Bad Reputation
16 Chapter 12.1
Notas iniciais
A mão deslizava tendenciosa pelo corpo do homem. Passava pelo pescoço, tocando a nuca com as pontas dos dedos. Deslizava pelos cabelos curtos e tornava a descer, chegando ao peitoral. As unhas curtas encravavam-se na pele com leveza, mas com intensidade. Os dedos voltavam a perseguir o trajeto do corpo, sentindo as alterações do músculo e a textura dos pelos. A mão chegava até a barriga e tocava-a inteira. A palma sentia a definição do abdômen e a pele macia. Tomava um certo cuidado com o lado esquerdo, próximo a cintura. Mesmo fechado e tratado, o ferimento ainda era sensível e demoraria até se curar totalmente. Por isso, retornava com a mão até o umbigo e descia um pouco mais, até o baixo ventre. De relance, conseguiu sentir a ereção dele encostar em seus dedos, mesmo que ainda vestisse cueca. Oliver sorriu.
Bruce voltou a beijar seus lábios de maneira intensa, a ponto de arrancar suspiros do rapaz. Ao perceber que ele sorria, roçou sua língua em seus lábios, o provocando. Sentia a mão dele rodeando a costura da cueca, fazendo certo charme para adentrá-la. Sua pele se arrepiava com o toque quente dele, desejando mais e mais. Finalmente, Oliver encaixou a mão dentro da peça íntima e começou a masturbá-lo. Um gemido escapou dos lábios de Bruce e acabou por interromper o beijo, que foi finalizado com uma lambidinha de Oliver em seus lábios.
Enquanto sentia os toques maliciosos, Bruce passeava as mãos em torno do corpo nu do rapaz deitado ao seu lado. Corria as pontas dos dedos pela lateral de seu corpo, chegando até a cintura. Descia um pouco mais e conseguia apertar seu traseiro, fazendo-o gemer baixo. Então sorria, suspirando profundamente pela masturbação.
Oliver curvou-se um pouco sobre o corpo de Bruce. Os rostos ficaram próximos. Um encarava o outro com um sorriso malicioso pendendo nos lábios avermelhados pelas inúmeras trocas de beijos. Bruce segurou o rosto de Oliver e o trouxe mais para perto. Ameaçou a roubar-lhe um beijo e quando ele deu a brecha, conseguiu morder a ponta de sua língua, em seguida dando uma breve sugada. Observou-o morder os lábios depois da provocação e riu baixo. Oliver desviou o rosto e afagou-se no pescoço de Bruce. Encheu-o de beijos e mordidas enquanto sentia a barba dele roçar em seu rosto.
Ele fechou os olhos, sentindo os lábios quentes de Oliver beijando sua pele. Suas mãos tornaram a acariciar o corpo dele, apertando-o de quando em quando. Quando sentiu os lábios descendo, tornou a abrir os olhos e sorriu ao reparar no beijo em seu peitoral. Entretanto, impediu que ele descesse mais. Puxou-o para cima, fazendo o corpo dele se sentar sobre o seu. Oliver entendeu a intenção e mordeu os lábios, mas quando começou a abaixar a cueca dele, escutou-o grunhir.
O peso de Oliver acabou forçando contra o ferimento, o que fez Bruce esboçar uma careta de dor.
— Acho que... Nessa posição não dá... — uma risada baixa escapou de seus lábios.
De imediato, Oliver se levantou. Por mais que estivesse sorrindo, foi impossível não demonstrar preocupação. Bruce percebeu a hesitação dele e se ergueu, se aproximando.
— Mas não quer dizer que em outras não dê. — ele empurrou Oliver contra a cama, ficando por cima.
Oliver riu, arqueando as sobrancelhas. Ajeitou-se por baixo dele e levou as mãos até o tronco dele, sentindo seus músculos com os dedos.
— Seja o chefe, daddy. — murmurou com a voz manhosa, enlaçando as pernas em sua cintura.
Bruce respirou fundo ao escutar aquilo. Oliver sabia bem como provocá-lo.
Observou o corpo do rapaz abaixo do seu e sorriu, começando a abaixar a cueca. Sentia-o roçando as coxas em sua cintura, o que fazia seu membro pulsar de excitação. Segurou-o pelos quadris e ajeitou-se entre suas pernas. Notou sua entrada ainda úmida de momentos anteriores e encaixou-se com facilidade.
