não conhecia. Oliver havia perdido a mãe quando tinha nove anos e desde então, ficou nos cuidados de seu pai, que pelo visto, não era das melhores companhias.
Passou o olhar avaliativo para os rapazes que entravam na viatura com a ajuda do intendente e virou-se para Ginger.
— Eles parecem nervosos. — comentou, cruzando os braços fortes na frente do corpo.
— E não é para pouco, eu também estaria... — ela deu de ombros e depois estalou os lábios, olhando para Oliver. — Olhe esse Oliver, tão bonito e jovem, já é um bandidinho...
— Ele não é um bandido, Ginger! Ele é só um rapaz que cresceu em um lar desestruturado, sem mãe e com um pai irresponsável. — Bruce corrigiu, apontando a ficha criminal do rapaz.
O intendente escutou a conversa e se aproximou.
— E homofóbico. — completou, ficando de frente aos oficiais.
— Como assim? — Bruce questionou, franzindo o cenho.
— Entendi porque ele não queria que chamasse o pai dele ontem. — ele suspirou, levando o olhar até o rapaz dentro do carro. — Logo que viu o rapaz preso, a primeira coisa que disse era que não bastava ter um filho viado, ele ainda era bandido. Disse até que torcia pra ele sofrer bastante, talvez assim ele virasse homem de verdade.
Bruce menou, reprovando aquilo com irritação.
— Ai, como um pai pode falar isso para o próprio filho? — Ginger indagou apavorada. O intendente deu de ombros, parecendo tão chateado quanto eles.
— Com um pai desse não me admira que tenha tentado a vida do crime. — Bruce suspirou.
— Mas é um desperdício, não é? Ele ser gay... tão lindo!
O intendente sequer respondeu, apenas assentiu e desejou boa viagem.
— Ginger, não começa também. — Bruce repreendeu-a e seguiu para o carro, com ela logo atrás.
Ele se sentou no banco do carona e a esperou dar partida. Passou o olhar no espelho retrovisor, analisando os rostos assustados e suspirou. Bruce estava se sentindo um prisioneiro também, indo para um local como aquele.
Ginger tentou puxar algum assunto com ele durante o caminho, mas ele não parecia muito animado. Estava preocupado, pensando em como seriam as coisas dali em diante. Não sabia quanto tempo ficaria no acampamento. Quanto tempo ficaria sem ver Margot. Por um lado, achou que essa distância seria boa. Os afastaria por um bom tempo e talvez a saudade os ajudasse a recuperar o que haviam perdido. Entretanto, Bruce conhecia bem a esposa que tinha. Era bem provável que ela criasse ainda mais paranoias quando ele retornasse.
A Fraternidade Maus Elementos, era um acampamento que agia como uma medida preventiva para futuras mentes criminosas, recebendo infratores de doze a dezessete anos e apenas de crime de leve escala. Ficava na parte mais isolada da cidade e ao lado oposto do presídio. Era quase como uma área rural. Conforme o carro avançava até o acampamento, era possível ver campos com algumas lavouras e gados. Não era tanto quanto as cidades mais ao interior, entretanto ainda era bem rural. Também havia uma boa parte florestal, pela qual eles adentraram numa trilha espreita, rodeada por árvores coníferas que traziam um aroma especial de floresta, o que trouxe uma sensação nostálgica a Bruce, pois seu pai sempre o levava para acampar e fazer trilhas naquele tipo de floresta quando era um menino ainda.
O acampamento em si ficava em uma área desmatada legalmente, justamente para sua existência. Era cercado com grades e cercas elétricas, trazendo um aspecto de presídio. Haviam mais de seis casas grandes de madeiras no território. Duas eram para o dormitório dos menores infratores. Outro era o dormitório dos monitores, ou seja, dos oficiais. Dois mais ao fundo eram as casas de banho, um pequeno para os monitores e o maior para os detentos. A casa maior que ficava logo a frente, era quase como o gabinete do general que tomava conta do lugar. Perto dela, tinha uma pequena cabana, a qual os detentos recebiam palestras e assistiam filmes educativos. Também havia a casa de ferramentas, o refeitório e de revista, a qual todo detento recém chegado deveria passar por lá. O restante do território era dividido em área para serviços que os detentos precisavam cumprir e as áreas de exercícios.
