Bad Medicine
3 ➝ Intelligence.
Notas iniciais
Tudo a sua frente era um borrão incômodo e desconfortável enquanto ela tentava, de alguma forma, guiar-se. Parecia uma garota desesperada enquanto corria sem direção certa — pudera, sua vista estava comprometida —, desenfreadamente falando. Berrava aos ventos uma única palavra, mas que expressava toda a raiva que estava sentindo. Às vezes era impedida por um ou outro encontrão com paredes e móveis, aumentando ainda mais a sua ira.
— Desgraçado! — gritava incessantemente. — Me devolva isso agora! Volte… — Fez uma pausa para. Um gemido de dor proveniente de uma topada com uma cadeira.
No canto oposto ao daquela mulher enraivecida, um homem desdobrava-se em risadas. Observava-a vir em sua direção e imediatamente empurrava uma cadeira para confundi-la, enquanto a outra mão segurava firmemente um objeto importante.
Os óculos de Karin.
Era divertido vê-la xingando Suigetsu dos piores nomes possíveis — alguns dos quais ele nem ao menos tinha ciência de existir — enquanto não conseguia alcançá-lo pela péssima visão. Por outro lado, ele aproveitava a seu modo o rosto desprovido da armação: no fundo, ela ficava fofa daquele jeito.
Assim permaneceu fazendo-a andar em círculos pelo apartamento, ao mesmo tempo bagunçando a sala. Sabia que no final iria sobrar para ele a tarefa de arrumar tudo — talvez com o bônus de algumas surras durante o processo —, mas pouco se importava. Simplesmente adorava ver aquele misto de frustração, raiva e desespero no rosto de Karin.
Talvez por esses pensamentos ou pela distração momentânea, mal percebeu quando ela o agarrou pela camisa, uma veia pulsando em sua testa. Suigetsu engoliu em seco antes de sorrir.
Apesar de tudo, ele era inteligente. Principalmente quando se tratava de lidar com a mulher que amava — e também odiava, mas essa era uma longa história.
Antes que ela pudesse pegar os óculos de volta, ele beijou-a. Bem que diziam que momentos de desespero clamavam por medidas desesperadas.
Vibrou internamente quando sentiu Karin relaxar e soltar sua camisa, como passe livre para que ele tomasse as rédeas daquele ato. E assim fez.
Mesmo com todos os hematomas que adquiriria posteriormente, o momento de diversão à custa da ruiva valeu a pena. Só para não quebrar o costume.
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