Conforme o penetrava lentamente observava a feição no rosto de Oliver. Seus lábios abriam-se aos poucos e um suspiro contínuo de prazer escapava. Sua respiração ofegou-se e quando Bruce introduziu-se por completo, Oliver gemeu baixo de forma manhosa.
Bruce precisou respirar fundo para manter o controle e não se desfazer logo de início. Mordeu os lábios, admirando o semblante prazeroso de Oliver. Deslizou as mãos pelas coxas grossas dele, apertando-as. Voltou com a destra, acariciando a parte interna da coxa até alcançar o membro ereto dele. Começou a masturbá-lo antes mesmo de se movimentar, fazendo-o se remexer gostosamente na cama. Ele mexia os quadris, quase como se suplicasse para Bruce começar a se movimentar. Bruce sorria maldoso e continuava a tocá-lo com intensidade.
— Droga, Bruce... Por favor... — Oliver tentou suplicar, mas os dedos canhotos de Bruce taparam seus lábios, impedindo-o de continuar.
— Shh... — Bruce sorriu malicioso, olhando fixamente para os olhos de Oliver. — Eu sou o chefe. Eu estou no controle.
Oliver mordeu seus dedos, lhe provocando. Por isso, os deslizou pelos lábios macios dele e encaixou o polegar entre eles. Oliver passou a ponta da língua pela digital e em seguida, o abocanhou. Bruce mordeu o lábio inferior enquanto admirava a cena de Oliver sugando seu polegar e sentia sua língua quente. Entretanto, não demorou muito. Bruce desviou a mão do rosto dele para seu pescoço, então envolveu os dedos na pele alva de Oliver e a apertou sem força, mas com pressão. Assim, começou a se movimentar.
No começo, os movimentos eram lentos, porém intensos. Bruce mexia-se de encontro ao corpo de Oliver, fazendo-o se arquear, mesmo que involuntariamente. Sentia as pernas dele se agarrarem em seu quadril com força, dificultando os movimentos. Seu olhar continuava fixo em Oliver, admirando sua feição e dando atenção aos gemidos engasgados. Continuava a apertar o pescoço dele com cuidado e então, começou a acelerar os movimentos do quadril.
As mãos de Oliver apalpavam todo o corpo de Bruce. Arranhavam desde o braço que pendia em seu pescoço até sua barriga. Precisava descontar todo o prazer de sentir a penetração e a masturbação. E mesmo que estivesse difícil de gemer pela pressão na garganta, Oliver não conseguia fechar os lábios e impedir que grunhidos manhosos escapassem. Seus olhos estavam pesados pelo tesão e ainda que fosse difícil mantê-los abertos, ele conseguia admirar o corpo de Bruce sobre o seu. Sentiu-o apertar mais seu pescoço, causando uma descarga de prazer arrepiar sua pele. Arqueou as costas, inclinando a cabeça para trás, sentindo as ações de Bruce sobre seu corpo. Roçou suas coxas no corpo dele e abriu mais as pernas.
Observando a bela cena de Oliver se remexendo prazerosamente embaixo de seu corpo, Bruce soltou seu pescoço e deslizou a mão por seu tronco inteiro até sua coxa, apertando-a. Aos poucos, começou a se curvar sobre ele e manteve o rosto bem próximo ao seu. Sentiu a respiração ofegante dele em seus lábios e o beijou com voracidade. Continuou a masturbá-lo com a destra e abraçou o corpo dele com a canhota. Conforme se movimenta para dentro e para fora, era capaz de sentir o membro dele roçando em sua barriga junto de sua mão.
Oliver envolveu as mãos em pescoço, deslizando-as pelos cabelos e descendo até as costas, arranhando-as. Permaneceu envolvendo os lábios de Bruce em um beijo, mas por pouco tempo. Puxou o lábio inferior dele e o soltou, afastando as bocas. Se encararam e sorriram, mas o sorriso de Oliver foi ocupado por gemidos frequentes. Encantado, Bruce admirou a feição excitante em seu rosto e intensificou mais os movimentos, obrigando-o a gemer mais.