Quando chegaram, um homem bruto os esperava na entrada. Era alto, forte e de pele negra. Tinha um rosto severo, com barba espessa cobrindo metade do rosto e cabelos aparados em um corte militar curto. Seus olhos eram escuros e pequenos, o nariz largo e lábios avantajados. Rick Terrence não era um verdadeiro general, mas tinha o porte de um.
— Rogers, me dê uma boa notícia e diga que ficará conosco esta temporada! — Terrence suplicou alegre ao ver o homem se aproximar, enquanto Ginger levava os rapazes para dentro.
Bruce estendeu o braço até ele e se cumprimentaram fervorosamente.
— Queria poder dizer que não, mas... Estou às suas ordens, general!
Ele parecia extasiado com a notícia.
— É tão bom termos um oficial competente nessa porcaria! O delegado te contou o aproveitamento que estamos tendo disso aqui? — Bruce anuiu. — Só conto com a ajudar de Roy e bem, você sabe como ele é! Um lacaio covarde! Não tem coragem de elevar o tom de voz com esses delinquentes!
Bruce concordou, não tinha outra escolha. Ginger acabava de chegar, toda pomposa.
— Bem, eles já estão prontos para serem recebidos! — anunciou.
Terrence olhou para Bruce.
— Seu presente de boas-vindas, Rogers! Se lembra de como era no presídio? Bom, vá lá e faça o trabalho duro enquanto eu cuido da burocracia!
Bruce assentiu e se despediu dos oficiais ali, seguindo para o acampamento. Recebeu os olhares de alguns rapazes, alguns deles havia sido o próprio Bruce a prendê-los, podia se recordar de alguns rostos.
Já havia passado pelo presídio quando se formou. Precisava ficar de guarda no banho de sol, cuidar da revista diária e de novos detentos. Os obrigava a ficarem nu, exibirem o corpo e pular de um pé para o outro. Depois, precisavam dar-lhes uma ducha especial. Quando conheceu Margot e contou o que tinha de fazer, ela achou super constrangedor. Bruce nunca havia parado para pensar em como se sentia lidando com rapazes nu. Não entendia o que tinha de tão constrangedor naquilo.
Encontrou o oficial Michael Roy no caminho, dispensando os rapazes para a recreação. Era mais baixo e atarracado, tinha a pele queimada de sol, bem avermelhada. Não tinha cabelo algum sobre a cabeça que parecia um ovo. Seus olhos eram bem redondos e suas íris amarelados como as de um gato. O nariz pontudo e grosso. Boca rígida e retorcida. Bruce o conhecia desde muito tempo e sabia que Terrence tinha razão ao chamá-lo de covarde. Conversaram durante o caminho e quando chegaram a casa de revista, Bruce pediu que preparasse os garotos para serem chamados.
A casa era dividida em duas partes, uma para os bancos, onde os rapazes estavam sentados esperando, e a outra, parecida como uma sauna bem ampla. Bruce passou pela entrada e olhou os três sentados, notando-os temerosos. Foi até Roy e pegou as fichas. Quando chegou a segunda parte, pegou as luvas pretas que estavam sobre a mesa e vestiu-as. Então, respirou fundo e pediu Roy para chamar o primeiro, em ordem alfabética.
Freddie Park adentrou o lugar nervoso. Bruce podia ver suas mãos tremendo. Apalpou todo seu corpo na revista de roupas, fez todo o questionário que era preciso, pediu seus pertences que estavam nos bolsos e então pediu que tirasse a roupa e obedecesse todo o procedimento. O rapaz estava agoniado, mas acabou obedecendo todas as ordens. Depois, recebeu sua ducha especial e seu novo uniforme, uma blusa de manga curta e branca, uma calça de moletom cinza, acompanhada de mais um casaco moletom da mesma cor, para dias frios.
