Bad Medicine
4 ➝ Sing.
Notas iniciais
Estavam hospedados num hotel em Konoha, e Karin nunca se arrependeu tanto em dividir um quarto com alguém como Suigetsu. Mas não tinha jeito: estavam na Vila da Folha para visitar Sasuke e sua família, e não tinham dinheiro suficiente para pegar um quarto para cada um dos dois. A solução foi dormirem juntos, uma tarefa penosa e insuportável para Karin. Afinal, quando o assunto era tirá-la do sério, Suigetsu era PhD.
Ela soltou um suspiro assim que adentrou o minúsculo quarto em que passaria alguns dias. Estava cansada da viagem, e precisava urgentemente relaxar. Mal via a hora de, após um banho relaxante, jogar-se na única cama do local e adormecer instantaneamente. Permitiu-se até esquecer as provocações vindas da pedra no seu sapato — também conhecido como colega de quarto —, e tomou rumo para o banheiro.
Suigetsu, percebendo que o cansaço da ruiva era tamanho que ela nem ao menos o dava atenção, resolveu deitar-se na cama a fim de espera-la terminar o banho, para que pudesse fazer o mesmo. Soltou um suspiro. Não via a família de Sasuke desde o incidente com o questionamento de Sarada sobre Sakura ser sua verdadeira mãe ou não. Pretendia fazer uma breve visita, e apenas porque Karin insistiu que ambos deveriam rever Sasuke. Suigetsu realmente não queria voltar a Konoha, mas contrariar a Uzumaki estava completamente fora de questão — até porque dificilmente daria certo.
Com os braços cruzados atrás da cabeça, logo começou a ouvir a água cair do chuveiro, indicando que Karin estava apenas tomando uma ducha rápida. Sorriu ao pensar se deveria ou não se aproveitar da condição cansada da ruiva. Era uma proposta tentadora por demais.
Seu pensamento vagueava por planos mirabolantes quando uma voz o tirou de foco. Era Karin. Mas não era aquela voz tolerável que sempre aumentava de tom quando se dirigia a ele.
Era muito pior. Mil vezes pior.
Karin estava cantando no chuveiro.
Rapidamente Suigetsu tapou os ouvidos numa atitude infantil, contudo era o único jeito de proteger seus tímpanos. A voz aguda parecia perfura-lo no peito, tão ruim a ponto de fazê-lo passar mal.
Pegou o travesseiro mais próximo e usou-o para bloquear sua audição. Aquilo era tão lamentável que o fazia ter vontade de chorar. Perguntava-se qual tipo de tortura era aquela, e se Karin tinha ciência de que era tão eficaz.
Trincou os dentes quando ela começou a cantar mais alto, fazendo-o entrar numa condição de agonia. Estava quase levantando e abrindo aquela porta para suplicar misericórdia, mas as consequências desse ato seriam muito piores do que aquele canto desafinado preenchendo o ambiente e dando náuseas ao Hozuki.
Depois do que pareceram milhões de anos, Karin saiu do banheiro, encontrando Suigetsu esparramado na cama e, aparentemente, desacordado. Estranhou o fato de ele estar com as mãos na cabeça, entretanto não se ateve a isso. Afinal tudo naquele idiota já era esquisito.
— Eu não sabia que você estava tão cansado assim. — Ela deu de ombros, enquanto secava os fios ruivos, recebendo um mero resmungo como resposta.
Fale com o autor