Sentiu os dedos de Oliver agarrarem sua pele e admirou seu rosto entregando o ápice. Assim, continuou a masturbar e penetrá-lo, arrancando mais gemidos. Oliver arqueou o tronco, mexendo seu corpo a favor de Bruce e sentindo o tesão chegar ao limite. Então, o ápice chegou, fazendo-o soltar um gemido delicioso que arrepiou todo o corpo de Bruce. Derramou-se no peitoral dele, mas melou ambos os corpos. E mesmo depois de finalizado, o prazer da penetração de Bruce permanecia.
Bruce rangeu os dentes, sentindo o ápice de aproximar. Por isso, hesitou por um momento, tentando se segurar. Então, Oliver puxou sua atenção.
— Você sabe que eu gosto... Que eu gosto de você. — sussurrou manhoso, arrancando um suspiro de Bruce.
Sabia que Oliver estava lhe provocando e era difícil controlar ao escutar aquela voz manhosa soar como um deleite.
— Oliver, porra... Eu vou gozar dessa maneira.
Ele sorriu.
— Eu gosto muito de você... Não faça parar... daddy.
Bruce fechou os olhos, contraindo o corpo. E sem conseguir se controlar mais, se derramou inteiro dentro de Oliver junto com um gemido grosso.
Oliver deu uma risada ofegante enquanto via Bruce se erguer, demonstrando cansaço. Mordeu os lábios ao senti-lo sair de seu corpo e se jogar deitado ao seu lado, ajeitando a cueca.
Ambos estavam suados e ofegantes. Bruce esticou-se na cama, sentindo a adrenalina desaparecer aos poucos. Recebeu Oliver em seus braços e beijou brevemente seus lábios, sentindo-o lamber sua boca de maneira provocativa.
— Pare de me provocar. — alertou-o sério.
— Por quê?
— Porque eu não vou conseguir parar.
Oliver riu, admirando seu rosto. Bruce estava de olhos fechados, respirando de maneira mais tranquilizada. Aproximou seus dedos até a barba dele e o acariciou com ternura, então o viu suspirar.
Aconchegou-se ao corpo dele, desistindo de tocá-lo na barba para acariciar seu abdômen. Deitou a cabeça em seu peitoral e colou seu corpo ao dele. Bruce passou o braço por suas costas, acariciando seu corpo com a ponta dos dedos.
— Que horas são? — Bruce questionou com a voz rouca depois de um tempo.
Oliver olhou em volta, fitando a janela.
— Não sei, mas está amanhecendo. — respondeu, tornando a se erguer. — Você deveria dormir um pouco. Ficou a noite toda acordado.
Bruce se ergueu também. Sentou-se e apoiou os cotovelos sobre as coxas. Seu ferimento incomodava um pouco, precisaria tomar outro analgésico para não ter que lidar com a dor.
Observou Oliver se aproximar e sorriu para ele. Sentiu-o se sentar atrás de si e passar os braços por baixo dos seus, lhe abraçando por trás.
— Tenho o dia inteiro para dormir depois e tem outra... — olhou por cima do ombro, vendo o rosto de Oliver. — Você também ficou acordado.
Ele mordeu sua orelha de leve, causando um arrepio gostoso em seu corpo.
— Mas eu não tomei um tiro.
Bruce suspirou, apoiando a testa no rosto dele.
— Eu não vou morrer, está bem? Inclusive, acho que estou bem vivo. — comentou dando uma leve risada.
Oliver arqueou as sobrancelhas, concordando.
— Não tenho argumentos contra isso, daddy.
Ele não respondeu, apenas permaneceu abraçado em Oliver, sentindo os lábios dele tocando sua pele.
A boca de Oliver escorregava pelo ombro de Bruce, depositando beijos curtos e úmidos. Sentia o cheiro dele e roçava a ponta do nariz, sentindo uma espécie de euforia em seu peito. Era possível escutar a respiração pesada de Bruce e isso o instigava mais. Por fim, deu uma leve mordida em seu ombro antes de beijar a bochecha dele.
— Eu amo você. — Bruce murmurou, sentindo o corpo dele encaixado ao seu.
Oliver sorriu ao escutar aquilo e apoiou a testa em suas costas, sentindo a temperatura de seu corpo.
— Nunca imaginei que fosse escutar isso. — comentou baixo, de olhos fechados.
— De mim ou...