Depois, foi a vez de Luke Rick. Este já não estava tão nervoso, parecia entendiado. Bruce não se preocupou, apenas continuou lidando com o rapaz normalmente. Questionando se precisava de algum medicamento ou se era dependente químico. O fez se despir e deu sua ducha, depois entregou seu uniforme.
Oliver esperava ansioso do lado de fora, sem saber o que o esperava dentro da cabine. Quando Roy chamou seu nome, sentiu um arrependimento crescente em seu interior. Adentrou o lugar e encontrou Bruce, o encarando de braços cruzado, isso lhe trouxe uma espécie de agitação.
Ele se aproximou sem rodeios e ergueu seus braços. Começou a apertar seu corpo, como se procurasse alguma coisa. Oliver abriu um sorriso ao sentir as mãos fortes do homem. Já tinha passado por revista inúmeras vezes, mas nenhuma como aquela. Por mais que se sentisse nervoso, não podia negar a satisfação de ter Bruce fazendo aquilo. Quando ele terminou e fitou seu rosto, Oliver arqueou a sobrancelha esquerda, sugestivamente.
— Bem, vamos lá... — Bruce suspirou, colocando os pertences de Oliver, uma carteira e chaves, na sacola plástica. Então, virou-se para ele. — Usa algum medicamento?
— Não. — respondeu, o olhando de volta.
— É dependente de algum tipo de droga?
— Não.
— Tem alguma doença específica?
— Não.
Bruce anuiu, notando o olhar fixo do rapaz.
— Tire suas roupas. — ordenou sem delongas e então o viu hesitar.
— Para quê? — Oliver sentiu o verdadeiro nervosismo diante da ordem.
— Porque eu preciso fazer outra revista. — explicou paciente.
Oliver desviou o olhar.
— Você acabou de me revistar...
Bruce franziu o cenho diante da hesitação.
— Está com medo de tirar a roupa na minha frente? — perguntou e recebeu o olhar do rapaz. — Engraçado, ontem não teve medo de me agarrar por trás e muito menos de elogiar meu traseiro.
O rapaz de um riso falso e fez uma careta de sarcasmo. Bruce respirou fundo, fitando-o.
— Tire as roupas ou eu vou aí e tiro para você! — ordenou com a voz grossa.
Um sorriso maldoso abriu-se nos lábios de Oliver.
— Oh, acho que escolho a segunda opção. — arriscou malicioso.
— Ah, que bonitinho. — Bruce forçou um sorriso. — Agora tire a roupa.
Sem escolhas, Oliver começou a retirar o suéter cinza escuro e depois entregou a peça para Bruce. Seu olhar permanecia de encontro com o de Bruce. Depois, foi a vez da regata branca ser retirada e ele revelou o peitoral forte e definido, sem pelo algum. Desamarrou os tênis baixos e arrancou as meias. Desabotoou a calça jeans clara e rasgada, tirando-a, ficando apenas com a boxer vermelha listrada.
— A roupa toda!
Ele hesitou um pouco, mas acabou retirando-a, ficando totalmente nu na frente de Bruce. Então, não foi capaz de manter um contato visual com ele, e isso não passou despercebido. Bruce notou um certo nervosismo no rapaz que parecia estar se divertindo até então.
— Agora, se vire. — pediu.
Oliver piscou seguidas vezes e seus lábios ficaram entreabertos, como se estivesse até mesmo com medo. Lentamente, virou-se de costas ao oficial e fitou a parede de madeira. Seu coração estava acelerado. Tinha péssimas lembranças de ficar nu na frente outros homens.
— Curve-se.
O rapaz pareceu hesitar de vez, Bruce notou que ele apertava os punhos. Estava pronto para perguntar se ele estava com medo, mas Oliver obedeceu rapidamente.
— Preciso que pule. Três vezes em cada pé! — ordenou, afastando-se dele.
— Pular? Não vou, não!
Bruce foi obrigado a se aproximar dele, novamente.
— É melhor começar agora ou eu vou te fazer pular e você não quer saber como! — ameaçou-o.
Oliver bufou e começou a pular, porém estava com as mãos segurando o membro desnudo.
— Pode tirar a mão daí, quero ver isso aí pulando junto!
— Te excita?
Bruce deu de ombros.
— Talvez sim! Agora, continue pulando. Se você parar, você não vai querer ter feito.
Enquanto Oliver continuava a pular, Bruce foi até o canto direito da sala, recolhendo uma mangueira grande. Chamou a atenção de Oliver e antes que ele pudesse reclamar, Bruce abriu o registro e o jato de água gelado atingiu seu corpo nu como uma pancada. Ele foi capaz de escutar o rapaz lhe xingar e abriu um sorriso satisfeito.
Depois de quasse afogá-lo no jato de água, jogou para ele uma toalha pequena e então, foi buscar no outro canto o uniforme. Quando o rapaz terminou de se vestir, Roy apareceu na porta.
— Bruce, o general está esperando para fazer as honras da casa. — Roy anunciou, ignorando os modos de chamar outro oficial pelo sobrenome, o que chamou atenção de Oliver, pois era a primeira vez que escutava o primeiro nome de Bruce.
Roy encaminhou Oliver para fora, enquanto Bruce terminava de guardar as roupas dos rapazes em um dos armários na sala. Então, retirou as luvas e a jaqueta da farda. Estava ensopado de suor.
Oliver ficou ao lado dos outros menores e os encarou brevemente. A sua frente estava o general Terrence, com o olhar severo os avaliando. Assim que Bruce se aproximou, com os braços fortes em evidência, Oliver quase não conseguiu prestar atenção no que o general começou a dizer.
— Eu poderia dizer que estou triste por ter mais membros junto de nós nessa temporada, mas... eu estaria mentindo! — a voz de Terrence soava como um trovão, mas ainda fazia alguns dos outros detentos que assistiam darem risadas baixas. — Estou sempre disposto a receber garotos novos, ainda mais que dessa vez teremos um oficial novo entre nós. Acredito que muitos de vocês não estão nem um pouco felizes de reverem o Sr Rogers, mas vão ser felicitados com sua ilustre presença e, claro, doutrinação!
Bruce não esboçou emoção alguma ao ser tratado daquela maneira, apenas cruzou os braços na frente do corpo, exaltando os músculos. Olhava para Terrence quando notou o olhar fixo de Oliver em si e então o fitou de volta. Não conseguiu decifrar o que significava aquele olhar e Oliver desviou-o.
— Aposto que alguns de vocês já tenham escutado falar desse lugar e que a prisão é melhor do que esse tratamento! Pois eu lhes digo a verdade! Vocês não querem chegar na prisão, ao menos, não desejem isso! Iram passar por momentos extremos aqui, que exigirão força, trabalho e resistência, mas isso não é nada do que passaram na cadeia, quando dois brutamontes te cercarem no vestiário e estuprarem o rabo de vocês, ou então, quando não forem espancados pelos próprios colegas de cela ou policiais. — vociferou, não só para os três a sua frente, mas para todos que estavam em volta. — Aqui vocês vão aprender, espero eu, a dar valor ao trabalho duro e que o crime não compensa. Não há caminho fácil para nada. E, com sorte, nunca mais vão ver nossas caras novamente. A não ser que escolham o caminho da cadeia mais uma vez, então eu ficaria prazeroso de assistir a ruína de vocês!
Os três rapazes assentiram e escutaram Terrence chamando o restante de detentos, dando-lhes ordem para a tarefa de exercícios diária. Deu autoridade a Bruce para que tomasse a liderança, queria ver como ele se saíam.
Colocou os rapazes para fazer flexões. Ao total, eram dezesseis. Muito menos do que a Fraternidade Maus Elementos estava realmente acostumada a abrigar, tudo isso porque o governo parou de investir no lugar e as coisas ficaram precárias.