— De qualquer pessoa.
Bruce suspirou pesaroso. Então, se afastou do corpo dele para poder se virar e encará-lo. Oliver abaixou o olhar, mas reergueu ao sentir as mãos dele segurando suas bochechas.
— Bem, eu não sei que tipo de pessoa eu sou, mas... Definitivamente, eu amo você. — disse baixo, acariciando o rosto dele. — Demorei um pouco para perceber. Acho que eu estava emperrado.
Oliver riu, demonstrando certa timidez. Era a primeira vez que Bruce o via vulnerável daquela maneira, com um sorriso meigo e bochechas rosadas de vergonha. Percebeu que queria descobrir todas as feições de Oliver.
Ele aproximou o rosto de Oliver, beijando seu queixo e depois sua boca.
— Você é muito mais do que apenas Cherry Bomb, não é? — murmurou, fixando o olhar no dele.
— Acho que sou... — o sorriso tímido permaneceu, assim como o olhar.
Bruce acariciou seu rosto, sentindo a textura de sua pele.
— Eu quero descobrir cada feição sua. Cada uma. — sussurrou enquanto deslizava o olhar pela face dele, absorvendo seus detalhes como uma máquina fotográfica.
— Que bom, porque eu quero que você veja cada uma delas.
Sem delongas, Bruce avançou tornando a beijar os lábios dele. Oliver retribuiu, enroscando os braços em seu pescoço e o puxando mais para si até que os corpos tombassem sobre a cama.
O beijo foi interrompido por um momento. Eles se entreolharam sem dizer nada, apenas esboçando sorrisos. Bruce mordeu o queixo de Oliver e logo voltou a beijá-lo, dessa vez com mais intensidade.
Os raios solares começaram a adentrar pela janela, atingindo o corpo de ambos, revelando a manhã que acabava de chegar. Quando Oliver sentiu o calor tocar seu corpo, afastou a boca de Bruce com pressa.
— O que foi?
— Eu preciso voltar para casa. — disse apressado. — Ontem avisei que chegaria mais tarde, mas...
Bruce riu baixo e se levantou, saindo de cima de Oliver.
— Pode deixar, eu te levo em casa. — sugeriu já se levantando da cama.
Já de pé, ele se espreguiçou e bocejou sonoramente. Os resquícios da noite em claro já davam sinais de cansaço no corpo, mas nada que o incomodasse.
— Só preciso de um banho. — comentou. — Inclusive...
Suas palavras foram interrompidas pelo puxão de Oliver em sua cueca. Foi de encontro a ele, sentado sobre a beira da cama. Sentiu as mãos dele deslizando por seu quadril até entre suas pernas e então, seu traseiro. Sorrindo, Bruce segurou o rosto dele com a mão direita.
— Inclusive, acho que você também deveria tomar um banho. — concluiu, apertando seu maxilar enquanto o olhava de cima.
— Depende.
— Do quê?
Oliver abriu um sorriso cínico em direção a Bruce e arqueou as sobrancelhas. Suas mãos continuavam a explorar a região que sua cueca tapava. Bruce mordeu o lábio inferior e acertou um tapa leve em sua bochecha.
Observou Bruce se distanciar até o banheiro e sustentou o sorriso nos lábios. Como flashes, as lembranças da noite interior invadiam sua mente, emanando um turbilhão de sentimentos. Oliver não sabia explicar nenhum deles e sequer queria. Afinal, sentir já era bom o suficiente.
O sorriso cínico se transformou em um sorriso bobo conforme se lembrava de tudo. Havia sido tudo tão incrível que nem mesmo ele conseguia distinguir de um sonho. Nunca pensou que seria tocado com carinho. Ou que seria beijado. Nem mesmo imaginou que chegaria a escutar as famosas três palavras. E não só isso. Naquele momento, ele não só tinha noção de que Bruce havia o dito que o amava. Naquele momento, se lembrando de cada minuto ao lado dele, Oliver entendeu o significado daquela frase. E como era intensa.
Afastou-se da cama, concordando com o conselho de Bruce sobre tomar um banho. Precisava ir para casa ainda. Afinal, Lisa deveria estar bem preocupada. Havia apenas dito que chegaria um pouco mais tarde e, no entanto, havia passado a noite fora.