Bruce reparou no rapaz que ainda estava de pé, se recusando a fazer os exercícios. Era Oliver.
— Oliver, é melhor deitar nesse chão e começar a fazer essas flexões ou vou ai te obrigar, pessoalmente. — rugiu em direção a ele.
Ele riu debochada.
— Estou morrendo de medo... — provocou irônico.
Tanto Terrence quanto Roy olharam para Bruce, esperando sua atitude. Ele se deslocou até o rapaz, que o olhava desafiador.
— É a última vez que vou repetir...
— Ou então, o quê, Bruce? — Oliver entonou uma voz ainda mais provocativa ao proclamar seu nome. Os oficiais que observavam, arquearam uma sobrancelha diante da coragem do garoto.
Bruce abriu um sorriso de escárnio, admirando a audácia de Oliver. Depois de um breve instante, segurou-o pelos ombros e passou-lhe uma rasteira com a perna, derrubando o corpo dele no chão com um baque doloroso. Escutou um grunhido de dor bem baixo e apontou o dedo para ele.
— Se eu te ver em pé de novo eu vou te derrubar com um murro nesse sorriso cínico!
Oliver franziu os lábios, sentindo a dor do tombo incomodar suas costas. A contragosto, virou de bruços e começou a fazer os exercícios.
Enquanto Bruce retornava a rondar em volta dos rapazes se exercitando, Roy contou as provocações de Oliver para com Bruce que escutou na revista. Terrence deu uma risada baixa.
— Parece que você arrumou uma tiete. O garoto te odeia. — Roy comentou quando Bruce se aproximou de novo.
— Não me odeia, não. Ele é só um Cherry Bomb*. — ele meneou, passando o olhar por Oliver novamente.
— Belo apelido, inclusive. — Terrence admirou e então, deixou os homens rindo e voltou ao gabinete.
Os rapazes alternaram os exercícios entre flexões, abdominais e alongamentos. Alguns pareciam reclamar de cansaço, mas Bruce os forçava a continuar. Roy apenas observava, como se fosse um espectador e não um oficial em serviço.
Depois de um longo tempo, os rapazes foram liberados para o almoço, a qual Bruce e Roy também participaram. O refeitório era bem grande, com três mesas longas, uma bancada no fundo com as comidas e um cozinheiro contratado que só comparecia duas vezes na semana, para preparar a comida e deixá-la no congelador. Era um macarrão branquelo e sem tempero, que fez Bruce sentir falta até mesmo da cantina da delegacia. Entretanto, a fome dele e dos outros rapazes era tão grande, que não puderam reclamar.
Terrence os esperava do lado de fora quando o almoço terminou. Oliver tinha a sensação de estar sempre nu perante seu olhar, o que lhe incomodava. Percebeu que preferia quando era Bruce a falar as coisas. Além de ser mais bonito de se ver, Oliver tinha a chance de provocá-lo. Até porque, não tinha coragem de contestar Terrence. E quanto a Roy, ele já tinha notado a falta de competência no oficial. Então, decidiu que se divertiria o máximo que poderia com Bruce, já que ele parecia disposto a brincar de volta.
Havia algo em Bruce que chamava a atenção de Oliver. Talvez fosse a beleza e o fato de Oliver ter atração por homens, mas ele sentia que não era só isso. Não sabia desde quando começou a perceber aquilo, só sabia que queria ter a atenção dele, provocando ou implicando. Também quase não conseguia retirar o olhar dele, sabia que ele percebia isso e não tinha vergonha de permanecer o olhando quando ele olhava de volta.
Ganharam o trabalho de limpar o campo que, futuramente, plantariam uma lavoura. Precisavam cortar a grama que cobria e retirar entulhos da terra. Olivier até pensou em arrumar mais motivo para provocar Bruce, mas Terrence pareceu ficar grudado em si o tempo todo.