Aproximando-se da porta, ele se escorou no portal, observando o corpo nu de Bruce embaixo da ducha. Era uma visão bela e tentadora, mesmo que ele tivesse observado aquele mesmo corpo durante toda a noite. Adiantou-se até ele, ainda admirando o corpo forte se banhando. Com a mão direita, tocou a pele molhada das costas de Bruce, a acariciando com ternura. Ele se virou aos poucos até conseguir admirar o corpo nu do rapaz a sua frente. Reparou em algumas marcas de apertões em seu corpo, principalmente no pescoço. As manchas se sobressaiam bastante na pele alva que ele tinha. Oliver segurou seu rosto com delicadeza e Bruce não hesitou em beijar seus lábios. Também envolveu as mãos em sua cintura, puxando-o para dentro da cabine do banho, encharcando-o.
Apesar dos beijos e das brincadeiras, eles tomaram banho para que seguissem adiante. Depois de terminarem, Bruce emprestou roupas limpas para Oliver e decidiu se vestir. Colocou a calça jeans escura e quando estava para por a camiseta preta, reparou no ferimento. Não parecia ter nada de errado, mas estava incomodando com um pouco de dor.
Oliver acabava de vestir a blusa cinza e amarrar o cadarço da calça de moletom da mesma cor quando notou a hesitação de Bruce. Foi até ele, demonstrando certa preocupação. Porém, antes que pudesse falar qualquer coisa, ele pareceu prever e interrompeu-o.
— Só está doendo um pouco. Não se preocupe. — sorriu mínimo, voltando a vestir a blusa.
— Bem, difícil... É culpa minha.
Bruce o olhou.
— Não foi você que me deu um tiro.
— Mas fui que te fiz ficar a noite toda acordado.
— Valeu a pena. — ambos sorriram antes de se beijaram de novo, brevemente.
Sem mais delongas, ele se encaminharam para fora do quarto. Os resquícios das atividades noturnas e o sono os faziam bocejar de quando em quando. Também estavam com certa preguiça, mas nada que os impedissem de prosseguir.
Quando Bruce foi recolher as chaves, não encontrou nem mesmo a de casa. Olhou em volta, imaginando onde estaria ambas, tanto do carro quanto da porta de casa. Por um momento, pensou que o carro estaria estacionado na delegacia, mas jurava se lembrar que na manhã anterior, Maximoff tinha o buscado em casa para fazer a patrulha dos bairros periféricos. Seu carro deveria estar estacionado do outro lado da rua e tinha quase certeza disso. Entretanto, não conseguia imaginar onde havia deixado as chaves.
De repente, Oliver cutucou seus ombros, sorrindo zombeteiro. Bruce se virou para lhe dar atenção e recebeu as chaves em suas mãos.
— Estava em cima do sofá. Deve ter caído de seu bolso ontem a noite. — ele deu de ombros. — Você não precisou abrir a porta ontem, lembra?
Bruce sorriu, concordando. Pelo que se lembrava, Oliver havia arrombado a porta de sua casa. Agradeceu-o e então, o conduziu para fora.
O sol morno da manhã os recebeu de forma agressiva. A claridade machucou os olhos dos rapazes e os fizeram lacrimejar por um momento. Bruce destravou o carro do outro lado da rua e quando estava prestes a abrir a porta, reparou em algumas marcas. Provavelmente, algum mal intencionado havia arranhado sua lataria.
— Antes eu tivesse deixado estacionado na delegacia. — murmurou revirando os olhos.
Assim que se ajeitaram dentro do veículo, Bruce deu partida. Ainda parecia estar cedo e isso explicava o pouco tráfego daquela manhã. Ele checou o horário no rádio do carro e viu que era um pouco menos de sete da manhã.
— Está com sono? — Bruce questionou, ao reparar no semblante apático de Oliver pelo retrovisor interno. — Ou está pensando na desculpa que vai dar quando chegar em casa?
Oliver riu baixo, esfregando os olhos.
— Um pouco de cada um. — respondeu.
— Então trate de arrumar alguma desculpa que inclua essa mancha no pescoço. — provocou, levando a mão até o local e apertando.
Ele tomou sua mão e entrelaçou os dedos, deixando ambas sobre a coxa. Bruce o olhou diretamente e recebeu o olhar de volta. Sorriram juntos e apertaram as mãos unidas.
Era um mundo completamente novo para Bruce, embora ele sentisse que já estivesse pronto para aquilo. Sentia como se conhecesse Oliver a vida toda. Não sentia nenhum tipo de constrangimento ao se lembrar daquela noite como temeu que teria. Era de se esperar que tivesse, pois era tudo novo demais. Era a primeira vez que se deitava com outro homem. Mas com Oliver tinha uma naturalidade tão grande que parecia já estar acostumado com aquilo. Talvez porque estivesse certeza do que estava sentindo.
Conviveu tempo o suficiente com Oliver para fazer aquilo se tornar mais do que apenas uma nova experiência. Conhecia seus medos e suas carências. Conhecia seu jeito e admirava sua coragem. Sabia que atrás daquele semblante cínico havia um rapaz vulnerável, mas forte. Conheceu a origem de seus medos e tentou ajudá-lo com isso, assim como ele fizera o mesmo, apesar de tudo.
Oliver estava sempre ao seu lado, desde o dia em que puderam se conhecer. Era ele que tentava amenizar a pressão do acampamento provocando sua atenção. Era Oliver quem arrancava sorrisos seu mesmo quando tinha vontade de socá-lo. Foi Oliver que esteve do seu lado quando tudo desmoronou, mesmo que de um jeito diferente. E apesar de tudo, das desavenças que surgiu entre eles, Oliver permaneceu ao seu lado quando tudo pareceu dar errado. Bruce jamais se esqueceria da última imagem que viu quando tudo ficou preto. Jamais se esqueceria que era Oliver.
Havia todo um histórico entre eles e era isso o que tornava as coisas tão naturais. Bruce havia visto a parte mais íntima de Oliver e visto como era danificada. Tentou poupá-lo de se ferir ainda mais, deu o próprio rosto a tapa pra defendê-lo. E quando Oliver teve a chance, fez o mesmo. Estavam sempre um pelo o outro, de algum modo, sempre tentando se cuidarem. E era por isso que não havia nenhuma incerteza naquele momento. Nem mesmo se pensasse em Margot.
Bruce tinha total noção de que jamais esqueceria Margot e nem mesmo tentaria. Margot foi uma parte sua e de sua vida completamente linda. A manteria como um sonho de verão ou como se guarda uma imagem bela em um medalhão. Faria questão de se lembrar dos belos dias que teve ao lado dela. E de como a amou. E ainda a amava, era fato. Jamais deixaria de amá-la. Assim como também amava Oliver. E, se algum tipo de certeza, era que Margot estaria feliz de vê-lo seguindo em frente.
Não tardou muito e Bruce conseguiu avistar a casa de Oliver. Girou o volante e estacionou brevemente, próximo ao meio fio, para se despedir dele. Suas mãos permaneciam unidas e os lábios esboçavam sorrisos. Ele desligou o carro por um momento, virando-se em direção a Oliver e lhe dando atenção.
Oliver sentiu o olhar dele sobre si e deu uma risada sem graça, desviando o rosto para baixo.
— O que foi? — Bruce questionou simpático.
— Eu não sei, só... É diferente, não acha? Quer dizer... Eu não sei explicar.
Ele sorriu. Ás vezes, Bruce se esquecia que, de algum modo, tudo era novo para Oliver também. Por mais que ele estivesse acostumado a ter atração por homens, nunca recebeu nada mais que violência deles. No caso, o amor era novo para ele.
— Eu entendo.
— Entende? — ele arqueou as sobrancelhas e viu Bruce concordar ao acenar com a cabeça.
Oliver apoiou a mão sobre a coxa de Bruce e aproximou o rosto do dele. Admirou o sorriso dele e tomou seus lábios em um beijo intenso. Sentiu-o segurar sua nuca e ir deslizando os dedos até seus cabelos, então segurando os fios com firmeza. Oliver apertou a coxa de Bruce diante da pegada. Aos poucos, foi escorregando a mão pela parte interna da coxa dele.
Insistiram no beijo mais um pouco e com um breve selinho, os lábios se separaram. Oliver sorriu para Bruce e desviou o rosto, olhando para frente. Foi quando seu coração saltou diante de um susto.