— Eu não vou fugir, não precisa ficar em cima de mim o tempo todo! — falou em certo momento, irritado com a vigilância.
— Não é isso, só quero ver se tem culhão para me provocar também. — Terrence arqueou as sobrancelhas.
Oliver parou de roçar o campo e apoiou o braço na foice. Os outros rapazes pararam o que estavam fazendo e deram-se a escutar.
— Achei que Bruce podia lidar com isso sozinho, mas pelo visto, ele precisa de proteção. — respondeu cínico.
— Não toleramos esse tipo de atitude aqui e eu espero que saiba disso e trate de fechar as asinhas, ou iremos cortá-las. — vociferou bem perto dele.
Oliver estava prestes a responder, mas Bruce o segurou por trás e o empurrou para longe. Com apenas um olhar em sua direção, fez com que ficasse quieto.
— Eu lido com ele, Terrence, não se preocupe. — sugeriu e depois olhou para Oliver. — Vai ser divertido.
— Você também gosta, seu filho da puta! Parece que sente tesão em ter motivo pra judiar desses moleques! — Terrence riu para Bruce e riu ainda mais ao ver a expressão irritada de Oliver.
— Está começando a parecer minha esposa, Terrence! — comparou com uma risada e fez sinal com a mão para que os infratores continuassem a trabalhar.
Terrence gargalhou diante daquilo e acertou tapas amigáveis nas costas forte do oficial.
— Cuidado para ela não ficar com ciumes do seu Cherry Bomb.
Ambos riram e continuaram a conversar sobre o detentos. Bruce descobriu que a maioria deles eram de famílias pobres, filhos de prostitutas e pais abusadores. Foi impossível não lembrar de Oliver. Bruce pegou-se olhando para ele e sentindo certo alívio de trazer ele para ali. Talvez fosse seu instinto de policial protetor, mas sabia que ele estava mais seguro ali do que com seu pai. Principalmente, porque tinha a sensação de que Oliver só cometera o crime por conta do pai. Já havia lidado com garotos como ele, que vieram de uma família sem maternidade e figuras paternas péssimas. Algum deles tinham solução, outros nem tanto. Bruce esperava, de verdade, que Oliver fosse um dos que tivessem solução.
Já estava quase anoitecendo e assim que terminaram o trabalho braçal, foram levados até o vestiário para tomarem banho. Oliver sentiu uma extrema felicidade em saber que não tomaria outro jato de mangueira no rosto como se fosse um bicho. No entanto, quando ligou a torneira do chuveiro, quase deu um grito. A água era extremamente gelada, ainda mais do que a da mangueira. Seu corpo quase chacoalhava pelo frio, mas não era o único. Todos os rapazes pareciam quase congelar embaixo daquela ducha de gelo. Tratou de tomar banho rápido e se vestir. Quando seu corpo aqueceu-se no moletom, ele soltou um suspirou prazeroso.
Foram escoltados por Roy e seu silêncio covarde até uma cabana toda verde. Oliver notou que não era o único a fazer provocações naquele lugar, entretanto era o único que mexia com Bruce e sentiu-se superior por isso. Os outros procuravam zombar de Roy, chamando-o de coisas que incomodavam Oliver, no seu mais particular âmago. Palavreados como "viadinho" e "putinha" Oliver já estava acostumado a escutar de seu próprio pai, mas principalmente em toda sua vida escolar.
Viveu uma vida difícil desde que decidiu assumir o que era. Não tinha vergonha em dizer que gostava de homens, mas sentia que tinha sido uma péssima escolha assumir aquilo. Algumas pessoas, incluindo seu pai, tentaram-no doutrinar à base de espancamentos, como se fosse resolver alguma coisa. Por certo tempo, Oliver achou que aquilo seria mesmo uma espécie de cura para aquilo que as pessoas achavam tão errado, mas mesmo depois de apanhar a ponto de parar no hospital, ele continuava achando homens extremamente atrativos. Chegou a passar por situações extremas, como quase ser estuprado pela única pessoa que chegou a considerar amigo. E era por isso que tinha tanto medo de ficar nu na frente de alguém.