A figura magra de um homem conhecido acabava de desviar o olhar deles. A respiração de Oliver pareceu falhar ao reparar que se tratava de George, como uma aparição, deixando de encará-los para adentrar na casa. Bruce também reparou no homem magricela e franziu o cenho.
— Sujeito estranho. — comentou baixo e olhou para Oliver, que parecia preocupado. — Conhece?
— É o marido da minha irmã. — respondeu, ainda olhando para frente, apesar de George já ter entrado. — Bruce, eu preciso entrar.
Ele arqueou as sobrancelhas, surpreso com a mudança súbita de Oliver.
— Está tudo bem? Parece que ficou preocupado.
— Sim, sim. Só tomei um susto. — forçou um sorriso.
Oliver virou-se para Bruce, roubando um último beijo de seus lábios. Ele retribuiu e mordiscou seus lábios, provocando-lhe uma risada.
— Vê se descansa, você está ferido. — alertou-o, já saindo do carro.
— Você é minha enfermeira agora, é? — Bruce provocou.
Ele fechou a porta do carro, mas antes de se afastar, debruçou-se sobre a janela.
— Sou o que você quiser, daddy. — retrucou de modo sugestivo, fazendo Bruce rir. Assim, afastou-se do carro.
Observou Bruce dar partida e se distanciar aos poucos, então se virou até a casa mais a sua frente. Seu coração ainda estava acelerado e não era por estar com Bruce. A imagem de George os encarando estava lhe incomodando, quase criando uma paranoia.
Tentando se convencer de que não era nada, seguiu em direção a porta. Surpreendeu-se ao encontrá-la entreaberta. Provavelmente, George havia anunciado sua irmã de sua chegada. Preparando-se para um puxão de orelha, ele empurrou a porta. Foi quando escutou algum tipo de discussão escandalosa.
— Não vou fazer isso com ele! Você sabia muito bem desde o início, George! Eu te avisei e você concordou! — a voz de Lisa parecia chateada, soando esganiçada e esgoelada.
— É diferente! Eu concordei desde que ele tivesse respeito pela nossa casa! Imagina se a Lea vê uma cena dessas! — George rugiu de volta.
— Lea está dormindo, George! E Oliver faz o que quiser da vida dele! Eu o trouxe para cá como meu irmão, não para impor regra na vida dele!
Oliver suspirou, escutando a conversa conforme se aproximava. O assunto era ele e, provavelmente, o que George viu. O que já era de se imaginar. Observou os dois discutindo sobre sua vida e pigarreou, chamando a atenção de ambos.
— Oliver! Onde você estava? Por que não me avisou que passaria a noite fora? — Lisa adiantou-se em sua direção, esboçando preocupação. Oliver ficou feliz que ela estivesse preocupada com aquilo e não com o fato de ele beijar outro homem.
— Não importa onde ele estava, porque ele vai embora! — George sentenciou, vindo logo atrás de Lisa. — Quero você fora daqui, moleque!
Ele sentiu as pernas bambearem ao escutar aquilo. Por um momento achou estar escutando errado. Não era possível que estava sendo escorraçado mais uma vez. Entretanto, a voz desesperada de Lisa o fez crer que escutou em alto e bom som ser expulso.
— O quê? George, não! Ele é meu irmão! — ela voltou até o marido, enfrentando-o. — Eu prometi que cuidaria dele!
— Foda-se! Ele podia até ser seu filho! Eu não quero esse tipo de gente na minha casa! — esbravejou de volta, peitando-a.
— Essa casa é minha também, George! E você não pode falar assim dele, está me entendendo? Você tem que...
George a segurou pelo braço com força, arrancando um ganido agudo dela. De imediato, Oliver se aproximou.
— Ei, ei! Solta minha irmã! — rugiu, mas foi ignorado.
— Está querendo ir para a rua junto com ele? Por que eu te ponho na rua também, cadela!
— Tá maluco, seu filho da puta? Você não pode falar assim com ela! — Oliver o empurrou, afastando-o de sua irmã.
Ele veio em sua direção, rangendo os dentes de raiva, mas Lisa entrou entre eles, impedindo que ele agarrasse Oliver. Tentou acalmá-los, mas nenhum dos dois parecia escutá-la.
— Eu falo do jeito que eu quiser, seu viadinho! Porque eu mando nessa porra! E sua irmã sabe disso, sabe que eu tenho total controle dessa casa! — trovejou para ele. — E como sou eu que mando aqui, é melhor você sumir daqui, seu viado!
— Cala boca, George! Para com isso! Você não vai fazer isso com ele! — Lisa segurou seus ombros com cuidado, o empurrando para longe. — Ele é meu irmão e eu não...
De repente, um tapa violento cortou as palavras de Lisa. Acertou em sua bochecha com tanta pressão que ela desequilibrou e foi ao chão.
— Cala a boca você, vadia! Me respeite!
Sem pensar duas vezes, Oliver avançou para cima de George, acertando um murro em seu rosto e o desequilibrando também.
— Não encosta nela, filho da puta covarde! — ameaçou-o, já acertando outro soco em seu rosto.
George conseguiu se desviar e devolver uma cotovelada na boca de Oliver, o que o empurrou para longe. Ele sentiu o gosto de sangue invadir sua boca por causa do corte e grunhiu baixo pela dor. Aproveitando a deixa, George se aproximou dele, agarrando-o pela gola da camisa.
— Seu viadinho de merda, quem você pensa que é?
Oliver retorceu a boca e cuspiu no rosto de George, manchando-o de sangue e saliva.
Lisa adiantou-se com pressa deles para tentar apartar a briga, mas já era tarde demais. George acabava de acertar um cruzado no olho direito de Oliver, derrubando-o.
— Oliver! — ela gritou, indo em direção ao irmão que amparava o olho ferido.
George a agarrou pelos ombros, puxando-a para longe dele.
— Para de defender esse viadinho, sua vaca!
— Já falei para você não encostar nela, seu canalha! — Oliver rugiu, agarrando-o por trás com velocidade e força.
Agarrou-o de forma tão brutal que o corpo dele foi projetado até a parede, trombando contra ela e caindo pelo chão com um baque grosseiro. Ainda não satisfeito, Oliver se reaproximou dele, fechando o punho para os próximos ataques. Lisa foi atrás, tentando impedi-lo de continuar.
Por conta do barulho exagerado, Lea acabou acordando e não resistindo a curiosidade. Saiu do próprio quarto, assustada com os gritos e começou a chamar pela mãe. Passou correndo até chegar a sala e quando observou a cena de seu pai sendo socado pelo seu tio enquanto sua mãe tentando afastá-los deu um grito agudo de pranto, puxando a atenção deles.
— Lea! Lea sai daqui, minha filha! — Lisa gritou com ela, sentindo as lágrimas queimarem em seus olhos. Depressa, voltou para Oliver, puxando-o pelo braço para longe de George.
Ele olhou para a garotinha que chorava e teve vontade de chorar junto.
— Me desculpa, Lisa. Me desculpe! — suplicou com os lábios trêmulos.
Sentiu-a segurar seu rosto e pode reparar na mancha vermelha que se formava na bochecha dela. Nesse momento, sentiu raiva novamente.
— Oliver, por favor... Vai embora! É o melhor que você pode fazer, por mim e por você! Você não conhece o George...
— Não posso te deixar aqui com esse babaca, Lisa. Você tem que vir comigo. Você e Lea. Nós...
Ela meneou freneticamente.
— Não, não! Você não está entendendo! O melhor que pode fazer é ir embora. Se você quer que eu e Lea fiquemos bem, você precisa ir! Aproveita que ele está apagado, por favor...
Oliver olhou fixamente nos olhos dela e passou para Lea, que permanecia chorando. Não podia deixar as duas com George, não depois de ver o mesmo estapear sua irmã e tratá-la como um animal.
— E, por favor, não chame a polícia! — suplicou.
— Lisa...
— Vai logo, Oliver! Por mim e pela Lea, vá logo! Pegue suas coisas e vai embora!
Ainda incrédulo, ele permaneceu com o rosto entre as mãos dela. Seu olho latejava de dor e o corte em sua boca ardia.
— Oliver! — ela exclamou, sacudindo-o.
— Tudo bem... Certo... — ele anuiu contra a própria vontade. — Por você... Por você.
Ela anuiu, tentando conter as lágrimas. Então, abraçou-o uma última vez.
— Me desculpe, meu irmão. Desculpe por não ser capaz de proteger você.
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