A tenda era grande e estava escura. Havia inúmeros bancos sem encostos espalhados de maneira ordenada. Na frente havia um grande telão e na entrada da tenda, um projetor. O que era de admirar, pois não havia quase tecnologia nenhuma ali, principalmente luz elétrica, pois assim que anoiteceu, Oliver viu Terrence acendendo lampiões.
Sentou-se no terceiro banco a frente da abertura da tenda e na ponta esquerda. O outro rapaz que fora transferido junto de si, Luke, sentou-se a seu lado e lhe deu um olhar estranho, que Ollie preferiu ignorar. Na tela, algo começava a passar e quando Oliver notou tratar-se de um filme educativo, quis vomitar. Então, viu Bruce passar por ele e ficar no canto direito da tenda, quase oculto pela escuridão. Ele também havia tomado banho, pois não estava suado e estava com outras roupas, uma blusa de mangas curtas e cinza, uma calça escura de tecido grosseiro e as botinas de combate. Mastigava uma maçã e parecia prestar atenção no telão. Oliver suspirou, prendendo sua atenção no homem. Ao seu lado, Luke notou o olhar fixo do rapaz no policial e fez uma careta de nojo, então ergueu-se e saiu de perto. Oliver não deu a mínima.
Bruce já havia acabado de comer a maçã e bocejou discreto, admitindo a si mesmo que o filme era um saco. Era sobre um garoto que sofria a síndrome de édipo e havia inúmeros depoimentos de psicólogos e psiquiatras. Entretanto, sentia-se na obrigação de assistir aquilo, já que precisava dar o exemplo. Passou o olhar pela tenda, notando alguns rapazes conversando baixinho, outros prestando atenção e Oliver o olhando. Parecia o hobbie favorito dele. Bruce fingiu não notar e deslocou-se cuidadoso até ele. Percebeu que ele o seguiu com o olhar e sorriu disfarçado, estava começando a se sentir estranho com aqueles olhares.
Oliver sentiu a mão forte dele segurar seu ombro e apertar. A respiração de Bruce escorregou por seu pescoço e causou um arrepio no corpo inteiro dele.
— É para prestar atenção no filme, não em mim, Cherry Bomb! — murmurou perto do ouvido dele, usando o apelido pela primeira vez.
Ele sorriu malicioso ao escutar o apelido novo e virou o rosto devagar de encontro ao de Bruce, estava perto demais, podia sentir a respiração dele em seu rosto. Ele era ainda mais bonito de perto e tinha lábios perfeitamente delineados.
— É que você chama muita atenção. — sussurrou de volta e então, tornou a olhar para o filme.
Bruce o soltou. Não conseguiu identificar nenhum tipo de provocação na resposta, era como se ele estivesse falando sério. O que o deixou estranhamente inquieto.
Quando o filme terminou, os rapazes comemoraram e saíram reclamando, dizendo que podiam escolher filmes mais interessantes. Terrence dava uma resposta adequada a cada um deles, fazendo-os se calarem em segundos. Despachou os veteranos para dormir e reuniu Oliver, Freddie e Luke para decidir quem ficaria de vigia durante a noite. Afinal, sempre tinha um engraçadinho que escapava do dormitório. Quando Terrence despediu os outros dois e deu o cargo para Oliver, notou-o chateado.
— Ah, qual é, isso é marcação! — reclamou franzindo os lábios. — Passei a noite na cadeia, nem dormi direito...
— Sério que vai recusar passar a noite em minha companhia? — Bruce chantageou-o, fazendo Terrence e Roy rirem. — Assim me deixa chateado, Cherry Bomb.
Ele fez uma careta e riu, falso.
— Adorei o apelidinho de atriz pornô! Tá usando na tentativa de me comer? — retrucou com um tom entre ironia e irritação.
— Olha o modo como trata seu superior, mocinho... Sinto muito por isso, mas você não tem escolha! Quem sabe quando resolver melhorar o comportamento? — Terrence sentenciou e se dirigiu aos oficiais. — Tenham uma boa noite, agora se me dão licença...
Bruce e Roy assentiram e se despediram dele, então viraram para Oliver.
— Está esperando o quê? Pode começar a fazer a ronda, acha que a vigia se faz parado? — Bruce falou, fingindo seriedade.
— Que eu saiba você está no turno comigo, não vou rondar esse lugar sozinho! — resmungou e viu ambos rirem.
— Está com medo de andar sozinho no escuro? — provocou-o de volta, com um sorriso.
— Estou tremendo! Quer me proteger? — debochou, revirando os olhos.
Roy e Bruce deram risadas, descontraindo o clima.
— Ai, ai... Grave bem esses momentos, Bruce, quando sair daqui a ideia de ter um filho vai ser um pesadelo! — Roy alertou, olhando para Oliver, que os escutava.
Bruce suspirou firme, lembrando-se de Margot. As provocações de Oliver ocuparam sua mente a ponto de fazer se esquecer de toda a crise.
— Já está sendo, Roy... Já está sendo. — confessou, desviando o olhar para longe, com o sorriso já fechado.
— Ué, o que houve? Vocês pareciam tão felizes da última vez que os vi.
— Desde que Margot engravidou, nosso casamento está indo de mal a pior.
Oliver o olhou, sentindo um estranho incômodo com aquela informação.
— Você é casado? — perguntou, parecendo um tanto decepcionado.
— Por enquanto, sim. Mas se depender dela, não vou continuar por muito tempo. — desabafou, demonstrando desânimo.
Roy admirou-se.
— Crise?
— Porra, acho que estamos em outro patamar já. — Bruce riu sem jeito. — Ela está sempre jogando na minha cara que a minha fama de policial vai matar nossa família. Sequer posso chamar o filho de "meu", que ela já faz um escândalo. — desabafou.
Oliver abaixou a cabeça, absorvendo as informações. Parecia incomodado com a notícia de que Bruce era casado e era um futuro pai.
— Cara, isso é uma merda, mas passa. — Roy aconselhou, fazendo uma careta. — Na primeira gravidez da minha mulher, foi tudo um amor. Na segunda... A mulher ficou maluca, Bruce! Ela me atacava as coisas sem motivo nenhum! Acho que são os hormônios...
Bruce riu baixo, imaginando a cena. Oliver o acompanhou.
— Por incrível que pareça, isso nem é o pior, para mim. — respirou fundo. — Sinto falta do sexo.
— Eita, vocês não tem tido sexo esse tempo todo? — Roy indagou surpreso.
— Desde o quarto mês de gestação não fazemos muita coisa, porque ela reclama de dor e desconforto. Mas de um mês para cá... Cara, me sinto virgem novamente.
— Sexo é um dos ingredientes principais para se manter um casamento! — lamentou-se.
Oliver encontrava-se entendiado escutando aquilo. Não estava afim de imaginar nenhum dos dois a sua frente tendo relações sexuais com suas esposas.
— Bem, como não estou no turno, vou me retirar. Divirtam-se. — Roy se despediu.
Quando o homem se afastou, um silêncio pairou entre Bruce e Oliver. Eles se entreolharam por um momento, sentindo o constrangimento de puxar algum assunto. Bruce anuiu em sua direção e deslocou-se, indo fazer a ronda noturna.
— Ei, Bruce! — Oliver o chamou de repente, com um sorriso maldoso nos lábios. Ele retornou para dar-lhe atenção. — Se você quiser, posso resolver seu problema sexual. — sugeriu irônico, balanço o punho de modo obsceno.
Bruce riu para Oliver, ficando ainda mais bonito. Entretanto, mesmo rindo, Bruce sentiu a tensão daquela pergunta.
— Se fosse com a boca eu poderia até pensar, Cherry Bomb. — retrucou, dando-lhe as costas e voltando para sua ronda.
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